quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Relação entre a hipertensão arterial, diabetes e retinopatia diabética.

A tendência genética à hipertensão arterial está associada aos fatores que desencadeiam uma das mais freqüentes complicações crônicas do diabetes: a retinopatia diabética, lesão na retina que pode levar à cegueira. A relação foi demonstrada pela primeira vez por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

O estudo, realizado por Jacqueline Mendonça Lopes de Faria, professora da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, teve apoio da FAPESP na modalidade Auxílio a Pesquisa. O projeto, concluído em junho, foi a base de um novo estudo sobre o tema, já em andamento.

De acordo com Jacqueline, a pesquisa, cujo objetivo era aprofundar a compreensão da patogênese da retinopatia diabética, tem grande impacto, uma vez que o diabetes é a principal causa de cegueira em pessoas em idade produtiva no mundo.

“Graças aos hábitos alimentares e ao sedentarismo, a doença está em franca expansão no mundo ocidental. Por outro lado, os diabéticos hoje vivem mais, o que torna as complicações crônicas cada vez mais comuns”, disse a pesquisadora.

Segundo Jacqueline, a hipótese inicial do estudo era que a genética da hipertensão – mesmo antes da manifestação clínica do problema – contribuiria decisivamente para exacerbar a inflamação retiniana na presença de diabetes.

“Comprovamos a hipótese e demonstramos que a hipertensão está associada ao processo inflamatório e ao estresse oxidativo na retina. O tratamento da hipertensão previne os dois problemas”, explicou.

O estresse oxidativo é o resultado do excesso de produção de radicais livres, que reduz a capacidade do sistema antioxidante presente em cada tecido. “Com o diabetes, a hiperglicemia causa um estresse oxidativo e a produção de radicais livres é aumentada, levando a alterações de proteínas, DNA e lipídios nas células”, disse.

Tendo comprovado o papel da hipertensão no desencadeamento da inflamação e do estresse oxidativo, o objetivo agora é demonstrar como ela acentua a neurodegeneração, um aspecto inicial da complicação retiniana.

“Esse é o objetivo do projeto em andamento, que será concluído em junho de 2008. Queremos saber qual é a via principal que liga o estresse oxidativo à morte celular programada. Nossa hipótese é que se trata de uma disfunção mitocondrial nas células neurais da retina”, destacou.

Provas experimentais
Para realizar a pesquisa, Jacqueline utilizou modelos animais experimentais. Ratos que tinham, espontaneamente, características genéticas de hipertensão, foram tornados experimentalmente diabéticos no laboratório.

“O interesse era entender as alterações inflamatórias e de estresse oxidativo, que são eventos precoces na patogênese. Por isso, estudamos os modelos em um período curto, de um mês de duração, após a indução do diabetes”, contou Jacqueline.

Nesses casos, segundo ela, foi constatada, por meio de marcadores biocelulares e bioquímicos, acentuada reação inflamatória nos animais, em comparação a grupos de controle saudáveis. “Por meio de marcadores também observamos alterações do estresse oxidativo. Houve aumento da produção de superóxido e de defesas antioxidantes da retina”, afirmou.

Segundo ela, sabe-se clinicamente que diabéticos com acuidade visual perfeita têm alterações funcionais da retina. Isso foi comprovado experimentalmente. “A partir de exames de eletrorretinograma, notamos que os potenciais visuais são alterados antes mesmo de qualquer alteração clínica da retinopatia diabética”, disse.

Com isso, haveria alterações funcionais que precederiam as alterações observáveis. “A complicação progride mais rapidamente em certos pacientes do que em outros. Por isso, achávamos que a hipertensão concorria com a hiperglicemia, o que foi constatado”, disse.

O estudo levantou suspeitas de que, embora a retinopatia diabética seja considerada uma inflamação nas células vasculares, outras células da retina podem estar envolvidas.

“Sabemos agora que outros tecidos além dos vascular são afetados. O tecido da retina é predominantemente neural, por isso é razoável imaginar que as células neurais também sejam acometidas pela hiperglicemia”, afirmou Jacqueline.

