sábado, 19 de maio de 2007

Scientific findings of Alexander von Humboldt's expedition into the Spanish-American Tropics (1799-1804) from a geographical point of view


Nem tanto a natureza, nem tanto a sociedade. Uma das maiores façanhas do naturalista alemão Alexander von Humboldt (1769-1859) em sua única passagem pelas Américas teria sido observar, e entender com precisão, a relação entre o ser humano e o ambiente que o cercava.

Em artigo publicado na edição de junho dos Anais da Academia Brasileira de Ciências, Gerd Kohlhepp, pesquisador do Centro de Estudos Latino-Americanos do Instituto de Geografia da Universidade de Tübingen, na Alemanha, lança um novo foco sobre uma viagem histórica. A expedição ocorreu entre 1799 e 1804.

Humboldt, ao lado do francês Aimé Bonpland, viajou por Venezuela, Cuba, Colômbia, Equador, Peru e México. Não esteve no Brasil, apenas em alguns trechos da fronteira amazônica, porque os portugueses não deixaram. Nos países visitados ainda havia o domínio espanhol e a produção era baseada no trabalho escravo.

"Entramos na era de abençoar a liberdade e a independência do Novo Continente" disse Humboldt em uma carta ao amigo Simon Bolívar, datada de 29 de julho de 1822 – meses antes da Independência do Brasil. Segundo o artigo agora publicado, o naturalista se impressionou principalmente com a estrutura econômica dos países que ele visitou. E isso teria causado duras e importantes críticas na volta para a Europa.

Astronomia, matemática, física, meteorologia, climatologia, oceanografia, química, farmácia, botânica, zoologia, geologia, mineralogia, vulcanologia, arqueologia, história, sociologia, agronomia, etologia e medicina. "Apesar disso tudo, é no campo da geografia que os estudos de Humboldt tiveram o maior impacto", defende Kohlhepp. O autor lembra que no início do século 19 nem havia as subdivisões da disciplina geografia como hoje.

Para realçar a visão tridimensional de Humboldt, o que deu ao naturalista grande fama e reconhecimento ainda em vida, o pesquisador da Universidade de Tübingen pinçou alguns números interessantes de sua bibliografia. "Ele conseguiu montar, muito antes do computador, uma incrível rede internacional e interdisciplinar. Ele escreveu 35 mil cartas e recebeu quase 100 mil.” Isso, segundo Kohlhepp, mostra a circulação do conhecimento e a abrangência das discussões acadêmicas travadas por Humboldt.

Para ler o artigo na íntegra, em inglês, clique aqui.

Fonte: Agência FAPESP - 19/05/2005