sábado, 17 de março de 2007

Os 15 desafios do milênio - Um diálogo sobre o futuro do Brasil e do mundo

Esforços para um futuro melhor

A melhor forma de prever o futuro é criá-lo. Esta foi a reflexão que conduziu os trabalhos do encontro “Os 15 desafios do milênio - Um diálogo sobre o futuro do Brasil e do mundo”, realizado na quarta-feira (17/3), em São Paulo.

O evento, promovido pelo Núcleo de Estudos do Futuro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUCSP) e pela Universidade das Nações Unidas, reuniu futuristas do Projeto Millenium, organização criada em 1996 que conta com cerca de 1,5 mil pesquisadores, executivos e políticos de mais de 50 países.

Foi a primeira vez que uma reunião do projeto foi realizada fora dos Estados Unidos, onde ocorrem duas vezes ao ano. Além de abordar os principais desafios globais, o evento mostrou os resultados do Índice do Estado do Futuro, criado para quantificar o progresso relacionado a 15 desafios globais, além de avaliar se as perspectivas para o futuro do mundo estão melhores ou piores do que em outros momentos.

De acordo com o índice, a perspectiva para o futuro, de modo geral, está melhorando. Os ganhos estão no desenvolvimento, em países de baixa renda, em itens como o acesso à água potável, alfabetização, alimentação e serviços básicos de saúde, além da diminuição da taxa de mortalidade infantil.

Entre os pontos negativos, estão as pioras em indicadores como o aumento da emissão de carbono, a perda de áreas florestais, a dívida dos países em desenvolvimento e o aumento da população desempregada. As conclusões do relatório foram apresentadas pelo norte-americano Jerome Glenn, diretor global do Projeto Millenium e representante da Universidade das Nações Unidas.

Em relação ao futuro da ciência e tecnologia, alguns cenários foram traçados para os próximos 25 anos. Os futuristas acreditam que, entre outras coisas, as organizações que cumprem papel regulador não terão mais competência para acompanhar o ritmo acelerado dos avanços do setor.

Outro desafio, segundo os palestrantes, segue o princípio da melhoria da condição humana por meio da inovação tecnológica. Glenn citou como exemplo os avanços da inclusão digital ao redor do mundo. “Em 1995, para cada pessoa conectada à internet no terceiro mundo havia 40 ligadas à rede no primeiro mundo. Hoje, a diferença digital está em 1 para 4. Considerando que a internet é uma ferramenta de inteligência global, podemos dizer que as diferenças em tecnologia da informação entre o primeiro e o terceiro mundo tendem a desaparecer”, disse.

O fundador do Projeto Millenium, o também norte-americano Theodore Gordon, alertou que os cientistas devem explicitar, no início de suas pesquisas, possíveis conseqüências não intencionadas, de modo que sejam desenvolvidas estratégias para enfrentar esses riscos.


Os 15 desafios globais do Projeto Millenium:

1. Desenvolvimento sustentável: como podemos alcançá-lo?
A interdependência do crescimento econômico e da tecnologia tem sido a mais importante força de mudança nos últimos 200 anos, mas, a menos que haja uma evolução em nosso comportamento, poderemos ter dois séculos ainda piores à frente.

2. Água: como todos podem ter acesso a ela sem conflitos?
Mais de 1 bilhão de pessoas não têm água para beber e 80% de todas as enfermidades que aparecem nos países subdesenvolvidos são causadas pela água.

3. População e recursos: como podem estar em equilíbrio?
Apesar das taxas de crescimento populacional começarem a cair, os atuais 6 bilhoes de habitantes poderão chegar a 9 bilhões por volta do ano 2050 e 98% desse crescimento vai acontecer nas regiões mais pobres.

4. Democratização: como a verdadeira democracia poderá emergir do autoritarismo?
Pela primeira vez na história, temos mais pessoas vivendo em regimes democráticos do que em regimes autoritários, o que indica uma grande evolução do planeta e fortalece os caminhos de paz. Mas o caminho para a transição democrática ainda pode ser muito longo e, nesse percurso, muitas pessoas podem sofrer grandes danos.

5. Perspectivas globais de longo prazo: como elas podem passar a nortear a criação de políticas mundiais?
A complexidade, mudanças aceleradas e a globalização estão estimulando a atenção para as possibilidades do futuro. Infelizmente, ainda são muitas as lideranças políticas que não ultrapassam os interesses imediatos por questões de poder.

