sábado, 31 de março de 2007

Fatores dietéticos e câncer oral: estudo caso-controle na Região Metropolitana de São Paulo, Brasil

Dietary factors and oral cancer: a case-control study in Greater Metropolitan São Paulo, Brazil

Arroz com Feijão reduz risco de doenças
Principal combinação nas refeições brasileiras, o bom e velho arroz com feijão pode ter associação com a redução no risco de adquirir câncer oral, doença que responde por quase 3% de todos os tumores malignos no Brasil, de acordo com estudo conduzido na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP).

O trabalho, publicado na edição de março da revista Cadernos de Saúde Pública, investigou as associações entre a doença e a dieta de 835 habitantes da capital paulista, sendo 366 pacientes com câncer oral e 469 indivíduos sem histórico da doença.

Os dados do trabalho foram extraídos de um inquérito de hábitos alimentares para investigação do câncer oral, realizado no Brasil pela International Agency for Research on Cancer (Iarc) entre 1998 e 2002. O questionário foi composto por 27 alimentos, sendo que para cada um foi estabelecida uma porção usual de consumo.

Os dados do inquérito foram trabalhados levando em conta medidas de probabilidade e risco da doença. Segundo a coordenadora do trabalho, a nutricionista Dirce Maria Marchioni, a pesquisa constatou uma tendência significativa de diminuição do risco de câncer oral com o aumento do consumo de arroz e feijão.

Apesar de os pesquisadores desconhecerem as causas que poderiam explicar a proteção contra o câncer oral, uma suspeita são os baixos teores de gorduras saturadas e de colesterol desses alimentos. Quando consumidos juntos, o arroz e o feijão fornecem altos índices de proteínas, fibras e açúcares que poderiam contribuir para a redução do risco.

Quando comparados às pessoas do grupo controle, sem câncer oral, os indivíduos com a doença relataram, em geral, consumo menor de arroz, feijão, massas, vegetais crus e saladas.

A professora da Faculdade de Saúde Pública da USP ressalta que os resultados do trabalho devem ser encarados como hipóteses que representam a situação específica das 835 pessoas analisadas.

Segundo Dirce, o trabalho não verificou associações entre o câncer oral e o consumo de carne vermelha ou branca. Por outro lado, o consumo de ovos e batata teve associação estatisticamente significativa com a prevalência da doença.

O inquérito da Iarc incluiu também perguntas sobre cigarros e bebidas alcoólicas, cujo consumo foi mais freqüente entre os pacientes com câncer oral.

Para ler o artigo Fatores dietéticos e câncer oral: estudo caso-controle na região metropolitana de São Paulo, disponível na biblioteca eletrônica SciELO (FAPESP/Bireme), clique aqui.

Fonte: Thiago Romero / Agência Fapesp - 31/03/2007

Parque tecnológico de biotecnologia e agronegócios do DF

Foi lançado, no dia 15/03, na sede da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília (DF), o projeto de implementação do Parque Tecnológico Sucupira de Biotecnologia e Agronegócios. O projeto, da Embrapa, será construído no campus da Universidade de Brasília (UnB) e deve ser concluído até o final de 2008. Além da UnB e da Embrapa, os ministérios da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), da Ciência e Tecnologia (MCT) e o governo do Distrito Federal são parceiros no empreendimento.

De acordo com informações da UnB, Timothy Mulholland, reitor da universidade, lembrou, durante a cerimônia de lançamento do projeto, que há cinco anos o Centro de Desenvolvimento Tecnológico (CDT) discute o projeto com a Embrapa. Para ele, a parceria representa a união do conhecimento acadêmico com as pesquisas tecnológicas.

Já está acertado que a UnB terá uma incubadora instalada no parque, para que professores e alunos desenvolvam pesquisas e novos empreendimentos tecnológicos.
Segundo José Manuel Cabral, chefe da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, o objetivo é transformar o potencial de alunos e pesquisadores em empregos e negócios que trarão maior desenvolvimento para a região Centro-Oeste. O foco é atrair investimentos de empresas que atuam em setores como, agricultura, pecuária, alimentação, química, farmácia, medicamentos, meio ambiente e informática.

