domingo, 1 de julho de 2007

Prototipagem rápida com sinterização a laser

Em projeto apoiado pelo Instituto Fábrica do Milênio-CNPq, os pesquisadores do IEAv-CTA estão desenvolvendo tecnologia de prototipagem rápida com ênfase em sinterização com laser.

O objetivo da pesquisa é construir objetos tridimensionais a partir da sinterização por laser de materiais particulados (qualquer material em forma de pó) camada por camada.

A prototipagem rápida é uma tecnologia que possibilita produzir protótipos e moldes a partir de fontes de dados gerados por sistemas CAD (Autocad), reduzindo-se assim o elevado custo de fabricação de protótipos e viabilizando a construção de uma única parte exclusiva. O processo é feito a partir da agregação e do ligamento de materiais líquidos, em pó ou em formato de folhas de papel, agrupados seqüencialmente camada por camada de modo que se construa o objeto de interesse.

Os dados do objeto são gerados no sistema CAD, que representa o modelo por uma malha triangular ou faceta geralmente no formato de arquivo STL - acrônimo do inglês, Standard Tessellation Language (Linguagem Padrão de Infusão de Mosaicos). Uma vez convertido, o modelo em gerado em auto CAD em um arquivo STL, o objeto é segmentado em camadas e o passo seguinte é a construção física do objeto produzida pelo empilhamento de camada por camada uma sobre a outra, sucessivamente até o final do processo.

No processo de sinterização seletiva a laser (SSL), a ação do laser provoca a sinterização de materiais líquidos ou materiais particulados, armazenados na superfície de um pistão que possui movimentos verticais micrométricos comandados.

O feixe de laser interage com a primeira camada sinterizando o material particulado. Em seguida, o pistão é deslocado verticalmente para baixo, e o recipiente é novamente preenchido com material particulado e irradiado com o feixe de laser, produzindo-se, então, a segunda camada. O processo continua sucessivamente até o final do objeto. O material particulado em excesso atua como suporte durante a execução do objeto.

Para a sinterização seletiva a laser, os parâmetros mais importantes para a construção de objetos são: a densidade de potência do laser (W/cm2), a velocidade de deslocamento do feixe de laser (cm/s) e o espaçamento entre as camadas produzidas pelo feixe do laser (μm). A densidade de potência e a velocidade de deslocamento do feixe de laser posta em jogo no processo, varia de acordo com o material utilizado.

A sinterização com laser possibilita a construção de partes que variam desde aplicações biológicas, como partes de implantes dentários, faciais ou fração de crânio, como a fabricação de ferramentaria em geral para a indústria de moldes plásticos, moldes de areia fundição ou ainda, blocos de motores automotivos, em cerâmica ou metal, ou simplesmente em materiais poliméricos para simples estudos de casos.

Os pesquisadores do Instituto de Estudos Avançados do Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial - IEAv-CTA em São José dos Campos, realizam ainda outras pesquisas com o uso de lasers, uma delas é a aplicação de revestimentos de materiais particulados a base de grafita em superfícies metálicas via laser de CO2.

Este revestimento de grafita, aplicado via laser, apresenta características impares: primeiro porque a característica de lubrificante sólido da grafita é preservada, segundo, porque ocorre a difusão superficial do carbono proveniente da grafita, para o substrato metálico, favorecendo a carbonetação. Em conseqüência desta difusão, os estresses mecâno-térmicos, comuns aos processos de PVD ou CVD, são, neste novo método que se utilizam lasers, reduzidos, dispensando com isso, o uso de camadas intermediárias que atuam como binder ou como camada de acomodação térmica.

Os pesquisadores verificaram por meio da análise de perfil de microdureza no substrato metálico, logo abaixo do revestimento de grafita, que ocorre a elevação da dureza superficial em substratos de aço em cerca de 30%, quando comparado ao núcleo do material ou em amostras não tratadas com lasers. Uma outra importante característica observada é a possibilidade da aplicação destes lubrificantes sólidos, em atmosfera ambiente e em curto intervalo de tempo, quando comparado aos processos convencionais via PVD ou CVD. As análises tribológicas realizadas nas superfícies da amostras tratadas com laser, apresentaram resultados satisfatórios, uma vez que ocorreu redução do coeficiente de atrito em cerca de 70% utilizando-se 100MPa.

