sábado, 7 de abril de 2007

Organismos internacionais reforçarão ações da Embrapa na África

Um dos mais importantes organismos internacionais de fomento a programas de promoção para o desenvolvimento de populações rurais pobres, o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) dará apoio financeiro às ações da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa África, Acra-Gana) no continente africano, com a dotação a fundo perdido de até US$ 10 milhões.

Pelo menos duas propostas de cooperação já contam com o interesse do FIDA e uma outra da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), informa o consultor da Área de Relações Internacionais (ARI) da Embrapa, Roberto Castelo Branco.

Segundo Castelo Branco, nos próximos dois a três meses a Embrapa deverá apresentar à Divisão Técnica do FIDA - organismo que atua como um banco, concedendo empréstimos orientados para beneficiar projetos às necessidades de pequenos agricultores - uma proposta de "grant" a ser incluída no orçamento de 2008 (já que para este ano não há mais condições).

Com o teto de U$ 10 milhões, o documento definirá quais as atividades de cooperação e transferência de tecnologia serão desenvolvidas pela Embrapa África. O repasse do recurso ocorrerá ao longo de cinco anos, conforme a execução de cada etapa do projeto.

Além dessa boa notícia, ele também adianta uma outra relacionada ao FIDA: projetos em andamento poderão ter serviços e atividades terceirizadas à Embrapa. Este tema ainda será fechado nos próximos dias, quando gerentes de operações do FIDA e representantes da Empresa se reunirão na sede do fundo, em Roma, para avaliar as áreas de atuação (quais países e projetos). Em ambos os casos o apoio financeiro do fundo é de importância à operacionalização do escritório da Embrapa África, mesmo porque, por se tratar de uma empresa governamental e por operar administrativamente por meio do Sistema do Grupo Consultivo de Pesquisa Agropecuária Internacional (CGIAR), não há empecilhos administrativos e tampouco institucionais para colocar em prática essa cooperação.

Apoio a políticas agrárias
Outra fonte para fortalecer a atuação da Embrapa África são os projetos de cooperação técnica (PCTs) com países de língua portuguesa e Guiné Equatorial. A solicitação de PCTs na ordem de US$ 400 mil destinados a demandas para agropecuária e para capacitar os beneficiários na determinação de políticas agrárias estratégicas será encaminhada a FAO.

O consultor, no entanto, esclarece que os procedimentos com essa organização requerem uma formalização. Assim, a proposta é de incluir no Acordo Quadro entre Brasil e FAO, a ser assinado em julho, um parágrafo a respeito dessa cooperação. “A Representação do Brasil junto a FAO está encarregada da condução deste processo”, diz o especialista.

Esta etapa das negociações com os dois organismos internacionais se encerrou nesta semana, em Roma, e foi conduzida pelo consultor da ARI e pelo pesquisador Cláudio Bragantini, coordenador do escritório na África.

Fonte: Embrapa

Guaraná no combate ao câncer

O guaraná pode ser uma arma contra o câncer por retardar o desenvolvimento de tumores, impedindo a proliferação das células cancerosas. É o que sugere pesquisa desenvolvida na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP. O médico veterinário Heidge Fukumasu vem investigando os efeitos quimiopreventivos da semente em camundongos desde 2001 e os resultados mais recentes mostram que a expectativa de sobrevida dos animais tratados aumenta de forma significativa.

Além disso, o processo de desenvolvimento do câncer torna-se quase 55% menos agressivo com a presença de guaraná.

A quimioprevenção do câncer pode ter efeitos sobre o aparecimento do tumor, impedindo-o, ou sobre seu desenvolvimento, retardando-o. Nos experimentos iniciais, que Heidge realizou quando as pesquisas ainda faziam parte da sua Iniciação Científica, ele identificou que o tratamento com guaraná diminuía as lesões causadas pelo desenvolvimento de câncer em fígado. Em seu projeto de mestrado, o médico veterinário identificou efeitos preventivos do guaraná, mas não sabia como ocorria essa interferência. Esclarecer esse ponto é um dos objetivos dos novos estudos, que compõem agora seu doutorado.

