sexta-feira, 18 de maio de 2007

A arte de redigir um trabalho científico

The art of writing a scientific paper

O que é mais difícil, encontrar algo novo ou descrever o que foi descoberto? Certamente o primeiro, mas, para muitos, é a dificuldade de produção de um bom artigo científico o que mais tira o sono.

Uma dica é organizar as diferentes etapas do trabalho com base em uma seqüência lógica de informações. É o que sugerem Fabio Nahas e Lydia Ferreira, professores da Escola Paulista de Medicina (EPM), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em artigo que mostra as particularidades de uma redação científica, publicado na revista Acta Cirúrgica Brasileira e disponível na biblioteca on-line SciELO.

No texto A arte de redigir um trabalho científico, os pesquisadores analisam as dificuldades enfrentadas ao escrever, questionam o uso inadequado de jargões e apresentam regras básicas de escrita. “Escrever é uma necessidade. O pesquisador não pode esquecer que se o conteúdo de seu estudo não for colocado no papel, suas descobertas podem não passar para as gerações futuras”, disse Fabio Nahas.

O professor da EPM aponta que muitas vezes é mais cômodo apresentar um trabalho na forma de projeções em algum congresso científico, por exemplo, do que escrever um artigo para revistas especializadas. “Isso pode ocorrer por conta de o reconhecimento do público ser mais imediato num congresso. Na publicação, o reconhecimento é mais tardio, mas vem com intensidade maior”, diz.

De acordo com Nahas e Lydia, durante a redação todo artigo passa por algumas fases de amadurecimento, divididas basicamente em colocar as idéias no papel, ordenar os assuntos em uma seqüência lógica e dar acabamento final ao texto, o que inclui correção de gramática, de concordância e de estilo.

“Quem escreve deve sempre levar em conta a clareza e a objetividade. Um texto, apenas por ser longo, não será necessariamente mais bem compreendido pelo leitor”, alerta Nahas. Ao redigir, outros pontos devem ser observados, como utilizar sentenças em ordem direta, evitar períodos extensos e preferir palavras mais simples.

A redação em língua estrangeira é também um grande desafio, pois muitas vezes os tradutores não têm o domínio de termos técnicos. “Muitos artigos científicos excelentes não são aceitos em publicações internacionais por estar mal traduzidos”, alerta Nahas.

Para ler o artigo “A arte de redigir um trabalho científico” na biblioteca on-line, clique aqui.

Fonte: Thiago Romero Agência / FAPESP - 24/11/2005

Estudo comparativo da percepção do ruído urbano

Comparative study of the perception of urban noise

O centro de Curitiba, conforme dados gerados pelo Laboratório de Acústica Ambiental da Universidade Federal do Paraná (UFPR) desde 2002, tem um nível sonoro acima dos padrões considerados aceitáveis pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Em um dos bairros residenciais da cidade, analisado pela primeira vez em 2001, a situação é bem melhor. Mas o que os habitantes dessas duas regiões pensam disso?

Os três autores do artigo Estudo comparativo da percepção do ruído urbano, publicado na Revista de Saúde Pública, tentaram responder a essa pergunta. Elaine da Paz e Andressa Ferreira são alunas do professor Paulo Henrique Zannin, coordenador do laboratório da UFPR e um dos principais especialistas do país em estudos de poluição sonora.

O valor médio do nível sonoro para a região central da capital do Paraná foi de 72,9 decibéis. A OMS considera que acima dos 70 decibéis o nível de ruído é considerado desgastante para o organismo humano. No bairro residencial as medidas ficaram, na média, em 53,3 decibéis.

Com os dados nas mãos, os pesquisadores desenvolveram uma metodologia para resgatar a percepção pública dos barulhos urbanos. Enquanto para o bairro os indicadores estatísticos explicaram 98% do fenômeno, no centro, a percepção pública conseguiu detectar 81% do problema.

No centro da capital paranaense 94% dos entrevistados afirmaram estar incomodados com os ruídos – 30% se disseram muito incomodados. Mesmo no mais silencioso bairro, o total foi elevado: 50,5%. Quanto ao nível de conhecimento do problema, 95,5% nos dois grupos afirmaram saber que os ruídos podem causar prejuízos à saúde.

Os dados objetivos e subjetivos ao longo do tempo indicam fatos diferentes. Nos últimos quatros anos, no centro de Curitiba, os níveis de ruído mantiveram-se altos. Entretanto, para 78,3% dos participantes, os ruídos aumentaram ou aumentaram extremamente. Segundo os pesquisadores, isso se explica pela recente ocupação do centro da cidade. Como os aluguéis são mais baratos lá, muitas pessoas deixaram zonas menos barulhentas e, agora, estão com uma sensbilidade maior ao barulho.

No bairro, a questão é outra. Para 71,7% da população estudada os ruídos aumentaram ou aumentaram bem pouco. Nessa área da cidade, dizem os autores, a preocupação maior é impedir que os sons urbanos ultrapassem nos próximos anos o limite considerado aceitável pelos órgãos de saúde. Em ambos os casos, o tráfego de veículos foi considerado o gerador de ruídos mais pertubador pelos moradores. Os aviões – o bairro em questão fica em uma área de rota aérea – também apareceram com intensidade.

Para ler o artigo na íntegra, na biblioteca on-line SciELO, clique aqui.

Fonte: Agência FAPESP - 21/09/2005