quinta-feira, 19 de julho de 2007

Incubalix é lançada em Cariacica - E.S.

Inaugurada dia 3 de julho a Incubalix – Incubadoras de Empresas Resíduos Sólidos instalada na Rodovia do Contorno, em Cariacica. Trata-se da primeira incubadora de Eco negócios do Brasil.

O projeto irá incubar empresas de reaproveitamento de resíduos e vão receber apoio gerencial e tecnológico do Sebrae/ES.

Entre os negócios que já estão sendo instalados na incubadora estão empresas de biodesel, aproveitamento de cascas de coco, vassouras pet, fábrica de papel e fábrica de tijolo ecológico.

Inauguração
Durante a inauguração, o superintendente do Sebrae/ES, falou sobre a importância da realização de projetos voltados para a área ambiental. “É necessário divulgar o bem. Projetos como esse, darão futuro ao país”, salientou Scárdua.

Além da apresentação do escritório, de onde serão gerenciadas as empresas que estão sendo incubadas, os participantes do evento puderam conferir o trabalho já realizado por uma das empresas incubadas, a de papel reciclado.

O evento também contou com a participação do superintende do Banco do Brasil, Dércio Tavares, o secretário estadual de Ciência e Tecnologia, Rogério Queiroz, do prefeito do município de Cariacica, Helder Salomão e do representante da Anprotec José Alberto Aranha.

As empresas interessadas em fazer parte da Incubalix poderão se inscrever no projeto até o mês novembro através do sítio ou pelo telefone (27) 2123-7733 ou 2123.7734.

Fonte: Sebrae ES

Análise mede amortecimento em plataforma petrolífera

Pesquisa do Núcleo de Dinâmica e Fluidos do Departamento de Engenharia Mecânica da Escola Politécnica (Poli) da USP medirá o amortecimento hidrodinâmico causado pela instalação de bolinas nos cascos de petroleiros adaptados como plataformas flutuantes (FPSO). O estudo, contratado pela Petrobrás, terá investimento de R$ 263 mil em análises experimentais e numéricas de escoamento ao redor de cascos de navios com e sem bolinas.

"As bolinas são chapas de aço planas, colocadas nas laterais das embarcações, que intensificam o amortecimento hidrodinâmico no movimento de rolagem”, explica Julio Meneghini, professor da Poli que coordena a pesquisa. Transformados em plataformas de petróleo, esses navios recebem em seus cascos dezenas de risers (tubos que transportam óleo e outros materiais extraídos do fundo do mar). “O navio está sujeito a movimentos devido a correntes marítimas e ondas, entre os quais está a rolagem”.

Segundo o professor, as bolinas são concebidas e instaladas para limitar o movimento a pequenos ângulos, evitando certas freqüências. “Nas suas extremidades, durante a rolagem, ocorre a formação de vórtices, que aumentam o amortecimento hidrodinâmico e limitam o movimento, relata. "Os resultados da pesquisa vão ajudar a entender o fenômeno de formação e desprendimento de vórtices e sua relação com o amortecimento hidrodinâmico".

Para realizar as pesquisas necessárias, uma equipe de pesquisadores (professores, doutorandos, mestrandos e alunos de iniciação científica) está envolvida em experimentos em um canal de água circulante, instalado na Poli, na análise de dados realizados com o apoio de supercomputadores.

Arrasto
O NDF também realiza um estudo para a Pebrobrás na área de Vortex-Induced Vibration (VIV), fenônemo que ocorre ao longo do comprimento dos risers em plataformas petrolíferas e influencia na vida útil desses equipamentos. Intitulado Experimento para análise de VIV em 2 cilindros em Tandem com strakes, o projeto busca compreender melhor o fenômeno de geração de vórtices nos risers.

Devido a limitações de espaço na plataforma, os risers podem ficar a pequenas distâncias uns dos outros na região próxima à superfície do mar, o que gera um efeito de interferência semelhante àquele presente na força de arrasto de um carro de Fórmula 1. “A concentração de risers próximos da plataforma faz com que alguns deles atuem como uma força de arrasto negativa, o que aumenta a probabilidade dos risers se chocarem uns com os outros e causarem danos estruturais e eventuais colapsos dos mesmos", esclarece o professor.

Segundo Meneghini, uma plataforma que produz petróleo a uma profundidade de 2 mil metros pode ter risers e umbilicais a um custo de cerca de US$100milhões. “Compreender os fenômenos de interferência a fim de minimizar a possibilidade de choque entre eles, ampliando a longevidade do material e prevenindo desastres ecológicos são os desafios do projeto”, destaca.

Em dezembro, o Brasil sediará uma conferência mundial sobre VIV, com a presença de especialistas internacionais sobre o tema. A VIV está presente nas áreas de produção de petróleo em águas profundas, engenharia civil (pontes e edifícios), e em aplicações militares navais. Também está relacionada ao problema de escoamento ao redor de corpos rombudos, base da aerodinâmica veicular. A Poli é uma das instituições organizadoras da conferência.

Mais informações sobre o evento podem ser obtidas no sitio.

Fonte: Agência USP

LaserTools desenvolve máquina “quatro-em-um”

Uma novidade tecnológica poderá revolucionar o mercado nacional de máquinas-ferramenta. Concebida pela LaserTools, a máquina consiste em uma fresadora Discovery 1250 com quatro eixos, capacitada a desenvolver funções como furação, corte e solda a laser.

“A máquina permite soldar e furar peças micros e macros. Está capacitada para fazer desde um furo em um molde de 100 microns a até um furo em um molde de uma tonelada. Desenhamos a máquina junto com a Romi e ainda contamos com apoio da Fapesp”, explica Spero Morato, diretor da Laser Tools.

Uma das evoluções desse sistema está na tecnologia de laser que possibilitará a realização de trabalhos em materiais extremamente difíceis. “Um exemplo é o titânio. Antes, fazer solda em titânio era muito complicado. O nosso equipamento permite isso. Outra vantagem está no corte de cobre para indústria eletrônica que o laser tradicional não faz, enquanto que o nosso equipamento está habilitado a realizar”, afirma Morato.

Outra novidade surgida com o equipamento é a reconstituição de moldes. “É outro procedimento difícil de ser realizado no Brasil, que ainda está atrás em termos de tecnologia de ponta em comparação com outros países”, observa o executivo.

Para se chegar ao modelo atual da máquina, o eixo árvore e o carrossel de ferramentas foram retirados e réguas ópticas foram introduzidas para uma maior precisão no posicionamento.

A esta fresadora CNC foi adaptada uma placa vertical na qual foi fixado um laser de Nd:YAG, juntamente com um sistema de guiamento e focalização do feixe acoplado a uma câmera CCD. O sistema incorpora ainda um bico injetor de gás com pressão e fluxo controlado, possibilitando uso de gases inertes (argônio ou nitrogênio) ou reativos (oxigênio) chamados de gases de assistência ao processo.

A integração desta central CNC com o laser foi feita com um sistema CAD-CAM, com pós-processador dedicado ao CNC e ao conjunto do laser, que possibilita a entrada de arquivos de desenhos do tipo.dwx ou .dxf para pronto reconhecimento pelo CNC, facilitando a programação de usinagem com um software Mastercam.

