quinta-feira, 30 de agosto de 2007

US$ 200 mi para projetos ambientais

A IFC, braço financeiro do Banco Mundial para a América Latina e o Banco ABN AMRO Real criaram uma linha de crédito de US$ 200 milhões para financiar projetos de clientes que tenham um impacto direto na sustentabilidade ambiental, social e na governança corporativa. A operação foi anunciada, ontem, em São Paulo, pelo vice presidente executivo da IFC, Lars Thunell e Fábio Barbosa, presidente do Banco ABN AMRO Real. O crédito estará disponível no Banco Real e o empréstimo será em moeda nacional, com prazo de pagamento de até oito anos.

Essa é a maior linha de crédito para a sustentabilidade negociada pelas duas instituições, depois do financiamento equivalente a US$ 125 milhões, que foram desembolsados pela IFC para o Banco Real, há dois anos, com a mesma finalidade. "Tanto para a IFC como para o Banco Real, trata-se de um importante marco porque demonstra que ambas instituições continuam a estabelecer altos benchmarks nas iniciativas de financiamento da sustentabilidade," disse Thunnel. Para o presidente do Real, "esse tipo de crédito não está disponível no mercado nacional especialmente para pequenas e médias empresas.

Fonte: Cimm

Brasileiro gasta mais com carro e impostos do que com educação

O fenômeno ocorre mesmo entre famílias com filhos, mais ricas e escolarizadas

Valor gasto com impostos também supera despesas destinadas a cursos, escolas ou material didático, aponta análise feita pelo IBGE

Os brasileiros, mesmo os mais escolarizados, mais ricos ou os que têm filhos, gastam mais mensalmente com carro do que com educação. O valor que pagam em impostos também supera os pagamentos destinados a cursos, escolas ou aquisição de material didático.

Segundo a análise feita pelo IBGE na POF, o valor destinado à educação nas famílias em que o responsável pelo domicílio tem ao menos o ensino médio completo (11 anos ou mais de estudo) corresponde a 4,9% de seu orçamento. Já o gasto com aquisição de veículos ou combustível representa 10,8%.

Entre brasileiros que chegaram a cursar o primeiro ciclo do ensino fundamental (que vai da 1ª à 4ª série), mas não o concluíram, o gasto familiar com educação é de 1,4% do orçamento, percentual igualmente menor do que o verificado para os gastos com aquisição de veículos ou combustível (6,9%).

O gasto com impostos também supera, nessas faixas de escolaridade, a despesa com educação. No caso dos mais escolarizados (11 anos ou mais de estudo), ele chega a 6,4%. Entre os que têm entre 1 e 3 anos de estudo, é de 2,1%.

A mesma realidade -gastos com veículos superando o investimento em educação- é verificada mesmo quando se compara apenas casais com filhos -que, em tese, teriam mais gastos educacionais. Nesse caso, a proporção do orçamento que vai para a educação, independentemente do nível socieconômico do chefe de família, é de 3,9%, enquanto o gasto com aquisição de veículo e combustível fica em 10,2%.

Para o pesquisador do IBGE José Mauro de Freitas Júnior, é preciso considerar nessa comparação que, no caso da educação, famílias com filhos na escola pública não têm gastos com mensalidades escolares. Como se sabe -pela Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio- que 87% das crianças de 7 a 17 anos estudam na rede pública, isso pode fazer a diferença na comparação.

"É preciso lembrar que, até um determinado nível de ensino, a educação é uma obrigação do Estado. Também não estamos discutindo a qualidade da escola pública", diz Freitas.

Porém, tabulação feita pela Folha nos dados da POF mostra que, mesmo quando se analisa apenas as famílias de maior renda - e com mais capacidade de pagar escola particular- e onde há mais de dois moradores no domicílio -não se tratando, portanto, de casal sem filhos-, o maior dispêndio em veículos em comparação com a educação se mantém.

Quando o investimento em educação é comparado com a faixa etária do chefe de família, o maior gasto proporcional aparece entre os brasileiros que estão entre os 40 e 49 anos.

O gerente da Pesquisa de Orçamentos Familiares, Edilson Nascimento da Silva, explica que essa é a população que está em seu pico de produtividade em termos de rendimento no mercado de trabalho. Com mais renda, é natural que sobrem recursos para despesas com educação.

A POF revela também que a presença de uma pessoa com nível superior eleva significativamente a renda familiar.Essa situação, no entanto, corresponde a apenas 16% das famílias. Nas demais, nenhum membro atingiu nível superior.

Em todas as classes sociais analisadas, no entanto, alimentação, habitação e transporte são os itens que mais pesam no orçamento familiar.

Fonte: Ufla

Bolsa para pós-graduação master “Utilities and Waste” na Alemanha

A Universidade (TH) de Karlsruhe está recebendo inscrições para candidatos a bolsas de estudo do DAAD para seu novo master internacional “Utilities and Waste – Sustainable Processing”. O curso terá sua estréia em outubro de 2008.

