sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Meio ambiente é negócio rentável

A luta contra o aquecimento global abriu um novo campo de trabalho e negócios mundo afora. Meio empreendedores, meio ambientalistas, os pioneiros que apostaram há tempos em negócios “verdes” – comércio de carbono, energias renováveis e tecnologias limpas – hoje colhem os frutos milionários dessa decisão.

Ninguém retrata tão bem esse universo como o engenheiro agrônomo Pedro Moura Costa, que organizou na semana passada o Rio+15, um encontro internacional para discutir as realizações na área ambiental quinze anos depois da Eco 92.

Costa deixou há 20 anos a rotina de praia e estudos no Rio para correr o mundo e se dedicar a questões ambientais. Radicado em Londres, criou há dez anos a Ecosecurities, uma empresa especializada em desenvolver projetos de créditos de carbono – um bônus concedido a quem reduz as emissões e que pode ser vendido para empresas poluidoras, seguindo as regras do Protocolo de Kyoto.

Hoje, a Ecosecurities é a maior empresa de créditos de carbono do mundo e vale mais de US$ 1 bilhão na Bolsa de Londres. Costa já vendeu parte de suas ações e ainda tem 10% da companhia. Ele prefere não falar sobre o quanto lucrou. “Mais que qualquer coisa, sou um ‘ecoempreendedor’”, responde.

Costa começou a atuar no ramo por ser apaixonado por questões ambientais e acabou abrindo um novo mercado. Depois de um período de estudos na Inglaterra, no final dos anos 80, morou cinco anos na Malásia, onde desenvolveu o primeiro Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) – antes chamado de projeto de seqüestro de carbono – para uma empresa florestal. O sucesso da experiência estimulou a abertura da Ecosecurities, sete anos depois.

Ele abriu a empresa em sua casa, em Oxford, na Inglaterra, ao lado da esposa Ruth, inglesa que conheceu na temporada na Malásia. O ano decisivo para a Ecosecurities foi 2005, quando as ações da empresa passaram a ser negociadas na Bolsa de Londres. Foi o ano também em que entrou em vigor o Protocolo de Kyoto, estimulando a criação de projetos ambientais pelos 140 países signatários e inflando a carteira de clientes da consultoria, que prepara e acompanha a execução dos projetos que reduzem a emissão de gases do efeito estufa.

Do escritório em Oxford, Pedro administra cerca de 3 bilhões em créditos de carbono. A Ecosecurities tem uma equipe de 250 pessoas, em 28 escritórios ao redor do mundo.

Fabricante produz pás para usinas eólicas
Em Sorocaba (SP), está um outro exemplo do acerto na aposta nos negócios “ecologicamente corretos”. Lá funciona a fábrica da Tecsis, de onde saem anualmente 4 mil pás que abastecem usinas eólicas – movidas pela força dos ventos – em dez países. A empresa, fundada pelo curitibano Bento Koike, de 51 anos, tem 12 anos e já é a segunda maior produtora independente de pás para esse fim no mundo.

No ano passado, a trajetória de crescimento da empresa foi coroada com um contrato estimado em US$ 1 bilhão com a General Electric, a multinacional americana líder nesse tipo de energia. Mas Koike não confirma o valor da transação.

Outro empresário brasileiro que começa a lucrar com a economia “verde” é Eugênio Singer, paulista de 53 anos que está à frente da Ecosorb. A companhia, especializada na prevenção e tratamento de acidentes ambientais, começou a se expandir a partir do acidente da Petrobras na Baía de Guanabara, em 2000. “Até então, não existia esse tipo de serviço bem estruturado no País”, diz.

O senso de oportunidade colocou a empresa numa trajetória de crescimento de 20% a 30% ao ano a partir de 2002. Em maio, recebeu R$ 20 milhões do fundo de investimentos Stratus.

Fonte: Cimm

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