sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

FGV: País poderá alcançar nível de países desenvolvidos em 20 anos

Crise econômica representa oportunidade para economia brasileira decolar A crise econômica que desde 2008 afeta Estados Unidos e Europa deverá durar pelo menos mais dez anos. Nesse período, a economia brasileira terá grande oportunidade de crescimento. E em duas décadas poderá alcançar o nível de países desenvolvidos. A avaliação foi feita por Yoshiaki Nakano, diretor da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (EESP - FGV) e membro do Conselho Superior da FAPESP, durante palestra de abertura do seminário Latin American Advanced Programme on Rethinking Macro and Development Economics (Laporde), dia 9 de janeiro, na capital paulista. Em sua terceira edição, o evento reuniu ao longo da semana palestrantes como Gabriel Palma e Há-Joon Chang (Universidade de Cambridge), Jan Krengel (Universidade do Missouri) e Luiz Carlos Bresser-Pereira (EESP-FGV). A iniciativa teve como público-alvo jovens professores de economia do Brasil e de outros países. Foi realizada pela FGV em parceria com a Universidade de Cambridge. O evento teve apoio da FAPESP, por meio da modalidade Auxílio à Pesquisa – Organização de Reunião Científica e/ou Tecnológica, e da Ordem dos Economistas do Brasil. Em sua apresentação, Nakano destacou o fim da hegemonia econômica dos Estados Unidos e o início de um período no qual há um vazio não apenas de poder, mas também de ideologia e de consenso político. Nesse contexto, há uma redistribuição de liderança na economia mundial e países emergentes, como China e Brasil, ganham destaque. “A consequência mais importante da atual crise para os países desenvolvidos não é econômica, mas social e política. O velho establishment político está em declínio e, com isso, crescem os movimentos da direita populista”, disse. O fenômeno, apontou Nakano, é semelhante ao que ocorreu após a Primeira Guerra Mundial, quando ganharam força correntes como fascismo e nazismo. Com os Estados Unidos mais preocupados em revitalizar a si mesmos, os países periféricos ganham autonomia. O papel de economia hegemônica deve ficar com a China, já que na previsão dos especialistas o Produto Interno Bruto (PIB) chinês deverá ultrapassar o dos Estados Unidos em 2018. Segundo Nakano, resta saber se a ascensão da potência asiática vai representar o declínio da globalização liberal governada pelo mercado e o fortalecimento do capitalismo estatal autoritário no modelo chinês. “A grande pergunta hoje é: que modelo está vindo para a economia mundial? A tendência, já vista em países como Grécia, Espanha, Itália e Portugal, é as questões domésticas se tornarem prioridade. O próximo passo é o fortalecimento do nacionalismo”, disse. Otimismo O cenário é bastante positivo para o Brasil, na avaliação de Nakano, que comparou o momento atual com as grandes depressões do fim do século 19 e da década de 1930. “No vazio de poder que ocorreu entre o declínio do Império Britânico e a ascensão dos Estados Unidos, o Brasil vivenciou a República, o fim da escravidão e a consequente chegada dos imigrantes europeus, que ajudaram a construir a base industrial do país. Após a crise de 1930, a industrialização ganhou força”, disse. Agora, segundo ele, é a grandeza e a diversidade do mercado interno – resultante da ascensão da nova classe média – que garantem ao país a oportunidade de “decolar”. “Essa nova classe média que foi integrada ao mercado de consumo representa quase metade da população. Isso nos coloca no contexto do consumo de massa, algo similar ao que ocorreu nos Estados Unidos após a Segunda Guerra Mundial”, analisou. Nakano ressaltou ainda os avanços na política macroeconômica ocorridos nos últimos anos. A estabilidade da moeda e o controle da inflação deixaram de ser a única prioridade do governo. A meta hoje, destacou, é estabilidade com crescimento. “E esse crescimento se tornou essencial para a estabilidade política e social no Brasil. A nova classe média quer manter o poder de consumo conquistado e, para isso, precisa de emprego. Criar empregos se tornou uma prioridade”, disse. Nakano apontou ainda outras razões para a resiliência brasileira à crise internacional, como os preços favoráveis das commodities – que devem permanecer assim no futuro próximo –, a abundância de recursos naturais e energia, indústria de transformação diversificada, grande reserva externa e déficit e dívida pequenos. Entre os obstáculos que podem atrapalhar a alavancada da economia brasileira, o economista destacou a taxa de câmbio sobrevalorizada. A partir dos anos 1980, relembrou Nakano, o Brasil passou por um processo de desindustrialização precoce, com redução do emprego nesse setor. “Agora é o momento ideal para reverter o quadro, mas a taxação excessiva ao setor produtivo e o câmbio sobrevalorizado atrapalham”, disse. “Também é preciso eliminar as heranças do período inflacionário, como alta taxa de juros e correção monetária do sistema financeiro”, apontou. Nakano aponta que o Brasil conseguirá vencer esses obstáculos. Uma das razões é o crescimento do PIB observado nos últimos anos, suficiente para impulsionar a economia. “Com o crescimento fica mais fácil solucionar problemas, reduzir a taxa de juros e mudar o câmbio. O Brasil poderá avançar muito se abandonar a mentalidade de colônia e deixar de esperar que o desenvolvimento venha de fora, por meio de investidores estrangeiros. O país precisa aprender a pensar por si próprio”, destacou. 

  Fonte: Karina Toledo / Agência FAPESP

USP: Alunos produzem videos sobre alimentação saudável

Alunos da Faculdade de Saúde Pública  da Universidade de São Paulo (FSP-USP) produziram vídeos com mensagens relacionadas à educação nutricional. A atividade faz parte do conteúdo da disciplina Educação Nutricional, ministrada por Ana Maria Cervato Mancuso e Ana Maria Dianezzi Gambardella, professoras do Departamento de Nutrição da FSP. Os vídeos começaram a ser produzidos no início de 2008 em parceria com o Núcleo de Comunicação e Educação da USP e contaram com a participação do professor Ismar de Oliveira Soares e da jornalista Izabel Leão. Um dos vídeos, produzido em 2010, contou com o apoio dos coordenadores da disciplina de Telemedicina da FSP. Uma parceria com a TV USP também resultou em duas séries de vídeos produzidos com apoio técnico e profissional da TV, que foram exibidos na grade de programação da USP no Canal Universitário. 
 Os vídeos “Redução do consumo de açúcar”, 



 “A hora do lanche” e “

Você lê o que você come?”




 podem ser vistos no YouTube. Mais informações pelo e-mail : Fonte: Agência FAPESP

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Anemia falciforme tem sido negligenciada e é urgente desenvolver novos tratamentos

Anemia falciforme é problema cada vez mais grave, diz especialista Doença hereditária que causa malformação das hemácias e provoca complicações em praticamente todos os órgãos do corpo, a anemia falciforme tem alta incidência no mundo, especialmente entre as populações afrodescendentes. No Brasil, a prevalência é de uma a cada mil pessoas, em média. Na Bahia, onde o contingente de negros é maior, a doença atinge um em cada 650 indivíduos nascidos vivos. Congênita, a doença piora continuamente ao longo do tempo, reduzindo a expectativa de vida do paciente para uma média de 40 anos. O tratamento se torna cada vez mais difícil, uma vez que adultos apresentam lesões crônicas em todos os órgãos, com crises agudas de dor provocadas pela oclusão dos vasos sanguíneos, além de sequelas neurológicas e outras alterações degenerativas graves. Há cerca de 30 anos, a professora Sara Olalla Saad, do Centro de Hematologia e Hemoterapia da Universidade Estadual de Campinas (Hemocento -Unicamp), se dedica a estudar a doença e aplicar o conhecimento no tratamento de pacientes. Em 1992, grupos internacionais de pesquisadores publicaram pela primeira vez trabalhos que demonstravam os benefícios da hidroxiureia para diminuir o sofrimento dos pacientes. Desde então, o grupo da Unicamp passou a utilizar o medicamento, que, no entanto, só seria aprovado no Brasil 10 anos depois. O pioneirismo, unindo pesquisa e clínica, levou o grupo a publicar muitos trabalhos com impacto internacional. Atualmente, os cientistas realizam um estudo de coorte com 114 pacientes de 14 a 55 anos, acompanhando-os continuamente a fim de compreender a doença e testar novas terapias. Saad, que coordena o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) do Sangue, participou, na sexta-feira (02/12), na sede da FAPESP, do Simpósio Regional sobre Medicina Translacional, realizado em celebração aos 60 anos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Em entrevista à Agência FAPESP, Saad comentou os rumos das pesquisas sobre anemia falciforme e destacou que as condições sociais dos pacientes, associadas às sequelas neurológicas, contribuem para que a doença, apesar de sua alta incidência e gravidade, seja negligenciada pelas políticas públicas de saúde. 