Este equipamento integra assim um laser pulsado de Nd:YAG com uma fresadora XYZ que inclui um quarto eixo também comandado pelo software especialista, alem da montagem de uma série de periféricos ao sistema, como sistema de refrigeração do laser, linha de alimentação de gases de processo, sistema de exaustão e filtração de particulado seco, dispositivos de visualização da área trabalhada, de monitoramento do feixe e de pressurização da câmara do laser para evitar a entrada de fuligem.

A operação no regime pulsado do laser permite o controle exato da potência pico (energia/largura temporal de cada pulso) sobre o ponto de trabalho, assim como o posicionamento por controle CNC, com utilização de uma mesa de deslocamento de alta precisão via o monitoramento “cross wire”, possibilita a escolha do exato ponto a ser processado e a manipulação do feixe laser.

Fonte: Cimm

Dificuldades para a criação dos NITs

Passados 31 meses da promulgação da Lei de Inovação e 21 de sua regulamentação, universidades e institutos de pesquisa ainda enfrentam dificuldades para atender à determinação que os obriga a criar núcleos de inovação tecnológica — os NITs. De acordo com a lei, cabe aos núcleos "zelar pela manutenção da política institucional de estímulo à proteção das criações, licenciamento, inovação e outras formas de transferência de tecnologia; avaliar e classificar os resultados decorrentes de atividades e projetos de pesquisa para o atendimento das disposições da lei". O NIT também deve "opinar pela conveniência e promover a proteção das criações desenvolvidas na instituição; quanto à conveniência de divulgação das criações desenvolvidas na instituição, passíveis de proteção intelectual" e ainda é de sua responsabilidade "acompanhar o processamento dos pedidos e a manutenção dos títulos de propriedade intelectual da instituição."

A lei disciplina a parceria entre universidades, institutos e empresas prevendo mecanismos de interação, como compartilhamento de laboratórios e realização de projetos conjuntos de pesquisa. Fala sobre como deve ser dividida a propriedade intelectual e os lucros advindos de tais projetos. Determina a criação dos NITs, para gerir sua política de inovação. Como a parceria com empresas é parte da política de inovação e como os NITs, responsáveis por ela, ainda estão se constituindo, poucos mecanismos da Lei de Inovação estão em prática, a não ser nas universidades e institutos com tradição no trabalho em parceria com empresas.

Um exemplo bem-sucedido na questão dos NITs é a Agência de Inovação da Unicamp (Inova), que não adotou a sigla como nome, mas faz o papel do NIT na universidade paulista. A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e a Inova acabaram de assinar um contrato para que a agência da Unicamp repasse sua experiência para os NITs em formação no Brasil. "Dentro do nosso planejamento estratégico vemos que a contribuição da Inova no processo de treinamento de gestores para trabalhar em NITs será um aprendizado mútuo", afirma Roberto Lotufo, diretor-executivo da agência. "Iremos sistematizar ainda mais nossos procedimentos para poder ensinar, desenvolver e documentar as melhores práticas, o que poderá aumentar ainda mais o desempenho da Inova, ao mesmo tempo em que cresceremos junto com diversos outros NITs."

O fórum dos gestores de inovação
Elizabeth Ritter, do escritório de transferência de tecnologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), coordena o Fórum Nacional de Gestores de Inovação e Transferência de Tecnologia (Fortec). Em 2002, ela conta, eram 26 as instituições que contavam com órgãos cujas funções se assemelham ao que fazem os NITs. Agora, são 86 entidades de ensino e pesquisa associadas ao Fortec; e, entre elas, cerca de 50 têm NITs em fase de estruturação ou já em operação, afirma. Para Elizabeth, o principal problema para a implantação dos núcleos é contar com recursos humanos fixos.

A criação de políticas de gratificação para os docentes que queiram coordenar os NITs seria uma medida necessária. "Precisamos encontrar uma forma de garantir as condições mínimas para o NIT operar e desenvolver um trabalho continuado. Quando trabalhamos com bolsistas é mais complicado: a bolsa termina e ele vai embora".

Nos dias 13 e 14 de junho, em Brasília, o fórum realizou seu primeiro Encontro Nacional. Durante a reunião, o reitor da Universidade Federal de Itajubá (Unifei-MG), Renato Nunes, apresentou um relato sobre a situação das universidades federais e o atendimento das medidas previstas na Lei de Inovação. Segundo ele, a lei motivou a maior parte delas a promover uma discussão institucionalizada sobre o assunto, a fazer adaptações ou criar estruturas para se ajustar à nova legislação e a estabelecer seu núcleo de inovação.

Em relação à interação com o setor produtivo, a maioria ainda não tem a prática de compartilhar laboratórios e equipamentos com empresas, nem mesmo com as incubadas, e não tem normas aprovadas pelo conselho superior da universidade para esse compartilhamento. A maior parte das universidades também não tem experiência em contratos de transferência de tecnologia e licenciamento de suas criações, não solicitou patentes para produtos ou processos que tenha pesquisado e desenvolvido e não faz previsão, em seu orçamento, de um valor para pagamento de despesas com propriedade intelectual. A maioria começou a prestar serviços voltados para inovação e pesquisa científica e tecnológica e a fazer acordos de parceria com os setores público e privado após a aprovação da lei. Além disso, a maior parte das instituições disse que participou de projetos visando a promover a inovação em micro e pequenas empresas realizados depois de a lei entrar em vigor.

Na UFRJ, núcleo ainda em formação conviverá com fundação
Ângela Üller, diretora do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ), está encarregada de estruturar o NIT da maior universidade federal do País. Ele ficará ligado à Pró-Reitoria de Ensino e Pesquisa da UFRJ. Ângela conta que, para a Coppe — o braço mais ativo da UFRJ na parceira universidade-empresa, em especial com a Petrobras —, as funções atribuídas pela Lei de Inovação a um NIT são executadas pela Fundação Coppetec. Essa experiência a credencia para estruturar o NIT que atenderá a toda a UFRJ. Do ponto de vista da Coppe, Ângela afirma que, em um primeiro momento, a Lei de Inovação mais atrapalhou do que ajudou as parcerias com empresas. "Antes da lei, a Fundação Coppetec tinha um contrato com a UFRJ e as coisas eram tratadas entre a fundação e a empresa. Agora é preciso passar pela Reitoria, o que faz demorar muito mais, e toda a vantagem que tínhamos em relação a prazos se foi", observa.

Na UFRJ, diz Ângela, as faculdades que já trabalham com parcerias, identificam potencialidades na cooperação universidade-empresa e fazem outras atividades previstas na Lei de Inovação continuarão a fazê-lo. O NIT, na visão dela, pretende facilitar alguns pontos, como, por exemplo, o registro de propriedade intelectual e o fechamento dos convênios de parceria, nos quais é preciso determinar a propriedade intelectual e a proporção de royalties, caso a tecnologia seja incorporada ou chegue ao mercado e renda lucros para a empresa. "A Reitoria está negociando com a AGU [Advocacia Geral da União] a contratação de um procurador para a universidade que vai lidar apenas com essas questões", conta. A UFRJ gostaria de ter um profissional que fosse treinado para desenhar patentes, identificar potenciais de comercialização e que se dedicasse exclusivamente a tratar dos assuntos de pertinência do NIT, completa.

