sexta-feira, 9 de março de 2007

Solução local para um problema mundial - gestão de emissões dentro de uma refinaria

A Replan, maior refinaria de petróleo do Brasil, instalada em Paulínia, é responsável por cerca de um por cento da emissão de gases de efeito estufa (GEE) no contexto brasileiro de combustíveis fósseis.

O engenheiro químico Wai Nam Chan chegou a este número depois de realizar uma minuciosa quantificação dos gases gerados pela empresa. Além de avaliar a emissão em cada segmento da cadeia produtiva da indústria de petróleo e gás natural, Chan também propõe em seu trabalho de mestrado, apresentado na Faculdade de Engenharia Mecânica (FEM), ações para a incorporação de uma gestão de emissões dentro de uma refinaria.

Algumas das possibilidades sugeridas poderiam gerar, inclusive, créditos de carbono, assunto em pauta, desde o estabelecimento, em fevereiro de 2005, do Protocolo de Kyoto – acordo que limita a emissão de gases de efeito estufa pelos países desenvolvidos.

O engenheiro químico atua na própria Replan há 20 anos e, por isso, o conhecimento das atividades desenvolvidas permitiu que estudasse a questão com maior profundidade para propor medidas de redução, não só como profissional responsável, mas como cidadão consciente do problema. Há cerca de seis anos, Chan teve seu interesse despertado a partir de um curso de gestão ambiental realizado na Unicamp.

Na opinião do especialista, mesmo que o Brasil não tenha sido incluído, num primeiro momento, no Protocolo de Kyoto, com certeza é uma das nações em evidência para os próximos acordos. Levantamentos indicam que o país está entre as dez nações que mais geram gases de efeito estufa. As áreas devastadas contribuem para esse quadro.

No Brasil, as estimativas apontam que 75% da emissão desses gases está relacionada a desmatamentos e queimadas. Por outro lado, a queima de combustíveis fósseis contribui com a fatia de 25%. Daí a importância da gestão dessas emissões na indústria petrolífera.

Segundo Wai Chan, a empresa em que trabalha já vem implantando medidas para reduzir as concentrações de dióxido de carbono, de metano e de óxido nitroso, que são os principais gases de efeito estufa gerados na Refinaria.

Neste sentido, o estudo compara as emissões de três empresas de diferentes abrangências – global, multinacional e nacional – e destaca a importância de um inventário de emissões no segmento.

Fonte: Jornal da Unicamp

Novo fibrocimento à base de escórias traz vantagens ecológicas e é mais econômico

Um novo tipo de fibrocimento, composto com fibras de escória, poderá ser usado como alternativa ao cimento-amianto na confecção de telhas, placas planas e acessórios, como caixas de água e suportes para ar condicionado. A novidade surge após uma linha de pesquisas desenvolvidas pelo engenheiro Carlos Eduardo Marmorato Gomes, formado na Universidade de São Paulo.

Protótipos do fibrocimento já foram construídos e aprovados em testes de resistência e durabilidade. A escória usada no processo é um subproduto da siderurgia. Gomes explica que boa parte deste material é encaminhada a aterros sanitários. Além da escória, o novo produto é constituído por um composto híbrido de fibras poliméricas e de celulose.

De acordo com o engenheiro, além do ganho ecológico, considerando-se todo sistema produtivo do novo fibrocimento, pode-se atingir a uma economia de 30% em relação ao produto convencional. Nos testes, a composição de uma telha de amianto foi constituída de 8% a 15% de amianto, cerca de 25% de calcário e por um composto híbrido de fibras poliméricas, celulose e escória.

Além da aspecto ecológico do novo produto, Gomes chama atenção para a inovação também no processo produtivo.

Nos laboratórios, o método de fabricação usado foi o da extrusão, que mostrou-se mais econômico no gasto de energia elétrica, gerando menos resíduos e registrando menor consumo de água.

Os estudos de Gomes visaram principalmente à utilização do fibrocimento em habitações populares.

Dados de 2003, do Sindicato Nacional dos Produtores de Artefatos de Cimento (SINAPROCIM) mostram que no Brasil, naquele período, existiam cerca de 400 milhões de metros quadrados de cobertura, sendo que aproximadamente 50% desse total eram fabricados em amianto.

Gomes realizou seu pós-doutorado no Grupo de Ambiência de Construções Rurais, sob a supervisão do professor Holmer Savastano Júnior. Parte de seus estudos foi desenvolvida nos programas de mestrado e doutorado da EESC (Escola de Engenharia de São Carlos) e do IFSC (Instituto de Física de São Carlos). Segundo ele, a tecnologia está pronta para ser transferida à industria.

Fonte: Agência USP

Tecpar firma parceria com instituições canadenses para produção de medicamentos

O Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) vai firmar uma parceria com o Instituto Tecnológico de Quebec e a empresa Prometic Life Sciences para a transferência de royalties que permitem a produção de medicamentos de alta complexidade.

O governo do Estado autorizou a liberação de R$ 5,5 milhões para a aquisição dos royalties. Segundo informações da Agência Paraná de Notícias, o Tecpar estará autorizado a fabricar medicamentos para doenças degenerativas. Os medicamentos produzidos serão para atender a demanda do Ministério da Saúde, que hoje é obrigado a importar esses produtos.

