terça-feira, 11 de setembro de 2007

Visão sistêmica para melhorar a qualidade do sistema de saúde

Melhorar a qualidade dos sistemas de saúde é possível, desde que os problemas sejam avaliados e encarados de forma sistêmica. É preciso também que cada profissional envolvido com o atendimento médico tome a iniciativa de aprimorar, de forma organizada, o que estiver ao seu alcance.


Esse é o fundamento das idéias de Harvey Fineberg, professor da Escola de Saúde Pública da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, expostas em entrevista à Agência FAPESP.

Fineberg foi diretor da escola por 13 anos e, de 1997 a 2001, diretor acadêmico da universidade. Nos dois cargos, dedicou sua atuação profissional e acadêmica tanto à saúde pública como aos processos de gestão, desenvolvimento e implementação de políticas de saúde.

Ex-consultor da Organização Mundial de Saúde e ex-presidente da Sociedade para Gestão Médica, Fineberg é atualmente presidente do Instituto de Medicina dos Estados Unidos, organização da National Science Foundation (NSF) voltada para consultoria pública em medicina e saúde.

O Instituto de Medicina dos Estados Unidos, que o senhor preside, lançou um relatório que discute como melhorar a qualidade nos sistemas de saúde norte-americanos. Qual é a definição de qualidade usada por vocês?
Harvey Fineberg – Nós definimos seis elementos básicos de qualidade que orientam o sentido do termo. Para ter qualidade, o atendimento precisa ser efetivo, seguro, equânime, ser oferecido a tempo, fazer bom uso dos recursos e ser centrado no paciente – isto é, voltado para as necessidades dele e não dos provedores de serviços médicos. Com essa noção, o instituto tem tentado, nos últimos oito anos, examinar os problemas da qualidade do atendimento médico. Acreditamos que esses elementos são universais. E que são fundamentais para o que chamo de triângulo de objetivos para se ter um bom atendimento de saúde.

Quais são esses objetivos?
Fineberg – São três princípios: qualidade, acesso e custo. A idéia é que é relativamente fácil conseguir dois desses princípios ao mesmo tempo. Você pode ter um sistema muito bom para todos, se não se preocupar com quanto ele custa. Pode ter um sistema barato e de alta qualidade, se é dirigido para poucos. O problema é oferecer as três coisas.

O sr. teve algum contato com os sistemas brasileiros? Qual sua avaliação sobre eles?
Fineberg – Minha observação sobre a situação no Brasil é limitada. Mesmo assim, tive boas oportunidades para conhecer alguns dos serviços de saúde e analisar algumas das dificuldades. Minha impressão é que, em comparação aos Estados Unidos, o Brasil fez um trabalho melhor em termos de tornar o atendimento médico, em algum nível, acessível a todos. Há, no Brasil, um compromisso constitucional que está sendo gradualmente mais bem cumprido, de oferecer serviços básicos de saúde a todos os indivíduos. Minha impressão é que há uma incrível variedade. Cada estado, cidade, hospital, é totalmente diferente, impedindo que se faça generalizações. O país ganharia muito fazendo avaliações comparativas entre cidades e estados. Especialmente analisando os lugares em que há sucesso com muito pouco. Por que eles são bem-sucedidos? O que eles fazem diferentes do resto?

A falta de acesso é o principal problema nos Estados Unidos?
Fineberg – Sim, tínhamos 45 milhões de pessoas sem acesso a atendimento médico em 2005. Em 2007, o número passou para 47 milhões. Essa cifra inclui apenas quem não tem qualquer atendimento de saúde, nem plano de saúde, nem acesso a programas do governo, nem sindicados, nada. E temos, de longe, o mais caro sistema de saúde do mundo. Então, não estamos dando valor à quantidade de dinheiro que estamos gastando. Com isso, é inevitável concluir que o sistema dos Estados Unidos também não tem qualidade.

Há um consenso no país sobre essa necessidade de melhorar a qualidade?
Fineberg – Estamos disseminando essa idéia, mas as pessoas ainda têm dificuldades em avaliar a situação de forma sistêmica. Identifico uma série de maneiras de ver um tanto parciais.