O secretário de Estado de Ciência e Tecnologia do DF, Izalci Lucas, também esteve presente no lançamento. Lucas ratificou a importância do projeto para a capital. Segundo ele, o Distrito Federal possui muitos pesquisadores, mas ainda é preciso transformar esse conhecimento em empregos e qualidade de vida.

Inicialmente, o projeto recebeu recursos na ordem de R$ 1 milhão do Fundo Setorial do Agronegócio (CT-Agro), do MCT, para a realização de estudos de impactos ambientais e urbanísticos.

Parques Tecnológicos
Parques Tecnológicos são áreas geralmente ligadas a um centro de ensino ou pesquisa, com infra-estrutura necessária para instalação de empresas produtivas baseadas em pesquisa e desenvolvimento tecnológico. Muitos desses parques também têm o compromisso com a preservação do meio ambiente e com a melhoria da qualidade de vida da população local. No Brasil, existem atualmente 25 parques do tipo.

Fonte: Gestão CT

Técnicos da União Européia encerram missão de inspeção ao Brasil

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) divulgou no dia 29, em seu site, que a União Européia encerrou sua missão técnica ao Brasil. Durante 14 dias, um grupo composto por integrantes do Escritório Alimentício e Veterinário (FVO), avaliou as condições de saúde e de rastreabilidade da carne bovina nos Estados de Santa Catarina, São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso. Representantes da Secretaria de Defesa Animal do ministério receberam, na tarde de ontem, as conclusões preliminares da inspeção.

Dentro de 20 dias, a União Européia apresentará um relatório final sobre a visita ao Brasil. De acordo com o diretor do Departamento de Saúde Animal (DSA) do Mapa, Jamil Gomes de Souza, o documento deverá contar com recomendações de mudanças nos serviços brasileiros, a exemplo do que já foi feito em relatórios anteriores. No entanto, ele ressalta que nenhuma falha relatada na reunião é grave o suficiente para alterar o status das exportações à União Européia.

De acordo com informações divulgadas pelo ministério, hoje o bloco europeu é o principal mercado para a carne brasileira. Em 2006, o Brasil exportou 224 mil toneladas de carne bovina in natura, que somaram US$ 1 bilhão aos 25 países do grupo.

Fonte : Gestão CT

Bioware - Resíduos Orgânicos para gerar energia

A Bioware se graduou na Incubadora de Empresas de Base Tecnológica da Unicamp (Incamp) em junho de 2005 e desenvolve tecnologias para aproveitar resíduos orgânicos como fonte de energia. A principal aposta da Bioware é o bioóleo, produto obtido a partir de diversos resíduos — entre eles, a palha da cana-de-açúcar — e que pode ser usado como insumo na indústria química, como combustível em alguns tipos de sistemas de geração e máquinas térmicas e como substituto do fenol petroquímico em resinas fenólicas, entre outras aplicações. O bioóleo foi tema da tese de doutorado que José Dilcio Rocha, um dos dois sócios da empresa, defendeu na Faculdade de Engenharia Mecânica (FEM) da Unicamp em 1997. Em seguida, ele fez pós-doutorado no Laboratório Nacional de Energia Renovável dos Estados Unidos.

A Bioware monta plantas-piloto para desenvolver suas tecnologias. Além do bioóleo, a empresa sabe fabricar, entre outros produtos, pequenos tijolinhos feitos de resíduos como a serragem, que podem ser queimados no lugar do carvão. Os maiores chamam-se briquetes e os menores, pellets. Para cada tecnologia, os sócios querem oferecer aos clientes um pacote completo, que inclui processo de produção, projeto para utilizá-lo em escala industrial, cálculos do investimento a ser feito, equipamentos necessários — fabricados por companhias parceiras —, consultoria e todos os serviços. Por isso, as plantas-piloto são uma importante vitrine.