No Rio Grande do Norte
Outra instituição que está organizando seu NIT é a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Segundo o reitor Ivonildo Rêgo, o núcleo deverá ser implantado junto à Pró-Reitoria de Pesquisa, que tem uma Diretoria de Inovação. A nova estrutura será uma parceria com o Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) e a Federação das Indústrias do Estado. Para formar a equipe, a UFRN enviou uma funcionária para treinamento na Unicamp; além disso, um advogado da Fundação Manguinhos, que foi auxiliar a universidade num processo de transferência de conhecimento para a fabricação de medicamentos destinados ao Sistema Único de Saúde (SUS), também assessora o NIT sobre outros processos de transferência de tecnologia. A UFRN não fez ainda nenhum licenciamento exclusivo para avaliar o procedimento.

O reitor espera autorização do governo federal para poder contratar duas pessoas que seriam do quadro fixo de funcionários do NIT. "É importante trabalharmos com bolsistas, pois o papel da universidade é formar pessoas, mas não podemos depender de bolsistas para funcionar", finaliza.

NA UFSCar, licenciamento exclusivo já é praticado
Há instituições que estão mais adiantadas no processo de implantação dos NITs e no uso da Lei de Inovação, por terem larga experiência na parceria com empresas. A Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e a Unicamp, por exemplo, foram as primeiras instituições a fazer o licenciamento exclusivo de patentes. Segundo as regras da Lei de Inovação, para esse tipo de licenciamento a instituição de pesquisa precisa publicar um edital simplificado descrevendo o objeto do licenciamento, de forma a dar condições isonômicas de participação a todas as empresas.

"Até agora, toda a gestão da propriedade intelectual foi feita pela fundação", explica Ana Lúcia Vitale Torkomian, diretora da Fundação de Apoio Institucional ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FAI) da UFSCar, ao avaliar o impacto da Lei de Inovação, em geral. "A lei não complicou a situação, mas, por enquanto, as universidades ainda têm dificuldades para implementar tudo o que é colocado por ela", afirma.

"Temos algumas dúvidas sobre questões operacionais, como, por exemplo, o que são as bolsas de inovação previstas pela lei, se a proposta está articulada com a Receita Federal [sobre cobrança de Imposto de Renda dessas bolsas]. O próprio edital para licenciamento exclusivo gerou certo desconforto, que está sendo superado", enumera. Para Ana Lúcia, as situações de dúvida são normais, já que a lei é nova e as instituições passam por um período de adaptação.

Ela diz que o licenciamento é uma operação difícil, em parte, porque as empresas nem sempre estão preocupadas em inovar ou prontas para absorver novas tecnologias, já que investem pouco em pesquisa e desenvolvimento no Brasil. Muitas delas inovam apenas comprando novas máquinas e equipamentos, sem realizar atividades de pesquisa. "Conseguimos trabalhar com as empresas inovadoras, mas é um grupo muito pequeno", aponta.

Museu Goeldi: um caso particular
Em dezembro de 2006, o Museu Goeldi, instituto de pesquisa federal do Pará focado em estudos relacionados à região amazônica, instalou seu núcleo de inovação e transferência de tecnologia. Já contava com um núcleo de propriedade intelectual, absorvido pelo NIT, com demanda e com estudos preliminares para normatizar a transferência de tecnologia e conhecimento nas parcerias. Recursos obtidos num edital da Finep de 2006 permitiram o início do trabalho, com integração de três bolsistas e de pessoal do quadro fixo do museu.

Ulisses Galatti, coordenador do núcleo da instituição, afirma que ainda não houve tempo desde a publicação da Lei de Inovação e a criação do NIT para sentir alguma diferença notável no número de projetos em parceria com empresas, licenciamentos e depósitos de patentes. Um trabalho interno de conscientização dos pesquisadores, utilizando o setor de comunicação interna do museu, e seminários sobre a adequação do Goeldi à lei foram atividades iniciais do núcleo.

"A diferença maior que vemos em relação a instituições do Centro-Sul está relacionada ao fato de o museu não trabalhar com tecnologia industrial, propriamente. Temos um forte grupo de pesquisa em óleos essenciais, com aplicação nas indústrias de cosméticos, fármacos etc, mas a maior parte de nossa produção científica está ligada à área ambiental e social, biodiversidade (zoologia, botânica, ecologia), geologia, hidrologia, antropologia, lingüística, arqueologia e outras", afirma.

Fonte: J.S / Inovação Unicamp

Petrobras aceita discutir com setor acadêmico nova política de parceria

A Petrobras e as universidades trabalham juntas para formular uma política de contratos mais adequada aos projetos cooperativos de pesquisa e desenvolvimento. Instituições de pesquisa manifestaram descontentamento com a forma pela qual a empresa, líder nos investimentos em P&D no Brasil e das mais ativas nas parcerias com universidades, lida com questões como titularidade de patentes, publicação de artigos científicos e sigilo das informações e remuneração pelo uso das tecnologias desenvolvidas em parceria. A empresa tentou negociar com cada instituição; mas, em decisão conjunta, ambos os lados escolheram um grupo de 20 reitores reunidos pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) para assumir a negociação com a empresa. São universidades federais e estaduais que tradicionalmente fazem parceria com a companhia. O acordo está próximo, mas sem data para ocorrer.

O porta-voz da Andifes no assunto é o reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Ivonildo Rego — primeiro vice-presidente da associação e presidente de sua Comissão de Ciência e Tecnologia. Ele diz que a necessidade de dialogar com a Petrobras surgiu por conta do expressivo aumento da interação da empresa com as universidades e do desejo delas de estabelecer um diálogo mais institucional com a companhia. As dificuldades começaram em fins dos anos 1990, com as mudanças nos termos dos contratos de concessão para exploração, desenvolvimento e produção de petróleo e gás, que flexibilizaram o monopólio da Petrobras e ampliaram o volume de recursos para P&D no setor.

As mudanças na legislação foram promovidas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Bioenergia (ANP), em 1998. As empresas do setor de petróleo e gás devem aplicar 1% dos recursos de participação especial em projetos de P&D — 50% desse valor devem ser direcionados a projetos cooperativos com instituições de pesquisa credenciadas pela ANP, que cuida também dos contratos. A participação especial, prevista nos contratos de concessão de exploração e produção de petróleo ou gás natural, é a parcela a ser paga pelos concessionários nos casos de grande volume de produção ou de grande rentabilidade.

Segundo apresentação de Antônio Cláudio SantAnna, gerente de Informação Técnica e Propriedade Intelectual do Centro de Pesquisa da Petrobras (Cenpes), no I Encontro do Fórum Nacional de Gestores de Inovação Tecnológica e Transferência de Tecnologia (Fortec), realizado dias 13 e 14 de junho, em Brasília, a empresa investia em 2001 menos de R$ 50 milhões em projetos de P&D feitos em parceria com as universidades. Em 2003, passou para mais de R$ 100 milhões e, no ano passado, a cifra ultrapassou os R$ 350 milhões. Deve chegar a quase R$ 400 milhões este ano e em 2008.