Metodologia
Os resultados mais recentes tratam dos experimentos feitos com o uso do guaraná sobre uma linhagem de tumor de mama de camundongo (tumor de Ehrlich). A idéia era comparar o tempo de sobrevida de animais tratados e não-tratados, e quantificar as células tumorais. Para isso, Heidge realizou dois experimentos, nas mesmas condições, com dois grupos de 10 camundongos em cada.

Os animais do grupo experimental foram tratados por 7 dias com guaraná antes da injeção das células cancerosas, e por mais 14 dias após a indução do câncer. O grupo controle recebeu apenas água. No primeiro experimento, os camundongos foram tratados com 3 doses de guaraná para definir qual seria a melhor - no caso, 2 gramas de guaraná por quilograma (g/kg) de peso. O outro teste buscava saber se a planta poderia aumentar a sobrevida dos animais com tumor.

Efeitos
Apesar de se saber que a ação do guaraná sobre o câncer é positiva, faltava conhecer melhor o efeito da planta sobre as células tumorais. Para isso, Heidge sacrificou os animais 14 dias depois da indução do câncer e quantificou as células. Os resultados mostram que o guaraná retardou o desenvolvimento do tumor.

Apesar de o número de células ter aumentado em relação ao que foi injetado, a quantidade encontrada nos camundongos tratados foi 54% menor que no grupo controle. “O guaraná manteve algumas células cancerosas numa espécie de estado ‘vegetativo’, pois impediu que as células iniciassem o processo de proliferação”, explica. “Em outras que já haviam iniciado esse processo, o guaraná atuou atrapalhando o processo de mitose e a separação celular”.

Enquanto os camundongos que não receberam a substância quimiopreventiva viveram por 21 dias após a injeção das células tumorais, os animais tratados com guaraná tiveram uma expectativa de vida média de 24 dias. “Essa é uma diferença significativa, pois um aumento de 12,5% na sobrevida de uma pessoa é um resultado muito interessante para pacientes com câncer”, afirma o pesquisador.

Além disso, o volume do abdômen dos camundongos tratados foi 45% menor que no grupo controle. O processo inflamatório desencadeado pela presença de um corpo estranho (no caso, as células tumorais) provoca inchaço da região abdominal, onde o câncer se desenvolve.

Esse processo é marcado também pelo extravasamento de hemácias (glóbulos vermelhos do sangue), já que os vasos ficam mais dilatados e danificados quanto maior é o número de células inflamatórias atuando contra a presença das cancerosas. Medir o nível de hemorragia é uma forma de atestar a agressividade desse tipo de tumor.

A quimioprevenção realizada na pesquisa resultou num câncer 87% menos agressivo quanto a esse aspecto nos camundongos tratados, em relação aos que compuseram o grupo controle. “Nos animais que receberam guaraná, o grau de hemorragia ficou entre 0 e 1, enquanto no grupo controle atingiu-se os níveis 2 e 3”, aponta Heidge.

Próximos passos
Agora que se sabe como o guaraná atua sobre as células tumorais, os próximos passos dos estudos de Heidge se concentrarão em descobrir porque a substância promove a menor proliferação. “Queremos descobrir onde o guaraná atua nas células cancerosas, quais as proteínas e vias metabólicas envolvidas”, planeja.

Fonte: Agência USP

Patente de zeólita aprovada

O Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) aprovou o pedido de patente de invenção da tecnologia de concentração e enriquecimento do mineral zeólita.

A pesquisa foi realizada pela Embrapa Solos e a Embrapa Pecuária Sudeste em conjunto com o Centro de Tecnologia Mineral (CETEM), a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A patente, requerida em setembro de 2005, foi intitulada: “Composição Mineral Zeolítica, Processos de Modificação e Utilização”.

A pesquisa possibilita que o zeólita seja usado como fertilizante de liberação lenta. Este tipo de fertilizante reduz o número de adubações feitas durante um ciclo da cultura, reduzindo assim os custos de produção e a poluição dos solos, sendo um fertilizante ecológico. O produto libera os nutrientes gradativamente na medida da necessidade de cada cultura. Testes com milho e tomate comprovaram um aumento de até 20% na produtividade.

