quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Desafios dos nanomateriais


À medida que o conhecimento em nanociências se desenvolve, suas múltiplas possibilidades de aplicação estimulam a imaginação e abrem perspectivas promissoras de inovação tecnológica.

“Mas, para que os sonhos de novos materiais nanotecnológicos se tornem realidade no cotidiano, há muito trabalho a ser feito em pesquisa básica”, disse Alexandra Navrotsky, professora da Universidade da Califórnia em Davis, nos Estados Unidos, uma das principais especialistas do mundo no controle termoquímico de nanoestruturas.

A cientista está no Brasil a convite do professor Ricardo Castro, do departamento de Engenharia Metalúrgica e de Materiais da Fundação de Ensino Inaciano (FEI), para apresentar, aos alunos do Centro Universitário da FEI, em São Bernardo do Campo (SP), um curso sobre termoquímica de nanomateriais.

Segundo Alexandra, foram alcançados grandes avanços na síntese dos materiais, mas a real compreensão de suas estruturas ainda está longe de ser atingida. “Um dos principais desafios da área é justamente caracterizar com exatidão a estrutura dos nanomateriais, tanto dentro da partícula como em sua superfície”.

De acordo com a pesquisadora, há diversas maneiras para se sintetizar um mesmo material, mas a opção por cada um deles tende a gerar produtos diferentes. “Essas diferenças podem ser cruciais para os fatores termodinâmicos. É muito freqüente encontrar estudos contraditórios na área e a explicação para isso é que compreendemos mal os materiais”, disse.

Essa compreensão conceitual é exatamente o trabalho no Laboratório de Termoquímica Peter Rock, coordenado por Alexandra. “A pergunta fundamental que orienta nossos estudos na área de termodinâmica de materiais é por que uma determinada estrutura se forma a partir de uma composição, pressão e temperatura específicas?”, disse.

Outro desafio das nanociências seria a dificuldade de desenvolver ferramentas adequadas. “Algumas ferramentas de detecção que funcionam muito bem em escalas maiores não se aplicam aos nanomateriais quando queremos entender suas reações”, afirmou.

Para Alexandra, a inovação e as aplicações do conhecimento em nanociências poderão andar mais rápido com investimentos em pesquisa básica no setor. “Muitas vezes desenvolvemos uma aplicação sem conseguir compreender a fundo suas propriedades. Ficamos tentados a estabilizar o processo em uma inovação, sem entender de fato o material.”

Se a termodinâmica dos materiais for mais conhecida, cada propriedade deles poderá ser desdobrada em novas aplicações, na opinião da professora norte-americana, que publicou mais de 500 artigos científicos e ganhou diversos prêmios, entre os quais a medalha Benjamin Franklin, uma das mais altas honrarias científicas nos Estados Unidos.

“Desenvolvemos materiais bastante interessantes e queremos saber qual a relação entre a energia de materiais mais estáveis e a composição sintetizada. Isso revela o quanto eles vão persistir, como vão reagir, se vão permanecer difusos, se formarão um filme, se têm outras propriedades eletrônicas desejáveis ou se são capazes de detectar uma molécula”, destacou.

Fonte: Fábio de Castro / Agência Fapesp

HIV/ Aids - Uma difícil solução

Novas vacinas contra o HIV/Aids foi o tema mais discutido nesta terça-feira (21/8), primeiro dia de atividades no 13º Congresso Internacional de Imunologia, que está sendo realizado no Rio de Janeiro.

Pertencentes a duas gerações de cientistas que desenvolvem pesquisas sobre a resposta imunológica humana a infecções, o suíço Rolf Zinkernagel, ganhador do Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia de 1996, e Edecio Cunha Neto, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), falaram sobre as dificuldades que o vírus da Aids impõe à comunidade científica mundial.

A principal questão levantada foi quando – e se – será possível desenvolver um imunizante para a doença que afeta mais de 40 milhões de pessoas e já matou mais de 20 milhões. Sobre isso, Zinkernagel se mostrou pessimista.