Fonte: Cimm

I Jornada de Dislexia de Brasília

Dislexia é um distúrbio específico de aprendizagem, na área de leitura e escrita. Atinge de 10 a 15% da população mundial. É congênita, hereditária e atinge mais homens, numa proporção de três homens para uma mulher disléxica.

Tendo em vista a sua alta incidência, fica fácil concluir que em todas as classes, em todas as escolas, públicas ou particulares, do Brasil, há disléxicos. Esse fato, aliado a desinformação e a dificuldade de se fazer um encaminhamento e acompanhamento adequados, se torna um grande fator de repetência e de evasão escolar.

A I Jornada de Dislexia de Brasília: “Identificando, Acolhendo e Incluindo o Disléxico na Escola” com data para 19 de agosto de 2006, das 08h às 18h, tem como objetivo iniciar um trabalho de divulgação e trazer informação aos diversos profissionais das áreas envolvidas: Profissionais da Educação: Diretores de Escolas, Orientadores Educacionais, Pedagogos, Professores e ainda: Psicólogos, Fonoaudiólogos, Psicopedagogos, Neurologistas, Oftalmologistas, além de estudantes das referidas áreas e da área de Línguas, disléxicos e familiares de disléxicos.

Estarão presentes a Orientadora Técnica e Científica da ABD, Dra. Maria Ângela Nico, Fonoaudióloga e Psicopedagoga Clínica, sua equipe, profissionais que integram o quadro da ABD e do Curso de Formação em Dislexia, ministrado anualmente pela Associação. Este evento é uma realização do Núcleo de Formação da Associação Brasileira de Dislexia – ABD em Brasília.

Para mais informações pelo site, pelo e-mail ou pelos telefones: (11) 3258-7568 / (11) 3237-0809

Fonte: Abd

Brasil cria tecnologia mais barata e segura para detecção de doenças

Pesquisadores brasileiros desenvolveram uma tecnologia para detecção do vírus da aids e da hepatite C. O método reduz o tempo da chamada janela imunológica, período que o organismo leva para produzir, depois da infecção, uma certa quantidade de anticorpos que possam ser detectados pelos exames de sangue específicos.

A informação foi dada ontem pelo presidente da Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás), João Paulo Araújo, em entrevista ao programa Revista Brasil.

Araújo explicou que a metodologia já é conhecida, mas o Brasil tinha dificuldade de implantação pelo alto custo das duas produtoras mundiais. A partir de 2004, os pesquisadores optaram por desenvolver um produto nacional.

“Esses exames já são realizados em todos os hemocentros, mas eles buscam pesquisar anticorpos e, com isso, se perde tempo. Com a nova metodologia, em que se trabalha com o genoma do vírus, é possível reduzir o tempo da janela imunológica detectando assim a contaminação pelos exames. Isso assegura mais qualidade ao sangue (coletado nos hemocentros)”, disse Araújo.

Segundo o presidente da Hemobrás, a tecnologia é vantajosa também pelo preço, mais baixo que o de dois produtos similares vendidos por multinacionais. O nacional, que está sendo desenvolvido, deve ficar com custo final entre US$ 3 e US$ 4, cerca de R$ 8 para cada reação, enquanto os vendidos no mercado mundial custam em torno de US$ 15 ou R$ 30.

O desenvolvimento da metodologia teve a parceria do Ministério da Saúde, da Fundação Oswaldo Cruz – Biomanguinhos, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP). De acordo com João Paulo Araújo, ela deve ser implantada em 2008, mas os testes de validação dos equipamentos têm início no ano que vem. Além disso, será feita a atualização dos exames e registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“A tecnologia desenvolvida por pesquisadores brasileiros vem demonstrar a importância dos organismos públicos estarem unidos forças em busca de melhorar cada vez mais a saúde coletiva”, finalizou.