Pode dar alguns exemplos?
Fineberg – Alguns definem o problema como uma questão tecnológica: que não teríamos os equipamentos certos ou as instalações certas, ou que eles estariam desatualizados. Esses acham que o remédio para melhorar a qualidade seria a atualização tecnológica. Outros têm uma visão moral: a qualidade seria um problema porque os profissionais negligenciariam suas responsabilidades éticas de dar atendimento humano ao paciente. Para esses, o remédio seria selecionar e educar os profissionais, para que tivessem mais compromisso. Um terceiro ponto de vista é o que chamo de racional: não há incentivo para o médico melhorar a qualidade. O médico ganhará a mesma coisa se a qualidade é muito boa ou não. Para esses, bastaria recompensar as boas práticas e punir a má qualidade. Outra visão seria a de que o problema é a psicologia da tomada de decisão. Os médicos são esmagados por demandas: as situações são urgentes, há estresse emocional, portanto os erros acontecerão. Nessa lógica, seria preciso dar ao médico mais tempo com o paciente. Há ainda um modelo educacional: o problema seria treinar pessoas para dar alta qualidade.

Nenhuma dessas visões corresponde aos problemas reais?
Fineberg – Todas elas têm razão. Mas o que enfatizamos no relatório do Instituto de Medicina é que há uma maneira diferente de pensar nas soluções, que incorpora todas essas idéias, mas com foco no que chamamos de abordagem sistêmica.

Em que consiste essa abordagem sistêmica?
Fineberg – A idéia é olhar para a interação do atendimento médico como um conjunto articulado de partes. Algumas humanas, algumas de maquinaria, algumas de comunicação, outras de ação direta. O sistema deve ser olhado no conjunto e, em vez de tentar preparar os médicos para que possam dar alta qualidade de atendimento, o segredo é desenhar o sistema de um jeito que sobressaia apenas a alta qualidade de atendimento.

Mas é possível desenhar um sistema que não cometa erros?
Fineberg – Temos que focar nisso, no seguinte sentido: em vez de pensar que se você tiver um erro em cada 500 pacientes isso seria uma aberração que só acontece por acidente, você deveria lembrar que esse sistema está desenhado para cometer um erro a cada 500 atendimentos. Para isso, é preciso olhar cuidadosamente para os processos e as partes e ver o que precisa ser mudado de forma que os erros sejam reduzidos o desejado um por 500 mil. Essa é a idéia básica. O relatório descreveu vários casos em que isso começou a ser feito, com bons resultados.

São casos isolados ou já começam a se generalizar?
Fineberg – Temos exemplos de trabalhos feitos em vários níveis, às vezes no âmbito da relação médico-paciente, de forma individual, às vezes em uma pequena equipe de médicos, enfermeiras, farmacêutico e paciente. Às vezes na instituição, no hospital ou pronto-socorro. E às vezes na gestão, no modo como o sistema é financiado, pago e regulado. A idéia principal é que podemos fazer muito para melhorar a qualidade. É possível. Foi o que ocorreu com a anestesiologia, por exemplo.

O que ocorreu nesse caso?
Harvey Fineberg – Há 30 anos, nos Estados Unidos, se você fosse submetido, em uma cirurgia, à anestesia geral, a chance de morrer exclusivamente em decorrência da anestesia era cerca de uma em 10 mil. Hoje, ela foi reduzida para uma em 200 mil. Para chegar a isso, a comunidade de anestesistas fez muitas coisas, mas todas elas essencialmente começavam com uma reavaliação do sistema.

Um diagnóstico da situação?
Fineberg – Um pouco mais que isso. Eles analisaram cada erro de fato, mas também cada erro iminente. É como se faz nas companhias aéreas, em que o ponto não é apenas discutir os verdadeiros erros, mas detectar eventos que se aproximam de erros. Os anestesistas publicaram boletins para toda a comunidade, levantando um grande debate sobre segurança. Criaram uma fundação voltada para esse tema. Trabalharam em conjunto com os fabricantes, a fim de padronizar os controles em todos os diferentes equipamentos – porque, quando se está em uma crise urgente, é preciso ser capaz de tomar decisões muita rápidas. Além disso, houve também contribuições tecnológicas, como, por exemplo o oxímetro de pulso, que mede o oxigênio no sangue utilizando apenas um leitor preso ao dedo. Durante a anestesia, se o oxigênio no sangue está alto, o paciente está produzindo dióxido de carbono, o que significa que o tubo endotraqueal está onde deveria e não no esôfago, o que seria ruim. Todas essas coisas vêm juntas – atenção ao problema, padronização, rotinas para atendimento, avanços técnicos – para reduzir o erro e a mortalidade.