Em 1996, ele e o australiano Peter Doherty mostraram como os linfócitos T – células que têm como missão matar as células infectadas pelo HIV – reconhecem modificações na superfície celular durante uma infecção.

Antes disso, pensava-se que tais células reconheciam vírus ou bactérias como anticorpos, mas a descoberta dos dois comprovou a existência de uma molécula que captura fragmentos do vírus ou da bactéria e os leva para a superfície. As células T apenas reconhecem essa molécula sem esses pedaços do vírus.

Embora a descoberta tenha trazido enorme contribuição para a pesquisa clínica atual, Zinkernagel destacou que o conhecimento dos pesquisadores de fato cresceu, mas não o suficiente para encontrar soluções que levem ao desenvolvimento de vacinas contra doenças como a Aids.

“Temos vacinas contra a pólio, o tétano e outras infecções, mas não temos um imunizante para a tuberculose, o HIV ou a malária. Por quê? A resposta é simples: os vírus da Aids e da malária mudam o tempo todo. Por conta disso, precisaríamos de vacinas contra uma centena de tipos de vírus. É muito mais difícil criar uma estratégia para desenvolver uma vacina contra a Aids do que uma contra o tétano, por exemplo”, disse Zinkernagel à Agência FAPESP.

“Acho muito pouco provável que se encontre uma vacina eficaz contra a Aids. Não é impossível, mas é como se estivéssemos construindo uma bicicleta para ir à Lua, no lugar de projetar um foguete”, disse.

Resposta imune
Cunha Neto concordou com Zinkernagel em relação à dificuldade que a capacidade de mutação do vírus HIV traz para a pesquisa, mas discordou da improbabilidade de que um dia se possa chegar a uma vacina.

“Temos alternativas e não podemos deixar de experimentar essas possibilidades. Uma vacina que induza uma resposta celular pode gerar diminuição da quantidade de vírus. Ao controlar a quantidade de células infectadas não haverá mais a diminuição do CD4 [linfócito que indica o estado do sistema imunológico]. Uma vacina que levasse em conta essa abordagem teria um efeito de diminuição da quantidade de vírus”, destacou.

A equipe da qual Cunha Neto faz parte trabalha atualmente no desenvolvimento de uma vacina cujo princípio é induzir uma resposta imune dos linfócitos T. “Ou bloqueamos o vírus antes de ele entrar na célula ou não conseguiremos evitar a infecção”, disse.

“Montamos uma vacina de DNA, contendo fragmentos do vírus, e a injetamos em camundongos para ver a resposta imune dos animais contra esses fragmentos. Quase 10% de todos os linfócitos T dos camundongos responderam à vacina. Se colocássemos 10% das células humanas reagindo contra o HIV, já poderíamos dizer que a vacina é eficaz”, afirmou. Em 2008, o pesquisador deverá começar estudos em humanos para avaliar se a resposta imunológica será a mesma.

Atualmente, cerca de 20 vacinas contra o HIV estão sendo testadas no mundo, duas em fase clínica adiantada: uma desenvolvida pelos Institutos Nacionais de Saúde (NIH), nos Estados Unidos, e outra pelo laboratório Merck.

Fonte: Washington Castilhos / Agência Fapesp

Plataforma Lattes alcança 1 milhão de currículos

A Plataforma Lattes, desenvolvida pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCT), chegou à marca de um milhão de currículos cadastrados. Concebida pelo CNPq, a Plataforma Lattes foi criada para padronizar os currículos dos pesquisadores brasileiros e implementar um banco de dados público que, entre outros benefícios, possibilitasse a obtenção de um panorama da distribuição da pesquisa científica no Brasil.

De acordo com o último censo levantado a partir dos dados da Plataforma Lattes, cerca de 26% dos currículos cadastrados são de mestres e doutores e 21% de graduados. A distribuição dos doutores cadastrados na Plataforma Lattes por área aponta uma maior concentração nas áreas de Ciências Exatas e da Terra e Humanas, seguidas por Ciências da Saúde, Biológicas e Engenharias.

