terça-feira, 15 de maio de 2007

Descontrole glicêmico

O percentual de diabéticos no Brasil que controla de maneira inadequada o nível de glicose no sangue é muito alto, o que aumenta as chances de desenvolver complicações crônicas relacionadas à doença, como problemas cardíacos, insuficiência renal e cegueira.

A conclusão é de um amplo levantamento realizado por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e do Centro de Pesquisa Gonçalo Moniz (CPqGM), unidade da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) na Bahia. O ponto de partida foi a análise da taxa de hemoglobina glicada, que reflete o grau de controle da glicemia nos últimos três meses, em 6,7 mil pacientes com diabetes residentes em dez cidades do país.

A coleta de dados foi coordenada por um comitê composto por médicos endocrinologistas e epidemiologistas das duas entidades. Um questionário padronizado foi aplicado entre março de 2006 e fevereiro de 2007, em serviços médicos de Belo Horizonte, Brasília, Campinas, Curitiba, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.

De acordo com critérios da Associação Norte-Americana de Diabetes, a taxa de hemoglobina glicada ideal para pacientes em tratamento deve estar abaixo de 7%. Esse índice é tido como meta mundial de controle do diabetes por diversas sociedades e instituições vinculadas à doença.

“O trabalho mostra que 75% dos pacientes analisados estão com controle glicêmico inadequado, ou seja, com taxa de hemoglobina glicada superior a 7%”, disse Edson Duarte Moreira Jr., chefe do Laboratório de Epidemiologia Molecular e Bioestatística do CPqGM e coordenador do trabalho.

Os resultados também foram analisados de acordo com o tipo de diabetes: pacientes com diabetes insulino-dependente (tipo 1) e pacientes com diabetes não insulino-dependente (tipo 2) apresentaram taxa de controle glicêmico inadequado de 89,6% e 73,2%, respectivamente.

Dos pacientes analisados – que tinham idades entre 18 e 98 anos, sendo 66% do sexo feminino e 34% do masculino –, 979 (15%) sofriam de diabetes tipo 1 e 5.692 (85%), do tipo 2.

“Essa amostra reflete a incidência nacional dos casos. Mais de 90% dos pacientes brasileiros sofrem de diabetes do tipo 2, que normalmente começa depois dos 40 anos e tem forte relação com o histórico familiar e com a obesidade”, afirmou Moreira Jr.

Segundo Moreira Jr., que também é coordenador do Centro de Pesquisa Clínica da Fundação Irmã Dulce, em Salvador, um dos fatores mais preocupantes no estudo é que até mesmo pacientes que cumprem rigorosamente a medicação e as orientações médicas estão com taxas de hemoglobina glicada altas.

O trabalho comparou dados de prevalência de controle glicêmico inadequado em nove países. O Brasil apresentou o segundo maior índice (75%), à frente apenas da Tunísia. França (34%), Alemanha (40%), Holanda (42%) e Canadá (49%) foram os países com os melhores controles.

Artigos científicos com outros resultados do estudo da Fiocruz e Unifesp, intitulado Pesquisa sobre a epidemiologia do diabetes no Brasil: Grau de controle glicêmico e complicações, estão sendo elaborados para publicação em revistas científicas nacionais e do exterior.

Fonte: Agência Fapesp

Comportamento alimentar em moradia estudantil: um espaço para promoção da saúde

Direto para o bandejão
De um universo de 253 residências de moradia estudantil em Campinas, no interior paulista, as pesquisadoras da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Hayda Alves e Maria Cristina Boog selecionaram uma amostra de cem estudantes de graduação e pós-graduação, com idades entre 19 e 39 anos, para um estudo de comportamento alimentar.

Dos entrevistados, 30% não tomavam café da manhã, 72% faziam refeição completa na hora do almoço e 36% tiveram jantar completo. Considerando as três refeições, a de melhor qualidade foi o almoço, sendo que 63% dos entrevistados almoçavam no restaurante universitário.

“Os dados comprovam que, de maneira geral, os restaurantes universitários representam uma forma de garantir a segurança alimentar dos estudantes“, disse Maria Cristina Boog, professora do Departamento de Enfermagem da FCM e coordenadora do trabalho. “Em contrapartida, 30% dos indivíduos afirmaram não fazer desjejum antes de sair de casa, o que constituiu um comportamento preocupante do ponto de vista nutricional.”

O trabalho, publicado na edição de abril da Revista de Saúde Pública, foi realizado a partir de entrevistas sobre o recordatório alimentar nas 24 horas anteriores, incluindo questões abertas sobre o sistema de compra de alimentos.

Outro dado que chamou a atenção é que 48% dos entrevistados não comeram fruta e 39% não ingeriram leite. “O leite é um alimento de necessidade básica e as frutas previnem várias doenças. Esse dado mostra a necessidade de orientação a esses estudantes por parte dos serviços de saúde das universidades”, conta Maria Cristina.

Segundo o trabalho, o café da manhã é a refeição mais negligenciada e o jantar está cada vez mais cedendo lugar ao lanche. Em média, 60% dos alunos não realizam as três refeições diárias.

Cerca de 69% dos indivíduos entrevistados apresentaram comportamento alimentar individual no que se refere à compra de alimentos. Pão, bolacha e macarrão foram alimentos comprados com maior freqüência, enquanto ovos, carnes e frutas foram os menos adquiridos.

Dos estudantes entrevistados, 43% disseram que comer em companhia de outras pessoas altera a alimentação de modo positivo. “Segundo eles, a refeição fica mais completa quando os alimentos são preparados em grupo. Esse comportamento coletivo é importante tanto para melhorar a qualidade da alimentação como para estimular a própria integração social entre os membros de moradias estudantis”, disse Maria Cristina.

Para ler o artigo Comportamento alimentar em moradia estudantil: um espaço para promoção da saúde, disponível na biblioteca eletrônica SciELO (FAPESP/Bireme), clique aqui

Fonte: Thiago Romero / Agência FAPESP – 15/05/2007