A alteração feita pela ANP é anterior à Lei de Inovação, regulamentada em 2005. Por isso, Ivonildo, por exemplo, não relaciona os problemas com a Petrobras ao surgimento da lei. Contudo, a entrada da lei em vigor não pode ser separada do contexto, já que ela determina que instituições de pesquisa participem dos resultados dos projetos ao disciplinar o registro de propriedade intelectual e as condições de licenciamento das tecnologias. As universidades estão muito mais atentas ao assunto, e isso tem gerado uma situação de conflito nas discussões sobre propriedade intelectual e pagamento de royalties para as instituições no caso da geração de lucro pelo uso das tecnologias.

As negociações entre setor acadêmico e Petrobras
Nos últimos anos, diz o reitor Ivonildo, os contratos de parceria da Petrobras foram negociados caso a caso, em geral diretamente com o pesquisador da universidade parceira. "Tivemos uma reunião com a presidência da Petrobras no início deste ano, na qual tratamos do formato dos convênios. A preocupação está concentrada em pontos como condições de sigilo sobre as publicações, a propriedade intelectual e as despesas operacionais e administrativas", explica. Essa agenda foi encaminhada para a gerência do Cenpes. "A negociação é um pouco dura, mas há convencimento de ambas as partes sobre os temas", comenta.

Para a questão do sigilo já se apresentou uma solução. "Quando houver demanda por publicação, a Petrobras terá um prazo de 30 dias para autorizar integral ou parcialmente o texto e ainda fazer alterações, que precisam ser justificadas, no que se refere a projetos financiados por dinheiro da companhia", conta. Dessa forma, assegura-se também a proteção de informações estratégicas para os negócios da petrolífera. Mas por que insistir em publicar artigos sobre pesquisas financiadas e voltadas para a empresa? "Porque o interesse fundamental da universidade com as atividades de pesquisa é produzir conhecimento novo e a publicação possibilita a troca de experiência, que promove o avanço", justifica. Para as universidades o ponto era problemático porque em algumas vezes, ao ser consultada, a empresa autorizava a publicação e, em outras, não se manifestava, o que podia ser interpretado como um veto branco.

À outra proposta, sobre ressarcimento de despesas operacionais e administrativas, como água e energia, a Petrobras não se opõe, diz Ivonildo. "Queremos cobrar um overhead para custear essas despesas, mas isso precisa ser conversado com a ANP, que é a responsável por reger os contratos da Petrobras com as universidades", afirma.

O ponto mais complicado e complexo se relaciona à propriedade intelectual. São três situações distintas: quando o interesse em patentear é exclusivo da universidade, quando é da empresa ou quando é de ambos. Para cada um, o porcentual de titularidade deve ser diferente. Isso ainda está em negociação. Também não está definido quem vai arcar com os custos de pedido e manutenção do depósito de patente; nem a participação no lucro, no caso de licenciamento.

Há controvérsia também sobre os direitos de uso: a Petrobras não paga para usar uma tecnologia que ajudou a desenvolver. O direito de uso se refere ao fato de que a empresa deve pagar à universidade parceira uma porcentagem do lucro que venha a obter com o uso da tecnologia, seja produto ou processo, mesmo que a empresa tenha investido apenas recursos próprios naquele desenvolvimento e não conte com dinheiro público. Pela lógica da empresa, o dinheiro que ela investiu em pesquisa e desenvolvimento já seria parte do pagamento. Se der errado o projeto, ela arcará com o prejuízo financeiro, o que não ocorre com a universidade. Ângela Üller, diretora do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ), é um dos representantes do setor acadêmico que não concordam com isso. "Há cláusulas nos contratos que tratam do uso sem ressarcimento e de poder de veto para o uso de terceiros que precisam ser examinadas. Precisamos discutir como se vai ressarcir a universidade pelo uso", defende.

A política da empresa em vigor hoje
Na apresentação no encontro do Fortec, SantAnna explicou que, até agora, a política da empresa nos contratos determina que a Petrobras detenha 100% da titularidade nos projetos apoiados por ela. Há uma adequação, caso a caso, quando os projetos contam com recursos vindos de agências públicas de fomento à pesquisa, como a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e as fundações de amparo à pesquisa. A empresa não paga às universidades royalties em cima do lucro que o uso da tecnologia possa gerar a ela. E adota uma estratégia defensiva no patenteamento, porque a tecnologia geralmente é inserida nos processos internos de produção. Com isso, justifica, a empresa quer assegurar a liberdade de uso. Os pedidos de patentes são feitos nos países onde ela opera. Trata-se de uma estratégia bem diferente da estratégia ofensiva de proteção intelectual, na qual a tecnologia é embarcada no produto final, a patente assegura proteção do mercado (e não do uso) e os pedidos são feitos nos países onde o produto é vendido.

SantAnna apresentou um resumo do novo arcabouço desenhado pela empresa para os contratos, que prevê o depósito de patentes em regime de co-titularidade e a divisão de receitas advindas de licenciamento a terceiros, ou seja, a empresas que não a Petrobras. Se houver veto ao licenciamento a terceiros, há possibilidade de uma compensação financeira à instituição de pesquisa. Mas, pelo menos até a apresentação no Fortec, a empresa mantinha o não pagamento quando se tratasse de tecnologia a ser usada pela própria Petrobras. No caso de a companhia contratar uma universidade ou instituto de pesquisa público para um projeto de P&D, ou seja, de ela financiar exclusivamente com seus recursos o projeto, prevalece o paradigma anterior: 100% da titularidade para a Petrobras e não pagamento pelo uso.

O gerente da Petrobras identifica ainda os desafios para a relação universidade-empresa: aumentar a quantidade de patentes geradas; criar fóruns nas instituições de pesquisa e universidades e na Petrobras, que definirão o interesse ou não no patenteamento; padronizar parte da documentação que rege os acordos e se relaciona ao direito de sigilo; agilizar os procedimentos legais, como fornecimento de procuração e de outros documentos exigidos pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI); aumentar a capacitação em licenciamentos.

Negociação pode ser referência para acordo com outras empresas
Roberto Lotufo, diretor-executivo da Agência de Inovação da Unicamp (Inova), afirma que, como regra geral, as empresas aceitam compartilhar a propriedade intelectual com as universidades quando é celebrado um convênio em que ambas irão contribuir com novos resultados passíveis de proteção. No entanto, existem algumas empresas que têm dificuldade de compartilhar a propriedade. "Vejo que a negociação com a Petrobras irá servir de referência nas negociações com outras empresas, como as do setor energético, que são reguladas pela Aneel [Agência Nacional de Energia Elétrica]", aponta. A Unicamp é tradicional parceira da Petrobras. O Centro de Estudos de Petróleo da Unicamp (Cepetro) é um dos postos avançados de pesquisa, desenvolvimento e inovação da companhia, cujo centro de P&D, o Cenpes, fica no Rio de Janeiro, ao lado da UFRJ.