A hidroxiureia é utilizada para tratar pacientes de anemia falciforme há mais de 20 anos. O que falta aprender sobre esse medicamento? 
 Sara Olalla Saad – Embora já venhamos utilizando a hidroxiueria há muito tempo, ainda não sabemos se esse medicamento pode ser usado a partir do nascimento. Esse é o principal foco dos estudos recentes. Geralmente, para começar o tratamento, os médicos esperam por uma indicação, como uma síndrome torácica, ou uma sequência de crises. Mas quando o paciente chega à idade adulta já tem sequelas muito graves e uma péssima qualidade de vida. Queremos que os pediatras possam iniciar o tratamento precocemente, seja com a hidroxiureia ou com o transplante de medula óssea.

Como a senhora avalia o impacto da doença na qualidade de vida do paciente?
Sara Olalla Saad – Todos consideram o diabetes, por exemplo, uma doença grave pelas sequelas que pode causar. Mas a anemia falciforme é muito mais grave, porque o paciente tem todos os órgãos lesionados. As hemácias, com má formação, têm dificuldade para atravessar os capilares, que podem entupir, causando necrose, morte celular e crises de dor intensa. É comum o aparecimento de úlceras nas pernas, descolamento de retina, priapismo, acidente vascular cerebral, enfartes, insuficiência renal e pulmonar. Todos os ossos são comprometidos, causando dores nas articulações. E a doença é um caminho sem volta: com o passar do tempo ela só piora. Quando esses indivíduos chegam aos 40 anos, o quadro é de uma gravidade desesperadora. 

 Qual o objetivo dos estudos de coorte que estão sendo realizados pelo seu grupo? 
Sara Olalla Saad – Temos investigado todas as complicações crônicas que ocorrem e o quanto conseguimos intervir em cada uma delas. Temos marcadores renais que hoje são usados no mundo todo e, no caso do coração, usamos ecocardiogramas para saber se está na hora de fazer transfusões. Mas para várias das complicações crônicas não temos muitos detalhes sobre os parâmetros que devem ser controlados. Fazemos nessa coorte um estudo de boas práticas de medicina, a fim de definir como podemos cuidar desses pacientes, prevenir e retardar sequelas, além de promover uma maior sobrevida. 

 A senhora manifestou preocupação com o crescimento do número de pessoas com anemia falciforme. Isso está ocorrendo porque esses pacientes estão vivendo mais? 
 Sara Olalla Saad – Sim, isso está ocorrendo. À medida que vamos fazendo intervenções, eles vão vivendo mais. Mas isso não garante a qualidade de vida deles, que é muito ruim. Há algumas décadas, a sobrevida era de no máximo 30 anos. Hoje, a média de idade dos nossos pacientes é de 40 anos. Já aumentamos muito a sobrevida, mas eles estão com as sequelas. 

 A prioridade, então, além de estudar meios de prevenção, é descobrir novas maneiras de minimizar as sequelas? 
 Sara Olalla Saad – Queremos aproveitar nossos métodos avançados para testar algumas opções que já estão em testes in vitro ou em animais. Graças a avanços como a pinça óptica, podemos fazer isso, mesmo trabalhando em uma coorte pequena de pacientes, sem necessidade de estudos enormes e demorados. Com esse recurso, podemos testar o uso de diversos medicamentos e observar rapidamente como ele modifica a dinâmica das células. Não conseguimos observar a complicação crônica, demora-se 20 anos para isso. Então, precisamos de parâmetros que possam ser estudados rapidamente. 

 Há polêmica em torno do uso de transplante como alternativa, já que é preciso aplicar quimioterapia em pacientes que não têm câncer. Como a senhora avalia isso? 
 Sara Olalla Saad – Sou favorável ao transplante e recentemente pedi para transplantar um paciente meu. Disse a ele que, se fizesse o transplante, corria o risco de morrer em 10 dias, mas ele preferiu fazer, porque tinha muitas sequelas e dores ósseas terríveis. Está bem agora. Tenho agora um paciente de 19 anos na fila. O rapaz tem muitas crises de vaso-oclusão. É um adolescente que, quando sai à noite, fica uma semana internado, com muitas complicações sérias. Está tendo uma vida péssima. Temos receio em fazer transplantes em pacientes adultos, porque estão cheios de sequelas e, para fazer a quimioterapia, o ideal seria que os pacientes não tivessem órgãos lesionados. Mas os estudos mostram que os resultados dos transplantes são excelentes. 

O tratamento com hidroxiureia e o transplante são as principais alternativas? Há muitas limitações? 
 Sara Olalla Saad – Há algumas limitações. Alguns pacientes não respondem à hidroxiureia. Também não é todo mundo que consegue doador para transplante. Além disso, temos que trabalhar com outras drogas que melhorem toda a inflamação e não apenas a vaso-oclusão, por causa da sequela neurológica causada pela doença. Tratar só a vaso-oclusão não vai resolver, porque é também a inflamação que leva à morte neuronal, causando as sequelas neurológicas. Não sabemos ainda se só a hidroxiureia vai prevenir esse problema. Como vamos ter um número cada vez maior de pacientes, será preciso investir em outras drogas, como o composto que associa a hidroxiureia à talidomida – que é uma droga anti-inflamatória e imunossupressora. Tenho esperança que alguns doadores de óxido nítrico e magnésio possam ser usados nas crises de vaso-oclusão, para aliviar a dor do paciente. Acho que todas essas alternativas podem ter resultados bons. 

 Pode-se dizer que a anemia falciforme foi negligenciada ao longo da história? 
 Sara Olalla Saad – Sim, com certeza. Basta observar a história da hidroxiureia. Em 1992, já havia evidências em humanos de que a droga era eficiente e mesmo assim não conseguíamos aprovação. O Ministério da Saúde publicou uma portaria para o uso da hidroxiureia na qual foi incluída uma absurda lista de efeitos colaterais e um termo de consentimento para que o paciente não queira usar. Mas usávamos a droga há 10 anos e esses efeitos colaterais nunca ocorreram. Qualquer remédio pode ter muitos efeitos colaterais, mas eles podem ser raros, enquanto as sequelas da doença são absolutamente reais. Agência FAPESP – Por que houve tanta resistência à adoção do medicamento? Sara Olalla Saad – Não sei. Não entendo por quê. Mas acho que a negligência pode estar ligada ao fato de que esses pacientes são muito pouco mobilizados. São muito carentes, muito pobres, vários são afrodescendentes, têm uma doença crônica e grave, com sequelas neurológicas. São excluídos da sociedade de todas as formas.

Fonte:  Fábio de Castro / Agência FAPESP 

terça-feira, 29 de novembro de 2011

I OFICINA CENÁRIO CAPIXABA DE METROLOGIA tem mais de 60 participantes

Segundo o organizador da a 1ª Oficina Cenário Capixaba de Metrologia (Situação Atual e Perspectivas), Rogério Brasil, mais de sessenta profissionais participaram do evento no Salão da Indústria Findes, na quarta-feira (16/11).

O encontro contou com a presença do secretário de Desenvolvimento, Márcio Felix, que abriu o evento apresentando as expectativas de crescimento para o Estado até 2025. Ele aproveitou a oportunidade para parabenizar a organização: "O Ipem e a RCM (Rede Capixaba de Metrologia)estão de parabéns pela iniciativa e estão fazendo um excelente trabalho".

A atividade teve palestras do diretor geral do Ipem, Alex Mariano, e do chefe do laboratório de pressão do Inmetro,Paulo Couto. 

O evento contou ainda com a presença do Diretor Científico do SEBRAE Benildo Denadai, do vice presidente da FINDES Manoel Pimenta, do professor Elias Antonio Dalvi do ITUFES entre outras autoridades, técnicos, representantes de entidades e empresários do segmento de metrologia do Espírito Santo

Com discussões em mesa redonda, foi aprovado um documento que delibera sobre as demandas dos laboratórios, oficinas e outras areas industriais, para qualificação e inovação que garanta a competitividade.