Fonte: Monique Maia / Agência Brasil

Geólogos brasileiros produzem fertilizante natural

A RockAll Fertilizantes para Orgânicos, criada por dois geólogos mato-grossenses é a primeira e única indústria brasileira a produzir fertilizantes naturais, feitos a partir de minerais encontrados em rochas. Com uma pequena unidade industrial na cidade de Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso, a empresa fabrica mensalmente 30 mil quilos do fertilizante. Somente países onde as pesquisas sobre produtividade da agricultura orgânica estão mais avançadas, como Estados Unidos, Japão e Austrália, desenvolvem fertilizantes e corretivos de solo organominerais.

A experiência na pesquisa e desenvolvimento do produto começou há mais de 10 anos. Prudêncio Rodrigues de Castro Júnior e José Carlos Alves Ferreira, os geólogos e sócios da RockAll, iniciaram o trabalho a partir de demandas de pequenos produtores de orgânicos do município de Chapada dos Guimarães. Após alguns testes, passaram a produzir em pequena escala fertilizantes e corretivos naturais. Para inaugurar a fábrica em Chapada dos Guimarães, em março de 2006, foram investidos R$ 30 mil em equipamentos.

Com a recente conquista de certificação internacional, concedida pela francesa Ecocert, o fertilizante está pronto para disputar o mercado internacional. Agora os pesquisadores e sócios da RockAll apostam no crescimento da cultura orgânica no país e nas perspectivas de parcerias internacionais para fazer a empresa crescer. "Temos muito interesse em parcerias com investidores estrangeiros. Eu acho que essa é a hora certa para investir nos orgânicos. Temos aqui 2,5 mil metros quadrados de área coberta, com localização estratégica no coração de uma região que é grande produtora agrícola", explica.

"Aqui trabalhamos com o ouro vermelho da terra. Se juntarmos com o ouro negro do petróleo, deverá render bons negócios", afirma o geólogo, que afirma ter interesse em fechar parcerias com empresários árabes. "Até agora o que temos de concreto em relação ao mercado externo é um contato com um importador da Alemanha, por intermédio de uma trading de São Paulo. Mas estamos abertos para negociar com qualquer mercado", garante.

A meta inicial da RockAll é atender o setor de jardinagem e urbanismo."Ter condições de atender a demanda dos 7 mil produtores orgânicos brasileiros, mais os clientes internacionais, seria a realização de um sonho muito grande", destaca.

Ferreira explica que os solos são originados a partir das rochas que sustentam a crosta terrestre e a fertilidade depende, sobretudo, do conteúdo mineral herdado da rocha-mãe. "Partindo desse princípio formulamos o fertilizante RockAll. O produto é composto por um conjunto de oito rochas cientificamente selecionadas pela riqueza de composição mineralógica, trituradas em granulométrica adequada, com a finalidade de remineralizar solos que tiveram o seu conteúdo mineral empobrecido", conta. "Se considerarmos a riqueza do conjunto de rochas brasileiras podemos dizer que ele é único no mundo", afirma o geólogo.

De acordo com Ferreira, o fertilizante bioativo, ou seja, seu conteúdo mineral associado à matéria orgânica, incentiva o desenvolvimento de microrganismos do solo e está pronto para ser assimilado pelas raízes das plantas. "É importante destacar que o eventual excedente permanece no solo, sem ser dissolvido ou transportado pela água das chuvas para a rede hidrográfica", diz.

O adubo RockAll é apropriado para todos os tipos de cultura, desde vasos de flores, canteiros de hortaliças, jardins, paisagismo, campos de futebol e de golfe, até grandes plantações de soja, milho, arroz e algodão. O geólogo garante que o produto não causa qualquer dano ao solo, ao meio ambiente, animais ou pessoas, mesmo com aplicações maiores do que as recomendadas. Somente somam ao conteúdo do universo mineral do solo, garantindo para as plantas nutrição rica e diversificada.

"Qualquer cultura, até mesmo a orgânica, que não utiliza adubos nem defensivos químicos, traz certo desgaste ao solo, que precisa de uma recomposição de nutrientes. O desafio, portanto, era desenvolver um produto eficaz e que respeitasse os princípios da produção orgânica", diz José Carlos. "E a sustentabilidade da produção orgânica está relacionada à sua produtividade, que pode ser garantida com fertilização e correção do solo", completa.

Contato RockAll Fertilizantes.