No estudo atual foram utilizados modelos de ratos geneticamente hipertensos, mas com tempo mais prolongado: 12 semanas de duração a partir da indução do diabetes. “O objetivo é identificar se a morte programada de células da retina também é um dos eventos iniciais da retinopatia diabética”, explicou.

Foi observado que os animais diabéticos têm de fato um aumento de células em apoptose – a morte celular programada – na camada dos fotorreceptores. “Nossa pergunta é se a hipertensão aumenta o índice de apoptose na retina. Vimos que, quando os animais são hipertensos e diabéticos, esse aumento é acentuado, o que sugere que a concomitância agrava o efeito de células degenerativas”, disse a pesquisadora.

Tratando os animais com uma droga bloqueadora do sistema, o Losartan, usado normalmente para tratamento de hipertensão arterial, Jacqueline confirmou que houve redução significativa das células em apoptose em relação à situação normal. “Esse tratamento também preveniu os efeitos oxidativos e a inflamação”, disse.

Fábio de Castro / Agência Fapesp

Aluno do ITA ganha prêmio em tecnologia spintrônica

Modeling a Spintronic Transistor

Um aluno do terceiro ano do curso de engenharia eletrônica do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos (SP), foi o único estudante de graduação a receber um dos cinco prêmios distribuídos durante a 1ª Conferência Internacional de Materiais e Tecnologias Spintrônicos, realizada de 7 e 10 de agosto na Inglaterra.

Ronaldo Rodrigues Pelá, estagiário do Laboratório de Guerra Eletrônica do ITA, recebeu US$ 500 após ter concorrido com mais de cem alunos de graduação e pós-graduação de outros países. O estudante apresentou o trabalho Modelando um transistor spintrônico, desenvolvido com orientação da professora Lara Kühl Teles, do Departamento de Física da Divisão de Ciências Fundamentais do ITA. O trabalho teve apoio da FAPESP por meio de bolsa de iniciação científica.

A spintrônica é uma tecnologia emergente que explora a propensão quântica ao movimento de rotação característica dos elétrons (spin significa "girar" em inglês), fazendo uso do estado de suas cargas. Segundo Lara, o avanço dos dispositivos transistorizados e a crescente integração de componentes em escalas cada vez menores tornaram necessário um meio mais eficiente de troca de calor que, em contrapartida, diminua a energia dissipada.

“Além disso, para as aplicações de eletrônica embarcada, tem sido vital que os dispositivos sejam mais econômicos do ponto de vista da energia consumida, para que o tempo de vida útil das baterias possa ser alongado. Uma outra exigência é a diminuição do tempo de resposta dos dispositivos, para que o processamento de dados seja feito de maneira mais veloz”, disse.

Nesse cenário, explica Lara, surge uma nova eletrônica, a spintrônica, que se propõe a responder aos desafios de consumo de energia e tempo de processamento. O campo de aplicação da spintrônica abrange desde o armazenamento de dados até a computação quântica, passando pela microeletrônica e pela área de sensores automotivos.

“A spintrônica, uma área extremamente nova que surgiu na fronteira entre a física e a engenharia, é um dos campos do conhecimento mais desafiadores e intrigantes da nanociência e da nanotecnologia. Os impactos que a spintrônica promete são comparáveis aos do desenvolvimento do próprio transistor, há mais de 50 anos”, afirmou Lara.

Segundo ela, como recentemente uma grande quantidade de dispositivos spintrônicos têm sido propostos por grupos de pesquisa em diversos países, o objetivo do trabalho de Ronaldo Pelá foi comparar teoricamente as características eletrônicas de um transistor spintrônico e de um convencional.

“O trabalho abre a oportunidade para estudar quais seriam os materiais mais adequados a serem empregados na fabricação de um transistor spintrônico, tendo em vista as características de desempenho analisadas”, destacou Lara.

A Conferência Internacional de Materiais e Tecnologias Spintrônicos foi promovida pela Rede Universitária Mundial, pela Universidade de York, no Reino Unido, e pelo Centro Internacional de Pesquisa em Materiais, da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos.

Um artigo sobre o trabalho Modeling a Spintronic Transistor deverá ser publicado na próxima edição do Journal of Magnetism and Magnetic Materials, a revista oficial da conferência internacional. Outra versão também está sendo preparada para ser submetida à revista do Institute of Electrical and Electronics Engineers (IEEE), nos Estados Unidos.