Dentre as instituições cadastradas - cerca de 4.000 – a maioria envolve o setor privado sem fins lucrativos e o empresarial (aproximadamente 30% cada). As demais estão distribuídas entre o ensino superior, o governo e o ensino técnico, profissional e de ensino médio.

Hoje, uma referência mundial, a Plataforma possui uma versão em língua espanhola e está integrada à rede ScienTI, criada pelo CNPq e a Organização Pan-americana de Saúde. Formada por organizações nacionais de ciência e tecnologia e outros organismos internacionais, a rede visa promover a padronização e a troca de informação, conhecimento e experiências entre os participantes na atividade de apoio a gestão da área científica e tecnológica em seus respectivos países.

Além disso, o CNPq licencia gratuitamente o software e fornece consultoria técnica para a implantação do Currículo Lattes nos países da América Latina. Essa ação já possibilitou a integração de países como Colômbia, Equador, Chile, Peru, Argentina, Portugal e Moçambique à Plataforma.

A integração da Plataforma Lattes se dá, também, com bases de dados de outras instituições, tais como a SciELO, a LILACS, a base de patentes do INPI, os bancos de dissertações e teses das universidades, e a bases de periódicos científicos por meio do DOI (Digital Object Identifier), que conferem ao usuário do sistema a possibilidade de acesso, a partir do currículo do pesquisador, a um vasto acervo de informações científicas relacionadas a este pesquisador.

Aperfeiçoamentos
Lançada em 1999, a Plataforma Lattes vem passando por constantes ajustes para adequar-se às necessidades dos pesquisadores e, principalmente, para garantir a segurança e confiabilidade das informações.

Dentre as ações implantadas está a adoção de um sistema de criptografia de dados, que impede que os dados fornecidos possam ser "vistos" por possíveis hackers que estejam monitorando a rede. "Dessa forma, as informações fornecidas pelo usuário trafegam pela rede como uma seqüência de dados "embaralhados".

Quando a informação chega às máquinas do CNPq, os dados são "desembaralhados" e no caso dos dados estarem corretos, é permitido o acesso do usuário ao sistema", explica Charles Henrique de Araújo, Coordenador de Gestão de Bases de Dados e Redes do CNPq.

Outro ponto importante foi a inclusão dos caracteres de validação na Busca de Currículos, que evita que robôs de extração de dados façam acesso ao site e degradem o acesso ao sistema.

O CNPq criou, ainda, a Comissão de Monitoramento e Auditoria da Plataforma Lattes, que tem como objetivo desenvolver métodos automáticos de detecção de erros e fraudes, tornando as informações do Currículo Lattes mais corretas e transparentes. Estes métodos são capazes de extrair discrepâncias numéricas e de conteúdo, tais como: número muito alto de orientandos, número muito alto de publicações com o autor do currículo como primeiro autor, diferenças entre orientador e orientando, entre outros.

A detecção deste tipo de problema gerou soluções de sistema como a retirada do preenchimento automático do nome do autor, como modo de dificultar a colocada do autor do currículo como primeiro autor; a comparação de nomes de orientadores e orientados; a validação do número DOI, um identificador de objetos de propriedade intelectual que provê meios para a identificação unívoca de objetos da rede digital, seus dados básicos e sua fonte de origem; a validação de artigos com a Tabela Capes; e a criação de uma etapa extra de envio ao CNPq, com possibilidade de conferência das informações e termo de compromisso por parte do pesquisador.

Fonte: Agência CT

Insa lança concurso para premiar estudantes

Com o objetivo de incentivar a participação da classe estudantil na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, o Instituto Nacional do Semi-Árido (Insa/MCT) vai abrir inscrições para o “Prêmio Insa de Iniciação Científica”.

Voltado para estudantes e professores do ensino básico de escolas públicas e privadas do estado da Paraíba, o concurso vai premiar a melhor redação sobre o tema: “Convivência no Semi-Árido: cidadania e oportunidades”.

