domingo, 4 de março de 2007

USP é campeã em cooperação com a Alemanha

Levantamento feito pelo Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico (DAAD) mostra o crescimento do número de bolsas e revela quais as universidades brasileiras que mais cooperam com a Alemanha.

O Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico (DAAD) fez, com base nos recursos concedidos em 2006, um ranking entre todas as universidades brasileiras que de alguma forma se relacionam academicamente com as instituições de ensino superior na Alemanha. O DAAD é um dos maiores fomentadores de intercâmbio entre brasileiros e alemães e, junto com a Capes e o CNPq, distribuiu 89 bolsas de doutorado no último ano.

A relação entre pesquisadores e acadêmicos do Brasil e da Alemanha vem crescendo nos últimos dez anos e a Capes prevê que a Alemanha ultrapasse a França em número de estudantes vindos do Brasil, tornando-se a principal base acadêmica do país na Europa.

Segundo a pesquisa, a USP é a líder em benefícios recebidos pelo do DAAD. Levando em conta que excelência acadêmica é um dos aspectos mais importantes para a escolha dos bolsistas, os dados revelam ainda que o ensino público superior continua em alta no Brasil: são 52 instituições públicas beneficiadas – dentre as quais 31 universidades federais, 12 universidades estaduais, cinco centros de pesquisa e quatro universidades tecnológicas – contra 27 particulares.

Agências brasileiras lideram em bolsas

Apesar de ser um grande parceiro do intercâmbio acadêmico no Brasil, o DAAD há muito deixou de ser o principal fomentador das relações entre os dois países. De acordo com números do próprio órgão, enquanto em 1996, o serviço alemão era o que mais concedia bolsas, no ano passado, mais de 50% das bolsas foram financiadas pelas agências brasileiras Capes e CNPq.

Isso mostra que não só a Alemanha está interessada em manter o vínculo com as universidades brasileiras, mas também o Brasil a considera um centro gerador de conhecimento e importante aliado para seu desenvolvimento intelectual.
Os benefícios de doutorado podem ser concedidos sob a forma integral – em que o doutorando faz toda a sua pesquisa, além de escrever a tese em alemão e defendê-la na universidade de destino – ou no conhecido ''doutorado sanduíche'' – em que o interessado faz apenas parte da pesquisa na Alemanha, mas os cursos são freqüentados na universidade brasileira de origem e a tese também é defendida na volta ao Brasil.

Alemão não é pré-requisito

Em ambos os tipos de programa, o domínio do alemão não é pré-requisito, mas é desejável que haja algum conhecimento. Para possibilitar o andamento da pesquisa, o programa de bolsas de doutorado oferece um curso do idioma antes de começar a fase de aulas ou pesquisa, com uma duração que varia de acordo com a necessidade de cada aluno.

Além de existir uma preferência por parte das três agências, os candidatos com pretensões de seguirem uma carreira acadêmica ou que já mostrem um caminho nesse sentido têm mais chances de serem contemplados, além de os projetos para as áreas com carências em pesquisas no Brasil terem prioridade na hora da escolha. Isso se explica pelo crescimento de boas oportunidades de doutoramento que as universidades brasileiras oferecem.

A seleção dos bolsistas é feita a partir da análise da documentação enviada e de entrevistas realizadas com todos os candidatos. Após as entrevistas, são preparados dossiês de cada candidato pré-selecionado e uma nova análise é feita por integrantes das três instituições fomentadoras de pesquisa (DAAD, Capes e CNPq) e consultores científicos.

Fonte: Deutsche Welle

Aprovado projeto de desenvolvimento do primeiro analisador de DNA brasileiro

A empresa Cientistas Associados aprovou no início desse ano, junto ao programa PIPE da Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), o desenvolvimento do primeiro instrumento brasileiro de análises genéticas. Equipamentos de análise de DNA automatizados tornaram-se ferramentas indispensáveis para garantir a competitividade de laboratórios biotecnológicos, tanto na pesquisa científica quanto na prestação de serviços. Serão dois anos de desenvolvimentocom a meta de colocar os primeiros protótipos no mercado ao final desse período. O projeto é coordenado pelo Dr. Sandro Hillebrand, sócio emérito da empresa.

Embora o Brasil tenha atingido sua maturidade científica formando pesquisadores em diversas áreas do conhecimento, não há um número expressivo de iniciativas visando a construção de protótipos de instrumentos bio-analíticos. Praticamente, quase todos os equipamentos adquiridos por instituições de pesquisa e empresas brasileiras, utilizados em biotecnologia são importados. Este mercado é praticamente inexplorado por empresas nacionais e está em rápida expansão visto que a própria biotecnologia avança a passos largos, especialmente, nos setores agrícola e clínico. O objetivo específico do projeto é transferir do meio acadêmico para a empresa, o conhecimento sobre a construção de um sistema de detecção por fluorescência,levando-se em consideração aspectos relativos à sua aplicação para análise de DNA. Além disso, a tecnologia será adaptada de forma que se possa construir um protótipo comercialmente viável.

