quinta-feira, 21 de junho de 2007

Energia elétrica a partir de resíduos vegetais

Cascas de árvores, caroços de açaí e lascas de madeira de cedro são alguns tipos de resíduos vegetais testados e aprovados para serem transformados em energia elétrica por um gaseificador desenvolvido na Universidade de Brasília (UnB). O equipamento foi apresentado a representantes do Departamento de Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia (MME), no dia 15 de junho, e será usado no programa Luz para Todos.

Chamado de gaseificador downdraft estratificado, o equipamento é composto de um cilindro de cimento refratário de 1 metro de altura, no qual a biomassa é inserida por uma abertura superior. O gás gerado pela queima desses resíduos passa por um processo de pós-tratamento para a separação de material particulado e, em seguida, alimenta um pequeno motor que aciona e mantém em operação um gerador de energia elétrica.

O sistema foi desenvolvido por pesquisadores do Departamento de Engenharia Mecânica (ENM) e do Centro de Desenvolvimento Sustentável (CDS) da UnB, coordenados pelos professores Armando Caldeira e Carlos Alberto Gurgel.

Segundo o professor do ENM, com base em cálculos realizados no Laboratório de Energia e Ambiente, se o mesmo gerador utilizado pelo equipamento fosse acoplado somente a um motor que utilizasse 100% do diesel disponível, seria possível gerar até 7,5 quilowatts (kW).

A primeira unidade do equipamento será instalada até o fim de julho em uma comunidade no município de Correntina, interior da Bahia, e terá capacidade de 5 kW. Hoje, essa comunidade tem cerca de dez famílias e vive com apenas 1 kW, o que é suficiente para atender apenas a casa da liderança.

Com o surgimento de novas demandas pelos habitantes da comunidade, os pesquisadores deverão planejar novos pontos de energia.Apesar de inicialmente ter sido planejada para atender à demanda de 5 kW da comunidade de Correntina, o professor da ENM aponta que a tecnologia desenvolvida para o gaseificador permite gerar até 30 kW, o suficiente para abastecer cerca de cem famílias com cinco pessoas cada, no padrão do programa Luz para Todos.

As pesquisas têm apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnlógico (CNPq), das Centrais Elétricas do Norte do Brasil (Eletronorte) e do Ministério de Minas e Energia (MME). Criado em 2004 pelo governo federal, o Programa Nacional de Universalização do Acesso e Uso da Energia Elétrica (Luz para Todos), tem o objetivo de levar energia elétrica para regiões isoladas do país, especialmente para a população rural, contribuindo para o aumento da renda familiar.

Fonte: Thiago Romero / Agência Fapesp

Plantas medicinais: cura segura?

Medicinal plants: safe cure?

Contaminação, adulteração e falta de comunicação. Esses três fatores, aliados a problemas de regulamentação e fiscalização, tornam o uso indiscriminado de plantas medicinais um problema muito maior do que pode parecer. O lema de que “não faz mal para a saúde por ser 100% natural” não pode ser levado ao pé da letra.

"Grande parte dos consumidores de plantas medicinais sente-se encorajado por acreditar que esses remédios, por serem naturais, são inerentemente seguros. A influência da imprensa na difusão de informações errôneas sobre os efeitos das plantas medicinais é muito grande e, além disso, sem qualquer controle na maioria dos países”, afirmam Valdir Veiga Junior e colaboradores no artigo Plantas medicinais: cura segura?, que acaba de ser publicado pela revista Química Nova.

Citando estudos realizados no Reino Unido e na Alemanha, o artigo informa que as informações distorcidas divulgadas pela mídia geram um aumento do uso de ervas medicinais pelo forte apelo de que não existe, nesse caso, contra-indicações. Outro problema é que a metade dos consumidores que utiliza produtos naturais não informa isso a seus médicos particulares.

O artigo mostra que a hipersensibilidade é um dos efeitos colaterais mais comuns causado pelo uso de plantas medicinais. “Ela pode variar de uma dermatite temporária até um choque anafilático”, dizem. Várias reações tóxicas também são descritas para plantas muito comercializadas em mercados e feiras por todo o Brasil. A contaminação por metais pesados ou a interação com medicamentos convencionais também estão presentes.

Para os pesquisadores, algumas regras gerais podem ser adotadas: “Deve-se evitar longas terapias, já que o uso de medicação natural não significa ausência de efeitos colaterais ou tóxicos; evitar o uso associado de plantas medicinais com medicação alopata; deve-se dar atenção aos produtos naturais de origem chinesa e hindu, porque existe a possibilidade de presença de metais pesados, e deve-se sempre adquirir o vegetal de fontes seguras”.

Indivíduos mais vulneráveis, como crianças, mulheres grávidas ou em lactação, devem evitar o consumo de plantas medicinais, segundo o estudo. Caso surjam efeitos adversos da medicação natural, o tratamento deve ser interrompido imediatamente, alertam os pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

O artigo, publicado no volume 28 da revista Química Nova, pode ser conferido na íntegra no SciELO (Bireme/FAPESP). Para ler, clique aqui.

Fonte: Agência FAPESP - 21/06/2005