domingo, 8 de julho de 2007

Agência Espacial Brasileira lança site da Operação Cumã II

Em menos de uma semana, Alcântara (MA) sediará o lançamento do foguete brasileiro VSB-30, com experimentos científicos de universidades e institutos de pesquisa. Para oferecer mais informações sobre a missão, a Agência Espacial Brasileira (AEB/MCT) lançou um site que pode ser conferido no link.

Nele, estão informações sobre a campanha, o vôo, previsto para a próxima quarta-feira (11), o foguete, o centro de lançamento e os experimentos. O internauta conhecerá, desta forma, as ações que envolvem uma operação –planejamento, deslocamento de equipes para Alcântara, aspectos de segurança, lançamento e resgate da carga útil, características do VSB-30, entre outros.

Uma vez que o lançamento se destina à realização dos experimentos científicos, uma seção explica as nove pesquisas, selecionadas em um anúncio de oportunidades do Programa Microgravidade, da AEB. São estudos que podem resultar em novos medicamentos, equipamentos para satélites e sistema de navegação para foguetes, para citar alguns.

As pesquisas são da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Centro Universitário da FEI, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCT), universidades Federal de Santa Catarina (UFSC) e Federal de Pernambuco (UFPE), Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE/CTA), Instituto de Estudos Avançados (IEAv/CTA), Universidade de Hohenheim (Alemanha), Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) e Universidade Estadual de Londrina (UEL).

Este será o segundo lançamento de experimentos científicos com foguetes promovido pela AEB dentro do Programa Microgravidade. A primeira operação aconteceu em 2002, também no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA).

Estão envolvidos na Operação Cumã II a AEB, o Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial (CTA), o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) e o Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI).

Andréia Araújo - AEB / Agência CT

59ª SBPC - Qual é o lugar da Amazônia no século 21?

O jornalista e sociólogo Lúcio Flávio Pinto vive há quase duas décadas sob a pressão de vários processos judiciais por escrever em seu Jornal Pessoal - que circula em Belém do Pará, com tiragem de 2 mil exemplares - o que ninguém mais tem coragem de publicar sobre os grileiros, madeireiros, políticos, empresários, intelectuais e poderosos em geral.

Em sua conferência na 59ª Reunião Anual da SBPC, intitulada Qual é o lugar da Amazônia no século 21?, o jornalista irá discutir temas aos quais dedicou boa parte de sua vida, fazendo um diagnóstico dos problemas e traçando cenários futuros para a região amazônica.

Como afirma Lúcio Flávio, a Amazônia poderá desempenhar, no século 21, o papel que a África e a Ásia tiveram nos dois séculos anteriores, como uma colônia de recursos naturais, sobretudo os bens eletro-intensivos.

Segundo ele, as novas tecnologias e os sofisticados circuitos do capital camuflam essa nova função colonial, mas ela emerge de realidades pungentes: maciça destruição ambiental, relações sociais de produção anacrônicas, relações comerciais deficitárias com o mercado internacional, falta de acesso às decisões mais importantes sobre seu próprio destino, entre outras mazelas de que padece a região.

"Com a consciência planetária sobre a importância da região e os avanços da ciência, além da percepção das empresas por sua responsabilidade social, a Amazônia conseguirá escapar ao destino colonial?".

Ganhador de quatro prêmios Esso, dois da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas Profissionais), e o maior prêmio jornalístico da Itália (o prêmio Colombe d ’ Oro per la Pace), Lúcio Flávio Pinto, 54 anos, percorreu, ao longo de 38 anos de profissão, diversas redações como do jornal O Estado de S. Paulo, Veja e IstoÉ, e publicações alternativas, como dos extintos jornais Opinião e Movimento. Tem 10 livros publicados, todos sobre a Amazônia.

A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência reúne representantes de todas as áreas da ciência brasileira desde 1948, quando foi fundada em São Paulo com o objetivo de defender o avanço científico e tecnológico do país e o seu desenvolvimento educacional e cultural.

A reunião anual é a oportunidade dessa comunidade se manifestar sobre questões fundamentais para a independência e desenvolvimento econômico nacionais. Todos os anos, ela é realizada em diferentes pontos do país, com o objetivo de ampliar o debate para todos os estados, com a participação de 83 sociedades e associações científicas.

Milhares de pessoas, incluindo cientistas, professores, estudantes e outros interessados participam desses encontros que desempenham duas funções importantes.