Fonte: Agência Sebrae de Notícias

Padronização mundial para etanol e biodiesel

Luiz Fernando Furlan, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, afirmou durante o 11º Encontro Anual da Indústria Química, realizado em São Paulo em 2006 , que o MDIC está trabalhando, com o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), para estabelecer uma padronização para os tipos de etanol.

Segundo ele, hoje o Brasil e os Estados Unidos são os principais produtores de etanol e, para que este se transforme numa commodity mundial, como deseja o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, uma das etapas necessárias é obter uma padronização mundial.

"Nós vamos começar com a padronização compartilhada, acertada entre o Brasil e os EUA, que são os dois mercados mais importantes", disse Furlan.O ministro também lembrou do trabalho que o Ministério e o Inmetro vêm realizando para estabelecer padrões mundiais para os tipos de biodiesel. Nesse caso, a padronização será discutida com a União Européia, que é a maior consumidora do produto.

Fonte: Gestão CT

Casca de coco usada para conter erosão

As casas localizadas na faixa de praia do Bairro Serviluz, em Fortaleza (CE), sofrem há vários anos com a invasão da areia das dunas que são transportadas pelo vento. Esse processo é ainda maior a partir do mês de agosto e se estende até o fim do ano. O volume estimado é de 62 m³ de areia por metro de praia, no período de um ano. Para se ter uma idéia, isso equivale a 10 caçambas de caminhão cheias.

Uma equipe da Embrapa desenvolveu, experimentalmente, uma manta geotêxtil a partir da casca do coco verde, que pode ser utilizada na contenção de dunas e encostas, na recuperação de áreas degradadas e na proteção de margens de cursos de água.

Segundo o engenheiro agrônomo da Embrapa Agroindústria Tropical, Adriano Mattos, essas mantas normalmente utilizam palhas ou fibras vegetais trançadas em malhas de nylon ou telas de polipropileno. “A utilização da casca do coco verde torna o produto altamente biodegradável”, explica Adriano. Ele acrescenta que as cascas do coco verde são um resíduo que vem causando sérios problemas para as prefeituras, em razão do volume que ocupam nos aterros sanitários.

A Embrapa Agroindústria Tropical já desenvolveu uma tecnologia e um conjunto de equipamentos para o processamento da casca de coco verde, transformando esse resíduo em pó e fibra. Esse trabalho viabilizou a implantação de uma unidade de beneficiamento no bairro do Jangurussu, em Fortaleza, com recursos do Banco Mundial, em parceria com diversas instituições públicas e privadas.

O objetivo do novo projeto é instalar cercas verticais de contenção, feitas a partir das mantas de coco verde. Essas mantas vão ajudar a barrar a ação do vento, evitando que as partículas de areia invadam as residências dos moradores da Praia do Serviluz.

As mantas, que serão confeccionadas pela unidade de beneficiamento da casca do coco verde do Jangurusssu, também serão utilizadas como cobertura de solo para a plantação de espécies adaptadas ao ambiente, como cactáceas (palma forrageira), arbustivas (murici, guajiru, nim), frutíferas (cajueiro, goiabeira) e herbáceas (salsa, amendoim), além de canteiros com 14 espécies de plantas medicinais, como por exemplo alecrim pimenta, malvarisco, confrei, chambá, capim santo, hortelã japonesa e alfavaca .

A idéia, segundo o pesquisador da Embrapa Agroindústria Tropical e coordenador do projeto, João Alencar, é que essa vegetação seja a responsável pela contenção definitiva da areia e, ainda, promova a melhoria do meio ambiente. “As plantas medicinais poderão ser utilizadas como matéria-prima para a produção de fitoterápicos, possibilitando o acesso da população à saúde”, diz João.

Os trabalhos de sensibilização junto à comunidade do Bairro do Serviluz já foram iniciados. “Estamos realizando sete reuniões com os moradores para apresentar o projeto e para envolver a comunidade nas atividades”, conta João, adiantando que também estão previstos seis cursos – sendo três na área de educação ambiental e os restantes sobre produção de plantas medicinais.