A Embrapa Solos busca agora transferir esta tecnologia para empresas produtoras de fertilizantes. Os autores do trabalho são os pesquisadores Alberto Bernardi (Embrapa Solos), Mariza Bezerra de M. Monte (CETEM), Paulo Renato Perdigão Paiva (CETEM) e Hélio Salim (CPRM).

Fonte: Embrapa Solos

Estudo comparativo experimental de compósito bioativo de matriz polimérica para aplicação em cirurgia plástica ocular na substituição tecidual

Experimental comparative study of bioactive composite with polymeric matrix for applications to oculoplastic surgery for tissue replacement

Voltar a sorrir
Pesquisadores do Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Materiais da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte, desenvolveram um novo composto bioativo para reconstituir partes do rosto comprometidas por acidentes ou doenças.

A grande vantagem do material, formado por polietileno e partículas de fosfato de cálcio, é a fácil manipulação em laboratório de suas propriedades de rigidez e de maleabilidade, o que permite moldagem de acordo com curvas do esqueleto facial.

“A formulação ideal da prótese, desenvolvida a partir de uma matriz de polietileno com material bioativo a 10%, pode ser utilizada na região maxilo-facial em substituição a cartilagens, tecidos moles e até a alguns ossos de regiões próximas aos olhos, suprindo a demanda estética e funcional”, disse Rodrigo Lambert Oréfice, coordenador do trabalho.

Como muitos acidentes faciais acarretam problemas de visão, uma das principais funções do novo material é restaurar o equilíbrio da região ocular. “A prótese não influencia a parte funcional do olho, mas oferece as bases de sustentação do globo ocular para que a visão seja restabelecida”, explicou Oréfice.

Segundo o pesquisador, atualmente próteses similares são importadas por clínicas públicas e particulares no Brasil. Pelo fato de serem feitas basicamente de polietileno, além do alto custo, elas apresentam problemas de adesão por serem mais rígidas e quebradiças.

“Os deslocamentos por falta de fixação ao tecido da região ocular representam um problema freqüente nos materiais importados. Por isso, o foco do nosso trabalho foi estudar materiais que permitissem ao cirurgião a oportunidade de esculpir a forma desejada de acordo com o perfil do rosto do paciente”, disse.

Na Escola de Engenharia da UFMG, o material foi submetido a testes laboratoriais de força e pressão e também foi implantado em coelhos. Os resultados positivos permitiram que o Comitê de Ética e Pesquisa em Seres Humanos da UFMG aprovasse o início dos testes clínicos.

Rostos reconstituídos
Desde o início de 2005, sete pacientes que sofreram danos em partes ósseas da face foram operados no Departamento de Plástica Ocular do Hospital São Geraldo, com resultados considerados promissores. Ainda não foi verificado nenhum caso de rejeição, que pode ocorrer em até dez anos depois do implante.

“Apesar desse prazo mais longo, boa parte dos casos de perda dos implantes ocorre bem antes de dez anos. Os médicos normalmente identificam problemas com os materiais em poucos meses. Ou seja, temos um bom sinal só pelo fato de o novo biomaterial já ter agüentado cerca de dois anos após a implantação nos pacientes”, disse Oréfice.

Os estudos clínicos são coordenados por Clarissa Leite Turrer, médica especialista em cirurgia plástica craniomaxilofacial, e por Ana Rosa Pimentel de Figueiredo, chefe do setor de Cirurgia Plástica Ocular do Hospital das Clínicas da UFMG. O novo material ainda não está disponível comercialmente e também não há estimativa de custo.

Os resultados da pesquisa que deu origem ao compósito foram publicados nos Arquivos Brasileiros de Oftalmologia. Para ler o artigo Estudo comparativo experimental de compósito bioativo de matriz polimérica para aplicação em cirurgia plástica ocular na substituição tecidual, disponível em pdf na biblioteca on-line SciELO, clique aqui.

Fonte: Thiago Romero / Agência FAPESP - 17/04/2007