De acordo com o diretor do Instituto, Roberto Germano Costa, as redações serão avaliadas por uma comissão julgadora composta por cinco membros, sendo dois representantes do Insa, um representante da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesq), um da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e outro representando a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

Roberto Germano ainda explicou que, além dos alunos, os professores orientadores também serão premiados.

- Os alunos classificados em primeiro lugar nas categorias Ensino Médio ou Tecnológico e Ensino Fundamental vão ganhar 01 computador completo. Já os professores que orientarem os trabalhos vencedores receberão um mil reais, cada um – informou.

As inscrições poderão ser feitas de 1º a 17 de setembro, através de formulário obtido no site www.insa.gov.br. As redações deverão ser enviadas para o e-mail insa@insa.gov.br, como também em duas vias impressas, através dos Correios ou entregues diretamente na sede do Insa, localizada na Avenida Floriano Peixoto, 715, Centro, Campina Grande (PB), no mesmo período.

A solenidade de entrega dos prêmios será realizada durante a abertura da Semana de Ciência e Tecnologia, que acontece de 1º a 7 de outubro, em Campina Grande.

Maiores informações podem ser obtidas pelo telefone (83) 2101-6412.

Fonte: Agência CT

Ciclo : "Bioinformática no Brasil"

Disseminar pesquisas científicas em desenvolvimento no país sobre a área de bioinformática é o objetivo de um ciclo de palestras que será realizado durante o segundo semestre de 2007, em Campinas (SP), com o tema “Bioinformática no Brasil”.

A primeira palestra, com o tema “Sobre a complexidade do transcriptoma humano”, será ministrada no dia 23 de agosto, às 10 horas, pelo pesquisador Sandro de Souza, do Instituto Ludwig de Pesquisa sobre o Câncer.

As palestras do ciclo, promovido pela Embrapa Informática Agropecuária, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, em Campinas, são mensais e gratuitas e não é necessário inscrição prévia.

As palestras seguintes abordarão assuntos como o processamento de sinais gênicos e a aplicação da bioinformática no desenvolvimento de produtos agrícolas.

Mais informações pelo e-mail ou telefones (19) 3789-5782 e 3789-5830.

Fonte: Embrapa

Prêmio Henri Nestlé tem inscrições até 15 de setembro

Estão abertas as inscrições de estudantes e profissionais das áreas de nutrição, saúde e bem-estar ao Prêmio Henri Nestlé, concedido pela empresa de alimentos em homenagem ao seu fundador. Os interessados devem enviar resumos de trabalhos até 15 de setembro.

O objetivo é contemplar pesquisas científicas em duas categorias, de acordo com a formação acadêmica dos concorrentes. Em cada categoria, o candidato pode escolher uma das três áreas temáticas: “Nutrição em saúde pública”, “Tecnologia e bioquímica de alimentos” e “Nutrição clínica”.

A categoria 1 é destinada a estudantes de graduação ou pós-graduação lato sensu e a profissionais que tenham graduação ou pós-graduação lato sensu. O primeiro colocado ganhará o direito de participar, como congressista, de um curso nacional em 2008 com as despesas pagas. Além disso, os co-autores da pesquisa receberão R$ 2 mil. O segundo e o terceiro colocados ganharão, respectivamente, R$ 1,5 mil e R$ 1 mil.

A categoria 2 é voltada para estudantes de mestrado, doutorado e pós-doutorado e para profissionais que tenham concluído um desses níveis de pós-graduação stricto sensu. Nesse caso, o prêmio para o vencedor será uma viagem à Suíça que inclui visita ao Nestlé Research Center, em Lausanne, com todas as despesas pagas.

Os co-autores serão premiados com notebooks e o segundo e terceiro colocados ganharão, respectivamente, R$ 3 mil e R$ 1,5 mil. Ao todo, serão 18 projetos de pesquisas premiados nas duas categorias.

Mais informações no endereço.

Fonte: Agência Fapesp