segunda-feira, 2 de julho de 2007

TMID - Comando de voz para controle predial

Foi durante uma palestra no 10º Congresso Nacional de Automação Industrial, em maio de 2002, em São Paulo, que o físico Miguel dos Santos Alves Filho tornou pública parte de um ousado projeto. Para uma platéia formada basicamente por engenheiros e técnicos, Miguel apresentou a tecnologia LonWorks e sua intenção de usá-la em sistema de telefonia. Na Europa, essa tecnologia é padrão para automação predial e permite, por exemplo, controlar portas e portões automáticos, aparelhos de ar-condicionado, qualidade do ar, aquecedor, interruptores de lâmpadas, torneiras, câmeras de segurança. A sigla LonWorks vem da expressão local operating networks — operação local de rede de trabalho.

Hoje, sentado à mesa da sede da Conceito Tecnologia, Miguel dos Santos mal contém o entusiasmo quando começa a explicar o que é a Telefonia Modular Inteligente Distribuída (TMID) – nome que deu à sua idéia de usar voz sobre a plataforma desenvolvida para automação predial. A ambiciosa concepção de telefonia do físico poderá tornar obsoleto o convencional PABX e também pôr em xeque o próprio conceito de centrais telefônicas. O que ele desenvolve, usando a LonWorks, permite que o enlace seja feito de aparelho para aparelho, sem passar pela central. Por isso, o projeto ganhou o apelido de PABX Inteligente. Mas não se limita à substituição dos aparelhos de PABX.

A proposta é mais ampla: prevê a criação de um Sistema Distribuído de Comutação Telefônica Privada (SDCTP). A empresa e o pesquisador já depositaram três pedidos de patentes no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI): um para assegurar a prioridade sobre a tecnologia de voz sobre Lon, batizada de VoLon (Voice over Lon); e outros dois que se relacionam ao SDCTP.

A vantagem é a interoperabilidade, com sua capacidade de integrar a monitoração e o controle de equipamentos diferentes na mesma plataforma, usando qualquer rede disponível — com fio ou sem fio. Isso é possível porque cada módulo de controle de equipamento da rede LonWorks tem um microcontrolador que pode ser programado para receber sinais de máquinas, de telefones com ou sem fio, de outros chips e aplicativos.

Fonte: Unicamp

Mais eficiência em medicamento para hipertensão

Os Brasileiros que sofrem de hipertensão arterial — cerca de 25% da população — podem vir a ter acesso a um medicamento para baixar a pressão mais eficaz e com menores efeitos colaterais, se der certo um projeto de pesquisa da STQ Serviços e Comércio em Tecnologia Química, pequena que inova de São Paulo. Com recursos do programa PIPE da Fapesp a partir de março de 2007, a empresa trabalha em uma forma nova de preparação de uma droga anti-hipertensiva já no mercado. Essa forma nova de preparação fará com que a liberação dos princípios ativos da droga aconteça de maneira progressiva (e controlada) no organismo. A liberação progressiva, dizem especialistas da empresa e de fora dela, é que beneficiará os usuários do novo medicamento.

Atualização tecnológica

Com os R$ 300 mil do programa PIPE, a STQ fará uma atualização tecnológica de uma determinada droga anti-hipertensiva. A inovação está na forma de preparação: por meio dela, os princípios ativos do medicamento serão encapsulados em uma substância chamada ciclodextrina. A ciclodextrina, um açúcar, tem cavidades no interior das quais é possível incluir ou hospedar moléculas.
A empresa não quer dar muitas informações sobre o processo de fabricação da nova formulação que desenvolve. Não diz, por exemplo, qual é a droga anti-hipertensiva que está encapsulando dentro da ciclodextrina. Informa, apenas, ser um consagrado inibidor da enzima conversora de angiotensina.
Há a angiotensina I e a II, continua ele. A II é formada a partir da I pela ação da enzima conversora de angiotensina. Ela é um potente vasoconstritor, que pode contribuir para causar hipertensão arterial. A angiotensina II também leva à liberação de aldosterona (um tipo de hormônio) pela glândula supra-renal, que age sobre os rins e faz aumentar o volume do sangue presente no corpo. A substância atua então de duas formas, de acordo com a explicação que o professor simplificou: contrai os vasos sangüíneos e aumenta o volume de sangue. Entre os medicamentos contra a hipertensão, há uma classe que age pela inibição dessa enzima conversora de angiotensina I em angiotensina II.
Bons resultados

Os testes pré-clínicos da formulação da STQ, em ratos, já estão em andamento — são realizados na UFMG. Os parceiros começaram essa fase antes mesmo da aprovação do projeto apresentado à Fapesp. Os resultados preliminares têm sido muito promissores, de acordo com eles: quando o inibidor não está encapsulado na ciclodextrina, seu efeito dura pouco, sendo necessárias duas a três doses por dia. Com o encapsulamento, o efeito dura cerca de 20 horas. Esses testes indicam que a tecnologia proposta pela STQ parece viável. Por essa razão, a Fapesp aceitou que a empresa pulasse a fase I do programa — que financia valores menores, apenas o necessário para o estudo de viabilidade técnica do projeto — e recebesse recursos diretamente da fase II, de valor mais alto.

O fato de uma formulação já estar em teste não significa, no entanto, que não haja muito trabalho de desenvolvimento ainda pela frente. Os recursos do PIPE vão financiar mais testes pré-clínicos; o trabalho de determinação de dosagem; o desenvolvimento da apresentação em comprimidos, de acordo com as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa); os testes que comprovem a eficácia da formulação final com seres humanos. A empresa, no entanto, não pretende produzir comercialmente o produto.

Fonte: Unicamp