"As negociações estão chegando a um consenso, com ambas as partes cedendo. Vejo um grande avanço nas relações universidade-empresa no Brasil e entendo que é um aprendizado", diz Lotufo, que acompanha as discussões por intermédio do reitor da Unicamp, José Tadeu Jorge, e do Fortec, como membro da coordenação nacional. Ele lembra que a Petrobras é, de longe, a empresa que mais colabora com universidades; mas observa que ela sempre teve a postura de querer 100% da titularidade das patentes ou, na maioria dos casos, recusar o patenteamento. "Os resultados da negociação serão bons, pois vão acelerar o acerto de novos projetos colaborativos a ser efetivados para que a empresa cumpra a lei", analisa. Lotufo acredita também que o número de patentes deverá aumentar como fruto dessas negociações — "o que será um avanço", conclui.

Registro e direito de uso da propriedade intelectual: conflitos
A situação da Petrobras não é isolada entre as empresas. No entender da Associação Nacional de Pesquisa e Engenharia das Empresas Inovadoras (Anpei), apesar de a Lei de Inovação ter criado um ambiente institucional mais robusto, em um primeiro instante ela piorou a relação universidade-empresa. "Antes as empresas impunham as coisas; agora é o oposto, são as universidades que estão fazendo isso. Mas, com o tempo, as coisas entrarão em equilíbrio", afirma Hugo Borelli, presidente da Anpei e gerente de desenvolvimento tecnológico da Embraer. Ele lembra que a propriedade intelectual, como define a lei, precisa ser compartilhada, mas a definição sobre como isso se dá é mais complicada do ponto de vista prático. "A universidade diz que traz conhecimento para essa parceria e que isso precisa ser valorado. Bem, e o conhecimento que a empresa traz, isso não é considerado?", rebate.

Para ele, há também conflitos sobre o direito de uso do conhecimento, que pode resultar em novo ou aprimorado produto ou processo, pela empresa. A Petrobras, por exemplo, tem como política, até o momento, ficar com 100% da titularidade e não pagar pelo uso das tecnologias, abrindo exceções para os casos em que a pesquisa é financiada com dinheiro de agências como a Finep e fundações estaduais de amparo à pesquisa. Essa política está sendo revista pela empresa, por conta das exigências do setor acadêmico. "A empresa precisa ter independência sobre se vai usar ou não; compartilhar a propriedade não é o mesmo que compartilhar o uso, se ela vai pagar ou não dependerá de cada caso", completa Borelli.

"A Lei de Inovação trouxe uma responsabilidade institucional para a universidade que é a de zelar pelos seus bens intangíveis, e isto tem mudado a postura dos negociadores da universidade", aponta Roberto Lotufo, da Inova. "As empresas estão se ajustando a estas modificações e o melhor exemplo é a Petrobras. A universidade não está pensando apenas nos royalties, mas no reconhecimento público da sua contribuição", acrescenta.

Elizabeth Ritter, coordenadora nacional do Fortec, reconhece a dificuldade na discussão sobre a valoração do conhecimento trazido pela universidade. "Mas isso só será esclarecido com o avanço do processo; precisamos exercitar a lei. As empresas nacionais têm a cultura de não dividir e não dão tanto valor ao conhecimento como o fazem em relação ao capital financeiro", destaca. Ela diz que na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) os avanços obtidos nessa negociação se dão justamente com as empresas que têm a cultura da inovação. "É um trabalho lento, de mudança de cultura e de conscientização para ambas as partes", completa.

Fonte: Janaina Simões / Inovação Unicamp

Empresa de venture capital inglesa financiará lançamento de produto desenvolvido dentro do PIPE

No dia 2 de julho, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) anunciou que está recebendo propostas para apoiar a comercialização de produtos desenvolvidos por empresas já participantes do PIPE — o programa da agência para inovação na pequena empresa. Na história de dez anos do programa, esta é a segunda vez que uma chamada assim acontece; e, desta vez, há outra novidade: a presença, como co-financiadora, da Imprimatur Capital, empresa internacional de venture capital com sede em Londres e que acaba de se estabelecer no Brasil. O convênio que formaliza a parceria informa que a Imprimatur auxiliará a Fapesp "na identificação, avaliação, comercialização e financiamento" dos projetos a ser selecionados.

A empresa de venture capital investirá até R$ 6 milhões nos projetos selecionados; a Fapesp investirá outros R$ 6 milhões, repassados pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) — em dois anos. O prazo para apresentação de propostas é 15 de agosto e o processo de seleção — que incluirá entrevistas com representantes das empresas — termina em 28 de outubro, com a divulgação da lista de selecionadas.

"Temos conversado com várias empresas de venture capital e a primeira que aceitou fazer parceria com a Fapesp em co-financiamento foi a Imprimatur", afirma o diretor científico da fundação, Carlos Henrique de Brito Cruz. A experiência internacional e a rede de contatos internacionais da empresa foram itens valorizados pela Fapesp, que quer motivar as firmas selecionadas a ser empresas internacionais. "A Imprimatur também se distinguiu pela familiaridade com o mundo da ciência, por ter uma estratégia de ganhos a prazo longo que valoriza a propriedade intelectual e leva em conta o método da ciência e de seu avanço", completa Brito. Ele destaca ainda a existência de um Conselho Científico na Imprimatur. "Não conheço nenhuma empresa de venture no Brasil que tenha um Conselho Científico para ajudar a avaliar e desenvolver as oportunidades", observa.

Os termos da chamada
Conforme explica Mauro Zackiewicz, diretor da área de engenharias da Diretoria Científica da Fapesp e responsável por atender as empresas interessadas nesse edital, são três modos diferentes de financiamento: só a Fapesp entraria com o recurso, e nesse caso seria um contrato de auxílio à pesquisa; Fapesp e Imprimatur poderão fazer o aporte de recursos, e aí seria um mix de auxílio à pesquisa, vindo da Fapesp, e de dinheiro da empresa de venture capital; ou apenas um projeto que requeira capital da Imprimatur. "Damos preferência a projetos do segundo tipo", afirma ele. O tipo específico de financiamento será decidido depois da análise das propostas pela Fapesp e pela Imprimatur. No caso de projetos que envolvam apenas recursos da Fapesp, o máximo a ser financiado é R$ 250 mil. Já na modalidade que utilizaria a parceria Fapesp-Imprimatur, pode-se chegar a até R$ 500 mil.

Além de financiar o projeto, a Imprimatur poder fornecer serviços de apoio sem custos, como pesquisa de mercado para determinar as aplicações e setores de mercado mais apropriados para a tecnologia; planejamento de crescimento estratégico e de negócio; modelagem financeira e de receita; identificação e recrutamento de gerentes, quando solicitado; introdução a conexões e mercados internacionais; e apoio na identificação e obtenção de novos financiamentos.

