terça-feira, 16 de janeiro de 2007

Percepções de pacientes sobre catarata

Perceptions of patients about cataract

A catarata é considerada a maior causa curável de cegueira no mundo. Dos casos, 85% são classificados como senis e surgem em pessoas com mais de 50 anos de idade. A distância entre voltar a ter uma visão normal e permanecer com dificuldades visuais, neste caso específico, pode ser muitas vezes preenchida pela informação correta sobre a doença. Mas nem sempre é o que ocorre.

“Fizemos uma pesquisa na Hospital Universitário da USP [Universidade de São Paulo] e percebemos diversos conhecimentos incorretos entre os pacientes com catarata”, explica Regina de Salles Oliveira, pedagoga e aluna de pós-graduação da Faculdade de Medicina da USP. Ela é uma das autoras do artigo Perceptions of patients about cataract, que traz resultados da pesquisa, publicado na revista brasileira Clinics de dezembro.

Dos 170 entrevistados, participantes de um dos mutirões sobre catarata realizados no hospital – na maioria trabalhadores em ocupações manuais não especializadas –, 79% definiram a catarata como “uma pelezinha que vai cobrindo os olhos”.

“É um conceito incorreto. A catarata é a opacificação do cristalino, a lente biconvexa e transparente que fica por trás da íris”, explica Regina. Outra percepção distorcida apareceu nas respostas de 47,1% dos entrevistados, que associaram o surgimento da doença ao uso excessivo da visão. Outros 7,1% creditaram como causa o mau olhado. Além disso, 28% afirmaram ter medo de operar, a maioria por receio de ficar cego.

“Esse é um grande problema. O medo que afasta as pessoas da cirurgia é um grande obstáculo para a correção da doença”, afirma Regina. Quando a catarata é diagnosticada, a única forma de corrigir o problema para não perder a visão, segundo conta, é por meio cirúrgico. “Muitas pessoas acreditam em soluções milagrosas ou não querem operar por motivos religiosos”, diz.

As principais técnicas cirúrgicas usadas hoje aumentaram bastante a eficiência do procedimento. Entretanto, como se trata de uma cirurgia, sempre existe a possibilidade de algum risco. Em linhas gerais, o médico retira o cristalino e coloca uma lente intra-ocular no lugar. A recuperação dura em média 90 dias. “Algumas pessoas também acreditam que o olho é retirado para depois ser colocado novamente durante o ato cirúrgico. Mas não é isso que ocorre”, conta a pesquisadora da USP.

Os pacientes com catarata normalmente reclamam de visão turva ou borrada, como se enxergassem por meio de um vidro molhado. Visão amarelada, dupla, distorção nas luzes ou aparecimento de raios saindo do foco de luz, associados à grande diminuição de visão, também são indícios da doença.

O artigo publicado na revista Clinics pode ser lido na biblioteca on-line SciELO (Bireme/FAPESP). Para ler, clique aqui.

Fonte: Eduardo Geraque / Agência FAPESP - 16/01/2006