A primeira é servir de ponto de encontro e unidade dos cientistas do país, tratando tanto de temas estritamente acadêmicos como dos problemas mais gerais que afetam a atividade científica. O segundo é mais geral, ou seja, discutir as grandes questões sociais, econômicas, políticas e tecnológicas que afetam o país como um todo.

A primeira reunião da SBPC, realizada em outubro de 1949, realizado em Campinas, interior de São Paulo, reuniu 104 participantes. Este ano são esperados aproximadamente 15 mil participantes.

*O credenciamento de imprensa poderá ser feito no pelo site da Reunião Anual da Universidade Federal do Pará.

Fonte: Agência CT

5º Encontro de filosofia e história da biologia

O 5º Encontro de Filosofia e História da Biologia será realizado de 9 a 11 de agosto, em São Paulo, com promoção da Universidade Presbiteriana Mackenzie e da Associação Brasileira de Filosofia e História da Biologia (ABFHiB).

O objetivo dos organizadores é reunir pesquisadores nacionais e estrangeiros para o debate sobre questões epistemológicas da biologia ao longo do seu desenvolvimento como ciência.

O prazo para a inscrição de trabalhos a serem apresentados termina no dia 20 de março. As inscrições devem ser feitas mediante o envio do título da apresentação acompanhado de um resumo ampliado (aproximadamente mil palavras, além da bibliografia utilizada) e de um resumo curto (entre 100 e 200 palavras) para a Comissão Organizadora do 5º Encontro, pelo e-mail

Mais informações no sítio.

Fonte: Agência Fapesp

Dupla diplomação em engenharia mecânica

A primeira tese de doutorado da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) em regime de co-tulela, ou dupla diplomação, com uma instituição estrangeira, a Universidade de Franche-Comté (UFC), na França, foi defendida no dia 28 de junho, no campus Santa Mônica, em Minas Gerais.

O trabalho Modelagem e otimização robusta de sistemas mecânicos em presença de amortecimento viscoelástico, de autoria do aluno do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica da UFU, Antônio Marcos Gonçalves de Lima, foi simultaneamente aprovada por representantes das duas instituições.

O trabalho teve co-orientação dos professores Domingos Rade, da Faculdade de Engenharia Mecânica (Femec) da UFU, e Noureddine Bouhaddi, do Laboratório de Mecânica Aplicada Raymond Chaléat (Lmarc) da UFC.

“Essa defesa de tese é o coroamento de um acordo de cooperação que há 30 anos tem permitido que docentes da UFU tenham oportunidade de fazer pós-graduação em universidades européias”, disse Rade. “Demos um passo importante para a internacionalização da pós-graduação brasileira e também para o aumento da visibilidade no exterior dos estudos realizados no país.”

O trabalho de doutorado foi desenvolvido em laboratórios das duas universidades, no âmbito do Projeto de Cooperação Internacional Capes-Cofecub, que envolve a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior e o Comitê Francês de Avaliação da Cooperação Universitária com o Brasil.

A redução dos níveis de vibração e ruído em máquinas e veículos é o assunto abordado na pesquisa. Gonçalves de Lima propôs novas técnicas para a absorção de vibrações utilizando material viscoelástico, um tipo de borracha que pode ser aplicado em estruturas mecânicas na indústria automobilística e aeroespacial.

“O resultado são novos procedimentos para a modelagem de materiais viscoelásticos, de modo a obter melhor uso desse material para aumentar a eficiência e diminuir custos. O trabalho propõe uma série de novas metodologias de projeto de engenharia, com base em ferramentas computacionais”, explicou Rade.

Gonçalves de Lima recebeu a dupla titulação de doutor em engenharia mecânica pela UFU e também doutor em ciências para engenharia e microtécnicas pela UFC.

Participaram da banca examinadora professores da Politécnica de Milão, na Itália, do Instituto Nacional de Ciências Aplicadas de Rouen, na França, da Universidade Estadual de Campinas e da Universidade de São Paulo

Fonte: Thiago Romero / Agência Fapesp

Prêmio Finep de inovação tem inscrições prorrogadas até o dia 30

A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do Ministério da Ciência e Tecnologia, decidiu prorrogar até o dia 30 deste mês o prazo para inscrições no Prêmio Finep de Inovação Tecnológica 2007. O regulamento e a ficha de inscrição, que deve ser encaminhada por meio eletrônico, estão disponíveis no site do Prêmio. Ao todo, são sete categorias (Produto, Processo, Pequena Empresa, Média/Grande Empresa, Instituição de C&T, Inovação Social e Inventor Inovador).

