quinta-feira, 24 de maio de 2007

Destinos da ruralidade no processo de globalização

O artigo Destinos da ruralidade no processo de globalização rendeu ao professor José Eli da Veiga, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP), a segunda edição do Prêmio Milton Santos. A cerimônia de entrega da premiação está marcada para quarta-feira (25/5), em Salvador.

O concurso, que leva o nome de um dos maiores geógrafos brasileiros, morto em 2001 aos 75 anos, é iniciativa da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Desenvolvimento Urbano e Regional (Anpur). Esta semana, na capital da Bahia, ocorre o 11º encontro nacional da sociedade.

Professor titular da FEA, José Eli da Veiga publicou livros que abordam a questão rural e também da globalização, como “A face rural do desenvolvimento”, “O desenvolvimento agrícola, uma visão histórica”, “Do global ao local” e “Desenvolvimento sustentável”, lançado em 2005.

Com doutorado pela Universidade Paris I, o pesquisador ocupou cargos no Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável, na superintendência regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em São Paulo, e na Secretaria Estadual de Agricultura, onde atuou como diretor do Instituto de Assuntos Fundiários. O artigo que lhe rendeu o Prêmio Milton Santos está publicado no número 51 da revista Estudos Avançados.

“Na atual etapa da globalização, a ruralidade dos países avançados não desapareceu, nem renasceu, fazendo com que as duas hipóteses fossem ao mesmo tempo parcialmente verificadas e refutadas, o que leva à formulação de uma terceira: o mais completo triunfo da urbanidade engendra a valorização de uma ruralidade que não está renascendo, e sim nascendo”, escreveu no artigo premiado.

Para o pesquisador, em regiões rurais dos países desenvolvidos, a globalização atua em duas grandes dimensões contraditórias. Uma de caráter econômico, que envolve as cadeias produtivas, comércio e fluxos financeiros, e outra de cunho ambiental, que envolve tanto as bases das amenidades naturais quanto fontes de energia e biodiversidade.

“A ação simultânea dessas duas tendências parece ter um duplo efeito sobre a ruralidade. De um lado, faz com que aquele rural ‘profundo’ seja cada vez mais conservado. Por outro, faz com que o rural “acessível’ abrigue novas dinâmicas socioeconômicas”, disse.

Milton Santos sempre fez críticas ao processo de globalização em seus últimos textos. Ele preferia usar o termo globalitarismo. “Porque estamos vivendo uma nova fase de totalitarismo”, justificava sempre o pesquisador, que também era dos quadros da USP.

“O sistema político utiliza os sistemas técnicos contemporâneos para produzir a atual globalização, conduzindo-nos para formas de relações econômicas implacáveis, que não aceitam discussão, que exigem obediência imediata, sem a qual os atores são expulsos da cena ou permanecem dependentes, como se fossem escravos de novo. Escravos de uma lógica sem a qual o sistema econômico não funciona. Que outra vez, por isso mesmo, acaba sendo um sistema político”, escreveu Santos.

Para ler o artigo premiado pela Anpur, clique aqui.

Fonte: Agência FAPESP - 24/05/2005

7º Congresso Ibero-Americano de Indicadores de Ciência e Tecnologia

Informação indispensável
Informações que não são suportadas por indicadores podem não passar de meras opiniões de seus autores. A afirmação contundente foi feita por Leonardo Uller, secretário adjunto do Programa Ibero-Americano de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento (Cyted) e destaca a importância das discussões que tomam lugar no 7º Congresso Ibero-Americano de Indicadores de Ciência e Tecnologia, que teve início na manhã de quarta-feira (23/5), em São Paulo, e se estende até sexta-feira, com o tema “Novos indicadores para novas demandas de informação”.

O objetivo do encontro é contribuir para a melhor formulação de políticas de ciência, tecnologia e inovação (CT&I) nos países ibero-americanos. Durante a sessão inaugural, o argentino Mario Albornoz, coordenador da Rede Ibero-Americana de Indicadores de Ciência e Tecnologia (Ricyt), fez um balanço dos 12 anos da rede, criada em abril de 1995 para otimizar o diagnóstico e a avaliação dos esforços em CT&I na região.