Engenheiros químicos, mecânicos e de processamento e graduados em geral na área ambiental formam o público-alvo. Ministrado em inglês, o curso terá apenas 25 alunos por turma e duração de quatro semestres.

O programa multidisciplinar enfatiza a prática, permitindo uma especialização, com foco em planejamento e manejo, bem como aspectos da engenharia de processamento, de serviços públicos de gás, água, tratamento e armazenamento de lixo. As disciplinas abordam temas de ciências naturais, tecnologia avançada, sócio-economia e gestão.

O investimento é de 7.372 euros ao ano. Os interessados numa bolsa DAAD devem candidatar-se até 15 de setembro, diretamente com a universidade. As inscrições regulares no curso seguem até 30 de abril de 2008.

A TH Karlsruhe foi uma das três vencedoras da Iniciativa pela Excelência, na categoria “Universidade de Elite”, que selecionou os melhores projetos de clusters de pesquisa científica. Patrocinado pelo Ministério da Educação e Pesquisa da Alemanha (BMBF), a iniciativa teve seu júri formado unicamente por cientistas, indicado pela Fundação Alemã de Pesquisa (DFG).

Mais informações no endereço.

Fonte: Ufla

Situação atual dos projetos em MDL para mercado de crédito de carbono

O mercado de crédito de carbono, por meio de projetos de Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL), estimula a parceria entre países desenvolvidos e em desenvolvimento num esforço conjunto no combate ao aquecimento global do clima.

Esses projetos permitem que países industrializados, e que – segundo o Protocolo de Quioto, países do Anexo I – têm limites de emissão de gases de efeito estufa na atmosfera, possam investir em projetos em países em desenvolvimento e que não cumprem metas de redução (países não Anexo I).

Os países industrializados ganham pelo volume que os países hospedeiros do projeto deixam de emitir. Dessa forma, as partes incluídas no Anexo I cumprem seus compromissos de redução ou de limitações de emissões, e os países não incluídos contribuem para o desenvolvimento sustentável e para o objetivo final da Convenção, que é que é establilizar as concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera num nível que impeça a interferência antrôpica perigosa no sistema climático.

Cada tonelada de carbono que deixa de ir para a atmosfera equivale a uma Redução Certificada de Emissões (RCE), que tem um preço fixado no mercado internacional.

Na primeira quinzena do mês, um total de 2.343 projetos encontrava-se em alguma fase do ciclo de projetos do MDL, sendo 732 já registrados pelo Conselho Executivo do MDL, sediado na Alemanha, e 1.611 em outras fases do ciclo. O Brasil ocupa o 3º lugar em número de atividades de projeto, com 233 projetos (10%), dos quais 105 já foram registrados. Em primeiro lugar está a China, com 725 e, em segundo, a Índia, com 694 projetos.

Nesta posição, os projetos brasileiros contribuirão com 6% da redução dos gases projetados na atmosfera até dezembro de 2012.

"O fato de o Brasil ter uma base energética limpa deixa-o em desvantagem com relação aos projetos em MDL, pois precisa ter muitos projetos para ter uma pequena redução. E apesar de o escopo do Protocolo de Quioto prever parcerias internacionais, 58% dos projetos brasileiros são de investimentos internos, unilaterais", explicou a assessora técnica Branca Americano, da Comissão Interministerial de Mudanças Globais do Clima, secretariada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia.

Branca explicou, ainda, que 61 projetos já contam efetivamente com RCEs, ou seja, já comprovaram suas reduções e tiveram seus créditos de carbono emitidos pelo Conselho Executivo.

Atualmente, os projetos brasileiros concentram-se nas áreas de suinocultura, aterro sanitário, geração elétrica, indústria manufatureira, eficiência energética, manejo e tratamento de resíduos, indústria química e produção de metal.

A assessora participou ontem (29) da mesa-tema O mercado de carbono no Brasil e no mundo: perspectivas de continuidade do MDL e as mudanças regulatórias pós 2012, que faz parte do seminário internacional 'Aquecimento Global: a responsabilidade do Poder Legislativo no estabelecimento de práticas ambientais inovadoras', que começou na terça-feira e termina hoje (30), no auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados.

O seminário é promovido pelas comissões de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; da Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional; Relações Exteriores e Defesa Nacional; de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, da Câmara dos Deputados; pelas comissões de Ciência e Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática; de Relações Exteriores e Defesa Nacional, do Senado, e pela Comissão Mista de Mudanças Climáticas, do Congresso Nacional.