Realizado em parceria com o Instituto de Pesos e Medidas do Espírito Santo (IPEM-ES), autarquia estadual vinculada a Secretaria de Desenvolvimento (Sedes), o encontro apresentou os desafios e as demandas da Metrologia Científica e Industrial no Espírito Santo visando o aprimoramento das práticas metrológicas de serviços de calibração e ensaios para melhoria no atendimento dessas atividades.

O evento é uma execução do InovaBrasil e tem como parceiro o Ipem-ES. Foi realizado com o apoio do Serviço de Apoio a Micro e Pequena Empresa (SEBRAE), do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), da Federação das Industrias do Espírito Santo (Findes), da Fundação Ceciliano Abel de Almeida (FCAA).

Fonte: IPEM

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Vale investe em laboratórios na UNIFEI


A empresa, com investimento de R$15 milhões, é parceira na aquisição de todos os laboratórios dos nove cursos de graduação.

A Universidade Federal de Itajubá (Unifei), em Minas Gerais, agora conta com um primeiro prédio inagurado no município mineiro de Itabira, na segunda-feira, 31 de outubro. A Prefeitura é responsável pela infraestutura do Campus. A Vale, com investimento de R$15 milhões, é parceira na aquisição de todos os laboratórios dos nove cursos de graduação.

O prefeito João Izael Coelho enalteceu a participação da empresa no investimento, que oferece novas possibilidades à população de Itabira. “Temos que pensar no futuro e em outras formas de desenvolvimento. O minério não tem segunda safra, mas o conhecimento gera safras infinitas”, afirmou.

O aluno da Unifei Bruno Galvão, de 19 anos, parabenizou e agradeceu a Vale pelo comprometimento. “Temos laboratórios de ponta e condições para desenvolvermos excelentes trabalhos. Espero continuarmos parceiros em busca de novos benefícios para os estudantes”, completou o aluno

Além do prefeito de Itabira, João Izael Coelho, a solenidade contou com a presença do diretor do Departamento de Ferrosos Sudeste (DIFS) da Vale, Zenaldo Oliveira; do pró-reitor do campus da Unifei, professor Renato Aquino; alunos da universidade; autoridades da região e representantes de empresas estatais mineiras.

O diretor do Departamento de Operações Ferrosos Sudeste e representante da Vale na inauguração, Zenaldo Oliveira, acredita que a parceria da empresa com o município vai trazer benefícios à população. “Esta unidade da Unifei é um marco para o processo educacional de Itabira e cidades vizinhas. Há uma grande necessidade de se investir mais em tecnologia e inovação para podermos colher os expressivos frutos deste trabalho”, comentou.

Fonte: FSB/ VALE

InovaBrasil participa de encontro na VALE

À convite da VALE o InovaBrasil foi conhecer os projetos da VALE quanto à inovação tecnológica e a criação do Instituto de Tecnologia da VALE



terça-feira, 1 de novembro de 2011

Antidepressivos são eficazes ?

Antidepressivos trazem mais prejuízos do que benefícios

Recentemente, a médica Marcia Angell publicou um artigo no "The New York Review of Books" sobre a crise da psiquiatria e a ineficácia dos antidepressivos que fez muitos pacientes pararem imediatamente de tomar medicamentos deste tipo. O artigo pôs em dúvida a eficácia dos antidepressivos nos tratamentos convencionais. Segundo a médica o índice de resposta dos pacientes a antidepressivos é pouquíssimo superior ao de placebos. E, além de poucos benefícios terapêuticos, há graves efeitos colaterais. Cerca de 70% das pessoas que tomam antidepressivos, por exemplo, têm disfunção sexual. E, em alguns casos, mesmo quando param de tomar as pílulas, a disfunção continua.

A teoria do desequilíbrio químico como uma causa da depressão é uma hipótese que não está comprovada, mas os médicos prescrevem medicamentos, principalmente por causa do "rolo compressor da promoção farmacêutica". É o que diz o psiquiatra Daniel Carlat. E não é surpreendente que haja um furor de mídia nos EUA em torno dos medicamentos. Cerca de 10% dos americanos com mais de seis anos de idade tomam antidepressivos. No Reino Unido, as prescrições para as drogas subiram 43% nos últimos quatro anos e chegaram a 23 milhões de receitas por ano.

O professor Irving Kirsch, diretor associado do programa de estudos de placebos da Harvard Medical School e autor de um livro intitulado "As novas drogas do imperador: explodindo o mito antidepressivo", explica a teoria do desequilíbrio químico. Segundo esta teoria, não há serotonina, norepinefrina ou dopamina em níveis suficientes nas sinapses do cérebro de pessoas deprimidas. Mas isto não se ajusta aos dados de pesquisas clínicas, uma vez que reduzir os níveis de serotonina em pacientes saudáveis não tem impacto sobre o humor que eles apresentam. Por isto, há quem acredite que a teria está equivocada.

- Esta teoria do desequilíbrio químico é um mito, diz ele. A idéia de que os antidepressivos podem curar a depressão de forma química é simplesmente errada.

A meta-análise de 38 estudos clínicos - sendo que 40% dos quais tinham sido retirados da linha de de publicação porque as empresas farmacêuticas não gostaram dos resultados - que envolveram mais de 3.000 pacientes com depressão mostra que apenas 25% dos benefícios do tratamento antidepressivo foi devido às drogas e que 50% foi simplesmente efeito placebo.

- Em outras palavras, o efeito placebo foi duas vezes maior que o efeito de drogas, embora a resposta ao placebo tenha sido menor nos pacientes severamente deprimidos. Placebos são extraordinariamente poderosos e podem ser "tão fortes quanto medicamentos potentes". A resposta ao placebo é específica: a morfina placebo alivia a dor, antidepressivos placebo aliviam a depressão. É uma questão de expectativa e condicionamento: se você espera se sentir melhor, você se sente melhor, mesmo se tiver efeitos colaterais negativos, pois os efeitos colaterais convencem as pessoas de que elas tomaram uma droga poderosa - diz Irving Kirsch.

Segundo o médico, a psicoterapia aumenta o efeito placebo e é significativamente mais eficaz que a medicação para todos os níveis de depressão.

- Antidepressivos só devem ser utilizados como último recurso e apenas para os mais severamente deprimidos - avalia Kirsch.

Nem todos concordam. Ian Anderson, professor de psiquiatria da Universidade de Manchester, acredita que os antidepressivos são úteis no tratamento de depressão e vai debater com Kirsch em uma conferência na Turquia no próximo mês. Ele diz que corremos o risco de "jogar fora o bebé junto com a água do banho".

- Isto ocorre quando dizemos que os antidepressivos são lixo. Os antidepressivos são parte da caixa de ferramentas de um médico, embora, provavelmente, sejam mais úteis para os pacientes mais deprimidos. Há pessoas que não respondem a terapias da fala. E neste caso não há escolha - comenta Anderson.

O professor Allan Young, presidente de psiquiatria da Imperial College London, concorda.

- A depressão é uma doença de classificação ampla. Há vários tipos de depressão, e cada tipo responde de forma diferente - diz Young. - É claro que cérebro e corpo são indissociáveis e os efeitos placebo são maiores nos pacientes que sofrem da doença com menos severidade.

Mas Kirsch levanta outro ponto:

- Para tornar as coisas mais complicadas, há o "efeito nocebo": se você espera se sentir mal quando você sair dos antidepressivos, você vai sentir-se mal, porque nós tendemos a notar pequenas mudanças aleatórias negativas e interpretá-las como prova de que estamos, na verdade, piorando... - diz Kirsch.

Ele cita o exemplo de uma paciente chamada Lucy, que tinha tendências suicidas. Ela tomou antidepressivos por 10 anos. Ela costumava dizer o seguinte: "A droga deu-me de volta a mim mesma, era como um raio de luz que brilha através da névoa". Mas os efeitos colaterais eram náuseas e a perda da libido, e isto a levou a abandonar o medicamento. Ela também descreveu o que sentia sem o medicamento: "Era como um relógio. Sentia uma contração muscular na parte de trás da minha mente. E vivia com medo da depressão voltar. A única coisa que me manteve viva foi saber que as pílulas estavam lá e que a qualquer momento poderia recorrer a elas"

Para Judy, um outro antidepressivo funcionou bem. "O primeiro que me foi dado produziu em mim enorme ansiedade, como uma viagem ruim, e fez-me terrivelmente ciente de todas as minhas terminações nervosas. Mas a segundo fez efeito desde o primeiro dia. Quando tomava de manhã, eu sabia que ficaria com a química equilibrada. Era como um interruptor sendo ligado: sentia uma corrida fabulosa na direção da alegria ".