Até agora, as vendas da Bioware têm sido de serviços menores, mas os sócios estão confiantes: esperam faturar entre R$ 250 mil e R$ 300 mil em 2006, e acreditam que atingirão a meta. Os clientes potenciais são pequenas e médias empresas e prefeituras interessadas em aproveitar algum tipo de resíduo na geração de energia. Durante sua permanência na Incamp, a Bioware recebeu dinheiro de agências de fomento, mas não teve faturamento.

As agências são a maior fonte de recursos para a Bioware agregar pessoal. Segundo o engenheiro químico Juan Miguel Mesa Pérez, o outro sócio da empresa e também doutor pela Unicamp, os financiamentos que elas concedem têm a vantagem de ser a fundo perdido — e "em quantidade quase igual à do investimento que alguém faria e cobraria o retorno no curto prazo".

A maioria dos 15 profissionais ligados à Bioware recebe bolsa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) — de fomento tecnológico ou do Programa de Recursos Humanos para Atividades Estratégicas (RHAE). A empresa conta ainda com a colaboração de um doutor, remunerado pelo Programa Inovação Tecnológica em Pequenas Empresas (Pipe) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), e de três alunos de pós-graduação da Unicamp. Dois deles fazem mestrado em planejamento energético e o outro está no doutorado da Faculdade de Engenharia Agrícola (Feagri).

O doutor remunerado pelo Pipe participa de um projeto da segunda fase do programa, cujo valor gira em torno de R$ 320 mil. O projeto é sobre o processo de briquetagem e torrefação de resíduos. Isso significa formar briquetes por meio da compactação de resíduos como a serragem, e em seguida tratá-los termicamente para que fiquem torrados. A vantagem dos briquetes em relação ao carvão está no aproveitamento de resíduos como matéria-prima, o que evita o corte de árvores.

A Bioware aguarda o julgamento de mais dois projetos dentro Pipe, um para a fase I e outro para a fase II. O da fase II pretende melhorar o processo de produção do bioóleo e ampliar a planta-piloto, hoje capaz de processar 200 quilos de resíduos por hora. O bioóleo resulta da condensação do vapor gerado pelo aquecimento dos resíduos. Juan Pérez explica que o produto possui uma série de compostos e, como o petróleo, precisa ser refinado. A empresa quer, com o projeto, colocar os equipamentos necessários na planta-piloto para transformar parte do bioóleo em um combustível similar ao biodiesel.

A planta-piloto de bioóleo entrou em funcionamento em 1999. Operou em uma usina de cana-de-açúcar em Piracicaba (SP), mas atualmente está desmontada. Os sócios planejam instalá-la em Nova Odessa, na Região Metropolitana de Campinas, ou em alguma usina. Para as usinas seria interessante ter uma planta industrial de bioóleo, pois a palha da cana, normalmente descartada, poderia ser aproveitada. Dilcio calcula que uma planta capaz de processar uma tonelada por hora custaria R$ 2 milhões.

Ainda em relação ao bioóleo, a Bioware espera a aprovação da segunda fase de um projeto financiado pelo Ministério de Minas e Energia para melhorar o trabalho da planta-piloto, acumular horas de operação, ampliá-la para produzir aditivo de petróleo e biodiesel de biomassa, realizar testes de mercado etc. Na primeira fase, o valor do financiamento foi de aproximadamente R$ 400 mil. A segunda fase foi orçada em cerca de R$ 700 mil.

Em 1998, antes da formação da Bioware, a Unicamp requereu a patente intitulada "Bioóleo para emprego como fonte de insumos para a indústria química e método para sua obtenção". De autoria do próprio Dilcio e do professor Carlos Alberto Luengo, do Instituto de Física Gleb Wataghin (IFGW), a patente faz parte do portfolio da Agência de Inovação da Unicamp (Inova). A empresa vai solicitar a patente para outras aplicações do produto.