Fonte: Rachel Mortari / Agência CT

Análise de Degradação Ambiental na Amazônia Ocidental: um Estudo de Caso dos Municípios do Acre

O Estado do Acre, no Norte do país, apresenta um índice de degradação médio de 30,74%. O número exato é fruto de uma metodologia inovadora proposta por uma dupla de economistas que, a partir de indicadores biológicos, econômicos e demográficos, construiu uma metodologia matemática capaz de medir como está a conservação ambiental em um espaço geográfico limitado. No caso, eles analisaram 22 municípios acreanos.

A partir de análises fatoriais e da análise de agrupamentos (clusters), os pesquisadores Rubicleis da Silva, da Universidade Federal do Acre, e Claudiney Ribeiro, da Universidade Federal de São João Del Rei, em Minas Gerais, detectaram que, enquanto alguns municípios estão com uma situação favorável, em outros o impacto sobre o meio ambiente é bastante grande.

Em uma das tabelas geradas pelo estudo Análise de Degradação Ambiental na Amazônia Ocidental: um Estudo de Caso dos Municípios do Acre, publicado no número um do volume 42 da Revista de Economia e Sociologia Rural, ficam claras as diferenças de degradação observadas no campo. Enquanto os munícipios de Cruzeiro do Sul e de Mâncio Lima, na região do Juruá, estão com índice zero, em Brasiléia, no Alto Acre, o mesmo índice é de 65,95%.

Segundo os pesquisadores – que não consideram essa metodologia conclusiva – ao mesmo tempo que o índice revelou um bom estado de conservação ambiental em algumas áreas, ele também mostrou, para essas mesmas regiões, que alguns indicadores isolados se mostraram altos.

Para a construção das equações foram utilizados dados como cobertura vegetal (indicador biológico), produção da lavoura e da criação de animais (indicadores econômicos) e a capacidade que as regiões de lavoura tinham de absorver mão-de-obra (indicador demográfico). A tese nesse último caso é que quanto mais degradada a região, menos trabalhadores rurais vão trabalhar naquele espaço.

Apesar dos índices de degradação relativamente baixos, dizem os autores no texto, isso não significa que a situação do Acre seja cômoda. “Pelo contrário. É muito preocupante, dado que, por ser um Estado relativamente novo e pouco desenvolvido, alguns municípios possuem um índice de degradação que ultrapassou o valor de 60%”.

O estudo está disponível na íntegra na biblioteca on-line SciELO (Bireme/FAPESP). Para ler, clique aqui.

Fonte: Agência FAPESP - 30/08/2004

LNLS recebe propostas de estudos com radiação eletromagnética (Luz síncrotron)

Pesquisadores interessados em realizar estudos utilizando linhas de luz síncrotron têm até o dia 16 de setembro para enviar propostas ao LNLS, Laboratório Nacional de Luz Síncroton. Instituição de pesquisa do Ministério da Ciência e Tecnologia, o laboratório se destaca por possuir uma infra-estrutura que inclui as linhas de luz com estações experimentais instaladas na fonte de luz síncrotron, microscópios eletrônicos de alta resolução, microscópios de varredura de ponta e espectrômetros de ressonância magnética nuclear.

A luz síncrotron é a intensa radiação eletromagnética produzida por elétrons de alta energia num acelerador de partículas. Abrange uma ampla faixa do espectro incluindo os raios X, ultravioleta e infravermelho, além da luz visível. Esses raios permitem estudar detalhes em nível atômico e molecular dos mais variados sistemas orgânicos e inorgânicos, tais como nanoestruturas, superfícies de materiais e proteínas.

Podem ser enviadas propostas de pesquisa para uso das linhas de raios X duros - SAXS2, XRD1, XRD2, XPD, XRF, DXAS, XAFS1 e XAFS2, de raios X moles e ultravioleta - SXS, TGM e SGM. Metais, cerâmicas, polímeros, gases, líquidos e materiais biológicos podem ser analisados por estas técnicas. “Basicamente todos os materiais podem ser estudados através das linhas de luz, mas dependendo da análise que se queria fazer se utiliza uma ou mais técnicas destas citadas”, explica Osmar Roberto Bagnato, engenheiro do LNLS.

Uma comissão de especialistas em estudos com as linhas de luz irão avaliar as propostas enviadas. É analisado se o projeto tem fundo científico, se a linha que o pesquisador propõe estudar é adequada ao fim que almeja alcançar, se o estudo tem como ser realizado em equipamentos convencionais de universidades entre outros fatores. Os projetos classificados começarão a ser desenvolvidos no LNLS a partir do próximo ano.

Qualquer pesquisador pode enviar uma proposta de pesquisa ao laboratório. O LNLS é um laboratório nacional e suas instalações são abertas para pesquisas vindas a partir de projetos feitos por pesquisadores ligados a universidades, outros centros de pesquisa e indústrias.