Fonte : Embrapa

Protótipo para produção de leite de cabra em pó

A Universidade Federal de Viçosa (UFV) está cercada de pequenas propriedades cujas famílias criam caprinos para subsistência. A carne dos animais é o principal produto de consumo, enquanto o leite é pouco utilizado para alimentação humana e acaba sendo descartado sem nenhum aproveitamento.

O cenário serviu de inspiração aos estudantes Charles de Oliveira e Michael Willian, da UFV, que criaram uma máquina de baixo custo para a fabricação de leite de cabra em pó, com orientação do professor Luiz Carlos Gouvêa.

A máquina, que está em fase de patenteamento e também poderá ser útil para a produção de leite de vaca em pó, tem capacidade de beneficiar dez litros de leite por hora, sendo que cada litro gera aproximadamente 120 gramas de pó.

“No mercado nacional, uma máquina semelhante custa R$ 48 mil. Quando a produção em escala industrial tiver início, nossa máquina custará no máximo R$ 1 mil. Estamos estudando parcerias com empresas”, afirma Gouvêa.

Fonte: Fapesp

Nanotubos eliminam fronteiras entre áreas do conhecimento

No segundo dia da 8ª Conferência Internacional sobre a Ciência e Aplicação de Nanotubos (NT07), realizada em Ouro Preto (MG), o físico indiano Pulickel Ajayan deu uma rápida entrevista sobre o momento dos nanotubos de carbono (NTC) e as perspectivas de desenvolver conhecimentos e tecnologia avançadas em países em desenvolvimento.
Graduado na Índia, Ajayan coordena hoje um dos mais importantes grupos de pesquisa norte-americanos sobre nanomateriais, no Instituto Politécnico de Rensselaer (RPI) . A equipe é formada por considerável número de indianos e chineses, além de norte-americanos e europeus.
Mais do que isso, observa o pesquisador, os nanotubos, "definitivamente, trouxeram profissionais de diferentes áreas a trabalharem juntos – as fronteiras entre as áreas do conhecimento desapareceram". Sua equipe reúne físicos, químicos, zoólogos, biotecnólogos e vários engenheiros – eletrônicos, mecânicos, metalúrgicos, químicos e da área de computação.
Ajayan está contudo deixando o RPI para assumir a cátedra de Richard Smalley, Prêmio Nobel de Química (1997), na Universidade de Rice, no Texas (EUA). O professor Smalley, que morreu em 2005, é o responsável pelo descobrimento dos fulerenos (molécula com 60 átomos de carbono organizados na forma de uma bola de futebol) e pioneiro na pesquisa de nanotubos de carbono. A nova posição de Ajayan confirma sua liderança na ciência norte-americana, conforme apontado em 2006 pela revista Scientific American, que publica anualmente os 50 nomes mais representativos das diferentes áreas científicas nos Estados Unidos.
Para Ajayan o Brasil e a Índia são países em estágios similares na área científica e tecnológica e "devem investir fortemente na formação de estudantes, de pesquisadores, em infra-estrutura de pesquisa e centros de excelência para estarem juntos com os países avançados na revolução que decorrerá da nanotecnologia".
Estes aspectos criam o círculo virtuoso, no qual os melhores estudantes serão atraídos e as instituições serão sustentáveis. Dificilmente os melhores alunos e os mais jovens se contentarão em trabalhar e se pós-graduar em locais sem infra-estrutura para a pesquisa e pessoal qualificado para estimular a formação e a criatividade. Tais condições contudo não são obtidas em passe de mágica.
Para o desenvolvimento de segmento (focado nos NTCs) com possibilidades tão vastas de aplicação, Ajayan sugere que o dinheiro será colocado onde os benefícios forem mais significativos para o país. No caso da Índia, em meio ambiente, ciências médicas e energia alternativa.
Na palestra feita na Conferência NT07, Ajayan apresentou um quadro do estado da arte da aplicação industrial de nanotubos de carbono, ponderando a capacidade de produção em larga e em menor escala. E apresentou produtos com solução a se alcançar nos próximos dez anos e para além de dez anos de desenvolvimento tecnológico.
Artefatos que já estão no mercado internacional são os chamados compósitos de materiais plásticos, para uso em produtos com propriedades elétricas e mecânicas especiais, que, com adição de NTCs, aumentam a resistência, a durabilidade e a interação de diferentes materiais com o ambiente: baterias de lítio, materiais com propriedades anti-estáticas (que não dão choque) e materiais esportivos, entre outros.
A projeção situa no cenário mais distante a produção de cabos de transmissão, dispositivos foto-voltáicos (células solares) e nano-eletrônicos (nanotubos semicondutores ou metálicos em componentes eletrônicos para a contínua redução dos chips de computador e outros equipamentos).
Para tanto, dar visibilidade aos atuais avanços "é muito importante – fará as pessoas conscientes dos impactos dos novos conhecimentos, provocando a atração de estudantes para as áreas de pesquisa científica e desenvolvimento tecnológico".
Exemplo de material produzido pelo grupo coordenado pelo professor Ajayan, no RPI, são nanotubos de carbono crescidos alinhada e verticalmente, resultando alta capacidade de adesão superficial. Este material funciona como as fibrilas das patas de uma lagartixa, que permitem que ela caminhe inclusive de cabeça para baixo. A adesão produzida é tão intensa que sustenta o peso do animal.
O encontro, reuniu delegações nacionais e internacionais para debater os avanços atuais e perspectivas do desenvolvimento científico e tecnológico dos Nanotubos de Carbono. Cerca de 140 brasileiros e 240 participantes de outros países, com destaque para o Japão e a Coréia, com 70 participantes, os Estados Unidos e países da comunidade européia, com cerca de 150 participantes, e a América Latina, também com grande participação.
Fonte : Gestão CT