Nesse caso, quem tomou a iniciativa do processo?
Fineberg – A sociedade profissional de anestesiologia teve grande determinação em fazer algo para melhorar sua performance. As principais iniciativas foram deles, ao estabelecer a fundação, organizada para melhorar a segurança em anestesia, e ao abrir diálogo com os fabricantes para discutir essas questões de design e treinamento. Conseguiram um consenso sobre o que seria preciso fazer e trabalharam muito duramente para disseminar a informação para o conjunto da comunidade. Em suma, a iniciativa foi da sociedade profissional, dos próprios médicos.

A iniciativa deve vir então dos profissionais?
Fineberg – Não importa muito de onde vem a iniciativa – da liderança de administração ou da liderança médica –, o que importa é que todos participem e se tornem parte da cultura de atendimento. É sempre fácil para nós passar a responsabilidade para algum outro personagem que supostamente precisa fazer algo para resolver o problema. E é verdade que ninguém no programa de atendimento de saúde em um hospital ou pronto-socorro tem o controle de todos os níveis do processo. É preciso começar por perguntar: O que eu controlo? O que está ao meu alcance para melhorar o processo? E focar primeiro nessas coisas. E não usar desculpas do tipo “eu não posso controlar tudo, então não posso fazer nada”. O mais lógico é pensar: “Eu posso fazer o que eu posso e vou fazer isso melhor”.

Fonte: Fábio de Castro / Agência Fapesp

Finep disponibiliza formulário do edital de subvenção econômica à inovação

Está disponível na página da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep/MCT) o formulário eletrônico que deverá ser preenchido pelas empresas interessadas em participar do novo edital de subvenção econômica à inovação.

Os R$ 450 milhões previstos no edital, na forma de recursos não-reembolsáveis, serão destinados a projetos de pesquisa e desenvolvimento de produtos, serviços e processos inovadores em áreas prioritárias da Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior (Pitce), do governo federal.

Além das informações básicas como razão social, CNPJ, endereço, faturamento e número de empregados, as empresas terão que informar, de forma resumida, os objetivos do projeto, a previsão de orçamento e os resultados esperados a partir do apoio da Finep.

Também vão assinalar o grau de novidade e aprimoramento do produto ou serviço a ser desenvolvimento, com informações sobre custo, qualidade, desempenho, aplicação e potencial de mercado. Tudo isso, tomando como base as tendências do mercado e o que já existe em termos de concorrência.

Será considerado ainda o impacto do projeto em publicações científicas, comunicação em congressos, formação de recursos humanos e perspectiva de obtenção de patentes.

Também serão avaliados os resultados econômico-financeiros que o projeto poderá gerar, bem como a criação ou manutenção de vantagens competitivas da empresa e a geração de trabalho e renda, entre outros. O impacto do projeto na preservação do meio ambiente também será levado em conta. .

Nesta primeira etapa é necessário informar, ainda, as qualificações profissionais - formação, experiência e talento - da equipe dedicada ao projeto. Outros aspectos que devem ser mencionados no formulário são as parcerias da empresa candidata com instituições de ensino e pesquisa.

Além disso, é preciso demonstrar capacidade e infra-estrutura de pesquisa para desenvolver o projeto. No caso de ser qualificada, a empresa deverá então encaminhar o projeto detalhado à Finep.

Consulte o edital e acesse o formulário.

Fonte: Finep

Mayana Zatz, especialista em células-tronco, faz palestra no CNPq

Uma das mais importantes pesquisadoras em genética no Brasil, a professora Mayana Zatz, estará no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCT) nesta quarta-feira (12), para ministrar a palestra “Do Genoma às Células-Tronco”, como parte do Programa Socializando o Conhecimento.

Doutora em Genética pela Universidade de São Paulo (USP), pós-doutora em Genética Humana e médica pela Universidade da Califórnia, Mayana Zatz é pesquisadora nível 1 do CNPq, pró-reitora de Pesquisas da USP, coordenadora do Centro de Estudos do Genoma Humano, membro da Academia Brasileira de Ciências, Academia de Ciências do Terceiro Mundo (TWAS) e presidente-fundadora da Associação Brasileira de Distrofia Muscular.

Mayana tem experiência na área de genética, atuando em biologia molecular com enfoque em doenças neuromusculares e pesquisas em células-tronco.

A palestra da pesquisadora será às 11h, na Sala Álvaro Alberto, edifício sede do CNPq, na 507 Norte. Para participar, o interessado deve se inscrever pelo e-mail ou pelo telefone (61)2108-9106.