“Os pesquisadores procuram o LNLS porque aqui estão disponíveis muitas técnicas de análise num mesmo local e muitas vezes, para um estudo adequado, são necessárias várias técnicas complementares. Outro motivo é que, em análises usando técnicas convencionais existentes também nas universidades e empresas, nossos equipamentos oferecem maior qualidade das medidas gastando menos tempo”, acrescenta Osmar.

No ano passado, cerca de mil projetos foram desenvolvidos no laboratório, sendo que em cada um participaram de três a quatro pesquisadores, o que resulta em aproximadamente 3000 usuários no LSLN. O laboratório, instalado em Campinas, recebe recursos do governo federal através de contrato de gestão firmado por sua operadora, a organização social Associação Brasileira de Tecnologia de Luz Síncrotron-ABTLUS, com o Ministério da Ciência e Tecnologia.

Os pesquisadores interessados devem enviar as propostas de pesquisa para avaliação através do endereço.

Fonte: Lnls

41º Congresso Brasileiro de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial

O 41º Congresso Brasileiro de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial ocorrerá de 4 a 7 de setembro, em Salvador. O encontro é promovido pela Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial.

“Avanços e incorporações tecnológicas em laboratório clínico”, “Avaliação clínico-laboratorial do paciente alérgico”, “Epidemiologia e avanços no diagnóstico da leptospirose”, “Incorporação de novas tecnologias diagnósticas: a tuberculose como paradigma”, “Garantia da qualidade em microbiologia” e “Ética em medicina laboratorial” serão alguns assuntos em pauta.

A conferência magna do evento, “Qualidade do teste X veracidade e imprecisão”, será proferida por James Westgard, professor emérito do Departamento de Patologia e Medicina Laboratorial da Faculdade de Medicina da Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos.

Mais informações no endereço.

Fonte: Agência Fapesp

Fóssil desvenda história evolucionária das orquídeas

Dating the origin of the Orchidaceae from a fossil orchid with its pollinator

Cientistas do Brasil e dos Estados Unidos estudaram o fóssil de uma orquídea ancestral caprichosamente preservada há mais de 15 milhões de anos em âmbar e conectada à parte traseira de uma abelha. A pesquisa, publicada na edição desta quinta-feira (30/8) da revista Nature, pode ajudar a desvendar a ainda obscura história evolucionária das orquídeas.

De acordo com Rodrigo Bustos Singer, professor do Departamento de Botânica do Instituto de Biociências da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o fóssil, encontrado na República Dominicana, não tem precedentes.

“É o primeiro fóssil inequívoco de uma orquídea descoberto até o momento. Além disso, pela primeira vez foi possível fazer uma observação direta, em um fóssil, da interação entre planta e polinizador”, disse Singer.

O fóssil foi datado como pertencente ao Período Mioceno, entre 15 e 20 milhões de anos atrás. Ele consiste em um polinário – a bolsa de pólen da planta – da orquídea Meliorchis caribea aderido ao dorso de uma abelha extinta, da espécie Proplebeia dominicana – pertencente a uma subfamília existente atualmente.

Segundo Singer, há uma forte tendência científica em afirmar que orquídeas têm origem antiga, no Período Cretáceo, entre 76 e 84 milhões de anos atrás. Mas, antes do novo estudo, não havia provas concretas dessa hipótese.

“O fóssil é bem mais recente que o Cretáceo, mas seu estudo permite inferir a origem do ancestral mais recente das orquídeas nesse período”, disse Singer, que participou da pesquisa analisando os atributos da orquídea fóssil e elaborando a matriz de dados que permitiu comprovar que a planta pertencia à subtribo Goodyerinae, uma subfamília das Orchidoideae.

Fazendo correlações com as orquídeas atuais, os autores da pesquisa puderam deduzir indiretamente diversas características da planta ancestral, como tamanho e formato. “É interessante porque, apesar de a orquídea ser uma das famílias de plantas mais diversas da Terra, há uma lacuna em vários aspectos de sua história evolucionária”, destacou Singer.

O artigo Dating the origin of the Orchidaceae from a fossil orchid with its pollinator, de Santiago Ramirez, Rodrigo Singer e outros, pode ser lido por assinantes da Nature no endereço.

Fonte: Fábio de Castro / Agência Fapesp

Inventário brasileiro de emissão de gases de efeito estufa

Baseado nas diretrizes atualizadas do IPCC - Painel Intergovernamental em Mudança do Clima, o segundo inventário nacional de emissão de gases de efeito estufa está em fase de elaboração. O documento terá como referência o período de 1995 a 2000 e deve ser concluído em dezembro de 2008.

A exemplo do primeiro inventário, divulgado em 2004 para o período 1990/94, será feito um amplo estudo em todos os setores e com diversos parceiros. A informação é do diretor do inventário brasileiro, Newton Parcionik, assessor técnico da Coordenação Geral de Mudanças Globais de Clima do Ministério da Ciência e Tecniologia (MCT).