A Imprimatur passará a ser sócia da empresa, podendo ter de 40% a 60% de participação acionária como contrapartida ao investimento em dinheiro e à realização dos serviços de apoio. Propriedade intelectual que já exista ou venha a existir será da empresa financiada, uma vez que a Imprimatur será participante do patrimônio da firma. Se a Imprimatur obtiver benefícios decorrentes do financiamento, reembolsará à Fapesp até 30% do lucro obtido como um prêmio pela propriedade intelectual.

Sobre a Imprimatur
Além da sede em Londres, a Imprimatur tem escritórios em Cingapura, que opera nos países asiáticos do Pacífico; em Hong Kong, com foco na China e no norte da Ásia; na Nova Zelândia; em Riga, na Lituânia, operando nos países do Mar Báltico; em Kiev, na Ucrânia, que atende à Europa Oriental e Central; e agora também no Brasil. A instalação da empresa já causou uma troca de posições: Rosana Ceron di Giorgio deixou a Diretoria de Propriedade Intelectual e Desenvolvimento de Parcerias da Agência de Inovação da Unicamp para ser a responsável pela operação da Imprimatur, que terá escritório em Campinas (SP). "Agora, vou ter dinheiro para financiar start-ups", disse Rosana, informalmente, a Inovação. Diógenes Feldhaus, engenheiro mecânico e ex-funcionário da fabricante de compressores Embraco, assumiu seu lugar na universidade.

O capital inicial (chamado de seed capital) aplicado pela Imprimatur em uma empresa pode variar de US$ 60 mil a US$ 175 mil, e será usado para o desenvolvimento do negócio e para que a empresa atinja as metas definidas no contrato de investimento em um período geralmente de 12 a 18 meses. Entretanto, diz a empresa, não há regras imutáveis a esse respeito. A Imprimatur é flexível nas fases subseqüentes à inicial, podendo investir algo entre US$ 150 mil e US$ 600 mil nas fases intermediárias e de US$ 1 milhão a US$ 3,5 milhões nas fases posteriores do negócio.
Quem negociou a parceria com a Fapesp na Imprimatur foi a paulistana Lígia Quaresma Cardoso, responsável por estruturar as operações da empresa inglesa na América do Sul. Lígia concedeu a seguinte entrevista a Inovação, por e-mail:

No que a Imprimatur difere de outras empresas de capital de risco?
É uma empresa internacional de investimentos com sede em Londres, que opera com recursos próprios e cujo foco operacional está em 'early stage IP equity'. Nosso modelo de negócios está baseado em relações de longo prazo com universidades de primeira classe e institutos de pesquisa em todo o mundo, trabalhando junto a eles e ajudando-os a identificar, avaliar e comercializar mais efetivamente sua propriedade intelectual. A empresa fornece o capital para o investimento inicial na propriedade intelectual, e também suporte técnico à gestão e comercialização. Trabalhamos em conjunto com os fundadores da start-up para construir e incrementar o potencial de crescimento. Investimos na primeira fase e continuamos apoiando as empresas ao longo de seu crescimento; conforme necessitem, buscamos investimento adicional. A Imprimatur estará aberta a co-investimentos com investidores brasileiros que desejem participar em estágios de capitalizacão posteriores. Por privilegiarmos uma fase mais inicial de investimento, trabalhamos próximos às universidades parceiras e outras organizações de pesquisa com perspectiva de longo prazo.

Por que decidiram investir no Brasil?
Hoje os desafios de comercialização e capitalização em P&D e o direcionamento à inovação se tornaram focos estratégicos de crescimento em países emergentes e também nas economias mais desenvolvidas. O Brasil é um país com uma história de excelência científica. Muitas universidades e institutos de pesquisa brasileiros são reconhecidos internacionalmente. As instituições de pesquisa vêm exercendo o papel de 'fábricas de inovações' por décadas, mas por várias razões não haviam se dado conta do potencial dessas tecnologias em termos de comercialização. Ultimamente esse assunto vem chamando a atenção e tornou-se prioridade para o governo e para universidades. Existe um entendimento geral de que há um 'early stage funding gap' no Brasil. A Imprimatur investe justamente na fase embrionária. Poucos investidores operam desse modo. Por isso, pretendemos ajudar a preencher uma lacuna importante oferecendo capital e assistência aos negócios durante o período inicial, e também introduzindo a empresa em nossa rede internacional de contatos. Estamos comprometidos a operar no Brasil a longo prazo. Não queremos apenas visitar o país e exportar a tecnologia. Desejamos criar empresas brasileiras (spin-outs) com potencial de crescimento internacional e trazer estas tecnologias para os mercados internacionais. Por essa razão, estamos desenvolvendo parcerias a longo prazo com várias universidades; criamos nosso escritório de forma que possamos trabalhar próximos aos novos parceiros a fim de ajudá-los a organizar e avaliar as suas tecnologias; e contratamos uma pessoa altamente experiente, Rosana Di Giorgio, para administrar nosso negócio no Brasil.

Como a empresa chegou à Fapesp? Ela já fez parcerias semelhantes em outros países?
Pesquisamos o ambiente fomentador de inovação no Brasil e a Fapesp é peça fundamental neste contexto. Nas conversas com a fundação, ficou evidente que poderemos agregar valor ao programa PIPE. Trabalhamos com uma gama de parceiros e agências em outros territórios. Mantemos cooperação com instituições públicas, tais como as administrações regionais em algumas partes da Rússia. Temos obtido resultados muito bons para nossos parceiros ao co-investir em fundos públicos que apóiam a inovação, tais como o Nesta do Reino Unido e os realizados pela Fasie na Rússia. A Fapesp está claramente comprometida em apoiar a inovação no Estado de São Paulo e região. É muito bom poder trabalhar com uma instituição que tem os olhos no futuro.

A empresa tem um conselho científico. Qual o papel dele?
O conselho nos ajuda a identificar tecnologias das quais a indústria já necessita hoje ou para as quais existe uma potencialidade futura; a efetuar a completa avaliação técnica e científica da tecnologia identificada; e a trazer a tecnologia para o mercado por intermédio de sua rede de contatos e seu envolvimento pessoal.

Fonte: Inovação Unicamp

Abertas as inscrições para o 23º Prêmio Jovem Cientista

A educação continua sendo um dos principais desafios do Brasil. Para debater este assunto, a 23º edição do Prêmio Jovem Cientista focará no tema “Educação para reduzir as desigualdades sociais”.

O prêmio promoverá as pesquisas na área, a partir de importantes demandas, como o papel da educação na superação da violência, os mecanismos de inclusão social e a educação empreendedora. Iniciativa conjunta do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCT), da Gerdau, da Eletrobrás e da Fundação Roberto Marinho, o prêmio receberá inscrições até o dia 30 de novembro.

O Prêmio Jovem Cientista tem cinco categorias: Graduado; Estudante do ensino superior; Estudante do Ensino Médio; Orientador e Mérito Institucional. Será concedida ainda uma Menção Honrosa a um pesquisador com o título de doutor que tenha se destacado pela realização de obra científica ou tecnológica de reconhecido valor para o progresso da área do conhecimento relacionada ao tema deste ano. Os candidatos serão indicados pelas sociedades científicas selecionadas previamente pelo CNPq.