O protótipo do sistema de detecção construído será acoplado a um sistema modular de eletroforese capilar para avaliação de desempenho e validação na análise de fragmentos de DNA, marcados com corantes fluorescentes. Além desta aplicação principal, a tecnologia empregada no sistema poderá ser aplicada em vários outros instrumentos de análise como sistemas de análises em fluxo, leitoras de placas de ELISA, PCR em tempo real e em técnicas de separação cromatográficas e eletroforéticas.

A inovação que este projeto introduz é o emprego, no mesmo sistema, de LEDs como fontes de excitação, fotodiodos de avalanche como detectores da fluorescência emitida e detecção síncrona no condicionamento de sinal, para a análise de DNA.
A perspectiva de viabilidade comercial do produto está baseada nos instrumentos de análise de DNA aplicados para realização de exames de paternidade, atestados de pureza genética para animais, análise de componentes de origem animal em alimentos processados, análises de organismos geneticamente modificados (OGMs), análises para perícia criminal em casos de abuso sexual e homicídios (polícia científica), genotipagem de plantas e animais, identificação de microorganismos, DNA fingerprint para identificação individual, aconselhamento genético e exames pré-natais no feto, medicina genômica (detecção de pré-disposição a doenças hereditárias) entre outras.

Fonte: Cientistas Associados

Estudo sobre meio ambiente antártico coloca Brasil em posição de destaque

O secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, destacou, nesta quinta-feira (1), que um dos seis aspectos do Ano Polar é compreender o estado atual do meio ambiente das regiões polares. Ele participou da cerimônia de lançamento oficial no Brasil do quarto Ano Polar Internacional (API), no Ministério das Ciências e Tecnologia. Segundo Capobianco, o MMA tem desenvolvido um estudo abrangente sobre o estado do meio ambiente antártico, "muito elogiado pela comunidade internacional, colocando o Brasil em destaque, perante outras nações, na conservação do meio ambiente antártico".

Esse estudo conseguiu adesão de outros países e agora se desdobra em um programa internacional de monitoramento ambiental de longo prazo, coordenado pelo Brasil. O Ministério do Meio Ambiente é responsável pelo segmento ambiental do Programa Antártico Brasileiro (Proantar). Ele é encarregado de avaliar os impactos das missões brasileiras na Antártica e de zelar pelo cumprimento dos compromissos internacionais assumidos pelo Brasil na proteção do meio ambiente dessa frágil região.

A Antártica é o quinto continente em extensão do planeta e o único sem divisões. Seus 13.7 milhões de km2 correspondem a 3 % da área da Terra. No inverno, com o congelamento do mar circundante, a área atinge aproximadamente 22 milhões de km2. O meio ambiente antártico é especial, frágil e único. Abriga 70% da água doce do planeta e recursos minerais e energéticos incalculáveis. "É a memória climática do planeta que permite entendermos e traçarmos cenários para o futuro do planeta à luz das mudanças climáticas. Ajuda também a compreender o sistema Terra e seu funcionamento. É um termômetro da saúde do planeta ainda desconhecido", disse Capobianco.

Nos últimos quatro anos, o MMA, em parceria com o MCT, induziu e financiou também um estudo sobre as Mudanças Ambientais na Antártica. Foram 26 grupos de pesquisa de 20 instituições brasileiras e 16 estrangeiras, envolvendo 300 pesquisadores.
"Os estudos na Antática são cruciais para o Brasil porque é na Antártica que formam-se os sistemas climáticos que nos atingem de variadas maneiras no Hemisfério Sul e em particular no Brasil", disse o secretário-executivo do MCT, Luís Fernandes. Segundo ele, para entender as mudanças climáticas no Brasil e no mundo é imprescindível que se estude com profundidade a região polar. "Os estudos vão fundamentar e subsidiar políticas públicas adequadas de adaptação às mudanças climáticas e de monitoramento e previsão do tempo", afirmou.

As geleiras antárticas contêm o registro de variações na composição da atmosfera terrestre que regridem a até um milhão de anos e mostram o dramático aumento de gases do efeito estufa na atmosfera, a partir da era industrial, o que vem causando as mudanças globais do clima. Essa questão, bem como a constatação da destruição da camada de ozônio e derretimento do gelo, trouxe a Antártica para o cotidiano mundial.

Fonte: Mma