Segundo Parcionik, a área de maior complexidade é justamente a que diz respeito ao uso da terra e floresta, que foi responsável por 75% das emissões brasileiras registradas na primeira contagem.

"Estamos utilizando a metodologia mais refinada do IPCC para a área de florestas, uma vez que pretendemos concluir os estudos por município", informou. Ele explica que serão utilizadas imagens de satélite - cerca de 492 imagens interpretadas de observação - não só da Amazônia, mas de todos os biomas brasileiros.

Quanto às reduções de desmatamento anunciadas nos dois últimos anos do Governo, essas não devem ser contabilizadas ainda neste inventário, de forma que esse setor deve ainda continuar como um grande emissor.

Parcionik alerta, no entanto, que todo inventário tem sua margem de erro, e que a tendência das emissões brasileiras é crescer na medida em que crescem também a população, o PIB e outras atividades econômicas, mas, ainda assim, vão estar entre as menores do mundo.

O assessor técnico participou hoje (29) da mesa-tema O inventário brasileiro de emissão de gases de efeito estufa e as perspectivas para a 2º comunicação nacional - tendências e mudanças no perfil das emissões brsileiras e seu impacto na sociedade e economia brasileiras.

O coordenador geral do Fórum Brasileiro de Mundanças Climáticas, Luiz Pinguelli Rosa, participou também da mesa, que faz parte do seminário internacional Aquecimento Global: a responsabilidade do Poder Legislativo no estabelecimento de práticas ambientais inovadoras, que começou ontem e termina amanhã (30), no auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados.

O seminário é promovido pelas comissões de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; da Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional; Relações Exteriores e Defesa Nacional; de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, da Câmara dos Deputados; pelas comissões de Ciência e Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática; de Relações Exteriores e Defesa Nacional, do Senado, e pela Comissão Mista de Mudanças Climáticas, do Congresso Nacional.

Fonte: Agência CT

É preciso frear o aquecimento do Planeta, dizem pesquisadores

Imagine que as mudanças globais do clima sejam uma locomotiva. Se for freada, ainda assim, precisará de algum tempo para poder parar de vez.

Com relação ao combate ao efeito estufa, a locomotiva não foi freada. Dessa forma, num cenário pessimista, nos próximos 30 anos poderemos ter de 0,5ºC a 1ºC de aumento na temperatura do Brasil.

Dados do último relatório do IPCC - Painel Intergovernamental em Mudança do Clima revelam que o homem é o maior causador do efeito estufa e que, nos últimos 30 anos, já ocorreu um aumento de 0,6ºC na temperatura dos oceanos. Isso é um aumento considerável. A percepção cotidiana é muito diferente do que isso significa para o Planeta.

"Com 2ºC de aumento, todas as espécies que conhecemos hoje correm o risco de não mais existir na forma como a conhecemos, e não temos como garantir que não haverá esse aumento até o final do século", explicou o climatologista Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), órgão do Ministério da Ciência e tecnologia (MCT).

Na sua visão, a problemática tem que ser encarada em duas frentes: nas ações de mitigação e nas ações de adaptação. Nesse sentido, ele defende maiores estudos para o desenvolvimento de um mapa da vulnerabilidade do Brasil, para que as políticas públicas sejam feitas de forma mais embasada.

Ele cita o sistema utilizado pelo estado de Santa Catarina para evitar inundações no Vale do Itajaí, desde a enchente - a maior do estado - dos anos de 1982/83, quando foi criado um verdadeiro sistema de defesa civil.

Outro bom exemplo de adaptação foi apresentado pelo chefe geral da Embrapa Agropecuária, o pesquisador Eduardo Assad. "O aquecimento global do clima trará muitos problemas para a agricultura. Um caso típico é o café que, com o aumento da temperatura, aborta os botões florais, comprometendo a safra. Estamos trabalhando com um programa de monitoramento genético para um café adaptável a diferentes temperaturas", avalia.

Nobre e Assad participaram hoje (29) da mesa-tema A diminuição de incertezas, que analisa os últimos relatórios do IPCC e é parte do seminário internacional "Aquecimento Global: a responsabilidade do Poder Legislativo no estabelecimento de práticas ambientais inovadoras", que começou ontem e termina amanhã (30), no auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados.

O seminário é promovido pelas comissões de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; da Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional; Relações Exteriores e Defesa Nacional; de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, da Câmara dos Deputados; pelas comissões de Ciência e Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática; de Relações Exteriores e Defesa Nacional, do Senado, e pela Comissão Mista de Mudanças Climáticas, do Congresso Nacional.

Fazem parte das discussões a sociedade civil, universidades, institutos de pesquisa e diferentes esferas de governo, como forma de colher subsídios para a elaboração de políticas públicas adequadas ao enfrentamento dessa ameaça ao Planeta.

