quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Edital Finep Sebrae apoia APLs

Está aberto o edital Finep/Sebrae para projetos de inovação tecnológica a serem executados por micro e pequenas empresas inseridas em Arranjos Produtivos Locais (APLs).

O objetivo da seleção é apoiar na implantação de inovações tecnológicas de produtos e/ou processos.Os projetos serão financiados com recursos não reembolsáveis. No total, são R$ 26 milhões, sendo 50% provenientes do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico da Finep/Fundos Setoriais e os outros 50% do Sebrae.

Para as propostas em APLs serão destinados R$ 18 milhões.Os R$ 8 milhões restantes destinam-se a projetos que atendam às prioridades estabelecidas na Política Industrial Tecnológica e de Comércio Exterior (PITCE), como aumento da competitividade das empresas pela inovação; semicondutores/microeletrônica, software, bens de capital, fármacos e medicamentos, biotecnologia; nanotecnologia; biomassa / energias renováveis.

Os formulários estão disponíveis no site da Finep e o prazo para o envio das propostas é até 10 de outubro.

Fonte: Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná

Empresários aprendem a elaborar projetos para chamadas públicas

Aproximadamente 30% dos projetos enviados à Finep para obtenção de recursos não-reembolsáveis não passam pela primeira fase de triagem, porque apresentam algum tipo de problema. A estatística foi apresentada pelo analista de projetos da área de promoção institucional da Finep, Alexandre Cabral, durante o curso “Elaboração de Projetos Finep”, em agosto.

Realizado pelo Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), por meio do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), o curso teve como objetivo orientar empresários sobre os procedimentos necessários ao acesso a financiamentos de editais.

Os erros mais comuns são os de forma, como, por exemplo, esquecer de anexar documentos e cópias do projeto, não respeitar a data limite para envio dos formulários, não atentar às condições de elegibilidade (quem pode participar das chamadas) a aos valores de contrapartida mínimo.

Outra questão é a adequação aos objetivos da chamada. O curso foi realizado em Curitiba e foi transmitido via teleconferência para as unidades do Sesi/Senai de 20 municípios. No total, cerca de 400 pessoas participaram do evento.

Fonte: Anprotec

Miniusina produz até 800 litros de biodiesel

Uma miniusina de biodiesel pode tornar auto-sustentável em energia pequenas propriedades de agricultura familiar. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Universidade de Brasília desenvolveram uma unidade para produção de até 800 litros/dia de biodiesel, que poderá movimentar tratores, equipamentos de irrigação, motores de barco e geradores de energia. O biodiesel pode ser feito a partir de soja, amendoim, girassol, mamona, algodão e dendê, entre outras oleaginosas, além de sebo.

Além da independência energética, a tecnologia contribui para a redução na emissão de gases que provocam o aquecimento global, especialmente o gás carbônico (CO2). A Embrapa deverá oferecer sistemas de monitoramento de emissões de gases-estufa por meio de imagens de satélite. Alguns pequenos produtores (suinocultura) já conseguem capturar gás metano (21 vezes mais agressivo ao meio ambiente que o CO2) e, como resultado, obter uma receita adicional com venda de créditos de carbono para países desenvolvidos, com base nos mecanismos de desenvolvimento limpo previstos no Protocolo de Quioto.

Outro destaque da Embrapa é a pesquisa para produção de etanol a partir de resíduos de madeira, palha de milho e bagaço de cana. A pesquisadora Sonia Couri, da Embrapa Agroindústria de Alimentos, trabalha com o fungo Aspergillus niger para produzir enzimas (celulases) capazes de romper a fibra lignocelulósica, propiciando a partir dos açúcares liberados, a produção de álcool. A tecnologia poderá dobrar a produção de álcool, se aumentar em um metro sequer a área plantada.

Fonte: ABIOdiesel

1º ENIMEP quer interagir técnicos, pesquisadores e universitários

A partir deste ano, empresários e técnicos que trabalham com máquinas, equipamentos e processos de fabricação terão uma nova oportunidade de discutir tecnologias e inovações além de interagir estudos acadêmicos e empresas da área.