6. A globalização da tecnologia da informação: como a globalização e as convergentes tecnologias da informação e da comunicação poderão trabalhar para o bem comum?
A internet cresceu mais rápido que qualquer outro fenômeno da história. Aproximadamente 2 trilhões de dólares são movimentados ao redor do mundo a cada dia. Dentro de 6 anos, um bilhão de pessoas poderão estar conectadas no sistema planetário, fazendo do ciberespaço um meio civilizatório sem precedentes.

7. A distância entre ricos e pobres: como as economias de mercado norteadas por uma ética social poderão ser encorajadas a reduzir as diferenças entre ricos e pobres?
Desde os anos 60, a expectativa de vida nos países em desenvolvimento cresceu de 46 para 64 anos, o índice de mortalidade infantil foi reduzido pela metade, a proporção de crianças nas escolas primárias cresceu 80% e o acesso à água potável e à sanitização dobrou. Entretanto, 2 bilhões de pessoas vivem apenas com um a dois dólares por dia. Embora tenha ocorido algum progresso em algumas regiões da China e da Índia, a renda per capita tem caído vertiginosamente nos últimos 30 anos na maioria dos países pobres. O abismo social entre ricos e pobres tem se ampliado mesmo em países tidos como ricos.

8. Doenças: como reduzir a ameaça de novas doenças e de microorganismos infecciosos?
Doenças infecciosas são a causa de 30% das mortes no mundo. Grande progresso tem sido observado na luta contra essa condição, mas esse progresso tem levado as pessoas a visualizarem um falso estado de segurança. Nos últimos 20 anos, mais de 30 novas doenças, altamente infecciosas, foram identificadas, como febres hemorrágicas causadas pelo vírus ebola e a aids. Para muitas delas ainda não existe tratamento, cura ou vacina.

9. Capacidade de decisão: como pode ser aprimorada à medida em que mudam as instituições e a natureza do trabalho?
Muitas pessoas acreditam que é possível traçar o futuro antes de se planejar para ele. O futuro é uma simples extrapolação linear do presente ou produto do destino e do acaso. A complexidade crescente que tem norteado o planeta requer muita informação para uma boa tomada de decisões, de ações efetivas e resultados rápidos.

10. Paz e conflito: como novos valores e estratégias de segurança podem reduzir os conflitos étnicos, o terrorismo e o uso de armamentos com poder de destruição massiva?
O poder destrutivo do terrorismo está crescendo e se espalhando, sendo difícil preveni-lo. A severidade dos conflitos religiosos, étnicos e raciais também estão aumentando, assim como o numero de países poderosamente armados. Armas químicas, biológicas são baratas e fáceis de usar. Ao mesmo tempo, estratégias para a paz mundial e pela segurança do planeta têm florescido, através de esforços globais, que têm se multiplicado, estimulado o respeito pela diversidade e pelos valores éticos.

11. Mulheres: como a mudança no status social da mulher pode ajudar a melhorar a condição humana?
Alfabetização crescente, diminuição da mortalidade infantil, contraceptivos mais eficazes e acessíveis, programas eficazes de planejamento familiar, movimentos de mulheres e o uso da internet tem possibilitado cada vez mais a participação da mulher na economia e na sociedade. Quando o status da mulher se fortalece, as taxas de natalidade caem e se assistem avanços sociais. Mulheres educadas tendem a criar filhos mais saudáveis e contribuem melhor para a força do trabalho. Nos últimos 20 anos, as mulheres dos países em desenvolvimento avançaram duas vezes à frente dos homens nos programas de alfabetização e na participação escolar. Melhorar a condição de vida da mulher pode ser a melhor estratégia para solucionar os maiores problemas do mundo nesse terceiro milênio.

12. Crime transnacional: como evitar que o crime organizado se torne o mais poderoso e sofisticado empreendimento global?
É a industria que tem crescido mais rapidamente no mundo, com um lucro estimado de 500 bilhões de dólares por ano. Uma rede internacional de cartéis de narcotráfico e agentes criminais de diversos países têm reunido imensas somas de dinheiro através da comercialização ilegal das drogas e de outros atos ilícitos, favorecendo a aquisição de conhecimento e tecnologia que geram ainda mais lucros, criando uma poderosa força global.