Criado para reconhecer e estimular a inovação nas mais diversas áreas, o Prêmio Finep tem hoje projeção e reconhecimento nacional. Há seis anos, em sua fase nacional, ele é entregue pelo Presidente da República. O Prêmio ocorre em duas etapas: regional e nacional. Na etapa regional, são escolhidos três finalistas de cada categoria, dentre os quais é eleito um vencedor regional da categoria. Os vencedores regionais concorrem entre si na etapa nacional, tradicionalmente realizada em Brasília.

Os vencedores regionais recebem troféus, desktop para a categoria Pequena Empresa, oferecido pelo Sebrae, orientação e depósito de Pedido de Patente pela Tavares e Selo Regional alusivo ao Prêmio.

Na etapa nacional são concedidas ainda viagem de estudos ao Reino Unido, promovida pelo British Council; bolsa de fomento tecnológico do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCT); visita à Unidade de Negócios da Bacia de Solimões da Petrobras; bolsa de estudo MBA da Coppead/UFRJ para a categoria Média/Grande empresa; bolsa de estudo MBA da Petrobras, a ser realizada em cidade próxima à empresa, para as categorias Inovação Social, Instituição de C&T, Pequena Empresa, Produto e Processo e aplicação do Programa Metodologia Benchmarking Industrial para a categoria Média/Grande Empresa pelo IEL-SC.

A categoria Inventor Inovador ganha medalha e prêmio de mil dólares oferecidos pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (Ompi).

A realização do Prêmio é feita em parceria com empresas e instituições, como o Instituto Euvaldo Lodi, Inpi, Petrobras/Cenpes, British Council, CNPq, Coppead-UFRJ, Instituto Tecnológico Inovador, Ompi, Sebrae, Rede de Tecnologia do Rio de Janeiro e Tavares Propriedade Intelectual.

Fonte: Agência CT

ANBIO E UNU promovem seminário de Bioenergia

O Programa de Biotecnologia para América Latina e Caribe da Universidade das Nações Unidas (UNU- BIOLAC) e a Associação Nacional de Biossegurança (ANBio) irão realizar o Seminário de Bioenergia nos dias 18 e 19 de setembro de 2007, na cidade de Ouro Preto, Minas Gerais, no Centro de Artes e Convenções da UFOP.

O objetivo deste seminário é promover o intercâmbio sobre os desenvolvimentos nesta área e a capacitação de recursos humanos para o fortalecimento das ações neste campo na América Latina.

Paralelamente ao Seminário de Bioenergia será realizado o V Congresso Brasileiro de Biossegurança e o V Simpósio Latino Americano de Produtos Transgênicos, entre os dias 18 a 21 de setembro de 2007, no Centro de Artes e Convenções da UFOP. O congresso visa promover o intercâmbio entre a comunidade acadêmica e o setor produtivo no segmento da biotecnologia e dos processos de trabalhos que envolvam o risco biológico e a biossegurança. Inscrição até o dia 15 de Julho

A inscrição para o Seminário de Bioenergia é grátis e estará aberta a partir da semana que vem e finalizará no dia 15 de Junho. E aproveite a oportunidade para fazer também sua inscrição no V Congresso Brasileiro de Biossegurança com; Para maiores informações acesse o endereço.

Fonte: Anbio

Pesquisa da UFRJ seleciona melhores organismos para hidrólise enzimática do bagaço da cana-de-açúcar

Dentro da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) está o primeiro resultado prático do Projeto Bioetanol: a identificação dos microorganismos que podem produzir um complexo enzimático adequado para fazer a hidrólise do bagaço da cana-de-açúcar, que contém um terço da energia da planta. A hidrólise é um processo que busca extrair do material celulósico a glicose, açúcar formado por uma cadeia de seis carbonos. Como todos os vegetais contêm celulose, quem dominar o processo poderá, no futuro, produzir etanol de diversas matérias-primas, como palha de milho, de trigo e até alguns tipos de grama. No caso do projeto de pesquisa brasileiro, os cientistas querem extrair a celulose de um rejeito agrícola, o bagaço da cana.

A pesquisa da UFRJ esclareceu quatro pontos centrais do processo, em escala de laboratório. Primeiro, já se sabe quais são os microorganismos que podemos utilizar para produzir enzimas eficientes para a hidrólise do bagaço de cana. Segundo, já existe um composto enzimático para essa hidrólise desenvolvido no País. Terceiro, há um método eficiente de pré-tratamento do bagaço de cana que já é usado no Brasil pelas usinas. Por fim, os testes na UFRJ mostram que a glicose obtida da hidrólise do bagaço é fermentada com eficiência usando-se o processo de fermentação alcoólica convencional, dominado pelas usinas. Agora os pesquisadores precisam saber se tudo isso vai funcionar tão bem em uma planta-piloto.