O primeiro ENIMEP, Encontro Nacional de Inovação em Máquinas, Equipamentos e Processos de Fabricação surge como um espaço de apoio ao desenvolvimento de inovações tecnológicas e sua aplicação em empresas do país.

Uma série de palestras e fóruns de discussão será realizada durante os três dias do evento, 26, 27 e 28 de novembro, no Novotel São Paulo Center Norte. Profissionais das diversas áreas do setor discutirão assuntos como Soldagem Robotizada, Desenvolvimento Integrado de Produto, Micro-usinagem, Automação e Robótica entre outros.

O encontro também se destaca pelo enfoque nos trabalhos acadêmicos. Até o dia 15 de setembro, universitários, pesquisadores de centros de pesquisa ou vinculados a empresas podem enviar resumos de trabalhos que serão examinados por uma banca. Cada pessoa pode inscrever quantos projetos desejar e os selecionados serão apresentados na ENIMEP.

“Queremos que técnicos, pesquisadores das ICTs (Instituições de Ciência e Tecnologia) e universitários se encontrem, se conheçam e conversem sobre as diferentes formas de colaboração e cooperação para inovar a produção. Este processo poderá criar uma tecnologia própria em muitas empresas e conseqüentemente agregar valor à produção nacional tornando-a cada vez mais competitiva”, esclarece André de Oliveira, secretário do ENIMEP.

O envio de resumos é feito através do endereço.

Quem participar do evento também poderá visitar a feira de Pesquisa de Desenvolvimento (P&D) que está sendo preparada pela organização do ENIMEP. “Não se trata de uma feira convencional, onde as empresas expõem seus produtos, será uma feira de máquinas voltada para a pesquisa de desenvolvimento”, explica André.

O encontro é o resultado de uma iniciativa da PROTEC, RETS e IPDMAQ em conjunto com parceiros como ABIMAQ, SENAI, MCT entre outros.

As empresas interessadas em apresentar seus equipamentos de P&D devem entrar em contato com a organização da ENIMEP pelo e-mail ou pelo telefone (21) 30770800

Fonte: Cimm

Estudo indica as melhores condições para soldar ligas de titânio

O titânio apresenta uma série de características que faz com que sua utilização em diversas aplicações cresça cada vez mais. A relação favorável entre a resistência mecânica e seu peso o torna ideal para a fabricação de materiais esportivos e estruturas de aeronaves. Já a sua biocompatilibidade é o principal motivo da sua utilização em implantes médicos e odontológicos. Também é considerado adequado na fabricação de peças usadas em carenagem de turbinas e na unidade auxiliar de potência de aviões, devido as suas propriedades mecânicas que pouco variam quando se requer esforço a altas temperaturas.

Considerando as particularidades do titânio e relacionando-as com tecnologias a laser, um grupo de pesquisadores do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares, o IPEN, desenvolveu um projeto para determinar as melhores condições de alcançar o resultado mais favorável em soldagem a laser de ligas deste metal. O trabalho é realizado em parceria com o Instituto Fábrica do Milênio.

O estudo analisa o efeito da atmosfera de proteção, a velocidade do processo e a largura temporal do pulso laser da liga Ti6Al4V, utilizando um laser pulsado de Nd:YAG (1,06mm). “São parâmetros que determinam o estado metalúrgico do metal ressolidificado no cordão de solda. O trabalho, portanto, tem como objetivo encontrar os parâmetros que fornecessem um estado metalúrgico ao cordão de solda compatível com o material de base inicial”, explica Wagner de Rossi, pesquisador do IPEN.

As análises e experimentos mostram que a soldagem por penetração é a mais adequada no caso do titânio. Neste processo, a solda é mais eficiente, pois atinge uma profundidade maior sem afetar consideravelmente a região periférica ao cordão de solda. “E se o processo for bem controlado, a perda de material é muito pequena e não chega a causar nenhum problema”, acrescenta Wagner.

