sexta-feira, 16 de março de 2007

Análise da influência de alguns fatores socioeconômicos e demográficos no consumo domiciliar de carnes no Brasil

Menos arroz com feijão
Nos últimos 30 anos, o padrão alimentar das famílias brasileiras se modificou: o consumo domiciliar de itens que demandam maior tempo de preparo diminuiu enquanto aumentou a demanda por refeições prontas ou consumidas fora de casa.

O assunto foi analisado por Ana Lúcia Kassouf, professora titular do Departamento de Economia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, em Piracicaba (SP), e por Madalena Maria Schlindwein, da Universidade Estadual do Oeste do Paraná, em Francisco Beltrão (PR), em artigo publicado na Revista de Economia e Sociologia Rural.

Segundo as pesquisadoras, de 1974 a 2003 houve uma redução de 46% na aquisição domiciliar de arroz e 37% na de feijão. Em contrapartida, foi verificado um aumento significativo na aquisição de alimentos preparados (216%), refrigerantes (490%) e iogurtes (702%).

Segundo Ana Lúcia Kassouf, as alterações no padrão de consumo alimentar se devem a mudanças socioeconômicas e demográficas, como a intensificação do processo de urbanização e o aumento da participação da mulher no mercado de trabalho.

“Quanto maior é o grau de escolaridade das mulheres, que é quem geralmente prepara as refeições, menor é o consumo de alimentos que demoram mais tempo para ficar prontos, como arroz, feijão e carnes”, disse ela.

“A opção por alimentos prontos aumenta com a possibilidade de melhores salários por parte das mulheres ou por conta delas ficarem muito tempo fora de casa, trabalhando”, apontou.

As pesquisadoras analisaram dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), divulgados em 2003 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A POF mensura estruturas de consumo, gastos e rendimentos das famílias para traçar um perfil das condições de vida da população brasileira. Foram entrevistados moradores de 48.470 domicílios das áreas urbanas e rurais de todo o país na edição da POF utilizada no estudo de Ana Lúcia e Madalena.

Carnes em consumo per capita
O consumo per capita de carnes também foi analisado, ficando em 17 quilos (bovina), 13 quilos (frango) e 4 quilos (suína), levando em consideração tanto o meio urbano quanto o rural. Neste último, o consumo de carne suína ficou em 7 quilos.

“O maior consumo de carne suína nas áreas rurais pode estar relacionado com a criação de porcos, ainda comum em pequenas propriedades. Esse tipo de consumo é menor nas cidades devido aos mitos de que a carne de porco é extremamente gordurosa, além de que há uma tendência voltada para as comidas mais saudáveis”, disse Ana Lúcia.

A região Norte foi constatada como a maior consumidora per capita de carne bovina e de frango entre todas as regiões do país. O Sul liderou na carne suína. O Sudeste teve o menor consumo de carne bovina, enquanto o Nordeste ficou em último em carne suína e o Centro-Oeste foi o que menos consumiu frango.

O gasto médio mensal familiar no Brasil com carne bovina é de R$ 26, maior que os dispêndios com frango (R$ 12) e carne suína (R$ 5). “A renda domiciliar também confirmou a sua importância tanto no consumo como nos gastos familiares com alimentação. O aumento da renda eleva a probabilidade de consumo dos alimentos”, disse a professora da Esalq.

Para ler o artigo Análise da influência de alguns fatores socioeconômicos e demográficos no consumo domiciliar de carnes no Brasil, disponível na biblioteca eletrônica SciELO (FAPESP/Bireme), clique aqui.

Fonte: Thiago Romero / Agência FAPESP - 16/03/2007

Força desconhecida - Energia Escura

Cerca de 70% de tudo o que existe é energia escura. A observação revela a existência desse componente, que exerce uma pressão negativa – como se fosse uma força oposta à gravidade – fazendo com que a expansão do Universo se acelere. Mas a ciência ainda não sabe o que ela é, do que é feita, nem quais são seus mecanismos.

Pesquisadores de cinco instituições brasileiras iniciam participação no projeto internacional Dark Energy Survey (DES), que pretende estudar a natureza da energia escura – um dos principais desafios atuais na física e na cosmologia.

O grupo, denominado DES-Brazil, reúne-se pela primeira vez no Rio de Janeiro, na sede do Observatório Nacional (ON), instituição ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). A reunião de dois dias terá como objetivo divulgar a participação nacional, informar a comunidade científica sobre o projeto de forma organizada e dividir as responsabilidades entre os membros brasileiros do consórcio.

Além do ON, participam do grupo pesquisadores e técnicos do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) e dos institutos de física das universidades federais do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul.

De acordo com Luiz Nicolaci da Costa, pesquisador do ON e coordenador do DES-Brazil, a criação de modelos que permitam explicar conceitualmente a energia escura depende de um bom conhecimento da variação temporal da taxa de expansão do universo, o que exige observação de propriedades de objetos a distâncias muito grandes.