O Pipe fase I que ainda aguarda julgamento não tem relação com energia renovável. O objetivo da empresa é montar uma planta-piloto de alginato, polímero natural feito de algas marinhas que pode servir para estampar tecidos, estabilizar sorvetes e espessar xampus, além de ter aplicações em áreas como odontologia, vernizes e tintas etc. "Já temos experiência com essa tecnologia, mas com algas que não são brasileiras", revela Pérez. Durante seu mestrado na Universidade de Oriente, em Cuba, ele desenvolveu uma tecnologia para obter alginato de sódio a partir de algas pardas. Com o projeto, a Bioware pretende adaptá-la para as algas encontradas no Brasil.

A Bioware também conhece a tecnologia para fabricação de pellets. Tijolinhos menores que os briquetes, eles são igualmente feitos de resíduos e geram energia quando são queimados. "Estamos fazendo um projeto para um cliente produzir mil toneladas de pellets por dia", conta Dilcio, que calcula o custo da planta em R$ 10 milhões. Ele diz que o destino da produção seria o mercado externo, já que os pellets são bastante usados para aquecer casas nos países frios, mas não têm demanda no Brasil.

A empresa é parceira da Unicamp no projeto "Gaseificação de Biomassa", coordenado pelo Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético (Nipe). Em andamento desde dezembro de 2005, o projeto terá dois anos de duração e conta com recursos da Petrobras e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). A gaseificação de biomassa, explica Dilcio, é um processo parecido com o que dá origem ao bioóleo, mas o produto final é um gás, queimado em motor para gerar energia.

Por conta de trabalhos como esse, os sócios da Bioware dividem-se entre o escritório da empresa, no distrito de Barão Geraldo, em Campinas — onde fica também o campus da Unicamp — e o Laboratório de Combustíveis Renováveis, no IFGW. Na opinião de Dilcio, as empresas que nascem em incubadoras "estão condenadas, no bom sentido", a ter uma ligação com sua instituição de origem. Para ele, esse vínculo "é saudável" e ajuda a manter a empresa inovando.

A Unicamp não é a única parceira acadêmica da Bioware. Em abril, a empresa iniciou uma parceria com a Universidade do Oeste de Ontário (University of Western Ontario) e a empresa RTI, incubada na Universidade de Waterloo, ambas no Canadá. A Bioware mantém outra parceria internacional com um grupo da Universidade de Zaragoza, na Espanha.

Na Austrália, a Bioware tem contatos com as Universidades Monash e de Melbourne e com a empresa pública Csiro. Por se parecer com Brasil em termos de biomassa, Dilcio vê grandes chances de cooperação com o país. "Talvez o que tenha atrasado um pouco seja o fato de a Austrália não ser um signatário do Protocolo de Kyoto", observa. Aqui no Brasil, a Bioware vai testar o bioóleo em turbinas a gás junto com o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos (SP).

Nos cálculos dos sócios, a Bioware já participou de mais ou menos 40 eventos no Brasil e no exterior, entre feiras, congressos e workshops. As participações costumam render artigos de divulgação da empresa e de suas tecnologias. Artigos científicos em revistas de impacto mundial são cinco, segundo Pérez.

Especificamente para a Bioware, Dilcio acredita que o período de incubação poderia ter sido mais longo que os três anos permitidos pela Incamp. "Quando começamos a empresa, éramos 100% pesquisadores", diz, lembrando que a transformação de um acadêmico em empresário é "profunda, gradual e individual". Administrar uma empresa, com as dificuldades inerentes a essa tarefa — manejar fluxo de caixa, lidar com funcionários e colaboradores, chegar aos resultados e faturamento esperados —, é muito diferente, segundo ele, de administrar projetos de pesquisa na universidade.

Fonte: Inovação Unicamp