Como se inscrever
As inscrições para o 23º Prêmio Jovem Cientista são individuais e podem ser enviadas pelo correio ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq, Serviço de Prêmios - SEPN 507 – Sala 207 – Brasília – DF - CEP: 70740-901 (categorias Graduado e Estudante do Ensino Superior) ou para a Fundação Roberto Marinho – Rua Santa Alexandrina, nº 336 – Rio Comprido – Rio de Janeiro – CEP: 20261-232 (Categoria Estudante do Ensino Médio) ou ainda para o endereço eletrônico http://www.jovemcientista.cnpq.br.

Todos os trabalhos precisam estar acompanhados de ficha de inscrição preenchida e da documentação exigida para cada categoria. Na categoria Graduado, para pesquisadores que tenham menos de 40 anos até 31 de dezembro de 2006, a premiação é de R$ 20 mil para o primeiro colocado; R$ 15 mil para o segundo e R$ 10 mil para o terceiro.

Na categoria Estudante do Ensino Superior, para alunos de cursos superiores que tenham até 30 anos de idade em 31 de dezembro de 2006, o vencedor ganha R$ 10 mil, o segundo colocado R$ 8.500 mil e o terceiro R$ 7 mil.

Já a categoria Mérito Institucional incentiva a pesquisa científica em universidades, centros de pesquisa, escolas públicas ou privadas e técnicas. Serão premiadas com R$ 30 mil a universidade e também a escola que inscreverem o maior número de trabalhos com mérito científico, de acordo com critérios estabelecidos pela comissão julgadora do Prêmio.

Na categoria Estudante do Ensino Médio, do ensino público ou privado e de escolas técnicas, com idade até 25 anos em 31 de dezembro de 2006, os vencedores ganham um microcomputador e uma impressora. Os orientadores e as instituições de ensino de cada um dos nove agraciados serão contemplados com microcomputadores e impressoras.

O pesquisador que receber a Menção Honrosa receberá, além do reconhecimento da comunidade científica brasileira, uma placa alusiva e R$ 15 mil. Os primeiros colocados de cada uma das categorias também serão contemplados com uma bolsa de estudo do CNPq. No caso do ensino médio, todos recebem bolsa de iniciação científica.

Histórico
O Prêmio Jovem Cientista foi criado em 1981 com o objetivo de incentivar a pesquisa no Brasil. É considerado pela comunidade científica uma das mais importantes premiações do gênero na América Latina. A entrega da premiação é feita pelo presidente da República e reúne na cerimônia autoridades governamentais da área da ciência e tecnologia, além dos mais respeitados nomes da ciência brasileira.

Os temas escolhidos são sempre de interesse direto da população e buscam soluções para problemas encontrados em seu cotidiano. Entre os assuntos abordados em anos anteriores estão "Qualidade dos alimentos e saúde do homem", "Reciclagem de rejeitos industriais", "Saúde da população e controle de endemias", "Oceanos: fonte de alimentos", “Saúde da População – controle da infecção hospitalar”.

No ano passado, o prêmio recebeu 1.751 inscrições de todo o País, sendo 268 na categoria Graduado, 128 na categoria Estudante do Ensino Superior e 1.355 na categoria Estudante do Ensino Médio.

Tema do 23º Prêmio Jovem Cientista - "Educação para reduzir as desigualdades sociais"

Linhas de Pesquisa para as categorias Graduado e Ensino Superior

a) mecanismos de inclusão social: tecnologia digital; educação empreendedora; acessibilidade e mobilidade social;
b) popularização da ciência, tecnologia e inovação;
c) o papel da educação na superação da violência; d) educação como instrumento do antidesperdício de energia; energia como fator.

Para a categoria Estudante do Ensino Médio deverá ser abordado apenas um dos seguintes temas relacionados ao tema - "Gestão Sustentável da Biodiversidade - desafio do milênio"

1) Desigualdades sociais
2) Educação e violência
3) Inclusão e exclusão digital
4) Educação, ambiente e energia elétrica
5) Educação, saúde e inclusão social: o lixo em questão
6) Popularização da ciência

Fonte: Agência CT

VSB-30 é lançado com sucesso

O foguete brasileiro VSB-30 foi lançado com sucesso às 12h14 desta quinta-feira (19) a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão. O veículo levou nove experimentos científicos selecionados pela Agência Espacial Brasileira (AEB) por meio do Programa Microgravidade.

Daqui a cerca de duas horas serão divulgados os resultados do vôo. Dados obtidos pelo CLA indicam que o foguete seguiu a trajetória corretamente, o que significará a obtenção de 6,5 minutos de microgravidade, dentre os 20 minutos totais do percurso.

Neste momento, as equipes de resgate estão de prontidão para a busca da carga útil, seção do foguete que leva os experimentos científicos de Biotecnologia, Engenharia, Física, Nanotecnologia e Medicina.

As pesquisas são da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Centro Universitário da FEI, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCT), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE/CTA), Universidade de Hohenheim (Alemanha), Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) e Universidade Estadual de Londrina (UEL).

A campanha de lançamento teve início no dia 26 junho e mobilizou mais de 200 especialistas, entre profissionais da Agência Espacial Brasileira (AEB), Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial (CTA), Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), Agência Espacial Alemã (DLR) e equipes responsáveis pelos experimentos científicos.

Este foi o quarto vôo do VSB-30, que já foi lançado do CLA ,em 2004, e do Campo de Esrange, na Suécia, em 2005 e 2006, todos bem-sucedidos.

Fonte: Andréia Araújo (Aeb) / Agência CT

Seminário : Uso de Escória de Acearia em Pavimentação Rodoviária


O evento ocorrerá dia 09/08, das 14 às 17 horas, no Auditório da Associação Comercial do Rio de Janeiro.

Vagas Limitadas

Maiores Informações pelo e-mail ou pelo telefone (27) 3325- 0109.




Metodologia para a manufatura de peças está disponível na internet

O WebMachining é uma metodologia de implementação computacional voltada para a manufatura de peças rotacionais em Centro de Torneamento Galaxy 15M. Seu maior diferencial é permitir a integração via Internet das etapas de projeto (CAD), planejamento de processo (CAPP) e fabricação (CAM) durante o desenvolvimento de peças que serão usinadas em centros de torneamento.

O sistema está on-line, o que permite sua utilização. "A vantagem é que a metodologia foi desenvolvida computacionalmente validando a proposta. Antes do WebMachining não existia essa possibilidade, só encontrávamos descrições e avaliações de metodologias na literatura para viabilizar essa integração CAD/CAPP/CAM", explica Alberto Álvares, professor responsável pelo desenvolvimento do método.

O procedimento inicia-se na modelagem de uma peça por features num contexto de manufatura remota utilizando a Web como meio de comunicação, num modelo computacional cliente-servidor. Constitui-se num conjunto de especificações, técnicas e algoritmos utilizados para a definição funcional dos módulos de um sistema. Além de definir estes módulos, especifica a maneira que interagem entre si.