Liderado pelo Centro Nacional para Aplicações em Supercomputação (NCSA) e pelo Fermilab, nos Estados Unidos, o projeto incluirá pesquisadores de 15 instituições, entre norte-americanas, britânicas, espanholas, chilenas e brasileiras. As observações serão feitas no telescópio Blanco, de 4 metros, em Cerro Tololo, no Chile, e o investimento total do projeto é de US$ 30 milhões.

Além da participação de dez técnicos e oito pesquisadores no sistema de gerenciamento, o Brasil contribuirá também com aporte financeiro por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) e da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj).

Segundo Costa, o maior ganho para o país, ao lado do acesso a dados de grande relevância, será a formação de recursos humanos especializados.

O DES tem como meta mapear uma área de céu de 5 mil graus quadrados em quatro diferentes bandas que vão do óptico ao infravermelho. Para isso, os participantes estão construindo uma câmera grande angular constituída de um mosaico de 62 CCDs de alta resolução, a ser instalada no telescópio Blanco.

O imenso acervo de dados será armazenado virtualmente e poderá ser consultado pela comunidade brasileira, de acordo o pesquisador do ON.

Fonte: Agência Fapesp

Estudo visa detectar fatores que favorecem o surgimento de doenças não transmissíveis

Detectar os fatores que favorecem o surgimento de doenças não transmissíveis, como as cardiovasculares, para permitir o planejamento de políticas públicas de prevenção. Esse é o principal objetivo do Sistema de Monitoramento de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas Não Transmissíveis (VIGITEL), estudo inédito divulgado, em Brasília, pelo ministro da Saúde, Agenor Álvares, o secretário de Vigilância em Saúde, Fabiano Pimenta, e o professor e pesquisador da Escola de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), Carlos Monteiro.

Assim como diversos estudos, o VIGITEL reforça a necessidade de desencadear ações para a prevenção dos principais fatores de risco de Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), com a elaboração, implementação e aprimoramento de políticas antitabagismo, de estímulo aos hábitos saudáveis (alimentação adequada e atividades físicas), de redução do consumo de bebidas alcoólicas, entre outras.

Após a divulgação, as informações do VIGITEL ficarão disponíveis para as capitais e o DF, servindo como ponto de partida para o monitoramento futuro desses fatores de risco e proteção.

DCNT
As Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), cujo monitoramento é feito pela Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS), representam um dos principais desafios de saúde para o desenvolvimento global nas próximas décadas. De acordo com a publicação "Saúde Brasil 2006", entre os anos de 2002 e 2004 ocorreram 1.858.370 óbitos por doenças não transmissíveis, representando 61,8% do total de mortes registradas no período - 3.008.070. Desse universo, as doenças cardiovasculares, responderam por 27,5% - 826.947 óbitos.

Cada vez mais, as DCNT exercem pressão sobre o sistema de saúde brasileiro. Considerando estimativas de custos de consultas, internações e cirurgias, os gastos chegam a R$ 10,9 bilhões por ano. Além disso, essas doenças têm um forte impacto na qualidade de vida dos indivíduos afetados, uma vez que causam morte prematura.

Fonte: Ministério da Saúde

Universidade virtual Ibero-Americana reúne sete universidades de cinco países

Em fevereiro último, reuniram-se em Guadalajara, no México, as universidades que integrarão o projeto Universidade Virtual Ibero-Americana (UVI). As sete instituições de ensino representam o Brasil, Chile, Espanha, Argentina e o México. O encontro debateu as gestões acadêmica e administrativa; as estruturas orgânica e normativa, e a infra-estrutura; além dos programas de estudo que a UVI vai oferecer.

A UVI pretende ser um campus virtual compartilhado que oferece ensino superior mediante o uso de tecnologias da informação. O intuito da iniciativa é estimular a colaboração em uma comunidade aberta, composta por universidades, empresas e profissionais, desenvolver o conhecimento tendo como base uma plataforma de software livre, e integrar grupos de pesquisa.

Até o fim do ano a UVI espera oferecer, nesse campus compartilhado, matérias optativas, um curso de mestrado em desenvolvimento sustentável e um curso de doutorado em comunicação visual para os alunos das instituições que integram a iniciativa. Da primeira fase da UVI participam a Universidade de Santiago de Chile (Chile); as universidades nacionais de Córdoba, de Entre Rios e de La Plata (Argentina); Universidade de Extremadura (Espanha), Universidade de Guadalajara (México), e a Universidade Federal de Santa Maria (RS/Brasil).

A integração entre essas universidades se dá por meio da Rede Clara (Cooperação Latino-Americana de Redes Avançadas) e do projeto Alice (América Latina Interconectada com a Europa). A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) conecta-se à iniciativa a partir da Rede Ipê, da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT).

Poderão aderir à iniciativa, ao longo das próximas etapas, as universidades que formam o Grupo de Montevidéu. No Brasil, além da UFSM, as universidades Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Federal de Santa Catarina (UFSC), Federal do Paraná (UFPR), Federal de São Carlos (UFSCAR/SP) e o G-9 espanhol, assim como outras universidades européias com interesses ibero-americanos.

Fonte: MCT