Ela parou de tomar o medicamento depois de seis meses. E meses depois, ela se sentia fraca, mas não deprimida

- Eu sinto a depressão como uma pedra no meu plexo solar. E não era mais assim. Então, eu ainda pensei que seria agradável ter aquele atalho para a felicidade. E tomei o segundo antidepressivo. Não teve efeito algum porque eu não estava realmente deprimida. E, para mim, a teoria do placebo não faz sentido...

Daniel Carlat, psiquiatra em Boston e autor de "Unhinged: The Trouble with Psychiatry (Revelações de um doutor sobre uma Profissão em Crise) - diz que a prescrição de antidepressivo é um caso de "hit-and-miss".

- Infelizmente, sabemos um bocado menos sobre o que estamos fazendo do que você imagina. Quando eu me vejo usando expressões como "desequilíbrio químico" e "deficiência de serotonina", geralmente é porque estou tentando convencer um paciente relutante em tomar medicação. Usar essas palavras faz com que a doença parece mais biológica. A maioria dos leigos não percebe como interessa pouco saber sobre a base de doença mental.

Carlat não está tão convicto quanto Kirsch sobre o efeito placebo. Os pacientes que aparecem em seu gabinete são diferentes daqueles recrutados para ensaios clínicos porque as empresas farmacêuticas, desesperadas para fazer os seus produtos superarem um placebo, são muito seletivas sobre quem escolherem.

- Você tem que ter depressão "pura", imaculada por uso de álcool, problemas de ansiedade, transtorno bipolar, pensamentos suicidas, depressão leve ou a longo prazo e isto exclui a maioria dos pacientes ) diz Carlat.

No entanto, como diz Marcia Angell, autora de "A verdade sobre as companhias farmacêuticas: como elas nos enganam e o que fazer sobre isso", é verdade que a indústria faz muita propaganda enganosa, mas os medicamentos antidepressivos ainda são uma alternativa quando nada mais funciona.

Uma coisa é clara: o cérebro permanece misterioso. Como Carlat diz:

- Sem dúvida, existem causas neurobiológicas e genéticas para todos os transtornos mentais, mas eles ainda estão além da nossa compreensão. Tudo o que realmente sabemos é que a depressão existe e, por vezes, as drogas parecem funcionar, mesmo que seja efeito placebo.

Para antidepressivos, os médicos têm uma diretriz básica, que todos concordam:

1. Nunca pare de tomar antidepressivos sem o discutir com seu médico, porque a interrupção abrupta de medicamentos pode causar sintomas de abstinência, tanto física como mental.

2. Se você decidir parar, vai precisar reduzir gradualmente a dose, em vez de parar abruptamente.

3. Se você está feliz com seu antidepressivo e sente que funciona no seu caso, continue com o medicamento. O uso regular é o que funciona. Se alguma coisa não está quebrada, não tente consertá-la....

Fonte: O Globo

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

I OFICINA CENÁRIO CAPIXABA DE METROLOGIA

 I OFICINA CENÁRIO CAPIXABA DE METROLOGIA

Metrologia capixaba é tema de oficina em novembro

A Rede Capixaba de Metrologia (RCM) promove no dia 16 de novembro, no Salão da Indústria (Findes), a 1ª Oficina: Cenário Capixaba de Metrologia – Situação Atual e Perspectivas. A atividade marca uma nova etapa das discussões no Estado sobre qualificação e inovação para a competitividade.

Realizado em parceria com o Instituto de Pesos e Medidas do Espírito Santo (IPEM-ES), autarquia estadual vinculada a Secretaria de Desenvolvimento (Sedes), o encontro apresentará os desafios e as demandas da Metrologia Científica e Industrial no Espírito Santo visando o aprimoramento das práticas metrológicas de serviços de calibração e ensaios para melhoria no atendimento dessas atividades. 

O evento conta com o apoio do Serviço de Apoio a Micro e Pequena Empresa (SEBRAE), do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), da Federação das Industrias do Espírito Santo (Findes), da Fundação Ceciliano Abel de Almeida (FCAA). É uma execução do InovaBrasil e tem como parceiro o Instituto de Pesos e Medidas do Espírito Santo (Ipem-ES). 

METROLOGIA
A Metrologia garante a qualidade do produto final favorecendo as negociações pela confiança do cliente, sendo um diferenciador tecnológico e comercial para as empresas. Também é responsavel por reduzir o consumo e o desperdício de matéria-prima pela calibração de componentes e equipamentos, aumentando a produtividade. 

“A maioria dos serviços metrológicos qualificados utilizados no Espírito Santo está hoje nas mãos de empresas situadas em outros estados. É passada a hora de internalizar esses serviços e garantir a competitividade no cenário nacional” – destaca Ângelo Gil Rangel, diretor superintendente do Instituto de Tecnologia da Ufes (Itufes).

Salão da Indústria (Findes):
Av. Nossa Senhora da Penha, 2053 - Ed. Findes – Santa Lúcia / Vitória-ES

Maiores Informações e Inscrições:
(27) 3334-5253 / (27)8137-2643 ou pelo e-mail: rcmetrologia@findes.org.br

Fonte: IPEM / RCM / InovaBrasil 

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

RISE incentiva pesquisadores brasileiros a receber estagiários alemães

Até 27 de novembro estão abertas as inscrições para o programa Research Internship in Science and Engineering (RISE Weltweit), o qual permite a pesquisadores, professores e doutorandos brasileiros vinculados a uma instituição acadêmica ou de pesquisa receber estudantes alemães das áreas de ciências naturais, geociências ou engenharia para estágios em seus projetos.

As inscrições são realizadas no site do RISE, onde as informações sobre o estágio oferecido são inseridas em um grande banco de vagas. Mediante um cadastro, os estudantes alemães interessados têm acesso à lista de vagas. O DAAD então – com a participação do pesquisador envolvido em cada projeto – realiza a seleção.

Os resultados serão divulgados em março de 2012 e o período de realização do estágio ocorrerá entre junho e outubro. Os estudantes selecionados recebem uma bolsa mensal do DAAD, mais ajuda para custos de viagem e seguros de saúde, contra acidentes e contra terceiros.

Para os pesquisadores que oferecem vagas, participar do RISE significa contar com um assistente no trabalho de pesquisa, desenvolver competências sociais e habilidades de gestão de pessoal e fortalecer vínculos com universidades e institutos de pesquisa alemães.

Ao oferecer uma vaga, o professor ou pesquisador estrangeiro concorda em supervisionar o desempenho e apoiar o bolsista em questões administrativas locais, na procura de alojamento e, quando possível, em atividades recreativas.

Em 2010, 14 vagas foram oferecidas no Brasil, para as quais concorreram 25 estudantes alemães. Seis deles foram contemplados com bolsas do DAAD para os estágios com duração entre seis semanas e três meses. “Estamos contando com uma participação brasileira bem maior neste segundo ano do programa”, afirma Christian Müller, diretor do escritório do DAAD no Brasil.

O RISE Weltweit tem o apoio do Ministério Federal da Educação e Pesquisa (BMBF).

Para saber mais acesse o link

Fonte: DAAD

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Vale cria instituto para incentivar pesquisa tecnológica no país

Instituto Tecnológico Vale contará com duas unidades no país, nas áreas de mineração e desenvolvimento sustentável

Os desafios que se colocam para a Vale no século 21 são os mesmos enfrentados pela sociedade atual. Como produzir e ao mesmo tempo preservar? Como dar conforto e bem-estar, sem comprometer o futuro das próximas gerações? A solução para essas questões passa pelo desenvolvimento de novas tecnologias, pela produção de energias limpas, fontes renováveis, preservação da natureza e pela integração do ser humano dentro dessa equação. Com estes desafios no horizonte, a Vale lançou, no fim de 2009, o Instituto Tecnológico Vale (ITV), uma instituição sem fins lucrativos, de pesquisa e ensino de pós-graduação, voltada para a inovação em áreas estratégicas.

As discussões dos conceitos norteadores do ITV iniciaram-se há três anos. Seu objetivo é coordenar as ações de Ciência e Tecnologia da empresa, com ênfase em projetos de pesquisa de longo prazo desenvolvidos em parceria com a comunidade acadêmica do Brasil e do exterior. Com a iniciativa, a Vale pretende fomentar a produção de pesquisas científicas e o desenvolvimento econômico de base tecnológica no país, além de gerar e difundir novos conhecimentos para o desenvolvimento socioeconômico, ambiental e para a cadeia da mineração no Brasil.