Outra característica apontada pelo estudo é a necessidade de utilizar uma atmosfera de proteção durante a fabricação mecânica que envolva o metal. Na soldagem a laser o gás de proteção escolhido é considerado um dos fatores mais significativos para a natureza do material formado. Na maioria dos casos usa-se o argônio ou o hélio, já que o titânio é reativo a outros gases mais comuns como o nitrogênio e o gás carbônico. Se a reação com estes gases ocorrer, haverá a formação de defeitos no material solidificado, como a formação de nitretos de titânio que podem fragilizar a região soldada.

Quanto à velocidade do processo, o estudo mostra que sua diminuição não é favorável por acarretar maior perda do material e uma solda menos resistente. Isso acontece devido ao acúmulo de calor em uma certa região por mais tempo. Os pesquisadores pretendem estudar este item mais profundamente para determinar uma velocidade máxima e minimizar estes efeitos.

Soldagem a laser
A principal vantagem obtida em uma soldagem a laser é a sua precisão. Ela possibilita focalizar uma grande quantidade de energia em um ponto bastante pequeno, sendo possível localizar de maneira bem precisa a região da soldagem.

No caso de um laser pulsado, a precisão é ainda maior, pois também é possível um grande controle sobre a forma com que a energia é depositada sobre a superfície a ser soldada. Isto quer dizer que, determinando-se a largura e a forma temporal dos pulsos laser, pode-se controlar a taxa de aquecimento e de resfriamento do material e da poça fundida. Assim, controla-se, até certo ponto, a metalurgia do material a ser formado no cordão de solda, as propriedades mecânicas e metalúrgicas da região deste cordão não serão muito diferentes do material de base e a ocorrência de trincas e poros será minimizada ou eliminada. Outra vantagem ainda é a pequena zona afetada de calor, preservando a região vizinha ao cordão.

Outros métodos de soldagem também existem e podem ser utilizados, como a solda TIG, apesar de não ser tão precisa como o laser, e o feixe de elétrons, que também é preciso e de alta intensidade. A desvantagem, neste caso, é que as peças a serem soldadas devem estar sob vácuo, o que encarece e dificulta o processo.

Fonte: Cimm

Simpósio de Estudo e Tratamento das Deformidades Craniofaciais do Grande ABC

A Fundação para o Estudo e Tratamento das Deformidades Craniofaciais (Funcraf) e o Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC/Centrinho), da Universidade de São Paulo (USP), em Bauru, promovem, nos dias 13 e 14 de setembro, em São Bernardo do Campo, o Simpósio de Estudo e Tratamento das Deformidades Craniofaciais do Grande ABC.

A programação científica do evento abordará os diferentes aspectos que envolvem um tratamento interdisciplinar e humanizado na área de deformidades craniofaciais.

A fissura labiopalatal, anomalia presente em pelo menos um em cada 650 recém-nascidos no Brasil, em que as áreas esquerdas e direitas dos lábios não se juntam, será um dos assuntos em destaque.

Mais informações A Fundação para o Estudo e Tratamento das Deformidades Craniofaciais (Funcraf) e o Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC/Centrinho), da Universidade de São Paulo (USP), em Bauru, promovem, nos dias 13 e 14 de setembro, em São Bernardo do Campo, o Simpósio de Estudo e Tratamento das Deformidades Craniofaciais do Grande ABC.

A programação científica do evento abordará os diferentes aspectos que envolvem um tratamento interdisciplinar e humanizado na área de deformidades craniofaciais.

A fissura labiopalatal, anomalia presente em pelo menos um em cada 650 recém-nascidos no Brasil, em que as áreas esquerdas e direitas dos lábios não se juntam, será um dos assuntos em destaque.

Mais informações pelo e-mail ou telefone (11) 4126-6100.

Fonte: Agência Fapesp

2º Seminário Internacional Reestruturação e Regulação do Setor de Energia Elétrica e Gás Natural

A segunda edição do Seminário Internacional Reestruturação e Regulação do Setor de Energia Elétrica e Gás Natural será realizada nos dias 13 e 14 de setembro, no Rio de Janeiro.

