segunda-feira, 2 de outubro de 2006

Vencedores do Prêmio Finep Região Sudeste

A Agência de Inovação da Unicamp (Inova Unicamp) venceu na disputa regional o Prêmio Finep de Inovação Tecnológica Sudeste na categoria Instituição de Ciência e Tecnologia e agora concorre ao prêmio nacional, que será entregue no dia 30 de novembro, em evento no Palácio do Planalto, em Brasília. Junto com a Inova Unicamp, levaram também um troféu — um caleidoscópio com base de acrílico — a Motorola, primeira colocada em Processo, a Módulo Security Solutions, vencedora em Produto, a P3D, primeira na categoria Pequena Empresa, e a Mectron, na categoria Média/Grande Empresa. O resultado foi anunciado no dia 20 de setembro, em um coquetel acompanhado por apresentações de dança, música e teatro, na capital do Espírito Santo, Vitória. O Estado de São Paulo foi o destaque, com dez projetos entre os três finalistas escolhidos em cada uma das seis categorias. Somadas com as demais regiões, concorreram ao prêmio deste ano 677 instituições. O Sudeste, que concentra o maior número de instituições de pesquisa, universidades e empresas, foi o recordista, com 257 inscrições.

Agência de Inovação da Unicamp
A Inova Unicamp concorreu com a Coordenadoria de Transferência e Inovação Tecnológica da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG-CTIT) e com a Embrapa Instrumentação Agropecuária (CNPDia), que ficaram em segundo e terceiro lugares, respectivamente. "A premiação regional e a indicação para a disputa nacional significam um reconhecimento do fato de que a universidade efetivamente estabeleceu uma ação institucional que permite a ela colocar o conhecimento gerado em suas atividades de pesquisa à disposição da sociedade", afirma o reitor da Unicamp, José Tadeu Jorge. "O modelo adotado pela Inova para facilitar a relação entre a universidade e a sociedade funciona de maneira eficiente. O prêmio dá visibilidade a isso, permitindo a outras instituições conhecer a experiência da Inova e usá-la como modelo para a montagem de seus núcleos de inovação", completa, referindo-se à exigência da Lei de Inovação, que obriga universidades e institutos de pesquisa a criarem esses núcleos de gestão. O reitor lembra que a Inova foi indicada em 2004, mas ainda era preciso entender como ela funcionaria. "Naquela época, diria que a Inova era mais uma teoria do que resultado. E hoje ela tem muitos resultados para mostrar que essa teoria é correta", analisa.

"Nossa indicação foi um grande reconhecimento público da Finep, em função da nossa capacidade de comercialização. Mesmo com uma equipe de 57 pessoas, conseguimos resultados importantes em transferência de tecnologia", destaca Roberto Lotufo, diretor-executivo da Inova. O número de funcionários parece elevado, mas não é, pois a Inova tem várias outras atividades complexas além da transferência de tecnologia, como estabelecer parceria com empresas, visitar as companhias, auxiliar na elaboração dos pedidos de patente da Unicamp, fazer o depósito dos mesmos junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), acompanhar o processo de análise dos pedidos e administrar as patentes já depositadas.

Eduardo Grizendi, diretor de parques tecnológicos e programas de incubadoras de empresas da Inova, representou Lotufo na premiação em Vitória. "Os núcleos de inovação que existem agora têm uma nova roupagem quando comparados aos antigos escritórios de transferência de tecnologia das universidades e institutos de pesquisa", destaca Grizendi, referindo-se às novas exigências da Lei de Inovação. Um dos artigos da lei diz que as universidades e institutos de pesquisa precisam criar os núcleos de inovação, centros que tiveram seu papel ampliado se comparado com os antigos escritórios, pois estes ainda eram mais centrados nas atividades de proteção das tecnologias do que no licenciamento. Além disso, os núcleos agora precisam atuar na realização das parcerias entre as universidades e centros de pesquisa e entidades do poder público e do setor privado. "Todos os núcleos estão ainda aprendendo a atuar dentro desse novo escopo de atividades que surgiu a partir da Lei de Inovação e a Inova tem uma importante contribuição a dar com sua experiência", afirma ele.

"O Prêmio Finep destaca a forma da sociedade olhar a Inova e validar ou aceitar como boas algumas de nossas práticas", completa. Outro aspecto positivo do prêmio é divulgar o trabalho da Inova e facilitar a atração de recursos, externa e internamente. "Precisamos de recursos para operar a agência, temos um longo processo para alcançar a auto-sustentabilidade. Se olharmos para experiências semelhantes no exterior, como nos Estados Unidos, veremos que são poucos os núcleos de inovação que sobrevivem com o que conseguem atrair de parcerias", diz. Segundo ele, a Inova quer mostrar que é uma parceira dos pesquisadores da Unicamp e das empresas e demais entidades que queiram utilizar o conhecimento e os recursos humanos da universidade em projetos cooperativos que tragam soluções inovadoras a seus desafios. "Não esperamos uma posição de unanimidade quanto à Inova, mas o prêmio com certeza fortalece esse nosso papel", finaliza.