O bagaço da cana é formado pela hemicelulose, que segura a estrutura da biomassa como se fosse um tipo de 'goma' que 'gruda' na celulose. Há ainda os polissacarídeos, que 'amarram' transversalmente a fibra de celulose. E existe também a lignina, que protege a biomassa de agressões externas — ataques físicos e químicos. "As enzimas utilizadas na hidrólise 'desgrudam' os componentes", explica a pesquisadora da UFRJ Elba Bon, coordenadora do grupo de cientistas que estuda as enzimas dentro do Projeto Bioetanol.

Essa separação não é feita por uma única enzima, mas por um complexo enzimático que desune a hemicelulose e a lignina da fibra de celulose. Nesta última está o material nobre, a glicose — ou seja, o açúcar extra que os produtores de etanol querem extrair d o bagaço de cana para poderem ampliar a produção de etanol sem aumentar a área de cultivo.

Nesse complexo enzimático, notaram os pesquisadores, também se encontram as enzimas acessórias, como a xilanase. Elas 'limpam' a fibra e permitem que a enzima celulase atue mais diretamente na celulose, tornando o processo mais eficiente. Ou seja, o papel da celulase é tirar a glicose. Esse açúcar, por sua vez, será fermentado junto com o caldo ou melaço de cana pela levedura Saccharomyces cerevisiae no já conhecido e utilizado processo de fermentação alcoólica.

Para chegar a esse resultado em cerca de dois anos de trabalho, a rede Bioetanol conta com o trabalho direto de três grupos de pesquisa da UFRJ. Do Instituto de Química, participam da rede o Laboratório de Tecnologia Enzimática (Enzitec) e o Laboratório de Investigação de Fatores de Estresse (Life).Instituto de Microbiologia O da UFRJ faz seleção de microorganismos. Além disso, os cientistas usam todo o conhecimento acumulado nos estudos sobre hidrólise enzimática no Brasil. Apesar de a tecnologia estar há poucos anos na pauta de pesquisa e desenvolvimento dos países que querem dominar a produção do biocombustível, o Brasil acumula um histórico de mais de 30 anos de pesquisa sobre o tema.

O bagaço da cana não deve ser usado da forma como ele vem da usina. Precisa ser tratado antes de se fazer a hidrólise, até para não aumentar a quantidade de enzimas usadas no complexo enzimático e, por conseqüência, o tempo da hidrólise, fatores que encarecem o processo. O pré-tratamento do bagaço é feito pelo método de explosão a vapor, já usado pelos fabricantes de ração animal. Na explosão a vapor, o bagaço é aquecido a alta temperatura, com pressão, e explode. Isso facilita o acesso da enzima à fibra de celulose. Na pesquisa do Enzitec, os cientistas usaram bagaço tratado na usina Vale do Rosário, do Grupo Crystalsev. Situada em Morro Agudo, há 384 quilômetros de São Paulo, a usina é uma das maiores produtoras de açúcar e álcool do País e já utiliza a explosão a vapor para produzir ração animal.

No Enzitec, os pesquisadores produzem o complexo enzimático, no qual o principal componente é a enzima celulase. As enzimas são produzidas a partir de um substrato, um resíduo agroindustrial, como o próprio bagaço ou o farelo de trigo ou de milho. Nesse substrato é colocado o microorganismo, como um fungo, que vai produzir a enzima. "Temos diversos microorganismos. Estudamos diferentes meios e concentrações, visando a otimizar a produção de celulase", explica Leda Maria Fortes Gottschalk, doutora em engenharia química e uma das pesquisadoras envolvidas no projeto. Com ela trabalham sete pesquisadores, alunos da iniciação científica, mestrado e doutorado.

Depois de produzida a enzima, o caldo resultante é filtrado para separá-la do microorganismo. O resultado desse processo é um líquido chamado sobrenadante, no qual está a enzima que será usada para fazer a hidrólise do bagaço. Esse líquido é então juntado ao bagaço pré-tratado para que se possa chegar ao xarope de glicose. As enzimas são adicionadas ao bagaço em pressão normal e temperatura constante. Elas vão demorar mais de um dia — podendo chegar a dois — para fazer o seu principal trabalho: separar as diversas moléculas de glicose que formam a celulose. É importante destacar que, ao final da hidrólise do bagaço, não haverá álcool, mas sim a glicose extraída da celulose. Essa glicose vai ser misturada então ao melaço ou caldo de cana e vai passar pelos processos convencionais de fabricação do etanol.