Com promoção do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel) do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o evento tem o objetivo de analisar as características do processo brasileiro de regulação e reestruturação do setor de energia, tendo como contraponto analítico experiências da União Européia.

Mais informações no endereço.

Fonte: Agência Fapesp

Cnpq disponibiliza 125 milhões para formação de recursos humanos

O Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e suas duas agências – o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) – disponibilizou para a comunidade científica cerca de R$ 125 milhões, em dois anos, para formação de recursos humanos.

Os recursos, que virão do orçamento próprio do CNPq e do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), serão aplicados em bolsas de pós-graduação e outras formas de apoio à formação tecnológica e especialização. As bolsas serão concedidas diretamente aos orientadores, que, uma vez selecionados, indicarão os bolsistas.

Segundo o MCT, serão cerca de 1,6 mil novas bolsas de pós-graduação voltadas, prioritariamente, para as áreas de engenharias, energia, nanotecnologia, biotecnologia, biodiversidade, fármacos, software, materiais avançados, semicondutores e bens de capital.

Os recursos se somam a um edital, disponível na página do CNPq, de bolsas na área de microeletrônica no valor de R$ 11 milhões. Outros dois editais de bolsas para engenharia de software e de fixação de recursos humanos, no valor de R$ 9 milhões, serão abertos nas próximas semanas. No total, os novos investimentos correspondem a mais de 2 mil novas bolsas.

Além desses recursos, cerca de R$ 60 milhões derivados dos fundos setoriais serão destinados a cursos especiais de treinamento e aperfeiçoamento e inserção de pesquisadores no setor industrial.

Mais informações no endereço.

Fonte: Agência Fapesp

Ipea - Brasil lidera ranking de gastos previdenciários

O Brasil ocupa o primeiro lugar no ranking dos países com maior gasto previdenciário em relação às suas possibilidades estruturais, de acordo com pesquisa divulgada na última quarta-feira (5/9) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

No estudo Comparativo Internacional para a Previdência Social, os pesquisadores Rogério Boueri Miranda e Marcelo Abi-Ramia Caetano utilizaram uma metodologia que permitiu comparar gastos previdenciários entre diversos países, considerando suas respectivas condições sociais, demográficas e econômicas.

“Criamos um indicador comparativo que contrasta os benefícios previdenciários concedidos com a capacidade econômico-financeira de concessão de cada país” disse Caetano.

No ranking, o Brasil divide o primeiro lugar com Áustria, Suíça, Uruguai e Nigéria. Em seguida, aparecem Alemanha, Turquia, Hungria, Finlândia, Estados Unidos e Espanha. Segundo Caetano, o ranking não seria eficiente se considerasse apenas os gastos com previdência como percentual do Produto Interno Bruto (PIB) – critério segundo o qual o Brasil ficaria em 14º lugar –, porque deixaria de lado outras variáveis que influenciam no gasto real.

“Um país com uma proporção maior de idosos, por exemplo, naturalmente gasta mais com a previdência, distorcendo seu dispêndio em relação ao PIB. Nossa metodologia procurou utilizar a combinação de cinco variáveis, considerando os gastos previdenciários de cada país em relação às suas possibilidades estruturais”, explicou Caetano. “Nas cinco variáveis o Brasil está fora do padrão internacional.”

A primeira variável foi a razão de dependência demográfica, ou seja, o quociente entre o total da população com 65 anos ou mais e a população economicamente ativa. Segundo os autores, sua utilização baseia-se no fato de que países com maiores valores para esta variável teriam que gastar mais com previdência em relação ao PIB. Ou seja, por esse critério, os gastos elevados com a previdência no Brasil, um país mais jovem que a média, não se explicariam.

A segunda variável foi a relação da aposentadoria média com a renda per capita. O estudo indicou que o Brasil tem uma relação mais de 10 pontos acima da média internacional. “A maior proporção da aposentadoria em relação à renda média significa que o regime previdenciário repõe ao aposentado e pensionista parcela elevada de sua renda na vida ativa no mercado de trabalho. Nesse sentido, é de se esperar que o aumento do valor médio dos benefícios tornará o gasto previdenciário mais alto”, disseram os autores.