A proposta é que a fábrica de medicamento do instituto comece a funcionar em 2008. Informações complementares sobre as ações desenvolvidas no Tecpar podem ser obtidas no site www.tecpar.br.

Fonte: Gestão CT

A produção científica brasileira no feminino

Brazilian scientific production in the feminine

Desigualdade persistente
Apesar de o número de mulheres pesquisadoras ter aumentado expressivamente nas últimas décadas no Brasil, a participação feminina na produção de artigos científicos aparentemente não tem seguido no mesmo ritmo.

Essa é uma conclusão possível a partir de estudo feito pela economista e professora da Universidade Federal Fluminense (UFF) Hildete Pereira de Melo, que realizou um amplo levantamento sobre o gênero dos autores de artigos disponíveis na Scientific Electronic Library Online (SciELO).

Com o auxílio de André Barbosa Oliveira, graduando de economia da UFF, Hildete identificou o sexo de 83% dos autores e co-autores de artigos publicados no SciELO de 1997 a 2005. O restante da amostra (17%) não teve o sexo determinado por dificuldades em distinguir nomes femininos dos masculinos e pela ausência de informações adicionais sobre os autores, consultadas em bases como o Currículo Lattes.

Os autores do levantamento verificaram que as mulheres participavam de 32,28% dos artigos analisados. “Foram analisados, um a um, 195 mil nomes, de mais de 56 mil artigos publicados em 147 periódicos nacionais de diversas áreas do conhecimento”, disse Hildete. O SciELO, que está completando dez anos de atividades, permite atualmente acesso gratuito ao texto integral de 175 periódicos científicos.

Do total de nomes analisados, 98.302 eram de homens, 62.989 de mulheres e 33.860 ficaram indefinidos. Para Hildete, a participação feminina no SciELO pode ser considerada baixa se comparada à participação das mulheres na pesquisa científica apoiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Segundo a agência federal de fomento, nos últimos cinco anos o aumento de bolsistas de doutorado mulheres foi de cerca de 37%, igualando-se à participação masculina. A situação é de empate técnico: 3.694 mulheres e 3.697.

No pós-doutorado, ainda que as mulheres permaneçam em minoria, houve um aumento de 13% do número de bolsistas do sexo feminino em relação ao total de bolsas concedidas de 2001 a 2006. Do total de bolsas concedidas pelo CNPq em 2006, as mulheres respondem por cerca de 48% (26.436).

Para Hildete, ainda há um longo caminho a percorrer, levando em conta uma sociedade que deveria ser igualitária no que se refere à participação de homens e mulheres em todos setores. “Apesar dos avanços, sabemos que eles ainda não foram suficientes para que as mulheres tenham uma participação eqüitativa no meio acadêmico e profissional”, afirma.

“O excesso de estereótipos e a falta de reconhecimento da contribuição feminina para o avanço da ciência ainda têm prejudicado sua ascensão”, disse. O estudo mostra ainda diferenças nas carreiras científicas: as mulheres assinam mais artigos em áreas como educação, saúde e assistência social, enquanto os homens estão mais vinculados às ciências exatas.

Para ler o artigo A produção científica brasileira no feminino, disponível na biblioteca on-line SciELO (FAPESP/Bireme), clique aqui.

Fonte: Thiago Romero / Agência FAPESP - 09/03/2007

Inscrições abertas para o Prêmio José Pedro de Araújo

Encontra-se aberto, até o dia 31 de março, o período de inscrição para o Prêmio José Pedro de Araújo, realizado pela fundação que dá nome ao prêmio. O objetivo é valorizar trabalhos científicos que visem incentivar os estudos e as pesquisas para descoberta ou aproveitamento de recursos terapêuticos a partir da flora brasileira.

Podem concorrer estudos agronômicos, botânicos, químicos, farmacêuticos e clínicos que levem à comprovação da ação terapêutica de preparados resultantes de plantas medicinais. O trabalho vencedor receberá R$ 20 mil.

Outras informações, pelo site www.fundjpar.org.br/ ou pelo telefone (31) 3201-3749.

Fonte: Gestão CT

Rio debaterá os rumos do processo de digitalização no país

Será realizado, nos dias 15 e 16 de março, no Rio de Janeiro (RJ), o encontro da Frente Nacional por um Sistema Democrático de Rádio e TV Digital. Na ocasião, os participantes debaterão os rumos do processo de digitalização no país e apontarão estratégias de ação. O evento será realizado no auditório do Clube de Engenharia.

No primeiro dia da programação, serão organizadas duas mesas que debaterão a radiodifusão digital. A primeira ocorrerá das 11h às 13h30 e abordará os aspectos políticos e econômicos da questão e a segunda será realizada das 14h30 às 17h e debaterá as questões tecnológicas e reguladoras. No segundo dia, das 10h às 12h, haverá uma plenária da sociedade civil, cuja discussão será sobre a conjuntura nacional. Logo depois, das 13h às 17h, serão sistematizadas as propostas de ação.

O encontro deverá contar com a participação de representantes da Casa Civil, Ministério das Comunicações e Cultura, Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Associação Intervozes, e de pesquisadores do Sistema Brasileiro de Televisão Digital (SBTVD). Uma das presenças, já confirmadas, é a do procurador da República em Minas Gerais, Fernando Martins, que entrou com ação civil pública contra o decreto que implantou a TV digital no país.

Os interessados devem efetivar as suas inscrições pelo e-mail .

Fonte: Gestão CT