Estudo feito na FMUSP é premiado na Alemanha

Transcranial brain stimulation for treatment of psychiatric disorders

Estudo sobre o uso de estimulação magnética transcraniana (EMT) para o mapeamento de focos de dor na região do córtex sensitivo, feito por pesquisadores do Instituto de Psiquiatria (IPq) da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), foi considerado o melhor trabalho apresentado no 2º Congresso Internacional de Dor Neuropática, realizado de 7 a 10 de junho, na Alemanha.

O trabalho, que concorreu com outros 450 – os melhores foram publicados nos anais do encontro –, girou em torno de vítimas de dor causada por lesão no plexo braquial, região que, localizada no pescoço, conta com um conjunto de conexões elétricas que ligam o membro superior à medula espinhal.

A maior parte dos pacientes com lesão na região do plexo braquial é vítima de acidentes de motocicleta. O indivíduo perde o movimento do braço afetado, apesar de o cérebro continuar mandando impulsos de comando, que em alguns casos geram dor.

De acordo com os coordenadores do trabalho, o neurocirurgião e professor titular do Departamento de Neurologia da Faculdade de Medicina da USP, Manoel Jacobsen Teixeira, e o chefe do Grupo de Estimulação Cerebral do IPq, o psiquiatra Marco Antonio Marcolin, dos tratamentos existentes para a lesão, a instalação de eletródios nessa região do cérebro, conhecida como córtex sensitivo, é um dos mais comuns.

Por meio da técnica de EMT, o objetivo do estudo foi identificar a real necessidade de implantação desses aparelhos no cérebro dos pacientes. “O eletródio atua como uma espécie de marcapasso que emite pulsos elétricos para normalizar a dor”, disse Marcolin.

“Após a lesão, é como se o braço não existisse mais. O paciente perde os movimentos, mas a dor persiste na maioria dos casos. Com isso, não adiantaria amputar o braço, por exemplo, uma vez que a dor não está no membro e sim no cérebro”, explicou.

Como nem todos os pacientes respondem adequadamente à implantação dos eletródios, os pesquisadores acompanharam 35 pacientes, entre 18 e 79 anos. Foi mapeada a região lesionada do cérebro dos pacientes por meio da EMT, estímulo magnético utilizado desde 1999 no Hospital das Clínicas da FMUSP para diversas aplicações.

Atualmente, a colocação dos eletródios é feita sem a realização prévia desse tipo de exame magnético.

Segundo Teixeira, uma das principais conquistas do estudo é que, a partir de agora, “a EMT passará a ser utilizada como um critério seguro de prognóstico de doentes candidatos a implantes de eletródios para a estimulação cerebral ou à infusão de fármacos na medula espinhal para o conseqüente alívio da dor”.