Os sistemas desenvolvidos a partir do WebMachining podem ser aplicados na academia, como por exemplo no ensino a distância e em indústrias. Neste ramo podem ser inseridos como parte de um serviço de Prototipagem Rápida para Try-Out de peças, para o fornecimento de protótipos funcionais para a própria empresa ou clientes remotos num ambiente de Telemanufatura, podendo também ser integrado à Gestão da Produção fornecendo planos alternativos para o sistema de agendamento da produção, em tempo real.

Permite que uma empresa que não possua necessariamente os equipamentos (hardware e software) para a produção de um lote de peças utilize sistemas de manufatura remotos, além de possibilitar o contato direto entre a empresa de fabricação e seus clientes.

Além de Álvares, do Departamento de Engenharia Mecânica e Mecatrônica da UnB, o projeto tem a participação do GRIMA/GRUCON, Grupo de Integração da Manufatura da UFSC, recebe o apoio do Instituto Fábrica do Milênio e da Manet (Rede de Automação da Manufatura). As pesquisas continuam para aprimorar e complementar o método e seu sistema computacional. "Trata-se de uma metodologia genérica que pode ser utilizada em diferentes processos, por isso a importância de prosseguir com os estudos", esclarece Álvares.

Fonte: Cimm

Bonito sediará 36º Congresso brasileiro de engenharia agrícola

Nos dias 30 de julho a 2 de agosto, será realizado, em Bonito (MS), o 36º Congresso Brasileiro de Engenharia Agrícola. O encontro é promovido pela Associação Brasileira de Engenharia Agrícola (SBEA).

O tema central de discussão será Inovação Tecnológica: Reorganização e Sustentabilidade dos Espaços Produtivos. Alguns dos pontos abordados serão: a eficiência energética na agricultura, a gestão de recursos hídricos, a mecanização agrícola, o controle ambiental e a geotecnologia.

Paralelamente ao congresso, as empresas poderão expor seus produtos e serviços em estandes que serão montados no local do evento. Os interessados devem entrar em contato com a Secretaria Executiva da SBEA.

O valor da inscrição varia de 150 reais a R$ 1,7 mil, dependendo da categoria em que o interessado se encaixa. Ela pode ser feita até o dia 25 de julho pela Internet ou no local do congresso, após esta data.


Mais informações por acesse o sítio.

Fonte: Gestão CT

2º Simpósio brasileiro de desastres naturais e tecnológicos (Sibraden)

Gestão do Risco e Prevenção - Ferramentas e Desafios para a Integração Público-Privado. Este será o tema principal do 2º Simpósio Brasileiro de Desastres Naturais e Tecnológicos (Sibraden), que se realizará nos dias 2 a 6 de dezembro, em Santos (SP).

O encontro tratará das diversas relações dos desastres naturais e tecnológicos. Para isto, profissionais e instituições ligadas à prevenção, diagnóstico e recuperação de danos, irão discutir as principais causas, os desafios a serem vencidos e as políticas públicas e sociais para a resolução dos problemas.

Mais informações no sítio.

Fonte: Gestão CT

Hidrólise enzimática para transformar bagaço de cana em etanol

Projeto financiado pelo governo federal pretende desenvolver e aperfeiçoar a produção de etanol a partir do bagaço da cana-de-açúcar por meio do processo de hidrólise enzimática. O Projeto Bioetanol reúne cerca de 150 pesquisadores de 14 universidades brasileiras, além de outros centros de pesquisa nacionais e estrangeiros.

O projeto tem apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Segundo a coordenadora científica do projeto, Elba Bon, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), já existe um pedido de planta piloto feito pelo Ministério da Ciência e Tecnologia para calcular os custos da produção de etanol por esse processo.

Elba falou sobre o projeto nesta quarta-feira (18/7), no 5º Simpósio Internacional e Mostra de Tecnologia da Agroindústria Sucroalcooleira (Simtec), em Piracicaba, interior de São Paulo.

Segundo a pesquisadora da UFRJ, o conhecimento sobre a hidrólise enzimática está bastante avançado no Brasil, tanto pelos resultados de pesquisas como por particularidades do país. Sabe-se, por exemplo, que um pré-tratamento do bagaço otimiza a hidrólise. “Esse pré-tratamento é feito há tempos na produção de ração animal”, disse. Os fabricantes de ração animal utilizam o processo de explosão a vapor, em que o bagaço é aquecido a altas temperatura e pressão e explode.

Também são conhecidos os microrganismos responsáveis pela produção de enzimas usadas na hidrólise do bagaço da cana. De acordo com Elba, um dos principais pontos para reduzir os custos de produção do etanol seria fabricar enzimas na própria empresa. O custo da enzima importada é de US$ 7 por litro, ou US$ 2 por litro de etanol produzido, um valor inviável comercialmente. “Nós colocamos o limite de custo de US$ 0,17 por litro de enzimas, ou de US$ 0,05 por litro de etanol produzido”, disse.

Outra possibilidade seria unir a produção de etanol do bagaço de cana com o obtido pela fermentação alcoólica convencional, produzindo etanol de melhor qualidade. Segundo a pesquisadora, toda a cadeia do processo convencional existe há anos no Brasil.

Baixo impacto ambiental
A ação enzimática de microrganismos é conhecida desde quando uniformes e barracas de soldados norte-americanos começaram a derreter, em plena Guerra da Coréia. Os soldados estavam em uma área úmida e cheia de árvores, que permitiu a ação dos microrganismos no tecido das roupas e das barracas.

Segundo Jaime Finguerut, pesquisador do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), o uso de enzimas na conversão de biomassa em açúcar é muito recente e tem grande potencial de desenvolvimento. Ele apresentou na Simtec algumas das principais pesquisas sobre o assunto, comparando a hidrólise enzimática com a ácida.

“A hidrólise ácida tem elevados custos para resolver problemas de corrosão e aumentar a resistência dos materiais”, disse.

A hidrólise enzimática, segundo ele, também não tem todas as características ideais, o que ressaltaria a necessidade de mais pesquisas na área. “O processo precisa ter baixo custo, baixo impacto ambiental, flexibilidade do uso de matérias-primas e baixo gasto de energia”.

Fingerut comentou estudos como o do Natick, centro de pesquisas das forças armadas dos Estados Unidos que desenvolveu variações mutantes do fungo Trichoderma reesei, o mesmo que atacou os soldados do país na Coréia. Os pesquisadores do centro conseguiram ampliar em cem vezes a capacidade do fungo em converter celulose.

No mês passado, estudo feito por Jack Saddler, da Universidade da Columbia Britânica (UBC), no Canadá, indicou ser possível reduzir em duas vezes a quantidade de proteínas requeridas para converter a celulose. “A otimização ocorre por causa da mistura da celulose comercial com outras enzimas”, explicou Fingerut.

O pesquisador do CTC destacou ainda a descoberta de enzimas cada vez mais eficazes e o papel da química quântica que, segundo ele, podem mudar o conceito existente sobre a ação das enzimas. “As possibilidades são enormes e, se há um país que deve comandar esse processo, esse país é o Brasil”, disse.

Fonte: Agência Fapesp