Ibict cria CD-Rom com informações sobre aquecimento global

Para entender melhor o clima e o aquecimento do Planeta, o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict/MCT), criou o CD-Rom 'Climatologia fácil'. O software explica como funciona a rotação da Terra e como a inclinação do Planeta altera os ventos e a temperatura na superfície.

Ele apresenta também os problemas que acontecem aqui, ao redor da gente, com toda a poluição dos carros e fábricas, além de sugestões de atividades que buscam a melhoria do meio ambiente.

O conteúdo do CD, que pode ser usado por professores em sala de aula, ou somente pelas crianças, já que tem gráficos simples, interativos e bem explicativos, ficou por conta da professora e coordenadora do Laboratório de Climatologia da Universidade de Brasília (UnB), Ercília Stanke.

Lançamento
O software ainda não está disponível. Ele será lançado na 4ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, que acontece de 1 a 7 de outubro, no Museu da República, que traz como tema deste ano, o aquecimento do Planeta.

Na manhã de abertura, às 9h, haverá uma aula teatralizada com alunos da professora Ercília. Eles estarão fantasiados de planeta Terra e explicarão o aquecimento global.

Também ficará disponível, na Biblioteca Nacional de Brasília, o software Dox Vox, para que alunos com deficiência visual possam usar o programa.

Os CDs serão distribuídos entre os participantes da semana e, caso sobrem (são 500 no total) serão distribuídos em escolas públicas do Distrito Federal.

As escolas que quiserem agendar visitas para a Semana de C&T, devem ligar para o Cerimonial do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), nos tels: (61) 3317-802/ 7560.

Para saber mais sobre a semana e sua programação, acesse o endereço.

Fonte: Agência CT

Lógica para Computação

O livro Lógica para computação, lançado em 2006, nasceu nas salas de aula de graduação do Instituto de Matemática e Estatística (IME) da Universidade de São Paulo (USP). Mas, pelas características de sua abordagem, a obra acabou atraindo o interesse de pós-graduandos de diversas áreas e ganhou, em 2007, o primeiro lugar do Prêmio Jabuti na categoria Ciência Exatas, Tecnologia e Informática.

Os três autores, Marcelo Finger, Flávio Soares Correa da Silva e Ana Cristina Vieira de Melo, são professores do Departamento de Ciência da Computação do IME. O prêmio, concedido pela Câmara Brasileira do Livro, será entregue no dia 31 de outubro, na Sala São Paulo, na capital paulista.

“Existem excelentes livros de lógica matemática, mas até agora não havia nenhum que apresentasse os fundamentos da lógica com foco na ciência da computação. Conseguimos dar uma grande abrangência, com uma abordagem introdutória, mas mantendo a profundidade e o rigor matemático na exposição”, disse Finger.

De acordo com o professor, a obra permite que estudantes avaliem benefícios e dificuldades provenientes da aplicação de métodos formais – e, mais especificamente, dos métodos fundamentados em lógica formal – para as diversas facetas e ramificações da ciência da computação.

“A disciplina de fundamentos da lógica formal se relaciona com muitas outras, abrangendo várias áreas de desenvolvimento e de aplicação, como teoria da computação, inteligência artificial, raciocínio automático, engenharia de software e métodos formais”, disse Finger.

Segundo o professor, o livro nasceu nas aulas da disciplina introdução aos métodos formais, no IME, mas sua utilização acabou sendo mais abrangente. “O livro é muito usado em alguns cursos de pós-graduação. Isso ocorreu porque se trata de uma área carente, pelo menos com a abordagem que demos”, comentou.

Cada um dos autores se responsabilizou por uma parte do livro. Finger escreveu sobre lógica proposicional. Silva tratou da lógica de primeira ordem. “Os capítulos básicos e as duas primeiras partes apresentam o tema com rigor matemático e profundidade, com muitos exemplos”, disse Finger.

O terceiro capítulo, escrito por Ana Cristina, trata de especificação e verificação de programas. “Os capítulos avançados e a terceira parte apresentam a tônica computacional, com algoritmos e aplicações”, explicou Finger.

O segundo lugar do Prêmio Jabuti na categoria de Ciências Exatas, Tecnologia e Informática ficou com o livro Física moderna, de Francisco Caruso, do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas e da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), e Vitor Oguri, da Uerj.