Com a delineação de áreas que são potenciais alvos dos procedimentos, haverá também economia em números de eletródios implantados.O estudo foi apresentado na Alemanha pelo neurocirurgião Erich Talamoni Fonoff. Participaram também os neurocirurgiões Fábio Macri e Helder Picarelli, além da fisiatra Lin Tchia Yen.

Diferentes aplicações clínicas da estimulação magnética transcraniana são realizadas no Hospital das Clínicas. Com os resultados do trabalho apresentado no congresso, a técnica está em estágio mais próximo de aplicação no Sistema Único de Saúde.

Outras aplicações clínicas da EMT são realizadas há oito anos no Instituto de Psiquiatria e não são reembolsadas pelo SUS. Nesse momento, os pesquisadores aguardam aprovação do Conselho Federal de Medicina para a incorporação da técnica como procedimento médico no sistema.

Ao lado do trabalho premiado, um livro sobre estimulação magnética cerebral, intitulado Transcranial brain stimulation for treatment of psychiatric disorders, foi lançado no começo do mês por Marcolin e Frank Padberg, professor do Departamento de Psiquiatria e Psicoterapia da Universidade de Munique, na Alemanha.

Em 14 capítulos, a publicação traz resultados de pesquisas do Grupo de Estimulação Cerebral do Instituto de Psiquiatria da FMUSP e artigos de especialistas sobre outras aplicação da EMT, incluindo possíveis cenários futuros das pesquisas nessa área do conhecimento.

Mais informações sobre o livro ou pelo e-mail.

Fonte: Thiago Romero / Agência Fapesp

Biocombustíveis e MDL são pauta de reunião no MCT

O ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, encontrou-se na tarde do dia 25 com o representante especial para Mudanças Climáticas do Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido, John Ashton.

Na pauta, o Mercado de Créditos de Carbono e a cooperação tecnológica na área de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). De acordo com o funcionário britânico, o governo de seu país está sensibilizado e realizando esforços no sentido de diminuir as emissões de CO2 na atmosfera, e um de seus objetivos é conhecer as realizações brasileiras nessa direção.

Além disso, Ashton demonstrou interesse no programa nacional para a produção de biocombustíveis e os reflexos da atividade para a agricultura e a biodiversidade do País.

O ministro Rezende falou das iniciativas do governo brasileiro no campo de MDL – no qual em termos de reduções de emissões projetadas, o Brasil já ocupa o terceiro lugar, após a China e a Índia. Também presente à reunião, o secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do MCT, Luis Antonio Barreto de Castro, esclareceu ao representante do Reino Unido que nem a biodiversidade nem a produção de alimentos no Brasil devem ser comprometidas com o programa de biocombustível.

Fonte> Robson Leão / Agência CT

INB recebe prêmio por investir em recuperação ambiental

As Indústrias Nucleares do Brasil (INB) receberam dia25/06, da Câmara de Comércio Americana, o Prêmio Brasil Ambiental. A premiação é pela atuação da empresa na recuperação de matas ciliares e reflorestamento de áreas degradas no município de Resende (RJ), onde a empresa produz o combustível nuclear utilizado nas usinas de Angra dos Reis.

A INB, estatal vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, foi premiada juntamente com outras três empresas – Petrobras, Solvi e Tractebel Energia - em cerimônia presidida pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. Os vencedores do Prêmio Brasil Ambiental foram escolhidos por um júri formado pelos jornalistas Ana Lúcia Azevedo, do Jornal O Globo, Célia Rosemblum, do Valor Econômico, Felipe Werneck, do Estado de São Paulo, Sergio Torres, da Folha de S. Paulo e Eric Macedo, do site O Eco.

Desde 1998, a INB investe no projeto "Recuperação da mata ciliar, reflorestamento e fauna", para recuperar áreas degradadas em sua propriedade de 560 hectares em Resende. O projeto promoveu a reabilitação de ambientes florestais do Vale do Rio Paraíba do Sul, e, somente neste ano o projeto produziu para o plantio mais de 130 mil mudas de árvores de 108 espécies nativas da Mata Atlântica, principalmente de espécies ameaçadas de extinção.

Fonte: Helena Beltrão / Agência CT

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