Até agora, o ITV já distribuiu mais de 100 bolsas de mestrado e doutorado. Recentemente, o instituto fechou um convênio com o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) para oferecer bolsas de pós-graduação a moçambicanos em universidades brasileiras, além de convênios com o MIT (Massachusetts Institute of Technology) e com a EPFL (École Polytechnique Fédérale de Lausanne), da Suíça.

Outra ação inédita foi a parceria com as fundações de amparo a pesquisa dos estados de Minas Gerais, São Paulo e Pará, no valor de R$ 120 milhões, para fomento de projetos de pesquisa científica e tecnológica nas áreas de mineração, energia, ecoeficiência e biodiversidade e processos ferrosos para siderurgia. É a maior parceria do setor privado com órgãos públicos de fomento da história do país.

Além das ações de incentivo à pesquisa, o ITV vai construir um conjunto de estruturas físicas distribuídas pelo Brasil, com corpo próprio de pesquisadores com excelência mundial. Inicialmente, o instituto contará com dois campi de pesquisa a serem implantados em Ouro Preto (MG) e Belém (PA).

Cada centro terá uma vocação específica: o de Ouro Preto terá suas pesquisas focadas em mineração do futuro, enquanto o de Belém, em desenvolvimento sustentável. Inicialmente, cada campus vai abrigar, em média, 400 pessoas – entre funcionários, professores visitantes e alunos. Deste total, haverá cerca de 50 pesquisadores próprios. O restante será composto por pessoal administrativo, estudantes de pós-graduação e pesquisadores-visitantes.

Os campi do ITV estão sendo criados na forma de um projeto de arquitetura de ponta, com o objetivo de se tornarem instalações de referência, oferecendo um ambiente inclusivo, estimulante e seguro. Todas as instalações serão dotadas dos mais avançados sistemas de eficiência e geração energética, racionalização no uso de água, com utilização de águas pluviais, e no privilégio de materiais e acabamentos de impacto ambiental reduzido.

Desde sua concepção, o ITV tem alto grau de internacionalização, contando com pesquisadores brasileiros e estrangeiros que trabalharão em rede com outros institutos de pesquisa no país e no exterior. A ideia é ampliar o leque de atores possíveis, trazendo benefícios para a sociedade, uma vez que irá fomentar o desenvolvimento local, e para Vale, ao melhorar a sua rede de relacionamento com as comunidades científicas nacionais e internacionais, gerando valor para o seu negócio.

Os campi vão oferecer também cursos de pós-graduação, um diferencial importantíssimo, já que não existe algo similar no país feito pela indústria. Além disso, o ITV vai investir na criação de empreendimentos de base tecnológica, com ênfase na formação de empreendedores e com a criação de uma incubadora de empresas que permita que as tecnologias e pesquisas desenvolvidas no instituto possam ser transformadas em empreendimentos com alto potencial de crescimento e inovação.

“A idéia é que a interação empresa, universidade e agências do governo estimulem a produção científica de excelência e, consequentemente, a atratividade das instituições aos fomentos governamentais, gerando uma dinâmica virtuosa, que beneficie toda a comunidade”, afirma Luiz Mello, diretor do Instituto Tecnológico Vale.

Rio de Janeiro, 8 de setembro de 2010

Fonte: Monica Ferreira / Gerencia Geral de Relacionamento com a Imprensa

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

InCor - Tratamento para apneia do sono pode reduzir pressão arterial de pacientes com hipertensão resistente

Sono melhor e menos hipertensão
Ao estudar as causas da hipertensão resistente, que não cede com o uso de medicamentos, um grupo de pesquisadores constatou que a condição mais frequentemente associada ao problema é a apneia do sono – distúrbio caracterizado pelos roncos frequentes e engasgos enquanto o paciente dorme. Na pesquisa, os cientistas constataram que, curiosamente, a imensa maioria dos pacientes com apneia do sono não conheciam o diagnóstico.

O estudo foi realizado por cientistas do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (InCor-USP), em parceria com pesquisadores do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, e já foi aceito para publicação na revista Hypertension.

Em outro estudo ainda inédito, o grupo do InCor também demonstrou que o uso do equipamento conhecido como CPAP – sigla em inglês para “pressão positiva contínua nas vias aéreas” –, tratamento padrão para a apneia do sono, pode ser eficiente como terapia auxiliar, no caso dos pacientes com hipertensão resistente.

Um estudo anterior, publicado em março na Hypertension, havia demonstrado que o CPAP é eficiente também como prevenção, no caso de pacientes pré-hipertensos ou com hipertensão mascarada.

Os dois trabalhos sobre hipertensão resistente foram realizados no âmbito de um projeto que teve apoio da FAPESP na modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular e foi coordenado por Geraldo Lorenzi Filho, professor do InCor. Os estudos também tiveram a coordenação de Luciano Drager, Médico Assistente da Unidade de Hipertensão do InCor.

“Os pacientes com hipertensão resistente, por definição, são aqueles que não conseguem controlar a pressão arterial mesmo tomando três fármacos anti-hipertensivos em dose máxima tolerável, sendo um deles diurético.Trata-se de um problema muito grave, por isso decidimos realizar um estudo sobre as causas desse tipo importante de hipertensão”, disse Drager.

Em parceria com cientistas do Instituto Dante Pazzanese, os pesquisadores do InCor monitoraram mais de uma centena de pacientes de hipertensão resistente, a fim de investigar a causa do problema. A conclusão foi que a apneia era a condição mais frequentemente associada a ele.

“Identificamos uma frequência de 64% de casos de apneia do sono nessa população de hipertensos resistentes. A apneia foi, de longe, a principal causa do problema”, disse Lorenzi.

Em um segundo trabalho com os hipertensos resistentes, os pesquisadores do InCor separaram de forma randomizada, durante seis meses, um grupo tratado com o CPAP e medicamentos e outro apenas com os medicamentos. O trabalho fez parte de um doutorado e será submetido em breve à Hypertension.

“O tratamento com o CPAP conseguiu provocar uma queda significativa na pressão arterial dos pacientes. Trata-se de uma alternativa de tratamento adjuvante, que não dispensa o uso de fármacos. Mas o resultado foi animador”, disse.

Pré-hipertensão e Hipertensão mascarada

De acordo com Drager, além dos trabalhos relacionados aos pacientes refratários ao tratamento, o grupo realizou um estudo com foco no caso inverso: os pacientes com pré-hipertensão ou hipertensão mascarada.

“Já sabíamos que a apneia do sono é um fator de risco para o desenvolvimento de hipertensão e que o tratamento com CPAP promove uma redução da pressão arterial. Começamos então a levantar a seguinte questão: se usarmos o CPAP em pacientes que estão sob risco de desenvolver a hipertensão, será que conseguiríamos impedir o surgimento do problema?”, disse.

Para descobrir a resposta, os cientistas estudaram pacientes com dois tipos de problema: a pré-hipertensão e a hipertensão mascarada. “Essas duas condições são fatores que aumentam o risco de o paciente desenvolver no futuro uma hipertensão sustentada”, afirmou.

A pré-hipertensão, segundo Drager, é caracterizada por indivíduos cuja pressão arterial é normal, mas com valores próximos aos limites da hipertensão. Já nos casos de hipertensão mascarada, os pacientes apresentam pressão arterial normal no consultório, mas alterada quando o monitoramento é feito por 24 horas.

“Estudamos 36 pacientes com apneia do sono bastante importante. Fizemos um sorteio e metade deles foi tratada com o CPAP e metade permaneceu sem tratamento por três meses. Observamos que no final do período o grupo que recebeu o tratamento com CPAP teve uma redução considerável da frequência de pré-hipertensão e hipertensão mascarada”, contou.

No início do estudo, 94% dos pacientes com apneia apresentaram pré-hipertensão. Depois do tratamento com o CPAP apenas 55% continuavam com o problema. Quanto à hipertensão mascarada, 39% apresentaram o problema no início do estudo. Após o tratamento com CPAP, a frequência foi reduzida para 5%.

O grupo que não recebeu o CPAP não apresentou mudanças significativas. “Entre os tratados com CPAP, a redução da pré-hipertensão e da hipertensão mascarada foi muito significativa, considerando que foram apenas três meses de tratamento”, disse Drager.

