sábado, 21 de abril de 2007

Estresse oxidativo no interior das mitocôndrias

Um grupo de pesquisadores do Departamento de Patologia Clínica da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) concluiu a primeira fase de um estudo que tem como objetivo entender a ocorrência de um fenômeno responsável pelo entupimento de vasos sangüíneos pelo colesterol: o estresse oxidativo no interior das mitocôndrias. O resultado pode levar ao desenvolvimento de medicamentos que combatam processos causadores do colesterol elevado.

O médico bioquímico Anibal Vercesi, coordenador da pesquisa, estuda há 30 anos a mitocôndria, organela celular responsável pela energia necessária para o funcionamento do corpo humano. O pesquisador, cujos estudos anteriores ajudaram a entender como a mitocôndria pode desencadear a morte celular, é conhecido no meio acadêmico pelo grande número de citações recebidas pelos artigos que publicou: mais de 5,5 mil.

Iniciada em 2004, com apoio da FAPESP na modalidade Projeto Temático, a primeira fase da pesquisa sobre a mitocôndria procurou compreender os efeitos causados por um “produto colateral” da respiração celular, o oxigênio reativo. A segunda etapa começou este mês.

Os cientistas utilizaram camundongos geneticamente modificados, desprovidos da capacidade de captar o colesterol do sangue. Para sintetizar o próprio colesterol, as células usam uma enzima antioxidante e acabam levando ao surgimento dos radicais livres. Esses, por sua vez, interagem com o colesterol que deixou de ser captado pela célula, potencializando o problema. Em contato com o radical, o colesterol cola na parede do vaso sangüíneo.

A mitocôndria é uma organela celular que, com o uso do oxigênio da respiração, converte a energia dos alimentos em energia química (ATP), vital às atividades celulares. Uma pequena parte do oxigênio que inspiramos se transforma, na cadeia respiratória da mitocôndria, em oxigênio reativo, um tipo de radical livre.

Vercesi explica que uma das causas da formação do radical livre é o alto nível de oxigênio no interior da célula, sinal de que a mitocôndria não está gastando o elemento na produção de energia, o que é comum em pessoas sedentárias. Para combater esse radical, a mitocôndria utiliza dois átomos de hidrogênio cedidos por uma coenzima, a NADPH2. A reação química transforma o oxigênio reativo em água.

“Mas células com deficiência na absorção do colesterol precisam produzi-lo para satisfazer suas necessidades internas”, disse o cientista. Para isso, usam como matéria-prima boa parte do estoque de NADPH2. Na falta do precioso hidrogênio antioxidante, os radicais de oxigênio ficam livres para reagir com o que encontram pela frente, inclusive com o colesterol que não foi absorvido pela célula.

A reação do radical livre potencializa a deposição de placas de colesterol nas paredes do vaso. “O vaso sangüíneo lesado se assemelha a um cano todo enferrujado por dentro”, comparou Vercesi. A obstrução da passagem de sangue nos vasos pode ocasionar problemas como isquemias e infarto do miocárdio.

Para entender o processo de aterogênese – a instalação da aterosclerose – a equipe utilizou camundongos modificados geneticamente, incapazes de captar o colesterol do sangue. Segundo Vercesi, o mesmo problema é comum em humanos com colesterol alto.

Outra etapa do estudo analisou os efeitos de altas taxas de triglicérides no organismo. Foi observado em camundongos com níveis elevados dessa gordura na corrente sangüínea um aumento na temperatura corporal e no ritmo da respiração, sinal da atividade da mitocôndria.

“Os animais comiam bastante e não engordavam”, disse Vercesi. Isso teria ocorrido devido à ativação de mecanismos presentes na membrana da mitocôndria, os canais de potássio. “Esses canais funcionam como dissipadores de energia”, resumiu.

Ao ser acionado, o canal permite a entrada de potássio de carga positiva (K+) para o interior da mitocôndria, reduzindo o potencial elétrico utilizado na fabricação do ATP. Com isso, a mitocôndria precisa de mais oxigênio e alimento para transformar em ATP.

A mitocôndria se desregula propositalmente, esvaindo potencial elétrico com a entrada do K+ para queimar mais combustível, o excesso de triglicérides. Gastando mais combustível, os camundongos não engordavam.