Em terceiro lugar, foi utilizado o percentual de contribuintes na força de trabalho. Segundo a pesquisa, pouco mais da metade da força de trabalho brasileira – cerca de 56% – encontra-se coberta por algum tipo de regime previdenciário, valor muito inferior à media de 67,6% dos países analisados o que também não justificaria os gastos previdenciários no Brasil.

A quarta variável empregada na comparação entre os países foi a alíquota total de contribuição previdenciária, isto é, a soma das alíquotas pagas por empregadores e empregados. O Brasil se destacou nesse quesito com a sétima maior alíquota de contribuição previdenciária entre os países estudados. “Cobranças elevadas permitem o recebimento de benefícios maiores. Portanto, é de se esperar que países com alta tributação para seus regimes de previdência gastem mais”, destacaram os autores do estudo.

Por fim, a última variável utilizada foi o inverso da idade mínima para aposentadoria. O estudo ressaltou que o Brasil é um dos seis países que ainda permitem aposentadorias sem limite de idade, o que seria outro fator para explicar o elevado gasto previdenciário no país.

Nos gastos previdenciários como percentual do PIB, o Brasil está em 14º lugar: 11,7% de tudo o que é produzido no país é gasto com a previdência. A Itália está em primeiro lugar nesse aspecto, com gastos correspondentes a 17,6%.

O estudo Comparativo Internacional para a Previdência Social, de Rogério Boueri Miranda e Marcelo Abi-Ramia Caetano, com a descrição da metodologia empregada, pode ser lido no endereço.

Fonte: Fábio de Castro / Agência Fapesp

A biodiversidade e o desenvolvimento sustentável nas escolas do ensino médio de Belém (PA), Brasil

Biodiversity and sustainable development in secondary schools of Belém (PA), Brazil

Biodiversidade desvalorizada
Embora a biodiversidade seja uma das maiores riquezas e o desenvolvimento sustentável o maior alvo das políticas públicas na Amazônia, os conteúdos ministrados sobre esses dois assuntos em escolas do ensino médio de Belém (PA) têm características universais, desvinculadas das questões ambientais regionais.

Essa é a principal conclusão do estudo A biodiversidade e o desenvolvimento sustentável nas escolas do ensino médio de Belém, de autoria de Maria de Jesus da Conceição Ferreira Fonseca, professora do Programa de Mestrado em Educação do Centro de Ciências Sociais e Educação e coordenadora do Núcleo de Estudos em Educação Científica, Ambiental e Práticas Sociais, ambos da Universidade do Estado do Pará (Uepa).

Segundo a autora, sem foco nos estudos científicos produzidos na região amazônica sobre esses temas, os livros didáticos e as propostas curriculares não favorecem o estabelecimento de uma consciência de valorização dos ecossistemas amazônicos.

O trabalho, publicado na revista Educação e Pesquisa, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, analisou dez livros didáticos e oito propostas curriculares referentes à disciplina de biologia. A pesquisadora entrevistou ainda 24 professores e 719 alunos do 3º ano do ensino médio, etapa final da educação básica.

A pesquisadora aplicou dois questionários, um dirigido aos professores, que investigou as práticas pedagógicas relacionadas aos temas biodiversidade e desenvolvimento sustentável, e o outro dirigido aos alunos, no qual foram levantadas informações sobre escolarização e conhecimentos sobre esses assuntos.

“A idéia do estudo não foi quantificar o grau de conhecimento de alunos e de professores frente a esses conceitos, uma vez que foram analisadas escolas públicas e particulares com modalidades distintas de ensino”, disse Maria de Jesus.

“Mas, com base nas informações coletadas, de modo geral as discussões sobre biodiversidade e desenvolvimento sustentável não estão inseridas nas propostas pedagógicas como uma estratégia de conhecimento dos problemas regionais da Amazônia”, explica.