O paciente com apneia dorme mal, ronca, tem prejuízos na memória e sonolência diurna, por isso precisa do tratamento. Mas a principal mensagem do estudo, de acordo com o cientista, é que, além da melhora de qualidade de vida ocasionada pela redução dos sintomas da apneia, o tratamento com CPAP pode, em tese, prevenir a ocorrência de hipertensão.

“Investir no tratamento da apneia com o uso do CPAP pode ser uma alternativa para reduzir a hipertensão da população, com um impacto econômico positivo muito relevante nos recursos públicos”, destacou.

O artigo The Effects of Continuous Positive Airway Pressure on Prehypertension and Masked Hypertension in Men With Severe Obstructive Sleep Apnea (doi:10.1161/HYPERTENSIONAHA.110.165969), de Luciano Drager, Geraldo Lorenzi Filho e outros, pode ser lido por assinantes da Hypertension

Fonte: Fábio de Castro / Agência FAPESP

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Royalties provenientes da exploração de petróleo na camada do pré-sal


Caro(a) Sócio(a) / Pesquisador(a),


A Câmara dos Deputados deverá colocar em votação ainda este mês a PL nº 8.051/2010, que determinará as regras de partilha dos

. A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC) chamam a sua atenção para a importância de se garantir recursos para as áreas de educação e de ciência, tecnologia e inovação (C,T&I) nos Contratos de Partilha e no Fundo Social.

Pedimos que assine e divulgue o abaixo-assinado “Royalties do Petróleo: Educação e C,T&I, disponível em: http://www.peticaopublica.com.br/?pi=PL8051

Precisamos de um milhão de assinaturas e contamos com sua colaboração.

Cordialmente,

Helena Nader
Presidente da SBPC

terça-feira, 13 de setembro de 2011

I OFICINA: CENÁRIO CAPIXABA DE METROLOGIA – Situação Atual e Perspectivas

No mês de outubro ocorrerá em Vitória, no Auditório da FINDES -Federação da Indústria do Espírito Santo, a  I OFICINA: CENÁRIO CAPIXABA DE METROLOGIA – Situação Atual e Perspectivas

Oportunidade única dos empresários conhecerem e debaterem a o estágio,desenvolvimento e desafios da metrologia no estado que mais cresce no Brasil.

O evento terá a participação das grandes, pequenas e médias empresas, institutos, secretarias de estado e Instituições de Ensino e Pesquisa do Espírito Santo.

Participe e divulgue sua empresa....

Maiores informações pelos telefones (27) 3334-5253-5253 e (27) 8162 0444 ou pelo e-mail: rogeriobrasil@inovabrasil.info

Rogério Brasil




sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Brasil precisa investir na criação da disciplina de engenharia de sistemas complexos para diminuir o atraso do país

Por uma nova engenharia
O Brasil está ficando para trás em uma área de fronteira do conhecimento, denominada “sistemas complexos”, que é tão importante como a nanotecnologia e as terapias com células-tronco, nas quais o país tem investido e em que a nova área também se aplica.

O alerta é de Sérgio Mascarenhas, professor e coordenador do Instituto de Estudos Avançados de São Carlos da Universidade de São Paulo (IEA-USP).

No início da década de 1970, quando foi reitor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Mascarenhas idealizou e lançou o curso de engenharia de materiais, pioneiro na América Latina.

Segundo ele, o país deve investir agora na criação da engenharia de sistemas que interagem entre si e que são de alta complexidade, como são definidos os sistemas complexos. Ou, caso contrário, poderá ficar muito atrás de países como os Estados Unidos, que lideram nas pesquisas nessa nova área que reúne física, química, biologia, educação e economia, entre outras especialidades.

Em 2008, Mascarenhas fundou no IEA de São Carlos, juntamente com o professor do Instituto de Química da USP de São Carlos Hamilton Brandão Varela de Albuquerque e a professora do Instituto de Física Yvonne Primerano Mascarenhas, um grupo de trabalho em sistemas complexos para contribuir para o desenvolvimento de pesquisas na área no país.

Por meio de uma associação com o Nobel de Química de 2007, Gerhard Ertl, premiado por suas pesquisas em sistemas complexos, e com um aluno do cientista alemão na Coreia do Sul, os pesquisadores brasileiros estabeleceram uma rede internacional de pesquisas na área conectando os três países.

Agora, a proposta de Mascarenhas é fomentar no Brasil a criação de um programa de pós-graduação em engenharia de sistemas complexos para diminuir o atraso do país nessa área.

Professor aposentado da USP, Mascarenhas contribuiu para a criação da área de pesquisa em física da matéria condensada no campus de São Carlos da Universidade de São Paulo (USP), no fim dos anos 1950; da Embrapa Instrumentação Agropecuária, no final da década seguinte, na mesma cidade, e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), no começo dos anos 60.

Em 2007, Mascarenhas ganhou o prêmio Conrado Wessel de Ciência Geral e, em 2002, a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico.

Professor visitante de diversas universidades estrangeiras, em suas pesquisas Mascarenhas tratou de assuntos diversos, como os eletretos, corpos permanentemente polarizados que produzem um campo elétrico e que seriam utilizados mundialmente na fabricação de microfones e aparelhos telefônicos.

No início da carreira, o pesquisador se dedicou ao estudo do efeito termo-dielétrico. Mais tarde, também realizou trabalhos na área de dosimetria de radiações (processo de monitoramento de radiação emitida), o que lhe permitiu, por exemplo, medir a quantidade de radiação existente em ossos de vítimas de Hiroshima.

Recentemente, Mascarenhas desenvolveu um método minimamente invasivo para medir pressão intracraniana que recebeu apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS) para ser difundido no Brasil e em toda a América Latina. O projeto foi desenvolvido com apoio do Programa FAPESP Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE).

O que é a engenharia de sistemas complexos?
Sérgio Mascarenhas – É uma engenharia de sistemas de sistemas. O que já existe é a engenharia de sistemas, que é aplicada em logística, em transporte e em sistemas construtivos, entre outras áreas. O que não existe é uma engenharia de sistemas que interagem entre si e que são complexos. O melhor exemplo de um sistema de sistemas é a internet, onde há desde pornografia até o Wikileaks e o Google.

Em quais áreas a engenharia de sistemas complexos pode ser aplicada?
Mascarenhas – Ela se aplica não só a materiais mas em operações financeiras e no agronegócio, por exemplo, em que há uma série de problemas que influenciam a produção agrícola. Há o problema do solo, de defensivos e insumos agrícolas, de estocagem e transporte, por exemplo, para que toda a produção da região Centro-Oeste do Brasil seja exportada.

São sistemas que envolvem muitas variáveis?
Mascarenhas – Exatamente. Todo sistema que apresenta muitas variáveis é um sistema complexo. E isso pode se agravar se a interação entre essas variáveis for não linear. Por exemplo, no agronegócio, se dobrar a produção de milho, se quadruplicar o preço do transporte do sistema logístico frente às dificuldades das estradas brasileiras, aí aparecem as chamadas não linearidades. Então, quando se tem um sistema complexo, as variáveis podem interagir não linearmente. Elas podem se multiplicar até exponencialmente.

O que o motivou a encampar a criação no Brasil dessa nova área?
Mascarenhas – Neste ano se comemoram 40 anos da criação do curso de graduação em engenharia de materiais na UFSCar, que idealizei quando era reitor da universidade e que é um sucesso. Agora, achei que deveria propor algo mais moderno, voltado para o século 21. A engenharia de sistemas complexos é uma área nova e muito interessante e para qual não está sendo dada a devida atenção no Brasil. Se fala bastante no país em pesquisa em áreas como a nanotecnologia e células-tronco, mas não sobre a engenharia de sistemas complexos, que se aplica a todas essas áreas e na qual não estamos formando gente.

Como essa nova engenharia poderia ser implementada no país?
Mascarenhas – A ideia seria criar um programa de pós-graduação em engenharia de sistemas para formar professores e pesquisadores nessa área. Não existe engenharia de sistemas complexos no Brasil e não há pesquisadores no país nessas áreas nem em faculdades tradicionais, como a Escola Politécnica da USP e as Faculdades de Engenharia da USP de São Carlos e da UFSCar. O que já existe no Brasil é engenharia de sistemas, mas não uma engenharia de sistemas que interagem entre si e que são de alta complexidade.

Por que essa nova engenharia ainda não existe no Brasil?
Mascarenhas – Porque é uma área muito nova e no Brasil há uma preocupação em “tapar o buraco” de uma porção de outras engenharias, como a de materiais, de sistemas elétricos e até de meio ambiente, e se perde o futuro tratando do passado. É um atraso muito grande da engenharia brasileira ainda não atuar em sistemas complexos. Além disso, o problema dessas áreas novas é que é preciso ter bons contatos internacionais e políticas de Estado – e não de governo – para enfrentar algo que representa um risco.