Fonte: Rachel Mortari / Agência CT

Secretários estaduais e presidentes de fundações de C,T&I têm encontro em PE

Secretários estaduais de Ciência, Tecnologia e Inovação e presidentes de fundações de C&T de todo o País estarão reunidos, nesta quinta (30) e na sexta-feira (31), em Jaboatão dos Guararapes (PE), durante o Fórum Nacional do Conselho Nacional de Secretários Estaduais para Assuntos de CT&I (Consecti) e do Conselho Nacional das Fundações de Amparo à Pesquisa (Confap).

O Fórum Consecti-Confap será aberto às 9h30, com a presença do governador de Pernambucano, Eduardo Campos, e do secretário executivo do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), Luiz Antonio Rodrigues Elias.

O objetivo do Fórum Consecti-Confap é discutir ações que visem à ampliação da universalização do acesso aos bens gerados pela ciência e tecnologia, à competitividade econômica e à melhoria da qualidade de vida da população das áreas mais carentes do Brasil.

Serão abordados temas como Inclusão Digital e Parques Tecnológicos, o acesso ao patrimônio genético, proteção aos direitos de propriedade intelectual e ao conhecimento tradicional, as atividades do Instituto Nacional do Semi-Árido (Insa) e o Programa de Assistência Técnica para o Crescimento Econômico Eqüitativo e Sustentável (Pace).

Programação
Na quinta, às 10h30, Luiz Antonio Rodrigues Elias apresentará o Plano de Ações da Ciência, Tecnologia e Inovação 2007-2010 e o PAC. As atividades do Insa, vinculado ao MCT, serão abordadas às 11h30 pelo novo presidente do instituto, Roberto Germano Costa. À tarde, às 14h30, os Fundos Constitucionais e os Fundos Estaduais de CT&I serão o foco das discussões.

Na sexta-feira (30), às 9h, o tema 'Acesso ao patrimônio genético, proteção aos direitos de propriedade intelectual e ao conhecimento tradicional' será abordado pelo professor Serguei França de Camargo, da Universidade do Estado do Amazonas. Às 9h45, a presidente do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), Lúcia Melo, fala sobre o Pace.

No encerramento do Fórum, na sexta-eira (31), os participantes lançarão a Carta do Recife, contendo pleitos para o setor de C,T&I no País.

Pernambuco
O secretário de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente de Pernambuco, Aristides Monteiro, defende a estruturação de uma rede regional de parques tecnológicos e propõe que sejam feitos investimentos para que os parques dos diversos estados da região Nordeste produzam hardwares e softwares distintos e complementares, evitando uma concorrência na região.

“Dessa forma, os recursos serão utilizados com mais eficiência e deverão estruturar novos setores de ponta na economia de cada estado para além das atividades tradicionais. Temos que fazer com que os investimentos em parques tecnológicos sejam vistos como uma política de geração de emprego e renda e de diminuição das diferenças regionais e sociais”, afirmou Aristides, que é diretor regional para o Nordeste do Consecti.

O Fórum Nacional do Conselho Nacional de Secretários Estaduais para Assuntos de CT&I (Consecti) e do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap)ocorre no Hotel Dorisol - Av.Bernardo Vieira de Melo, 1624, Piedade – Jaboatão dos Guararapes (PE) - tel.: (81) 2122-2700.

Fonte:Fabiana Galvão Agência CT

Empresas desconhecem os instrumentos de financiamento de inovação tecnológica

Apenas 14% das empresas paulistas conhecem os instrumentos existentes para o financiamento da inovação tecnológica. O indicador acaba de ser divulgado pela sondagem Necessidade de Inovação na Indústria Paulista 2007, realizada no mês de maio com 230 empresas no Estado de São Paulo.

A pesquisa, elaborada pelo Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), destaca que 9% das microempresas conhecem tais instrumentos, seguidas pelas pequenas empresas (13%), médias (20%) e grandes (23%).

O objetivo do trabalho foi apresentar as grandes tendências da dinâmica de inovação industrial paulista, tanto em termos do processo como do ambiente e dos condicionantes em que as empresas se deparam quando realizam atividades inovativas.

As empresas paulistas apontaram o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) como a instituição de apoio à inovação mais conhecida: 97% disseram saber da existência do banco. Em segundo ficou o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), com 93%. Outras 47% apontaram a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), e 45%, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

A linha de fomento Inovação-Produção, do BNDES, foi indicada pelas empresas paulistas como o instrumento mais conhecido. Do total de empresas entrevistadas, 49% disseram conhecer o programa. Já as linhas de subvenção econômica desenvolvidas pela Finep foram citadas por 12% das empresas paulistas.