A equipe estuda agora a possibilidade de o canal funcionar também como um inibidor da produção de oxigênio reativo, ao induzir o aumento do trabalho da mitocôndria. Esse trabalho pode levar ao desenvolvimento de medicamentos que estimulem a respiração celular.

Fonte: Agência Fapesp

Publicação "MNR Quantum Information Processing" aborda processo de informação quântica

A utilização da ressonância magnética nuclear para o funcionamento dos computadores quânticos é o tema do livro "MNR Quantum Information Processing", escrito por cinco cientistas brasileiros, que a editora holandesa Elsevier acaba de publicar.

Roberto Sarthour e Ivan dos Santos Oliveira, pesquisadores do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), unidade vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, assinam a publicação juntamente com Jair Freitas, da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), e Tito Bonagamba, da Universidade de São Paulo (USP).

Segundo Oliveira, em um computador clássico, as informações são processadas e lidas através de seqüências de bits (unidades de informação) que podem assumir os valores zero ou um. No chamado computador quântico saem os bits e entram em cena os q-bits, que podem assumir simultaneamente os valores zero e um, o que faz com que o processamento se torne muito mais rápido.

A publicação trata, em 7 capítulos, de temas relacionados à física, à informação e à computação, técnica de ressonância magnética, os fundamentos da computação e da informação quânticos, a implementação do computador quântico via ressonância magnética nuclear.

Como ainda não foi lançado no Brasil, o livro pode ser adquirido através da página da editora.

Fonte: Agência CT

CNPq abre inscrições para prêmio em iniciação científica

Estão abertas as inscrições para o 5º Prêmio Destaque do Ano na Iniciação Científica. Uma parceria entre o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCT), o British Council e a Eletrobrás, o prêmio é destinado a bolsistas de Iniciação Científica do CNPq e instituições participantes do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic).

O prêmio é atribuído em três categorias: Ciências Exatas, da Terra e Engenharias; Ciências da Vida; e Ciências Humanas e Sociais, Letras e Artes, sendo agraciado um estudante de cada categoria. Os vencedores receberão quantia, em dinheiro, equivalente a 12 meses de bolsas de IC; uma bolsa de mestrado para estudantes que estejam em final de curso e passagem e hospedagem para permitir a participação dos agraciados na reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) de 2008.

O agraciado na categoria Ciências Exatas, da Terra e Engenharias ganhará, também, uma viagem ao Reino Unido, patrocinada pela British Council, para visitar centros de excelência. Desde o ano passado, essa premiação é concedida a uma das categorias, em sistema de rodízio.

Podem concorrer ao prêmio bolsistas de iniciação científica do CNPq, com pelo menos 12 meses de bolsa. Na categoria Mérito Institucional, poderão concorrer as instituições que participam do Pibic e que possuem bolsistas concorrendo ao prêmio.

As inscrições podem ser feitas individualmente pelo bolsista, até o dia 20 de agosto nas Pró-Reitorias de Pesquisa e Pós-Graduação ou órgão similar de sua instituição. A ficha de inscrição está disponível aqui.

As instituições deverão encaminhar ao CNPq, também pelo endereço eletrônico, até 11 de setembro, os três melhores relatórios dos bolsistas de IC, um para cada grande área do conhecimento.

Os resultados serão divulgados até 28 de setembro. A cerimônia de entrega do Prêmio será realizada durante as comemorações da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, de 1º a 7 de outubro deste ano, em Brasília.

Fonte: CNPq

Mudas de cana livres de patógenos são distribuídas no Nordeste

O programa consiste na produção e distribuição, no período de quatro anos, de 60 milhões de mudas de cana-de-açúcar micropropagadas na Biofábrica Governador Miguel Arraes, pertencente ao Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (Cetene).

Os pesquisadores do Cetene querem fornecer ao setor privado cana-semente sadia, livre de patógenos que provocam doenças comuns, para aumentar a produtividade dos pequenos e médios produtores do setor sucroalcooleiro. A idéia é formar parcerias com a iniciativa privada nos estados que são maiores produtores de cana-de-açúcar no Nordeste.

