quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

Impacto da vacinação contra influenza na mortalidade por doenças respiratórias em idosos

O vírus influenza tem provocado epidemias em várias partes do mundo, principalmente durante os meses de inverno. Apenas nos Estados Unidos, a gripe tem causado a morte de 20 mil pessoas, em média, por ano.

A forma mais usada para barrar a doença em todas as regiões tem sido as campanhas maciças de vacinação. Estudos internacionais mostram que, quando a composição desse medicamento é coincidente com as cepas de vírus circulante, a eficácia dele em adultos saudáveis chega a atingir 90%.

E no Estado de São Paulo? Será que a eficiência das campanhas de vacinação realizadas nos últimos anos tem dado resultado? O estudo Impacto da vacinação contra influenza na mortalidade por doenças respiratórias em idosos, publicado na edição de janeiro da Revista Saúde Pública, mostra que, em geral, a resposta é sim.

A pesquisa analisou dados do Sistema de Informações de Mortalidade do Ministério da Saúde para o estado de São Paulo. As séries temporais usadas englobaram o intervalo entre 1980 e 2000. Apenas as mortes de pessoas com mais de 60 anos foram consideradas pelo estudo.

Os resultados mostram uma alteração das mortes logo após as campanhas de vacinação. Entre 1980 e 1998, por exemplo, o coeficiente médio de óbitos foi de 5,8 por mil homens e de 3,18 mortes por mil mulheres. No ano 2000, esses números mudaram para 4,72 no caso do sexo masculino e para 2,99 entre as pessoas do sexo feminino.

Apesar da aparente eficiência da vacina, as três autoras do estudo – Priscila Francisco e Maria Rita Donalisio são da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas e Maria do Rosário Latorre é da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo – fizeram algumas ponderações importantes nas conclusões do trabalho.

Vários fatores, para elas, devem ser considerados na avaliação do efeito protetor da vacina contra a influenza. A imunogenicidade desse medicamento, a combinação antigênica da vacina e das cepas virais circulantes, a enfermidade crônica na comunidade e a exposição prévia ao influenza estão na lista.

“Salvo tais considerações, é provável que os investimentos feitos na área da saúde, no caso da proteção específica contra influenza na população idosa no Estado de São Paulo, estejam refletindo de forma positiva na mortalidade desse segmento populacional”, disseram as pesquisadoras. Para elas, é necessário ainda a continuação da avaliação dessa tendência percebida pela pesquisa nos próximos anos.

Para ler o artigo completo publicado na Revista Saúde Pública clique aqui.

Fonte: Agência FAPESP - 24/01/2005