13. Energia: como a demanda crescente de energia pode ser atendida de forma segura e eficiente?
O consumo da energia no mundo irá crescer mais de 50% nos próximos 20 anos. Mais de 300 usinas nucleares deverão ser desativadas nos próximos 15 anos. Como resultado, serão necessários mais recursos, não somente para atender à demanda crescente como também para compensar a produção paralisada pelo fechamento das usinas nucleares. Combustíveis fósseis poderiam suprir essa deficiência, mas a um custo ambiental inaceitável. Recursos alternativos como células fotovoltaicas, energia solar, entre outros, não estão progredindo o suficiente para atender à demanda.

14. Ciência e Tecnologia: como as inovações científicas e tecnológicas podem ser aceleradas para melhorar a condição humana?
A velocidade dos avanços científicos e das aplicações tecnológicas estão mudando rapidamente a condição humana, alcançando novas fronteiras como a nanotecnologia, a biotecnologia, a ciência cognitiva, a inteligência artificial e as ciências espaciais.

15. Ética global: como as considerações globais podem ser incorporadas no cotidiano das decisões globais?
Os países terão permissão para poluir em nome do desenvolvimento econômico? Como os direitos à água de um país equilibram-se com as necessidades do outro? Essas questões tão complexas envolvem conflitos de interesse, norteiam-se por metas políticas e desafiam o mundo. Diálogos inter-religiosos, grupos de pensadores, comissões multilaterais estão propondo uma ética global. Um conjunto de valores universais ou morais de todas as religiões pode não ser suficiente para deter esse tipo de comportamento.

Fonte: Thiago Romero / Agência FAPESP - 17/03/2004

BNB e Embrapa investirão R$ 1,2 milhão em pesquisas sobre agronegócio

O Banco do Nordeste (BNB) e a Embrapa Agroindústria Tropical assinaram, no último dia 5, convênios e protocolos de intenção para apoiar pesquisas dessa unidade da Embrapa.

Segundo notícia divulgada pelo banco, a parceria envolve recursos de aproximadamente R$ 1,2 milhão, originários do Fundo de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Fundeci), administrado pelo Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene).

Serão contemplados projetos nas áreas de melhoramento genético, desenvolvimento de sistemas de produção, pesquisas em pós-colheita, tecnologia de alimentos e processamento agroindustrial.

Para obter outras informações, acesse os sítios do BNB ou Embrapa.

Fonte: Gestão CT

Perereca produz secreção que mantém a pele úmida sob sol intenso

Uma perereca verde com listras negras e alaranjadas ao lado do corpo produz uma secreção cutânea que mantém sua pele úmida mesmo sob o sol intenso da Caatinga do Rio Grande do Norte, onde vive a maior população dessa espécie na América Latina.

É uma gelatina viscosa e transparente que protege a Phyllomedusa hipocondrialis da desidratação e a torna uma refeição indigesta para seus predadores por conter uma mistura de proteínas tóxicas.

Analisando sua composição, biólogos de São Paulo e Minas Gerais descobriram que ela pode ser útil também para os seres humanos. Eles identificaram na secreção da Phyllomedusa hipocondrialis peptídeos (fragmentos de proteína) capazes de eliminar bactérias causadoras de diarréias ou infecções hospitalares e até mesmo de reduzir a pressão arterial.

A equipe coordenada por Daniel Pimenta, do Instituto Butantan, em São Paulo, coletou amostras de secreção de 12 exemplares da Phyllomedusa capturados em Angicos, no Rio Grande do Norte. Ao diluí-la em diferentes solventes, os pesquisadores conseguiram separar três peptídeos que ainda não haviam sido identificados.

Testes em laboratório mostraram que dois deles – a filosseptina-7 e a dermasseptina-1– são potentes bactericidas, capazes de eliminar quatro espécies de bactérias ligadas a problemas de saúde que afetam os seres humanos: a Micrococcus luteus, que provoca lesões de pele conhecidas como impetigo; a Staphylococcus aureus, causadora de infecção hospitalar; a Escherichia coli, associada à diarréia; e a Pseudomonas aeruginosa, comum nas infecções respiratórias.