O projeto vai permitir que pequenos e médios fornecedores tenham acesso ao mesmo material genético hoje disponível para as maiores usinas da região.

Alta produtividade
O trabalho da biofábrica consiste na micropropagação de materiais genéticos de alta produtividade tratados termicamente para a eliminação de patógenos. Com a técnica, é possível aumentar em até 30% o potencial produtivo da cultura, desde que associada à utilização de variedades mais produtivas e a um adequado uso de técnicas de cultivo e insumo.

O Cetene utilizará as variedades da Ridesa para a produção de cana-semente. As plantas matrizes serão obtidas nas estações experimentais da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), em Carpina (PE), e da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), que integram a Ridesa.

Cada 15 mil mudas micropropagadas plantadas (viveiro primário) em um hectare dão origem a rebolos (ou canas-semente) suficientes para plantar 10 hectares e, em plantios secundários, 80 hectares de plantios renovados. Assim, como resultados do projeto, os técnicos esperam que 60 milhões de mudas produzam 4 mil hectares de viveiro primário e 40 mil hectares de viveiro secundário.

Essas plantas possibilitarão a renovação de até 320 mil hectares de cana-de-açúcar, entre 2009 e 2012, o que representa mais de 30% de toda a cana cultivada na região.

O projeto prevê que as mudas produzidas pela Biofábrica Governador Miguel Arraes e já aclimatadas sejam distribuídas gratuitamente com os assentamentos da reforma agrária que produzam cana-de-açúcar e com fornecedores de até 2 mil toneladas/ano.

Para os fornecedores de 2 a 10 mil t/ano, a contribuição para o programa seria de R$ 0,10 por muda. Entre 10 e 50 mil t/ano, R$ 0,15/muda e entre 50 e 100 mil t/ano R$ 0,20/muda e, acima disso, R$ 0,25/muda.

Para o fornecedor de até 2 mil toneladas não haverá aumento de custos de plantio. Já para o estrato entre 2 e 10 mil t/ano, o plantio com a utilização de canas de meristema representa cerca de 30% de acréscimo de custos apenas no viveiro primário. Entre 10 e 50 mil t/ano, o acréscimo representa 50% e, para os grandes produtores, 75%. Os custos dos viveiros secundários são idênticos aos do plantio comercial.

Fonte: Agência CT

Programa Cultura e Pensamento

O Programa Cultura e Pensamento, realizado pelo Ministério da Cultura, apoiará, com verba total de R$ 1 milhão, projetos de debates e discussão. Lançado nacionalmente, o programa tem inscrições abertas até o dia 15 de junho.

A iniciativa, que conta com o patrocínio da Petrobras e da coordenação da Fundação de Apoio à Pesquisa e à Extensão (Fapex), é voltada para iniciativas que objetivam o debate crítico e a circulação de idéias, segundo os realizadores.

Os editais são destinados a pesquisadores, pensadores da cultura, artistas, acadêmicos, intelectuais e formadores de opinião.

O Ministério da Educação (MEC), a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), o Serviço Social do Comércio de São Paulo (Sesc-SP) e a TVE-Bahia são os co-realizadores do programa.

Projetos em três modalidades serão apoiados na edição atual:

Quatro projetos de ciclos de debates presenciais, para cada um dos quais será destinado até R$ 180 mil;
Seis projetos de debates em periódicos impressos, para cada um dos quais será destinado até R$ 30 mil;
Cinco projetos de debates em periódicos eletrônicos, para cada um dos quais será destinado até R$ 15 mil.

Na edição de 2007, o Cultura e Pensamento abre a possibilidade de propostas em temáticas de livre escolha, além de sugerir linhas temáticas para orientar a seleção pública:

Biopolítica e tecnologias: padrões contemporâneos de emancipação, propriedade, poder e controle;
Populações e territórios: o global, o nacional e o local no agenciamento de identidades e na diversificação da cultura;
Lógicas e alternativas para as dinâmicas culturais no centro da economia e da sociedade;
Temática de livre escolha, com temas relevantes para a sociedade.

Mais informações: www.cultura.gov.br/culturaepensamento.

Fonte: Agência FAPESP