O terceiro lugar ficou com Computabilidade, funções computáveis, lógica e os fundamentos da matemática, de Walter Carnielli, do departamento de Filosofia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e do matemático Richard Epstein, diretor do Advanced Reasoning Forum, no Novo México, Estados Unidos.

Mais informações no endereço.

Fonte: Fábio de Castro /Agência Fapesp

Estudantes apresentam insatisfação com o próprio corpo

AVALIAÇÃO DA IMAGEM CORPORAL, HÁBITOS DE VIDA E ALIMENTARES EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES DE ESCOLAS PÚBLICAS E PARTICULARES DE BELO HORIZONTE

Estudo epidemiológico que analisou 1.183 alunos de 6 a 18 anos, matriculados no ensino fundamental e médio de 20 escolas em Belo Horizonte, apontou que a maioria dos estudantes apresenta insatisfação com o próprio corpo – padrão que não se altera com a idade.

Dos alunos entrevistados, 62,6% estavam insatisfeitos com o próprio corpo, embora mais de 80% do total estivesse dentro do peso normal. Cerca de 34% gostariam de ser mais magros e 29% de ganhar peso. Entre os insatisfeitos, 32% eram homens e 30,6% mulheres.

O trabalho foi realizado por Ana Elisa Ribeiro Fernandes, médica pediatra do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e apresentado como dissertação de mestrado no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da Faculdade de Medicina da UFMG.

Os dados utilizados pela pesquisadora são de estudos conduzidos pelo especialista em cardiologia pediátrica da Fundação Hospitar do Estado de Minas Gerais, Robespierre Queiroz da Costa Ribeiro, coletados por meio de entrevistas em 16 escolas públicas e quatro privadas na capital mineira por uma equipe de alunos de graduação da Faculdade de Medicina da UFMG.

A idade dos alunos foi dividida em quatro grupos: crianças (6 a 9 anos), adolescência precoce (10 a 13 anos), adolescência média (14 a 16 anos) e adolescência tardia (17 a 18 anos).

“O que mais chama a atenção é que não houve diferenças estatísticas significativas de acordo com a idade. O nível de insatisfação corporal foi praticamente o mesmo entre as crianças de 6 anos e os adolescentes de 18 anos”, disse Ana Elisa. “No trabalho, constatei que a preocupação com a imagem corporal não aumentou com a idade dos indivíduos, enquanto outros estudos apontam que os adolescentes são mais insatisfeitos.”

A avaliação da satisfação da imagem corporal dos estudantes foi realizada por meio de uma escala de silhueta, em que foram organizadas figuras de indivíduos em tamanho crescente, partindo de um corpo muito magro até um obeso. Cada estudante deveria indicar a figura mais parecida com seu corpo e aquela com que gostaria de parecer.

Influências familiares
Ana Elisa analisou ainda dados sobre peso, altura, níveis de sedentarismo e hábitos alimentares das crianças e dos adolescentes. De acordo com o cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC), 5,2% dos alunos eram desnutridos, 9,9% tinham sobrepeso, 4,9% eram obesos e 80,1% tinham peso normal.

Segundo a pesquisadora, até os primeiros anos da adolescência os pais exercem muita influência na aparência e no estilo de seus filhos, sendo em grande parte responsáveis pela insatisfação corporal na faixa etária mais precoce, aos 6 anos.

“Isso ocorre quando eles monitoram muito a alimentação da criança e as comparam com outros colegas da escola que são mais magros. Outro ponto é quando os pais, principalmente as mães, têm uma preocupação exagerada com o controle de peso e passam esses valores para os filhos”, explica.

O trabalho indica que, como as crianças e os adolescentes também estão expostos às influências da mídia e da cultura social, a convivência com a família e amigos deveria protegê-los da insatisfação corporal.

“Os pais devem promover um ambiente focado na saúde e no bem-estar emocional, não para buscar um resultado visível no corpo, e sim na saúde como um todo”, alertou a pesquisadora.

Segundo Ana Elisa, o desenvolvimento de uma imagem corporal desfavorável está associado a transtornos alimentares como a anorexia e a bulimia, a baixa auto-estima, a ansiedade, a depressão e o aumento de comportamentos de risco como tabagismo, alcoolismo e abuso de substâncias lícitas e ilícitas.

Para ler a dissertação de mestrado Avaliação da imagem corporal, hábitos de vida e alimentares em crianças e adolescentes de escolas públicas e particulares de Belo Horizonte, orientada pelo professor Joel Alves Lamounier, clique aqui.

Fonte: Thiago Romero / Agência Fapesp