Albornoz explicou que os trabalhos da Ricyt se baseiam em quatro linhas principais: produção e difusão de informações; acordos metodológicos e o compartilhamento de experiências em coleta de dados; consolidação de capacidades e treinamento dos responsáveis pela elaboração de indicadores; e o desenvolvimento de indicadores que impulsionem redes temáticas que integram a Ricyt – como sobre percepção pública da ciência ou sobre impactos sociais da ciência e tecnologia.

“Os participantes desse congresso ajudarão a definir a agenda de atuação da Ricyt para os próximos anos, de modo a fortalecer a capacidade de oferecer respostas às necessidades de informação nessas quatro linhas de trabalho”, afirmou Albornoz.

Ao lado da contribuição das universidades, dos centros de pesquisa e das agências de fomento da América Latina e Caribe para a produção das estatísticas e da classificação dos indicadores sobre a região, Albornoz destacou a importância de parceiros internacionais, como a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), no fornecimento de dados que embasam os indicadores.

Rogério Meneghini, coordenador científico da Scientific Eletronic Library On-line (SciELO), ressaltou que a publicação eletrônica de periódicos científicos é fundamental para a criação de indicadores de C,T&I nos países em desenvolvimento, além de contribuir para a excelência das comunicações no setor.

“Ciência é a ciência publicada. Hoje, temos 2,5 mil revistas de acesso aberto na internet nos mais diferentes sistemas e bases de dados do mundo. Esse tipo de divulgação gratuita permite que os pesquisadores tenham visibilidade e acessibilidade universal, de modo que o aumento da citação de seus trabalhos indexados contribui para a geração de novos indicadores”, disse.


Subsídios para investimentos

A elaboração de indicadores de produção científica que permitam comparar rankings de universidades e instituições de pesquisa na América Latina e a cooperação entre cientistas de países da região por meio da co-autoria de artigos científicos também são assuntos em destaque no congresso.

Para representantes dos organizadores do evento, FAPESP e Ricyt, o debate sobre a formulação e a produção de indicadores pode subsidiar políticas públicas de gestão e de novos investimentos em CT&I.

“É uma felicidade grande essa conferência estar sendo aberta no dia em que a FAPESP completa 45 anos de existência. Um dos resultados dessa longa atuação, no contexto desse congresso, é a publicação dos Indicadores de Ciência, Tecnologia e Inovação no Estado de São Paulo, que também apresenta referências do sistema de ciência e tecnologia brasileiro e da América Latina”, disse Carlos Vogt, presidente da FAPESP.

Publicado a cada três anos pela Fundação, o livro Indicadores de Ciência, Tecnologia e Inovação em São Paulo está dividido em três tipos de dados principais: os de insumo (dispêndios públicos e privados em P&D, recursos humanos e panorama do ensino superior); de produto (produção científica e tecnológica, comércio de produtos de alta tecnologia e empresas inovadoras); e indicadores de impacto (socioeconômicos e culturais da CT&I na saúde, na tecnologia da informação e na percepção pública da ciência).

“Sem a produção sistemática e a análise de bons indicadores, teríamos dificuldades em saber onde estão e em que sentido os avanços do conhecimento caminham”, disse Sérgio Queirós, coordenador do Setor de Ciência e Tecnologia da Secretaria de Desenvolvimento do Estado de São Paulo e professor do Departamento de Política Científica e Tecnológica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Queirós, que também estava presente na sessão inaugural do congresso, integra a equipe que está elaborando o quarto volume dos Indicadores de CT&I em São Paulo.

Nesta quinta-feira (24/5), o 7º Congresso Ibero-Americano de Indicadores de Ciência e Tecnologia contará com a apresentação do Índice Brasil de Inovação (IBI), iniciativa da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), do Instituto Uniemp e da FAPESP.

O IBI é um ranking de empresas inovadoras do setor de transformação. As empresas mais bem classificadas, de acordo com os esforços para realizar inovação e os resultados obtidos pelas atividades inovativas, serão divulgadas e premiadas na ocasião.

Mais informações sobre o congresso www.ricyt.org/VII_congreso

Fonte: Thiago Romero / Agência FAPESP – 24/05/2007