sexta-feira, 6 de julho de 2007

Levantamento de áreas devastadas no cerrado brasileiro

Depois de mais de 204 milhões de hectares mapeados a partir de 114 imagens de satélite, a principal conclusão do projeto coordenado por Edson Eyji Sano, pesquisador da Embrapa Cerrados, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária em Planaltina (DF), é que o Cerrado brasileiro perdeu 38,8% da vegetação nativa.

As imagens foram analisadas primeiramente de maneira visual para, em seguida, serem inseridas em um software que fez o processamento dos dados. O programa dividiu as diferentes classes de cobertura vegetal do terreno em polígonos, que representaram áreas como pastagens, culturas agrícolas, cursos d’água e vegetação nativa.

Áreas isoladas do Cerrado, localizadas na Amazônia, principalmente no Amapá e em Roraima não foram mapeadas pelo estudo. As áreas preservadas divulgadas são referentes a 98% do total do bioma existente no país.

A porcentagem de vegetação nativa por estados também foi divulgada, sendo São Paulo o que apresenta a pior situação e o Piauí a melhor.

O trabalho analisou também, dentro das áreas antrópicas que fazem parte dos 38,8% desmatados, qual a dimensão das regiões de pastagens cultivadas, culturas agrícolas e reflorestamento. O pesquisador afirma que a construção civil, malhas rodoviárias e a produção de alimentos, sobretudo milho, soja e algodão, são as principais causas dessa perda de cobertura vegetal.

O projeto de pesquisa avalia ainda quais formações vegetais, entre campestre, arbustiva e arbórea, estão presentes nos 61,2% de áreas remanescentes do bioma. Todos os resultados serão publicados no site do Ministério do Meio Ambiente (MMA).

De acordo com o MMA, o Cerrado é reconhecido como a savana mais rica do mundo em biodiversidade, com a presença de diversos ecossistemas, mais de 10 mil espécies de plantas, 837 de aves, 161 de mamíferos, 150 de anfíbios e 120 de répteis.

O bioma típico é constituído por árvores relativamente baixas, esparsas, disseminadas em meio a arbustos, subarbustos e uma vegetação baixa constituída, em geral, por gramíneas. O Cerrado está presente em 13 Estados e no Distrito Federal. É a segunda maior biodiversidade da América do Sul, atrás apenas da Amazônia.

Segundo o pesquisador da Embrapa, outro fator que contribuiu para a perda de vegetação nativa foi que, a partir dessas duas décadas, a produção de alimentos no Cerrado em todo o país também começou a se expandir, principalmente após o desenvolvimento de tecnologias que permitiram a adaptação de culturas agrícolas como o milho e a soja às condições climáticas do bioma.

Fonte: Agência Fapesp

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