Segundo o levantamento, a falta de estrutura interna para pesquisa e desenvolvimento foi apontada por 8% das empresas paulistas como um obstáculo à inovação. Por outro lado, a aquisição de máquinas e equipamentos foi considerada o principal fator de incentivo, mas 50% das empresas entrevistadas apontaram o alto custo dos equipamentos um grande obstáculo para inovar.

Mais informações no endereço.

Fonte: Agência Fapesp

Língua Portuguesa - Uniformizar ou não ?

O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa foi assinado em 1990 para uniformizar o registro escrito nos oito países que falam o idioma: Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, Timor Leste e São Tomé e Príncipe.

A implementação do acordo, adiada diversas vezes desde 1994, poderá ocorrer a partir de janeiro de 2008 nos três países da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa (CPLP) que já ratificaram o protocolo: Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.

Facilitar o processo de intercâmbio cultural e científico entre os países e garantir a divulgação mais ampla do idioma são os principais objetivos da unificação ortográfica que, entre outras decisões, elimina o acento circunflexo em palavras paroxítonas terminadas em “o” duplo (como “vôo” e “enjôo”), extingue o trema e inclui as letras K, Y e W no alfabeto.

Para o Ministério da Educação brasileiro (MEC), a divergência de ortografias do português prejudicaria sua divulgação e prática em eventos internacionais. As mudanças necessárias em livros escolares e arquivos de editoras seriam compensadas pela atenuação do alto custo da produção de diferentes versões de dicionários e livros.

Mas a resistência é grande em alguns meios, principalmente em Portugal, onde haveria o maior impacto na língua – com o acordo, desaparecem o “c” e o “p” não pronunciados, como em “acção” e “baptismo”. Os portugueses precisarão também trocar a grafia de “húmido” por “úmido”.

Para alguns especialistas, a reforma traria benefícios desproporcionalmente pequenos em relação às dificuldades que representaria. “Em uma reforma, ninguém ganha e muitos perdem”, afirmou Luiz Carlos Cagliari, professor do departamento de Lingüística da Faculdade de Ciências e Letras da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Araraquara.

Para o professor, a reforma é desnecessária e se fundamenta em um grande desconhecimento da natureza, das funções e dos usos da ortografia. Especialista em fonética e fonologia, Cagliari publicou 11 livros e atua na pesquisa em sistemas de escrita, prosódia, ortografia e na história da ortografia da língua portuguesa.

AF - Há base científica para as modificações contempladas pelo acordo?
Luiz Carlos Cagliari – As reformas ortográficas têm sido feitas sem o conhecimento científico do que vem a ser a ortografia. Desse erro original deriva uma série de equívocos. Mas a questão fundamental não é se as mudanças serão feitas em determinadas regras. O fundamental é saber se há necessidade de mudança. Os argumentos dados para justificar uma reforma como essa são, em geral, falhos.

AF - Poderia dar exemplo desses argumentos?
Cagliari – Um deles é “facilitar o uso da língua”. Mudar a ortografia não facilita a vida de ninguém, porque a ortografia não representa a fala de ninguém. É simplesmente uma representação gráfica que permite a leitura. Não vou ler Camões na pronúncia dele, mas na minha. Como todos fazem isso, a ortografia não representa a pronúncia de ninguém.

AF – A unificação não facilitaria a comunicação diplomática entre os países?
Cagliari – Unificar a ortografia é um equívoco. Apesar de seguir regras de uso, tiradas de uma tradição, a ortografia, como a linguagem em geral, sofre transformações no tempo e no espaço. A história da ortografia mostra que a escrita se transforma continuamente. Veja, por exemplo, os corretores ortográficos dos computadores, que apresentam variação de opções de ortografias regionais para línguas como o inglês e o francês, ambas tradicionais. O inglês tem uma ortografia britânica e outra americana, ambas tradicionais. Então, por que precisamos ter apenas um modelo? O problema diplomático atinge somente a língua portuguesa? Ou é um falso problema?

AF – Alguns críticos dizem que a reforma forçará uma mudança em todos os livros didáticos, dicionários e arquivos de editoras, mas que seria uma reforma superficial, que não chegaria a cumprir o objetivo de padronizar a língua.
Cagliari – A idéia de simplificar a ortografia é uma ilusão desse tipo de reforma ortográfica. Talvez a única simplificação seja a abolição do trema – que ainda terá exceção. Isso não representa grande coisa. Na realidade, não precisaríamos de sinal algum além das letras. Nem acento, nem trema. O inglês não tem sinais diacríticos e não cria problemas aos usuários.

A F – A reforma só faria sentido, então, se fosse mais profunda?
Cagliari – Há grandes confusões nas bases ou regras da língua, com relação ao hífen, por exemplo. Poderia haver apenas uma regra que dissesse que as palavras compostas por composição levam hífen e as compostas por derivação não levam. O uso de acento gráfico em português também gera confusão. Há um número enorme de regras, todas desnecessárias, porque o falante sabe onde cai o acento nas palavras e quais vogais são abertas ou fechadas. Tirar uma regra ou outra não muda muito.