As enzimas poderão ser reutilizadas no processo. A quantidade de enzimas necessária para a hidrólise ainda é um ponto de interrogação para os pesquisadores. "Quanto mais enzimas você coloca, quanto maior a atividade delas, mais rápido o processo. Contudo, quanto mais enzimas, maior o custo. Temos de fazer um balanço para ver qual a quantidade ideal. Às vezes, o processo pode demorar mais tempo e ter um custo menor", explica Leda. A enzima pode ser separada da glicose, por meio de uma ultrafiltração, e ser reaproveitada, mas também aqui é preciso ver a questão do custo. Perguntas que a planta-piloto prevista no Projeto Bioetanol deverá responder.

O processo de hidrólise enzimática não resulta apenas no xarope de glicose. Como dito anteriormente, as enzimas também promovem a separação entre os componentes do bagaço: a celulose, de onde vem a glicose, a lignina e a hemicelulose. No pré-tratamento com explosão a vapor, boa parte da hemicelulose se liquefaz e os chamados carbonos C5 que a formam saem em um licor. Sobram então a celulose e a lignina. As enzimas 'quebram' a celulose em moléculas individuais de glicose, ou seja, produzem açúcar. A lignina fica sobrando, junto com a hemicelulose liberada no pré-tratamento.

Como na indústria do açúcar e do álcool tudo praticamente é reaproveitado, os pesquisadores já encontraram a solução para o que seria um rejeito do processo de hidrólise. A hemicelulose pode ser fermentada e usada em outros setores da economia, como a indústria química, ou pode servir como substrato para produção das enzimas. Já a lignina pode ser queimada para gerar energia, como hoje as usinas fazem com o bagaço. Segundo Leda, os pesquisadores estão trabalhando na caracterização da lignina que sobra do processo de hidrólise. "Essa caracterização vai nos mostrar quanto de celulose ainda ficou [nessa lignina]", comenta.

Ao fim do processo de hidrólise, os pesquisadores do Enzitec levam a glicose obtida do bagaço da cana para o laboratório vizinho, o Life, coordenado pela professora Elis Eleutherio. No Life o trabalho é comparar a fermentação do caldo de cana ou melaço, obtido no processo tradicional de produção, com a fermentação da glicose resultante do processo de hidrólise do bagaço.

O trabalho comparativo é necessário porque os pesquisadores precisam saber se, na hidrólise enzimática do bagaço, não foram gerados compostos que inibem a atividade da levedura na fermentação. "Trabalhamos com a Saccharomyces cerevisiae, agente da fermentação, investigando fatores que poderiam levar a uma maior tolerância dessas células a várias condições de estresse, como o processo de fermentação", explica Elis.

"Em relação ao Projeto Bioetanol, pegamos o hidrolisado de bagaço produzido pelo grupo da professora Elba e testamos a capacidade das células de fermentar esse bagaço tratado", completa. A continuidade do trabalho do Life no projeto depende da liberação de bolsas da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Por conta disso, atualmente não há alunos do laboratório trabalhando no Bioetanol.

A produção da UFRJ ocorre em escala de laboratório. Há empresas no mercado produtoras de enzimas, mas estas são muito caras. "A questão é que vendem a celulase a um preço muito alto e temos um processo de produção de etanol que é de baixo custo. Além disso, nossos pesquisadores têm conhecimento de como produzir a enzima", destaca Leda, do Enzitec. "Nosso objetivo é reduzir o custo de fabricação dessa celulase. Nosso enfoque no projeto é de que a produção de celulase se dê perto ou até dentro da usina", prossegue ela. O desafio para os pesquisadores, agora, é sair da produção da bancada para a escala de planta-piloto. "Aí, sim, poderemos avaliar se o custo vai ser mais baixo do que se comprarmos a celulase. É importante dominarmos essa produção também para não ficarmos dependentes dessas indústrias, que são multinacionais", completa a cientista.