De que modo as pesquisas nessa área no Brasil poderiam ser articuladas?
Mascarenhas – Teríamos que ter uma rede. Hoje não se faz nada, se se quer ter impacto, sem falar em rede de pesquisa. Mesmo porque ainda somos tão poucos no Brasil que se não nos juntarmos em rede conseguiremos muita pouca coisa, por falta de massa crítica. Um centro de pesquisa nessa área não pode ser sediado só em São Carlos. Outras universidades também estão interessadas.

Há algum grupo de pesquisa nessa área no Brasil?
Mascarenhas – No Instituto de Estudos Avançados da USP, em São Carlos, temos um grupo de trabalho sobre sistemas complexos. Essa é uma história interessante porque quem ganhou o prêmio Nobel de Química em 2007 foi um cientista alemão, chamado Gerhard Ertl, por suas pesquisas sobre sistemas complexos. E nós, no IEA, fizemos uma associação com o Ertl, na Alemanha, e com um aluno dele na Coreia do Sul. Então, agora temos em São Carlos uma rede de pesquisa sobre sistemas complexos integrando Berlim, São Carlos e a Coreia do Sul.

Quais os países que lideram nas pesquisas em sistemas complexos?
Mascarenhas – O país que está na vanguarda nessa área são os Estados Unidos, com o MIT [Massachusetts Institute of Technology], com um centro que lida muito com questões bélicas. A própria guerra é um sistema complexo, porque nela há uma série de sistemas interagindo, como o de transportes, ofensivo, estratégico e de logística, para alimentar os soldados e transportar equipamentos e armamentos. Os militares lidam com sistemas de sistemas. Aliás, se olharmos para o passado, vemos que muitas aplicações de engenharia foram motivadas pelo poder bélico, como a internet, a robótica e bombas atômica e de fusão. O grande problema da humanidade hoje é criar instituições motivadoras de inovação que não sejam estimuladas apenas pela guerra militar, porque temos outras guerras para vencer. Tem a guerra da saúde, da educação, da violência urbana e muitas outras. E a engenharia de sistemas complexos pode ser aplicada para acabar com essas guerras sociais. Se o Brasil não aproveitar essa chance para ingressar nessa área, vamos ficar muito para trás em relação a outros países.

Fonte: Elton Alisson / Agência FAPESP

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

USP - Estudo indica que pacientes com depressão psicótica, têm alteração em estruturas cerebrais e viés negativo na memória emocional

Efeitos da depressão psicótica
Pessoas com depressão muitas vezes apresentam também manifestações psicóticas. Mas, até agora, a medicina não tem métodos objetivos para diferenciar esses casos dos quadros depressivos comuns, o que dificulta a adoção de tratamentos específicos.

Correlacionando dados de neuroimagem e testes clínicos, um grupo de pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP -USP) dá os primeiros passos para definir as diferenças clínicas e biológicas entre a depressão psicótica e não psicótica.

Dados preliminares de um estudo coordenado por Cristina Marta Del Ben, do Departamento de Neurociência e Comportamento da FMRP-USP, indicam que pacientes com depressão psicótica apresentam alterações no volume de determinadas estruturas cerebrais.

O estudo, ligado ao Projeto Temático "Neurotransmissores típicos e atípicos em transtornos neuropsiquiátricos", apoiado pela FAPESP e coordenado por Francisco Silveira Guimarães, da FMRP-USP, foi apresentado na sexta-feira (26/08), durante a 26ª Reunião Anual da Federação de Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE), no Rio de Janeiro.

O estudo avaliou 23 pacientes com depressão psicótica, 25 com depressão não psicótica e 29 pessoas saudáveis para controle. O objetivo era observar as diferenças entre a depressão com e sem psicose. “Mas achamos importante correlacionar esses resultados de alterações biológicas com medidas clínicas e funções psíquicas mais finas. Por isso, combinamos esses dados a uma avaliação clínica detalhada”, disse Del Ben.

Os dados de neuroimagem foram obtidos com um scanner de 3 tesla. Os pacientes também foram submetidos a uma espectroscopia para detectar a presença de uma série de metabólitos. Os dados foram então analisados por um software específico.

“Mas não podíamos nos restringir aos dados biológicos, pois era preciso considerar a emoção e o comportamento envolvidos nas manifestações da doença. Por isso, desenvolvemos também paradigmas para avaliar as interferências no processamento de memória verbal e visual envolvendo estímulos emocionais”, disse Del Ben.

Em um dos testes, os pacientes tinham que memorizar uma lista de 15 palavras com significado positivo, negativo ou neutro. Uma segunda lista de 15 palavras era então apresentada e os participantes deveriam identificar as palavras que já estavam presentes antes.

Outro teste semelhante foi feito com imagens positivas, negativas e neutras. Um terceiro teste envolvia a identificação de rostos humanos expressando diferentes tipos de emoção.

“Embora todos os pacientes tivessem depressão com o mesmo grau de gravidade, aqueles que apresentavam a manifestação psicótica demonstraram uma tendência maior a ficar atentos ao negativo. Não percebiam estímulos positivos que já tinham visto, ou achavam que tinham visto estímulos negativos que não tinham visto. É como se eles apresentassem um viés para o que é ruim”, disse Del Ben.

Algumas estruturas cerebrais dos pacientes com depressão psicótica apresentaram alterações no volume. A principal diferença ocorreu no istmo do giro do cíngulo, que estava reduzido nesses pacientes. De acordo com Del Ben, essa estrutura faz parte do sistema límbico, uma região do cérebro responsável pelas emoções.

“A redução da parte posterior do giro do cíngulo foi significativa nos pacientes com depressão psicótica, distinguindo-os muito bem dos não psicóticos. Além disso, há uma correlação com a gravidade. Quanto mais grave o caso do paciente psicótico, menor se apresentava a estrutura”, apontou.

Tratamento específico
Segundo a cientista, os dados são preliminares e foram obtidos há cerca de dois meses. “Apenas começamos a fazer as correlações. Mas agora temos dados para fazer a conexão entre as alterações nas estruturas cerebrais e essa tendência a superestimar o lado negativo das coisas”, afirmou.

O istmo do cíngulo faz a conexão entre o lobo occipital – uma estrutura importante para o processamento visual e a percepção do estímulo externo – com o sistema límbico. Segundo a pesquisadora, o trabalho abre caminho para levantar até que ponto a depressão com psicose pode estar ligada a uma percepção distorcida de estímulo externo.

“É uma possibilidade que estamos levantando. A possibilidade de uma distorção na percepção do estímulo externo é, a princípio, coerente com a presença de delírio e alucinação, típicas da manifestação psicótica. Ainda temos que explorar esse possível problema na integração entre mundo externo e percepção subjetiva”, explicou.

Segundo Del Ben, é possível que a depressão psicótica e não psicótica sejam condições distintas de transtorno mental, que mereceriam abordagens específicas. Por isso, é importante estudar essa diferença.

“Entender a fisiopatogenia da doença é fundamental para a psiquiatria. Estamos aquém de outras especialidades médicas nessa área. É preciso aprofundar nossa compreensão de todo o processo para intervir de maneira mais apropriada. Atualmente, os pacientes são medicados com antidepressivos que causam uma modificação bastante inespecífica, no cérebro todo. Ainda não sabemos se é possível utilizar um tratamento mais específico e personalizado”, afirmou.

Além de Del Ben, participaram do trabalho a pós-doutoranda Maristela Schaufelberger Spanghero, atualmente docente da FMRP, e as alunas de mestrado Aline Gerbasi Balestra e Helena Pinho de Sá.

Fonte: Fábio de Castro / Agência FAPESP

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Senai, Sesi e CNPq financiam inovação em 96 industrias

Senai, Sesi e CNPq premiam 96 industrias
O Serviço Nacional da Indústria (Senai), o Serviço Social da Indústria (Sesi) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) divulgaram na semana passada a relação de 96 empresas do ramo industrial (arrecadadoras para o chamado Sistema S) que tiveram seus projetos de inovação reconhecidos e serão financiados por bolsas especiais do edital Senai/Sesi de Inovação 2011.