Processo
A Motorola, sediada em São Paulo, venceu na categoria Processo pelo projeto que desenvolveu com o Centro de Estudos Avançados do Recife (Cesar) e o Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A parceria resultou no Brazil Test Center, o único centro mundial de verificação e integração de testes de software para celulares da marca. Criado em 2005, o investimento foi de US$ 20 milhões. A iniciativa tem o apoio, ainda, do Instituto Eldorado, de Campinas, e da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A equipe de pesquisa e desenvolvimento da Motorola de Jaguariúna (SP) também participa do centro.

O Brazil Test Center concentrou atividades da empresa que antes estavam dispersas em vários países, como Rússia, Índia e Estados Unidos. Todos os aparelhos celulares produzidos pela Motorola passarão primeiro pela análise da equipe brasileira antes de serem lançados no mercado global. A iniciativa faz parte do Programa de Desenvolvimento Tecnológico da Motorola Brasil.

Produto
Na categoria Produto, foi escolhida para representar o Sudeste na disputa pelo prêmio nacional a empresa Módulo Security Solutions, do Rio de Janeiro. Em parceria com o Instituto de Defesa Agropecuária do Mato Grosso (Indea) e o Centro de Processamento de Dados do Estado (Cepromat), a empresa desenvolveu um projeto de gestão de riscos para controle e prevenção em agronegócio, focado na febre aftosa. Essa gestão é feita por meio de um software para análise de riscos e gestão do conhecimento chamado Check-up Tool, elaborado pela Módulo.

O projeto tem como objetivo estabelecer um diagnóstico de risco de ocorrer febre aftosa no Mato Grosso, consolidar informações de controle e prevenção da doença em bases automatizadas e analisar a condição sanitária dos estabelecimentos comerciais da região, oferecendo informações para tomadas de decisão, em especial do poder público. Segundo Emanuel Ciattei, diretor da filial da empresa em Brasília, as informações oferecidas pelo produto permitem que os pecuaristas decidam quais ações emergenciais de combate a focos de aftosa devem ser tomadas, como monitorar a condição de risco ao atendimento das exigências dos mercados interno e externo, entre outras.

O projeto atuou, inicialmente, junto aos produtores e trabalhadores rurais do Mato Grosso. A idéia é expandir o projeto, tornando disponíveis as análises obtidas pelo sistema para a malha de defesa agropecuária do Estado, gerida pelo Indea, que conta com mil servidores e prestadores de serviço — gestores de áreas técnicas, veterinários e engenheiros agrônomos. O projeto deverá atingir 110 mil propriedades rurais.

Pequena empresa
A P3D, de São Paulo, ganhou por um projeto também na área de software. Ela desenvolveu um software educativo em realidade virtual. "Trabalhamos com dois conceitos novos nesse tipo de produto: as imagens são em três dimensões e ele não vem com conteúdo escrito. Os textos podem ser inseridos pelos professores, de acordo com a aula que eles darão", explica Jane Vieira, gerente nacional da empresa. As imagens, de alta resolução, podem ser manipuladas pelos professores com o uso do mouse e apenas quatro comandos.

Os softwares podem ser utilizados em computadores Pentium 4 ou superiores. O preço atual é R$ 800 por mês para a escola, com direito a atualizações. Esse é o valor da licença de uso do produto. Aqui também há outro diferencial: enquanto na maioria dos softwares o comprador paga um valor de licença por máquina, nesse caso o valor é pelo estabelecimento. Assim, se a escola quiser usar o software em vários computadores, não pagará nada mais além desses R$ 800.

Para chegar aos softwares — por enquanto disponíveis para as aulas de Biologia e Geografia —, a empresa investiu US$ 2 milhões, em quatro anos. Incubada no Centro Incubador de Empresas Tecnológicas (Cietec), na Universidade de São Paulo (USP), a empresa investiu recursos próprios no desenvolvimento dos produtos, trabalho que contou com o esforço de 45 pessoas da P3D. "Os softwares otimizam o tempo da aula, pois o professor não tem de desenhar na lousa, é de fácil uso, torna a aula mais dinâmica e valoriza o conhecimento do professor, pois é ele quem vai introduzir os conteúdos", destaca Jane. Segundo ela, o produto já é exportado para Portugal e Espanha e em breve entrará na Inglaterra.

Média/Grande Empresa
Contatada por Inovação, a empresa explicou que não permite reportagens sobre suas atividades sem exercer censura prévia sobre os textos.

Inovação Social
Nessa categoria venceu a Embrapa Milho e Sorgo, unidade que fica em Minas Gerais. O projeto que levou a empresa a vencer a rodada regional e ir para a nacional do Prêmio Finep foi o de captação de águas superficiais de chuva através do sistema de barraginhas. Ao receber o troféu, Luciano Cordoval de Barros, coordenador do projeto, ressaltou a importância de sua divulgação. "Estou ainda mais empolgado em levar a tecnologia para outras regiões. Com o Prêmio Finep, teremos oportunidade de apresentar as barraginhas a mais multiplicadores", disse. A tecnologia das barraginhas capta água de chuva e impede o aparecimento de erosões, recuperando áreas degradadas. Já foi implantada em mais de 300 cidades mineiras. Mais de 60 mil barragens já foram implantadas. (J.S.)

Fonte: Inovação Unicamp