sábado, 15 de setembro de 2007

Faltam cientistas para desenvolver inovação tecnológica na indústria

Segundo especialista, 60% dos doutores e 30% dos mestres brasileiros se formam nas universidades paulistas. Mesmo assim, a produção de ciência e de inovação tecnológica do estado está muito abaixo dos padrões internacionais

“A inovação, a gestão e o capital humano como diferenciadores para a indústria paulista” foi o tema do quarto painel apresentado nesta segunda-feira (10), durante o Seminário “Agenda de Competitividade para a Indústria Paulista”, realizado na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

O palestrante Carlos Henrique de Brito Cruz, que preside o Conselho Superior de Competitividade e Tecnologia (Contec) da Fiesp e é diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), destacou que o Estado de São Paulo concentra o maior número de produções científicas e de registros de patentes da América Latina. Mesmo assim, sua produção está muito aquém da produção dos países que integram a Organisation for Economic Co-operation and Development (OECD): são duas vezes menos textos acadêmicos e cerca de cinco a sete vezes menos patentes.

Cruz apontou vários problemas que podem estar associados a essa produção deficitária. O principal deles refere-se à precariedade do ensino nos níveis fundamental e médio, que não forma jovens aptos a ingressar numa universidade de boa qualidade. “Se hoje fossem triplicadas as vagas no ensino superior, não haveria estudantes suficientes para preenchê-las”, declarou.

Inovação dentro da indústria
Outro fator preocupante é a escassez de cientistas engajados na produção industrial. “Nossa cultura universitária estimula a formação de cientistas para a área de pesquisa dentro das instituições. No entanto, precisamos de mais cientistas trabalhando dentro das indústrias, focados em inovação e desenvolvimento tecnológico, produzindo idéias competitivas”, afirmou o presidente do Contec. Ele ressaltou que, numa economia saudável, quem faz as patentes é o setor produtivo: “Nos Estados Unidos, 96% das patentes se originam nas empresas, e só 4% nas universidades”.

O diretor presidente do Grupo Ultra, Pedro Wongtschowski, e o chefe de Gabinete da Secretaria do Desenvolvimento do Estado de São Paulo, Sérgio Tiezzi, comentaram a apresentação de Cruz. Tiezzi ressaltou a importância de investir no ensino profissionalizante de qualidade. Wongtschowski lembrou que as universidades costumam dar muita ênfase à atividade de pesquisa e se esquecem de sua função mais importante: a formação de pessoas.

Outro ponto enfatizado por Wongtschowski foi a baixa rentabilidade da indústria paulista que, castigada pela carga tributária excessiva e por todos os demais problemas de dimensão macroeconômica que penalizam o setor produtivo, dispõe de poucos recursos para investir em inovação.

Fonte: Sílvia Lakatos / Fiesp