Fonte: Thiago Romero /Agência FAPESP

3º Seminário de Pesquisa em Gerontologia e Geriatria

“Fragilidade na velhice: enfoque multidisciplinar” será o tema central do 3º Seminário de Pesquisa em Gerontologia e Geriatria, que ocorrerá de 12 a 14 de setembro, em Campinas (SP).

O evento é promovido pelo Programa de Pós-Graduação em Gerontologia da Faculdade de Educação e pelo Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Ciências Médicas, ambos da Universidade Estadual de Campinas.

“O lazer e as atividades culturais como estratégia de prevenção dos processos degenerativos do envelhecimento”, “Linguagem, memória e fragilidade na velhice”, “Qualidade de vida na velhice”, “Fragilidade, funcionalidade e grandes síndromes geriátricas” e “Atividade física como prevenção e tratamento da fragilidade” serão alguns temas em pauta.

Mais informações no endereço.

Fonte: Agência Fapesp

2ª Conferência Internacional sobre Água em Regiões Áridas e Semi-Áridas

Oferecer informações sobre novidades na pesquisa mundial em áreas secas e destacar avanços tecnológicos em gerenciamento dos recursos hídricos em regiões áridas e semi-áridas é o objetivo da 2ª Conferência Internacional sobre Água em Regiões Áridas e Semi-Áridas, que será realizada de 9 a 12 de setembro, em Gravatá (PE).

O encontro tem organização da Associação Brasileira de Recursos Hídricos, da Universidade Federal de Pernambuco e da Universidade Federal Rural de Pernambuco. A programação científica inclui conferências, apresentações orais e de pôsteres.

Os participantes darão continuidade às discussões da primeira edição do evento, realizada em 2006 na cidade de Lubbock, no Texas, Estados Unidos, com promoção do Centro Internacional para Estudos em Regiões Áridas e Semi-Áridas, vinculado à Universidade do Texas.

Mais informações no endereço.

Fonte: Agência Fapesp

Mestrado em Divulgação Científica e Cultural

O Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), está com inscrições abertas até o dia 15 de setembro para o Mestrado em Divulgação Científica e Cultural.

O objetivo principal é contribuir para que estudantes sejam capazes de compreender a função social da ciência e da cultura no país, de modo que haja uma divulgação mais eficiente de sua produção. Pretende também, por meio da mídia, propiciar uma avaliação crítica das políticas de ciência e tecnologia e da divulgação cultural de mercado.

O programa tem um Componente Obrigatório, composto por uma carga mínima de duas disciplinas relacionadas aos conceitos centrais do programa multidisciplinar, e um Componente Eletivo, composto de duas disciplinas dentre um elenco de disciplinas a serem oferecidas, ou, de acordo com sugestão do orientador, oferecidas na Unicamp e adequadas ao campo específico de pesquisa.

Até o fim do primeiro ano, o aluno deverá definir completamente a sua área de interesse e, dentro dela, elaborar e apresentar seu projeto de dissertação, com a ajuda de um orientador.

O mínimo de créditos em disciplinas exigido pelo curso é de 48 (24 no Componente Obrigatório e 24 no Componente Eletivo). Em geral, 12 créditos equivalem a uma carga horária de 60 horas. As disciplinas são semestrais e, ocasionalmente, há disciplinas oferecidas durante as férias.

As linhas de pesquisa são Cultura Científica, Cultura Literária, Novas Mídias de Divulgação e Percepção Pública da Ciência e Tecnologia

Para a inscrição são necessários: formulário de inscrição preenchido; quatro cópias de um projeto preliminar de pesquisa; quatro cópias de um trabalho adicional (de até 20 páginas), que o candidato queira apresentar, claramente identificado como tal; quatro cópias do histórico escolar; quatro cópias do curriculum vitae.

Os documentos deverão ser entregues na secretaria do Labjor, pessoalmente, ou pelo Correio. Somente serão aceitas as inscrições que tiverem sido entregues ou postadas até 15 de setembro de 2007.

Mais informações no endereço.

Fonte: Agência Fapesp