O valor individual da bolsa é R$ 300 mil por projeto escolhido. Caso o projeto tenha sido contemplado simultaneamente pelo Sesi e pelo Senai o valor sobe para R$ 400 mil. O Sesi escolheu projetos que incorporem melhoria na qualidade do trabalho e para a mão de obra (projetos de responsabilidade social, educação, saúde e segurança do trabalho, cultura, esporte ou lazer) e o Senai para inovação tecnológica no processo produtivo ou na manufatura finalizada.

No total, R$ 26 milhões serão destinados às empresas (R$ 16 milhões do Senai, R$ 7,5 milhões do Sesi e R$ 2,5 do CNPq). De acordo com a organização, o valor da premiação poderá alcançar R$ 59 milhões com a contrapartida de parceiros, como as universidades, instituições de apoio à pesquisa, cooperativas e os departamentos estaduais do Sesi e Senai. As empresas terão 20 meses para desenvolver os projetos apresentados.

A falta de inovação da indústria instalada no Brasil costuma ser criticada por cientistas e pesquisadores, e também por representes de agências públicas de fomento à pesquisa. Na semana passada, a presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Helena Nader, declarou que "a indústria tem que ser convencida de que tem que contratar profissionais qualificados. As pessoas acham que o lucro vem no dia seguinte", disse no último dia da reunião anual que a entidade fez em Goiânia.

O analista de Desenvolvimento Industrial da Unidade de Inovação Tecnológica do Senai, Alysson Andrade Amorim, concorda com a queixa da comunidade científica. Avalia que falta cultura de inovação às empresas e que é necessário articular melhor o mercado e a academia. "A gente precisa melhorar a comunicação e as parcerias firmadas entre universidades e empresas". Em sua opinião as empresas têm dificuldade para "trabalhar de forma científica e de utilizar tecnologias já existentes para que não haja a reinvenção da roda".

Amorim considera estratégico as indústrias investirem em pesquisa, desenvolvimento e inovação (PDI). "As empresas precisam aprender a inovar e estruturar melhorar suas áreas de PDI e capacitar melhor os grupos para que eles consigam desenvolver ideias, que geralmente estão fundamentadas nos problemas que enfrentam", disse ao salientar que a inovação torna a economia mais competitiva e reduz dependência externa.

Este ano é a oitava edição do Edital Senai/Sesi de Inovação. A lista dos projetos premiados pode ser vista no site do Senai. O setor com mais empresas premiadas é o de alimentos e bebidas (17 projetos) e o estado com mais indústrias contempladas é o Rio Grande do Sul. Empresas de porte diferente, desde microempresas a empresas de grande porte tiveram projetos acolhidos.

Fonte: Agência Brasil

quarta-feira, 27 de julho de 2011

OMS - publicação sobre depressão reúne estudos populacionais em 18 países e indica relação entre o distúrbio e condições sociais


Mapa global da depressão
O episódio depressivo maior (MDE, na sigla em inglês) é uma preocupação considerável para a saúde pública em todas as regiões do mundo e tem ligação com as condições sociais em alguns dos países avaliados.

Essa é a principal conclusão de um estudo que reuniu dados epidemiológicos provenientes de 18 países, incluindo o Brasil. Os resultados foram apresentados no artigo Epidemiologia transnacional do MDE, publicado nesta terça-feira (26/7) na revista de acesso aberto BMC Medicine.

A depressão é uma doença caracterizada por um conjunto de sintomas psicológicos e físicos, associada a altos índices de comorbidades médicas, incapacitação e mortalidade prematura.

Os países foram divididos em dois grupos: alta renda (Bélgica, França, Alemanha, Israel, Itália, Japão, Holanda, Nova Zelândia, Espanha e Estados Unidos) e baixa e média renda (Brasil – com dados exclusivamente de São Paulo –, Colômbia, Índia, China, Líbano, México, África do Sul e Ucrânia).

De acordo com o relatório, nos dez países de alta renda incluídos na pesquisa, 14,6% das pessoas, em média, já tiveram MDE. Nos 12 meses anteriores, a prevalência foi de 5,5%. Nos oito países de baixa ou média renda considerados no estudo, 11,1% da população teve episódio alguma vez na vida e 5,9% nos 12 meses anteriores. A maior prevalência nos últimos 12 meses foi registrada no Brasil, com 10,4%. A menor foi a do Japão, com 2,2%.

O trabalho faz parte da Pesquisa Mundial sobre Saúde Mental, iniciativa da Organização Mundial da Saúde (OMS) que integra e analisa pesquisas epidemiológicas sobre abuso de substâncias e distúrbios mentais e comportamentais. O estudo é coordenado globalmente por Ronald Kessler, da Universidade de Harvard (Estados Unidos).

A pesquisa São Paulo Megacity Mental Health Survey, que gerou para o relatório os dados relativos ao Brasil, foi realizada no âmbito do Projeto Temático “Estudos epidemiológicos dos transtornos psiquiátricos na região metropolitana de São Paulo: prevalências, fatores de risco e sobrecarga social e econômica”, financiado pela FAPESP e encerrado em 2009.

Entre os autores do artigo estão Laura Helena Andrade, professora do Departamento e Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), e Maria Carmen Viana, professora do Departamento de Medicina Social da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

Andrade conduziu o Temático em parceria com Viana, que teve bolsa de pós-doutorado da FAPESP entre 2008 e 2009 no Núcleo de Epidemiologia Psiquiátrica do IP-FM-USP, coordenado por Andrade.

Segundo Viana, o São Paulo Megacity Mental Health Survey é um estudo epidemiológico de base populacional que avaliou uma amostra representativa de residentes da região metropolitana de São Paulo, com 5.037 pessoas avaliadas em seus domicílios.

Todas as entrevistas foram feitas com base no mesmo instrumento diagnóstico. Atualmente, cerca de 30 países participam da Pesquisa Mundial sobre Saúde Mental com pesquisas semelhantes .

“Em todos os países foi aplicada a mesma metodologia. No artigo internacional, foram incluídos exclusivamente os dados sobre depressão maior, mas a nossa pesquisa avalia diversos outros transtornos mentais, entre eles os de ansiedade – como pânico, fobias específicas, fobia social e transtorno obsessivo compulsivo – e transtornos de humor, como o transtorno bipolar, distimia e a própria depressão maior”, disse Viana .

Também foram publicados recentemente resultados sobre transtorno bipolar, suicídio e tabagismo. “No estudo São Paulo Megacity estimamos que 44,8% da população já apresentou pelo menos uma vez na vida algum transtorno mental. Nos 12 meses anteriores à entrevista, a prevalência foi de 29,6%”, disse.

Segundo o levantamento transnacional, a depressão maior é uma das principais causas de incapacidade em todo o mundo. “Os dados epidemiológicos, no entanto, não estão disponíveis em muitos países, em especial os de baixa e média renda, como o Brasil. Por isso é tão importante termos esse tipo de estudo de base populacional”, afirmou Viana.

A assistência à saúde mental no Brasil, segundo Viana, deixa a desejar do ponto de vista da Saúde Pública. "Acredito que a divulgação de dados como esses devem servir de alerta e de embasamento para políticas públicas de prevenção e assistência à saúde mental. É preciso que essas políticas possam ser traçadas e implementadas levando em consideração as necessidades que identificamos na nossa população", afirmou Viana.

Prevalência maior em mulheres
Os resultados do estudo mostraram que, nos países de alta renda, a idade média de início dos episódios de depressão maior foi de 25,7 anos, contra 24 anos nos países de baixa e média renda. Incapacitação funcional mostrou-se associada a manifestações recentes de MDE.

O estudo também revelou que a prevalência é duas vezes maior entre as mulheres em relação aos homens. Nos países de alta renda, a juventude está associada com uma prevalência mais alta de depressão nos 12 meses anteriores à entrevista. Por outro lado, em vários dos países de baixa renda, as faixas etárias mais altas mostraram ter maior probabilidade de episódios depressivos.

A condição de separação de um parceiro apresentou a correlação demográfica mais forte com o MDE nos países de alta renda. Nos países de baixa e média renda, os fatores mais importantes foram as condições de divórcio e viuvez.

O relatório recomendou que futuras pesquisas investiguem a combinação de fatores de risco demográfico que estão associados ao MDE nos países incluídos na Iniciativa Pesquisa Mundial sobre Saúde Mental.

O artigo Cross-national epidemiology of DSM-IV major depressive episode, de Ronald Kessler e outros, pode ser visto em acesso aberto na BMC Medicine.

Fonte: Fábio de Castro / Agência FAPESP