sábado, 21 de julho de 2007

Brasil possui vasta área florestal para a produção de energia

Quase todos os Estados brasileiros possuem florestas que podem ser utilizadas para produção de energia. É o que informa o pesquisador Helton Damin da Silva, da Embrapa Florestas, em entrevista ao Inovação Energética. Segundo ele, as maiores demandas se concentram nos Estados mais industrializados, sendo que Minas Gerais e São Paulo possuem as maiores áreas plantadas. “Nota-se que nos Estados do Sul (PR, SC e RS), Mato Grosso, Bahia, Piauí, Tocantins e Maranhão existem fortes demandas e incentivos governamentais que estão propiciando um crescimento da área plantada”, explica o pesquisador.

Damin da Silva informou, ainda, que os eucaliptos, isoladamente, constituem o gênero “madeirável” de rápido crescimento e o mais plantado no Brasil e possui uma área de 2.965.880 hectares em todo o país. Apesar de dividir opiniões, o eucalipto tem seus pontos favoráveis, entre os quais se destacam a adaptação em diferentes regiões bioclimáticas, plasticidade, ciclo curto, produtividade, capacidade de rebrota, biomassa para múltiplos usos e principalmente a geração de empregos e renda. De acordo com o pesquisador, esses argumentos levam à conclusão de que o plantio em áreas degradadas, pastagens e áreas já desmatadas podem produzir matéria-prima homogênea em curto prazo e em quantidades suficientes para que não haja necessidade de madeira nativa para suprimento da demanda energética, quer seja industrial ou residencial. Isto significa que a produção de madeira em plantios florestais indiretamente evita o corte de matas nativas. Além disso, outro fator favorável ao eucalipto é que ele seqüestra o carbono da atmosfera, ajudando a combater o aquecimento global.

Eucalipto
A cultura do eucalipto foi expandida nas décadas entre 1960 a 1980, em função dos incentivos fiscais para o plantio. Minas Gerais e São Paulo tornaram-se pólos florestais do país, mas com o fim dos incentivos, as empresas florestais começaram a fazer investimentos para manter a produção. Economicamente, o setor florestal no geral representa quase 3% do PIB do país. O setor de celulose contribui com 57,1%; móveis, 15,5%; o de siderurgia, 14,3%; e o de madeira sólida, 13,1%. Com isso, são gerados mais de 500 mil empregos diretos e dois milhões de empregos indiretos e as exportações atingem anualmente a cifra de US$ 3,35 bilhões.

Damin da Silva afirmou que esses números são pequenos quando considerado o movimento comercial internacional de produtos derivados da madeira. Segundo ele, no passado, houve erros de implantação e manejo que provocaram danos ambientais, o que não acontece hoje em dia, em função dos avanços nas técnicas de implantação e manejo, da legislação e, principalmente, das exigências da sociedade nacional e internacional que impõem barreiras ao mau uso do solo e da água.

Floresta Energética
Floresta energética é um termo criado para identificar plantios florestais, seja com espécies nativas ou exóticas, cuja finalidade primordial é a produção de energia, principalmente eucaliptos e bracatingas, que substituem a madeira oriunda de florestas nativas.

Fonte : Vitor Rodrigues /Inovação Energética

Observatório Nacional terá escola de inverno em Astronomia

O Observatório Nacional (ON/MCT) realizará, entre os dias 30 deste mês e 3 de agosto, uma Escola de Inverno em Astronomia para alunos de graduação e portadores de diploma de nível superior nas áreas de ciências exatas e da Terra.

O curso Escola de Inverno 2007 em Astronomia é inteiramente gratuito, porém, somente as pessoas inscritas terão acesso aos mesmos. O ON não poderá oferecer qualquer tipo de auxílio financeiro aos participantes e nem dispõe de alojamento para os participantes provenientes de outros estados.

Os cursos oferecidos são:

* Introdução à física das atmosferas e interiores estelares - Dr. Francisco X. de Araújo
* As galáxias e o Universo - Dr. José Eduardo Telles
* Ciências planetárias: um curso introdutório - Dra. Daniela Lazzaro
* Tópicos em evolução estelar - Dr. Claudio B. Pereira

E as palestras:

* Eta-Carinae: uma estrela singular - Dr. Dalton de Faria Lopes
* A procura de exoplanetas com o satelite Corot: primeiros resultados - Dr. Jorge Ramiro de La Reza
* Um "zoom" nas nebulosas planetárias - Dra. Cintia Quireza Campos
* A evolução dinâmica do Sistema Solar primordial - Dr. David Nesvorný (SWRI-EUA)

A programação acontece no auditório do Observatório Nacional, localizado na rua General José Cristino, 77, em São Cristóvão - Rio de Janeiro (RJ).