Segundo ela, o conceito de biodiversidade, por exemplo, apresenta limitações entre alunos e professores por estar mais voltado ao número de espécies vegetais e de animais da floresta, enquanto o trabalho da pesquisadora aponta que, além de se referir à variedade de formas de vida presente na terra (diversidade de espécies), a definição de biodiversidade também deve levar em consideração os genes que constituem as espécies (diversidade genética) e os ecossistemas dos quais elas fazem parte (diversidade ecológica).

Plano secundário
Com relação ao desenvolvimento sustentável, o estudo teve como base o conceito presente no Relatório de Brundtland, lançado em 1987 pela Comissão Mundial sobre Ambiente e Desenvolvimento, que o define como “aquele que atende às necessidades das gerações presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazer suas próprias necessidades”.

“Apesar de não haver uma definição única para essas expressões, menos de 5% dos alunos conseguiram descrever com clareza o conceito de desenvolvimento sustentável na perspectiva do relatório, que é o conceito mais aceito e difundido pelos pesquisadores da área. Isso mostra que esses assuntos ainda estão muito distantes das abordagens de ensino na cidade de Belém”, lamentou Maria de Jesus.

O estudo revelou ainda que esses temas, mesmo difundidos nos livros didáticos, não ganham destaque por serem apresentados em planos secundários, como em boxes informativos. Nas publicações analisadas, os conceitos adotados sobre a importância da biodiversidade e as causas de seu declínio não contemplaram uma abordagem mais abrangente sobre o tema, relacionada a aspectos sociais, culturais, políticos e econômicos.

“Isso se torna evidente quando os livros centram a discussão no argumento ecológico, em vez de tratar da sua importância como estratégia para o desenvolvimento sustentado. Por outro lado, a maioria dos estudantes disse ter tido o primeiro contato com esses dois conceitos no âmbito escolar, e não na mídia, mostrando que a escola, assim como as instituições de ensino e pesquisa, é o espaço mais apropriado para a elaboração de estratégias para a conservação da natureza”, concluiu.

Para ler o artigo A biodiversidade e o desenvolvimento sustentável nas escolas do ensino médio de Belém, disponível na biblioteca eletrônica SciELO (FAPESP/Bireme), clique aqui.

Fonte: Thiago Romero / Agência FAPESP – 06/09/2007

Brasil apresenta excelentes condições para cooperação e inovação

No Brasil, há uma excelente relação entre universidades e empresas – fundamental para gerar inovação tecnológica – e isso gera uma vantagem comparativa que atrai investimentos em pesquisa para o país. A análise foi feita por participantes do Simpósio USP Inovações em Saúde, encerrado na terça-feira (28/8) na Faculdade de Saúde Pública (FSP) da Universidade de São Paulo (USP).

“Isso pode surpreender algumas pessoas, mas o Brasil é um dos países com maior cooperação entre universidades e empresas em todo o mundo. Só que ela não é nomeada como política pública e por isso tem pouca visibilidade”, disse Evando Mirra, diretor da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI).

De acordo com Mirra, a pesquisa tecnológica no Brasil dá ao país vantagens comparativas. “No nosso contato sistemático com empresas transnacionais, encontramos muitas manifestações de que o trunfo do país é a excelência da relação universidade-empresa”, disse.

A Petrobras, segundo Mirra, é um bom exemplo dessa interlocução. “A empresa só pôde virar potência mundial na exploração de petróleo em águas profundas porque se beneficiou da qualidade da pesquisa feita nas universidades”, apontou.

Os atrativos para as transnacionais que fazem pesquisa e desenvolvimento se manterem no país seriam a excelência dos recursos humanos e o grande esforço feito nos últimos anos em termos de qualidade. As redes formadas por empresas e universidades, segundo Mirra, favorecem a circulação de recursos humanos de qualidade, consolidando crescentemente a cultura da inovação.