A F – As dificuldades de implantação da reforma são grandes demais comparadas aos benefícios?
Cagliari – Venho dizendo há décadas: o melhor é não mexer na ortografia, não fazer leis, deixar a tradição – recomendada pelos dicionários, gramáticas, vocabulários ortográficos – fazer sua história. Hoje, temos que lidar com e ler muitos documentos antigos, escritos em outras ortografias, e nada disso perturba, nem mesmo os juristas, que precisam desses documentos para se pronunciar em processos.

AF – A ortografia deveria se basear na tradição e não em leis?
Cagliari – Seria melhor. Os usuários agem da seguinte forma: ou sabem escrever – e o fazem com certeza – ou têm dúvidas. Nesse caso, não adianta pensar, a solução é olhar no dicionário e não ficar procurando regras nas gramáticas. As regras, estudadas apenas em alguns momentos da escola, ajudam. Mas, na hora da dúvida ortográfica, o que salva os usuários comuns não são as regras, mas o conhecimento de outros fatores, como a etimologia e a comparação.

AF – Entre as mudanças propostas, quais o senhor considera mais impactantes? Nenhuma delas é imprescindível?
Cagliari – Em uma reforma, ninguém ganha e muitos perdem. No caso desse acordo, nenhuma mudança sugerida é necessária. Poderíamos ficar com o que tínhamos e nada mudaria. A grande confusão veio quando resolveram transformar a ortografia em lei, um absurdo tão grande quanto o fato de terem tornado oficial uma nomenclatura gramatical brasileira. Uma aberração sem tamanho.

AF – A maior resistência à reforma vem de Portugal. Por que isso ocorre? O senhor vê, como alguns, uma “brasilificação” da língua com essa reforma?
Cagliari – Estive em reuniões em Portugal com acadêmicos e escritores que discutiam a unificação. Eles acham a reforma totalmente desnecessária. De fato, esta reforma, ao contrário da feita na década de 1910, representa um gesto brasileiro contra a tradição da língua. Para uma pessoa culta, a escrita traz as marcas da pátria, da história, e isso fica prejudicado por leis que pretendem que todos sejam iguais.

AF – A padronização tornará os livros atuais obsoletos?
Cagliari – Isso é um problema que decorre, como todos os outros, de transformar a ortografia em lei e não da reforma ortográfica em si mesma. Alguém poderia propor alterações na grafia das palavras e, se os usuários passassem a aderir, com o tempo viraria tradição, como sempre ocorreu. Se não for oficial, a ortografia pode aparecer de modos diferentes e os livreiros não precisam jogar nada no lixo. Nem precisaríamos jogar fora os livros escolares de nossas bibliotecas escolares porque estão com a ortografia errada.

AF – Quem sofrerá maior impacto com a reforma?
Cagliari – Os literatos sofrerão mais, porque a ortografia também pode ter valor estilístico, como vemos em autores como Saramago. Por outro lado, em um país em que grande parte da população não lê, uma reforma ortográfica vem perturbar apenas os letrados.

AF – Tivemos reformas em 1919, 1943 e 1971. O português muda demais?
Cagliari – Poderíamos ter seguido o exemplo das línguas francesa e inglesa que, apesar da longa tradição de brigas por reformas ortográficas, se mantêm há séculos sem grandes mudanças. Mas entramos em um caminho errado. Isso ocorre porque, para entender a ortografia, precisamos saber que a leitura não é transcrição fonética nem semântica, portanto basta reconhecer na escrita o que o usuário fala. A ortografia foi criada para neutralizar a variação lingüística: não interessa se você fala “tia” ou “tchia”. A escrita é uma só: tia. A letra “A” representa o som de todos os “As” falados em todos os dialetos em todas as palavras da língua. Assim, na palavra “acharam”, que se pronuncia “acharu”, o “A” tem o som de “U”.

AF – Quanto tempo uma reforma dessas deve levar para ser assimilada pelas populações?
Cagliari – Em relação à reforma de 1919, constatamos que somente na segunda metade do século 20 as pessoas aderiram de fato. E nem todas. As publicações só adotaram a reforma 50 anos depois. Nas reformas posteriores, a intervenção do Ministério da Educação nas escolas, nos livros e nas editoras foi ameaçadora, como é hoje: ou tudo ou nada. Com relação às pessoas cultas, a reforma começa logo, por força social. Na escola, é um grande problema para os professores e menor para os alunos, que não precisam modificar o que sabiam antes. Para o povo, pouco interessa. Muitos continuarão escrevendo fora de qualquer padrão tradicional ou imposto por lei, mas de acordo com hipóteses que fazem de como podem escrever para alguém ler e entender o que eles querem dizer.

Fonte: Fábio de Castro /Agência Fapesp