Em meados da década de 1970, com a entrada do Proálcool, foi estabelecida uma linha de pesquisa no Instituto Nacional de Tecnologia (INT) que focava a produção de álcool a partir de materiais lignocelulósicos. Esse projeto foi coordenado pelo pesquisador João Perrone, também professor da UFRJ. Não existia Ministério da Ciência e Tecnologia, e o financiamento veio da Secretaria de Tecnologia Industrial do Ministério da Indústria e Comércio. Perrone esteve nessa época na União Soviética, onde se fazia hidrólise ácida de madeira para obtenção de açúcares voltados à produção de proteínas. "Cresciam leveduras nesses açúcares e produziam-se as proteínas que serviam de ração para gado.

Havia intenção na União Soviética de produzir alimentos para humanos também com essa tecnologia", explica a pesquisadora Maria Antonieta Ferrara, que trabalha no grupo da professora Elba Bon no Enzitec.

A URSS era o único país, à época, que tinha esse processo funcionando em escala industrial. Perrone coletou bibliografia, visitou unidades e trouxe as informações para o Brasil, já pensando no uso da tecnologia para produção de etanol. Antonieta trabalhou no projeto de Perrone ao lado de outros pesquisadores. "Começamos com hidrólise ácida, uma variação do processo que hoje é estudado pela Dedini", diz. Os cientistas pesquisaram hidrólise com ácido concentrado, diluído, ácido clorídrico, sulfúrico, entre outras possibilidades. "Vimos uma série de problemas decorrentes do uso de ácido, de formação de subprodutos indesejados que inibiam os procedimentos posteriores e provocavam corrosão de equipamento. Então, passamos a estudar a hidrólise enzimática", lembra.

Perrone morreu em 1979, mas os pesquisadores continuaram trabalhando. Em 1983, metade do grupo foi transferida para Lorena (SP) por conta do desmembramento do INT promovido pelo governo federal. O grupo ficou abrigado na Fundação de Tecnologia Industrial, depois transformada em Faenquil e agora Escola de Engenharia de Lorena, da Universidade de São Paulo (USP). O projeto continuou em Lorena até o final da década de 1980, quando houve a crise do álcool. O projeto parou e só agora, nos anos 2000, o assunto hidrólise voltou a ser estudado.

Em paralelo a essa história do INT, depois da volta do professor Perrone da URSS, o governo mandou uma missão para aquele país com o objetivo de negociar e comprar uma planta de hidrólise ácida de materiais lignocelulósicos, "ignorando o trabalho que já se fazia no INT, onde já tínhamos muitos resultados", destaca Antonieta. A importação da tecnologia resultou na Coque e Álcool de Madeira S/A, a Coalbra, empresa montada em Uberlândia (MG). "Montaram essa usina de hidrólise ácida de madeira e foi um fiasco completo", recorda a pesquisadora.

Muitos dos integrantes do grupo do INT se mantiveram na ativa como pesquisadores e em contato com colegas nesses 30 anos. Outros grupos, existentes no Paraná, em São Paulo e no Nordeste, também trabalharam em algum momento com hidrólise enzimática. "Quando o álcool readquiriu importância com o aumento do preço do petróleo, foi relativamente fácil conversar com algumas dessas pessoas e assim não partimos do zero. Por isso, a rede foi formada tão rapidamente", justifica Antonieta.

Fonte: Janaína Simões / Inovação Unicamp

CBPF abre inscrição para curso de instrumentação de qualidade

Estão abertas as inscrições para o curso de mestrado em Instrumentação Científica do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), instituto vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT).

O curso é profissionalizante e utilizará a infra-estrutura dos laboratórios do CBPF para desenvolver instrumentação de qualidade a ser aproveitada tanto na pesquisa em Física quanto na indústria.

O mestrado é voltado para profissionais das áreas de física, engenharia, química e áreas afins, e tem a duração de dois anos.

"Para fazer pesquisas inovadoras é preciso aplicar métodos e equipamentos inovadores ou modificar, de alguma forma, a abordagem da infra-estrutura já existente. Em geral, os equipamentos comerciais de laboratório não são suficientes para esse propósito ", explica Geraldo Cernichiaro, da Coordenação de Física Aplicada.

Os interessados podem fazer suas inscrições até o dia 31 do mês, e a prova está marcada para o dia 6 de agosto.

Como o curso não é exclusivamente voltado para a área acadêmica, vários de seus ex-alunos trabalham em empresas como a Petrobras, ou institutos de pesquisa, entre os quais o Centro Europeu de Pesquisas Nucleares, na Suíça e no Instituto Nacional de Física Nuclear da Itália.

Mais informações no endereço , ou pelo telefone (21) 2141-7203.

Fonte: Agência CT