“Um cenário de inovação está sendo montado. É preciso apenas continuar nesse caminho e amadurecer. Nosso gargalo está na questão do estabelecimento de protocolos de entendimento de interesse mútuo. Isso é algo que se ganha com maturidade”, afirmou.

Saúde mais bem equipada
A excelência dos recursos humanos em pesquisa no Brasil também foi destacada por Cláudia Goulart, gerente-geral da GE Healthcare para a América Latina. Segundo ela, a indústria internacional, de modo geral, vê o Brasil como um mercado promissor para a área de saúde, embora faltem incentivos.

Para Cláudia, a parceria entre poder público e indústria eletromédica poderia trazer muitos benefícios para a população do país, principalmente ao aumentar o acesso aos serviços de saúde e impulsionar o conhecimento científico.

“Mas o setor tem capacidade de investimentos no país estrangulada por um ambiente pouco amigável. Com isso, a indústria de equipamentos para serviços de saúde não consegue se instalar por aqui”, afirmou.

Segundo a executiva, um aparelho de raio X tem cerca de 50 mil peças, sendo 40% delas eletrônicas. Como o Brasil não produz esses componentes, para a instalação da indústria é preciso importá-los com alíquotas de 20%.

“São alíquotas superiores às de importação de jóias ou de papel para fabricação de cigarros, por exemplo. Isso é um sinal do pouco acolhimento à causa da saúde”, afirmou.

Todo volume de peças de reposição importado pela indústria eletromédica é tributado em 55%, segundo Cláudia. “Se essa tributação fosse zerada, o governo abriria mão de R$ 18 milhões, o que é um valor irrelevante. Mas, para o produtor, significa uma capacidade de investimentos que traria ao país, em um ano, 150 equipamentos de ressonância a mais, possibilitando 2 milhões de exames”, destacou.

Prioridade de investimento
Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, ressaltou que saúde é a principal área apoiada pela Fundação, tendo recebido R$ 110 milhões em 2006. O volume de recursos corresponde a cerca de 20% do total investido pela FAPESP. Dos 11 Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids), cinco são da área. No programa Pipe, 10% dos investimentos são feitos em empresas da área. No Pite, a saúde corresponde a 12%.

“Esse maior investimento ocorre por diversas razões. Uma delas é que a área tem recursos humanos altamente qualificados. Outra razão é que pesquisas em saúde tendem a custar mais”, disse Brito Cruz.

Além disso, segundo Brito Cruz, houve mais interesse por parte dos pesquisadores qualificados em apresentar projetos em saúde. “Em algumas áreas eles se interessam menos, porque a FAPESP não pode pagar complementação salarial. Áreas como energia, por exemplo, às vezes preferem buscar recursos em instituições como a Petrobras.”

BNDES e capital semente
Pedro Palmeira, diretor do Departamento de Produtos Intermediários, Químicos e Farmacêuticos (Defarma) do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), informou que o banco começará a investir em empresas de inovação em estágio inicial.

O BNDES aprovou a criação do Programa de Capital Semente (Criatec), com o objetivo de garantir suporte financeiro e gerencial adequado às micro e pequenas empresas inovadoras em estágio nascente.

“Temos o programa Profarma [Programa de Apoio ao Desenvolvimento da Cadeia Produtiva Farmacêutica], que oferece financiamento para todas as fases do ciclo empresarial, exceto para o estágio de capital semente. Será aprovada ainda nesta semana a operacionalização do Criatec”, disse Palmeira. O Profarma investe em empresas em fases “start up”, inicial, emergente ou madura.

“Será fundamental incentivar as empresas que precisam de capital semente – isto é, que estão na fase em que um pesquisador tem uma idéia promissora com seus doutorandos e busca uma primeira injeção de recursos para iniciar a empresa”, disse.

Segundo Palmeira, o Criatec será um fundo de R$ 80 milhões, com previsão de apoio para 60 empresas com faturamento de no máximo R$ 6 milhões ao ano. Um mínimo de 25% do fundo será destinado às empresas com faturamento de até R$ 1,5 milhão.

Fonte: Fábio de Castro / Agência Fapesp