Tanto a filosseptina-7 como a dermasseptina-1 atuam da mesma forma. Abrem pequenos poros na parede celular das bactérias, matando-as, como descreveu a equipe de Pimenta, formada por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Fundação Ezequiel Dias, em Minas Gerais, em um artigo na Peptides de dezembro de 2006.

Outra descoberta amplia o interesse sobre o potencial farmacológico dessas moléculas. Misturadas ao sangue humano, a filosseptina-7 e a dermasseptina-1 não danificam as hemácias, responsáveis pelo transporte de oxigênio.

Fonte: Fapesp

5º Congresso Brasileiro de Biossegurança e do 5º Simpósio Latino Americano de Produtos Transgênicos

Congresso brasileiro de biossegurança abre chamada de trabalhos
Os interessados em participar do 5º Congresso Brasileiro de Biossegurança e do 5º Simpósio Latino Americano de Produtos Transgênicos têm até o dia 30 de maio para encaminhar seus resumos.

O evento, que é promovido pela Associação Nacional de Biossegurança (Anbio), acontecerá nos dias 18 a 21 de setembro, na cidade de Outro Preto (MG). A iniciativa conta com o apoio da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Minas Gerais e do Instituto Euvaldo Lodi – Núcleo Regional de Minas Gerais (IEL-MG).

O tema proposto para as discussões é: Biossegurança, Ética e Ciência – soluções para humanidade. As inscrições podem ser feitas por meio eletrônico e haverá descontos especiais para quem se inscrever até o dia 30 de março.

O objetivo do evento é promover o intercâmbio entre a comunidade acadêmica e o setor produtivo no segmento da biotecnologia e dos processos de trabalhos que envolvam o risco biológico e a biossegurança alimentar.

Outras informações: www.anbio.org.br/congresso/2006/congresso.htm

Fonte: Gestão CT

Distrito Federal e 16 Estados assinam termo de adesão ao Pappe Subvenção

Dezessete unidades da Federação assinaram, em Brasília, a adesão ao Pappe Subvenção (Programa de Apoio à Pesquisa na Empresa). São elas: Bahia, Pernambuco, Ceará, Minas Gerais, Amazonas, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Piauí, Maranhão, Rio Grande do Norte, Paraíba, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul e Alagoas.

A assinatura foi feita durante a reunião conjunta do Conselho Nacional dos Secretários Estaduais de C&T (Consecti) e do Conselho Nacional das Fundações de Amparo à Pesquisa (Confap), que acontece até amanhã, em Brasília.

O programa Pappe Subvenção é uma descentralização da ação da financiadora para conceder recursos para projetos de pesquisa e desenvolvimento diretamente às empresas.

Para viabilizar o Pappe, a Finep disponibilizará R$ 150 milhões, além da contrapartida dos Estados.A partir de agora, a financiadora irá transferir os recursos para as diversas unidades da Federação e cada uma delas definirá quais são as suas prioridades. A Finep também definirá, em breve, as regras gerais de funcionamento do Pappe, como os valores mínimos e máximos por projeto e quantas empresas poderão ser contempladas.

A partir da assinatura do termo de adesão, cada Estado deverá se preparar para participar do Pappe. Para isso, deverão cumprir quatro requisitos: regularizar a situação com a edição anterior do programa, já que alguns Estados estão inadimplentes; regularizar o arcabouço legal estadual para que as fundações possam contratar empresas; mobilizar o governo estadual a injetar dinheiro no programa, já que a contrapartida é necessária; e definir os focos setoriais do Estado.

Fonte: Gestão CT

Fórum Canadá-Brasil de cooperação em ciência, tecnologia e inovação

A embaixada do Canadá em Brasília e os consulados do país em São Paulo e no Rio de Janeiro, em colaboração com o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), organizam o Fórum Canadá-Brasil de Cooperação em Ciência, Tecnologia e Inovação. O tema central será “Potencializando nossas sinergias”.

O evento, que ocorrerá nos dias 21 e 22 de março, em São Paulo, tem o objetivo de promover o potencial das comunidades de pesquisa e de empreendimentos comerciais tecnologicamente inovadores, de modo a favorecer uma maior cooperação e integração entre os pesquisadores dos dois países.

Mais informações: www.dfait-maeci.gc.ca/.

Fonte: Agência FAPESP