quarta-feira, 3 de janeiro de 2007

Ecologia da paisagem da hantavirose no Estado do Rio Grande do Sul

Landscape ecology of hantavirosis in Rio Grande do Sul State

A hantavirose, doença emergente que até maio de 2002 havia atingido 172 pessoas em todo o Brasil, causou a morte de mais de 40% dos 31 doentes registrados apenas no Rio Grande do Sul. Por causa da gravidade da infecção, pesquisadores gaúchos resolveram identificar a ecologia da paisagem dessa enfermidade.

Conforme mostra o estudo “Ecologia da paisagem da hantavirose no Estado do Rio Grande do Sul”, de Waldir Henkes (PUC/RS) e Christovam Barcellos (Fiocruz/RJ), o ramo da biologia que procura compreender as relações que o meio ambiente estabelece com ele mesmo e com a sociedade que o modifica é um dos caminhos possíveis para se enfrentar as complexidades ecológicas atuais. O estudo foi publicado na edição de dezembro da Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical.

Dessa forma, a partir do mapeamento dos casos de hantaviroses no Rio Grande do Sul e de sobreposição dessas ocorrências sobre os mapas de vegetação e de relevo, os pesquisadores conseguiram obter um quadro geral sobre o comportamento da doença. Os agricultores da região serrana do estado, onde a atividade agrícola se faz presente, foram os mais atingidos pelo hantavírus.

Dos 31 casos da doença dentro das fronteiras gaúchas, 90% deles ocorreram na metade oriental do estado, 91,4% atingiram homens e 54,8% eram agricultores. Em termos geográficos, a maioria dos casos ocorreu na encosta inferior do Planalto Gaúcho e da Serra Gaúcha e durante os meses da primavera.

Segundo os pesquisadores, essas relações se confirmam uma vez que “a atividade agrícola proporciona maior contato com as viroses. E, os homens ainda são os mais contaminados por serem a maior parte da mão-de-obra rural”.

Como essa atividade econômica também transforma a vegetação local, os roedores, que transmitem a hantavirose ao homem por meio de seus excrementos, vão buscar alimentos nos locais de plantio e armazenamento dos grãos, fechando, dessa forma, o ciclo da doença.

Para ler o artigo na íntegra, clique aqui.

Fonte: Agência FAPESP - 03/01/2005

Effects of type of physical exercise and leisure activities on the depression scores of obese Brazilian adolescent girls

Muitas vezes a depressão leva à chamada hipocinesia, como é chamada a baixa atividade muscular: a pessoa permanece praticamente parada, com pouco gasto de energia. Mas basta fazer exercícios para sair desse estado que agrava a depressão e favorece o surgimento da obesidade?

A resposta é: depende do exercício. Um novo estudo indica que atividades aeróbicas, com consumo moderado de oxigênio, como pedalar comedidamente uma bicicleta ergométrica, mostraram-se eficientes e poderiam ser indicadas como coadjuvantes no tratamento contra depressão e ansiedade.

“O exercício moderado leva a uma maior queima de gordura e à melhora do estado depressivo em adolescentes obesos”, comenta Sérgio Garcia Stella, pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Nutrição da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Contrariamente, os exercícios mais intensos – ou anaeróbicos – e atividades de lazer com baixo gasto calórico ajudam apenas a perder peso. Segundo Stella, outros estudos haviam indicado que mais de 80% dos adolescentes obesos no Brasil sofrem de depressão.

A afirmação está em estudo publicado no Brazilian Journal of Medical and Biological Research, feito com a participação de outros pesquisadores da Unifesp, das Faculdades Integradas de Santo André e do Instituto do Sono, instituição de pesquisa também ligada à Unifesp e um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids) da FAPESP.

O objetivo da pesquisa, coordenada por Sérgio Garcia Stella, era testar as possibilidades de redução dos estados de ansiedade e depressão gerados pela obesidade. Participaram 40 jovens adolescentes, com idade variando de 14 a 19 anos, divididos em quatro grupos.

Enquanto o primeiro grupo realizava exercício em bicicleta ergométrica durante uma hora, três vezes por semana, em intensidade moderada, o segundo fazia o mesmo exercício em ritmo bem maior. O terceiro tinha liberdade para praticar esportes sem controle de intensidade e o último formou o grupo controle – não participava de nenhuma atividade, embora os hábitos alimentares de seus integrantes também fossem acompanhados.

Os exercícios mais moderados, que podem ser realizados facilmente pela maioria da população, foram os que mais trouxeram benefícios. Para os autores do estudo, é mais provável que eles liberem substâncias químicas que favorecem o bem-estar emocional e também mobilizem mais tecidos de gordura como fonte de energia.

Para ler o artigo na íntegra, publicado na biblioteca on-line SciELO, clique aqui.

Fonte: Carlos Fioravanti / Agência FAPESP - 03/01/2006