Fonte: Agência CT

Desenvolvido teste rápido que diagnostica leptospirose em 15 minutos

Quinze minutos. Este é o tempo que um paciente deverá esperar para saber se está contaminado pela bactéria leptospira, o agente causador da leptospirose. Depois de dez anos de trabalho, uma equipe do Centro de Pesquisa Gonçalo Muniz (CPqGM), unidade da Fiocruz na Bahia, apresentou o teste de diagnóstico da leptospirose que, além de oferecer resultado mais rápido em relação aos de microaglutinação, que exigem até 15 dias para apontar uma resposta, amplia para 92% a chance de o diagnóstico estar correto. “Este é um teste que vai ajudar a salvar vidas, representando uma ferramenta importantíssima para o médico identificar a doença ainda no seu início, antes da progressão para formas severas”, avalia um dos coordenadores do projeto, Mitermayer Galvão dos Reis. Desenvolvido no Laboratório de Patologia e Biologia Molecular (LPBM) do CPqGM, em parceria com as universidades de Cornell e da Califórnia, o teste diagnóstico funciona com procedimento semelhante ao de gravidez.

A rapidez no diagnóstico foi alcançada em função da identificação pelos pesquisadores do componente da bactéria (a proteína Lig) capaz de estimular a produção de anticorpos nas pessoas infectadas. A partir desta descoberta foram produzidos in vitro antígenos, em parceria com Biomanguinhos, outra unidade da Fundação, que permitiram a construção do teste. O mecanismo de funcionamento é simples. Uma gota de sangue, extraída do dedo do paciente, é depositada no aparelho, aplica-se uma solução reveladora e a coloração rosa indica resultado positivo. “Na verdade, o antígeno é o ponto central do teste, já que ele atrai o anticorpo específico para a leptospira, e ao reagir, permite o diagnóstico”, explica Alan McBride, pesquisador visitante que juntamente com outro pesquisador visitante, Albert Ko, também coordena a pesquisa.

O processo de validação do teste deve ocorrer ainda neste ano, em laboratórios especializados das universidades federais do Ceará, Rio Grande do Norte e na Fiocruz de Pernambuco. De acordo com Reis, processo semelhante também será realizado nos 21 países ibero-americanos. “Posteriormente, vamos submetê-lo à avaliação da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) e esperamos que o Ministério da Saúde possa distribuí-lo para os postos de saúde de todo o país no prazo de seis meses a um ano”, acredita.

Como a leptospirose é uma doença que apresenta sintomas semelhantes a dengue, hepatite e gripe do tipo febres, dores de cabeça e musculares, a celeridade na identificação ajudará o médico a prescrever o medicamento correto. Quando instalada, os sintomas são: olhos amarelados; alterações cardiovasculares; dificuldade respiratória distúrbios neurológicos e disfunção renal. O diagnóstico errado, por sua vez, pode levar a progressão da doença para formas mais graves, inclusive com hemorragia pulmonar, que geralmente leva 50% dos pacientes a óbito em 48 horas.

“Em Salvador, em 1996, durante uma epidemia de dengue, identificamos que 35% dos pacientes hospitalizados com leptospirose tinham recebido diagnóstico de dengue, erro que contribuiu para aumento da morbidade e letalidade”, avalia Reis. O teste, nesse caso, praticamente eliminaria o erro, antecipando o tratamento e a cura, já que estudos anteriores indicam o diagnóstico ambulatorial e o tratamento com penicilina, nos dois primeiros dias da doença, como suficientes para impedir a progressão para formas mais graves.

Inicialmente caracterizada como doença rural e transmitida a partir da urina do rato, a leptospirose atinge atualmente áreas principalmente carentes dos grandes centros urbanos, em função das populações destas localidades entrarem em contato com água contaminada derivada de enchentes, além da precariedade da coleta de lixo e da falta de redes de esgoto, que facilitam a proliferação de roedores. “A leptospirose se expandiu de sua base rural e se tornou a causa de epidemias cíclicas ligadas a chuvas no ambiente urbano. Grandes surtos ocorrem a cada ano, afetando praticamente os mesmos grupos de risco dentro das favelas urbanas. Precisamos de uma política pública que integre ciência, serviços de saúde e política ambiental”, defende Reis.

Dados do Ministério da Saúde indicam que foram notificados 2.698 casos, com a morte de 301 pessoas, em 2005. São Paulo é o estado com maior número de casos, com 575 confirmações. Na Bahia, foram 151 casos, no mesmo período. A Secretária de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) revelou que somente no primeiro semestre deste ano, já foram totalizados 89 casos no estado, com 9 mortes. A taxa de mortalidade das formas severas da doença é de 15%.

Fonte: Antonio Brotas / Agência Fiocruz